O Triunfo do Capital e a Decadência do Socialismo: Uma Reflexão Histórica e Filosófica

 

O Triunfo do Capital e a Decadência do Socialismo: Uma Reflexão Histórica e Filosófica.

Por Lucius Cohen


Por um instante, permitam-me guiá-los por um caminho que, embora espinhoso, é iluminado pela verdade histórica e pela razão. A afirmação de que o capitalismo, em sua força dinâmica, foi o motor da libertação de povos e da expansão da liberdade humana, enquanto o socialismo, em suas várias encarnações, frequentemente conduziu à opressão e à miséria, não é uma mera provocação retórica, mas uma constatação fundamentada em fatos históricos e em uma análise profunda da natureza humana. 

Como já dizia René Guénon em "A Crise do Mundo Moderno" (1927), a civilização ocidental, com seus valores de liberdade individual e iniciativa, floresceu sob o signo da ordem espontânea, que o capitalismo encarna, enquanto ideologias coletivistas, como o socialismo, tendem a sufocar a alma humana em nome de utopias equalitárias. Vou examinar essa questão com o rigor que ela exige, recorrendo à história, à filosofia e aos testemunhos do passado.

 

O Capitalismo como Força Libertadora

O capitalismo, entendido não como um monstro desalmado, mas como um sistema que canaliza a iniciativa e a liberdade de empreender, desempenhou um papel central na superação de estruturas arcaicas de opressão. Tomemos o exemplo paradigmático da abolição da escravidão nos Estados Unidos. A Guerra Civil Americana (1861-1865), como bem documenta James McPherson em "Battle Cry of Freedom" (1988), foi não apenas um conflito moral, mas também econômico. O Norte, com sua economia capitalista industrial, baseada em trabalho assalariado e inovação tecnológica, contrastava com o Sul agrário, cuja economia escravista era estagnada e dependente da exploração humana. O Norte produzia 90% da manufatura dos EUA, segundo dados da época, e suas ferrovias e fábricas deram-lhe a superioridade logística que assegurou a vitória da União.

A Proclamação de Emancipação (1863) e a 13ª Emenda (1865), que aboliram a escravidão, não foram apenas triunfos morais, mas consequências de um sistema econômico que tornava a escravidão obsoleta. Como apontou Ludwig von Mises em "Ação Humana" (1949), o mercado livre, ao premiar a eficiência e a inovação, cria incentivos para substituir formas arcaicas de trabalho por sistemas mais produtivos. O capitalismo, ao demandar trabalhadores livres que também consomem, integrou ex-escravos à economia, ainda que com dificuldades, como consumidores e assalariados, algo impensável no feudalismo escravista do Sul.

Além disso, a Revolução Industrial, impulsionada pelo capitalismo, trouxe avanços que elevaram o padrão de vida global. Eric Hobsbawm, em "A Era das Revoluções" (1962), reconhece que, apesar de suas desigualdades iniciais, o capitalismo do século XIX multiplicou a riqueza e permitiu a mobilidade social em escala nunca vista. A Inglaterra, berço do capitalismo moderno, aboliu o comércio de escravos em 1807 e a escravidão em 1833, não por mera bondade, mas porque sua economia industrial já não dependia de tais práticas. O capitalismo, ao contrário do que dizem seus detratores, não é perfeito, mas é o único sistema que, por sua própria lógica, erode estruturas de coerção em favor da liberdade individual.

 

A Decadência do Socialismo: Uma Promessa de Igualdade, Uma Realidade de Opressão

Contrastando isso com o socialismo, cuja promessa de igualdade esconde, frequentemente, um projeto de controle totalitário. Como alertava Friedrich Hayek em "O Caminho da Servidão" (1944), o socialismo, ao centralizar o poder econômico e político, inevitavelmente restringe a liberdade individual. A história do século XX é um testemunho trágico dessa verdade. A União Soviética, sob Lenin e Stalin, prometia um paraíso proletário, mas entregou gulags, fome e repressão. O "Livro Negro do Comunismo" (1997), de Stéphane Courtois, estima que regimes socialistas foram responsáveis por cerca de 100 milhões de mortes, incluindo minorias étnicas e religiosas perseguidas, como os cossacos, os tártaros da Crimeia e os kulaks, dizimados por políticas de coletivização forçada.

Na China de Mao Tsé-Tung, a Revolução Cultural (1966-1976) devastou a sociedade, perseguindo intelectuais, minorias étnicas e qualquer um que ousasse divergir da linha do Partido. Jung Chang, em "Cisnes Selvagens" (1991), relata como a utopia socialista destruiu famílias e culturas em nome de uma igualdade que nunca se materializou. Mesmo em experimentos menos extremos, como os socialismos democráticos, a burocracia estatal e a redistribuição forçada frequentemente geram estagnação. A Venezuela, outrora um dos países mais ricos da América Latina, viu sua economia colapsar sob o socialismo do século XXI, com uma inflação de 1.698.488% em 2018, segundo o FMI, e uma diáspora de milhões de cidadãos.

O socialismo, ao rejeitar a liberdade individual em favor de um coletivismo abstrato, nega a essência da dignidade humana. Como dizia Alexis de Tocqueville em "A Democracia na América" (1835), a liberdade é frágil e exige instituições que respeitem o indivíduo, algo que o capitalismo, com todos os seus defeitos, faz melhor ao descentralizar o poder e premiar a iniciativa.

 

Os "Yankees" e o Triunfo da Liberdade

"Yankees" evoca a Guerra Civil e representa não apenas uma vitória militar, mas a afirmação de um modelo de sociedade baseado na liberdade de mercado e na rejeição do atraso escravista. Abraham Lincoln, em seu Discurso de Gettysburg (1863), falou de um "novo nascimento da liberdade", que ecoava os valores do capitalismo liberal: o direito de cada homem a colher os frutos de seu trabalho. Os "Yankees", com suas fábricas, ferrovias e espírito empreendedor, simbolizam essa energia criativa que o capitalismo desata.

Contudo, não devemos idealizar. O Norte não era um paraíso de igualdade; o racismo persistiu, e as leis Jim Crow, pós-Reconstrução, mostram que o capitalismo não resolve todos os males. Ainda assim, como apontou Thomas Sowell em "Wealth, Poverty and Politics" (2015), o mercado livre oferece mais oportunidades para minorias superarem barreiras do que sistemas centralizados, onde o poder estatal pode ser usado para perpetuar discriminações.

 

A Essência Humana e o Futuro

A história demonstra que o capitalismo, ao canalizar a liberdade individual e a criatividade, foi um motor de progresso, enquanto o socialismo, em suas formas mais radicais, conduziu à opressão e à estagnação. Como dizia Olavo de Carvalho em "O Jardim das Aflições" (1995), a verdadeira batalha é entre a liberdade do espírito humano e as ideologias que buscam aprisioná-lo. O capitalismo não é um fim em si mesmo, mas um meio que, ao respeitar a iniciativa individual, permite à humanidade florescer. O socialismo, por outro lado, com sua obsessão por igualdade forçada, frequentemente esmaga o que há de mais nobre no homem.

Que o exemplo dos "Yankees" — não apenas como nortistas, mas como símbolo da liberdade empreendedora — nos inspire a defender a ordem espontânea contra as utopias que prometem paraísos e entregam grilhões. 

A história não mente: onde o capitalismo prospera, a liberdade respira; onde o socialismo se impõe, a humanidade sufoca.




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