Capítulo XIII - Ponte para o Passado

Afinal estavam diante da caverna, observando a escuridão. Mudaram forma, segurando adagas não muito longas. Leona um pouco confusa: — Esperem um minuto! Como entraremos nessa escuridão, não há luz? Ambos olham-se mutuamente, relembrando que estão acompanhados de um filhote perdido. — Esquecemos que Leona não pode ver no escuro. — Pelo menos ainda não! —Coração afirma otimista. — Você não acha que ela o fará na primeira tentativa? Eu não acredito. — Não se esqueça quem ela é! —respondeu em tom repreensivo. — Deixa de bobagens Coração de Lobo. Não posso ver no escuro e nunca pude! Coração de Lobo aproximou-se, acariciando sua face. Com a outra mão fechou os olhos de Leona e disse, ao mesmo tempo fechando também os seus: — É um poder que está dentro de cada um de nós, Lobos. Ele ainda está dormindo, mas com um pouco de ajuda, despertará. Era uma luz muito verde, iluminando toda a mão de Coração de Lobo. Afastou-se de Leona, abaixando sua mão que lentamente perdia a intensidade de luz. Leona levantando suas pálpebras e percebendo que os dois tinham os olhos verdes e iluminados. — Seus olhos são como lanternas! — Os seus também! —disse Lixo Selvagem. — É incrível! Já vi muitos utilizando esse dom, mas essa é a primeira vez que vejo um com esse brilho azul. — Ela tem que ser diferente sempre. —Lixo ironiza. — A cada instante acredito mais em seu poder! Foi uma investida rápida, seguindo apressados pelo estreito caminho. Lixo Selvagem reclamava muito do fato de sempre ter que cobrir a retaguarda, enquanto Coração de Lobo continuava adiante exigindo silêncio. Leona reconhece o local e pára de súbito. — Esperem! Logo em frente há um esqueleto grande, fossilizado no teto. — Será necessária muita cautela! Pode ser um guardião. — Não delire, Coração de Lobo! Depois de mil e quinhentos anos eu duvido que esse ancestral consiga mover-se. — Leona, eu sugiro que segure sua adaga. Talvez não tenha tempo para sacá-la. A tatuagem desaparece, liberando a espada que desprende-se do corpo e atravessa a calça jeans. Visualizam o fóssil no teto e Leona surpreende-se: — Estranho! Tenho a certeza de que a cabeça estava dentro das pedras. Coração de Lobo da uns passos adiante e volta-se para Leona, questionando se ela tinha absoluta certeza sobre o que estava afirmando. Ao mesmo tempo, caindo como se fosse um desmoronamento de pedras, aquele monstruoso fóssil desprende-se do teto e põe-se de pé, abrindo seus braços e expondo garras de ossos que mais pareciam feitas de pedra. — De sua boca não saía nenhum tipo de som, contudo aqueles movimentos de vértebras e ossos produziam um ruído arrepiante, causado pelo tremor de trincadas juntas petrificadas. Não levava consigo nenhuma arma, entretanto iniciou um movimento lento e macio, nitidamente característico de artes marciais, parando com os obscuros olhos em direção a Coração de Lobo, em posição de ataque. — Coração de Lobo percebe que todos observam algo ocorrendo atrás de si e decide girar para ver do que se trata. — Um guardião! Preparem-se! Foi um movimento extremamente veloz para algo daquele tamanho e mesmo com quase três metros de altura o guardião saltou em direção ao invasor, com seus pés atingindo o peito daquele que estava mais adiantado; Coração de Lobo. — Leona gritando assustada: — Ele ataca! —aproxima-se para aplicar um golpe de espada, tentando atingir o gigante agora despertado. — Precisamos socorrer a Coração de Lobo! —eram poderosos, entretanto, diante daquela besta pareciam inofensivos cachorros—. Ataque-o! Leona tenta aplicar um golpe de espadas, contudo a técnica do espírito guerreiro não pôde superar aqueles preciosos movimentos Shaolin, realizados por uma fera incumbida de defender a tumba com sua alma. Em uma esquiva perfeita o monstro escapa do golpe de Leona e ao mesmo tempo gira suas pernas no ar, atingindo a Lixo Selvagem no rosto. Ele cai atordoado, perdendo energia e mudando para uma forma mais humana; horrendo. No mesmo instante Coração de Lobo empurra Leona para longe e muda forma, transformando-se em um gigantesco monstro lupino. Ataca-o por trás e suas garras penetram o guardião de pedra, provocando fagulhas que rompem a escuridão. É certo que os golpes de Coração de Lobo foram mortíferos, sem embargo aquele fóssil continuava ali como um imortal obstáculo; intransponível. — Veloz gira seu corpo, tentando acertar um golpe no rosto, mas Coração de Lobo defende com seus braços em punho, vendo o monstro a continuar seu ataque e acertando o cotovelo no peito de Coração de Lobo, que cai pela segunda vez; seu sangue escapando pela boca. — Afastem-se! Já sei o que ele quer! —absorve sua espada que converte-se novamente em uma grande tatuagem agora decorando a mão e o braço direito. — O maldito feriu a Coração de Lobo! —Lixo Selvagem tenta levantar-se. — Os guerreiros esperam por Ponte para o Passado! Deixe-nos passar! Sua voz ecoou por toda caverna; o fóssil caindo de joelhos e dando passagem como um humilde servo. Seus olhos brilhavam como os de Leona. Lixo Selvagem preparava-se para outra investida, mas vendo o fóssil rendendo-se, regressa para ajudar seu irmão. — Águia das Montanhas estava certo, ela é a ponte para o passado! Você está bem? Coração de Lobo cospe sangue e levanta-se, ajudado por seu irmão. Leona pede pressa a Lixo Selvagem e ajuda-o a levantar seu irmão. Seguiram caminho, deixando para trás um esqueleto fossilizado no teto. Enquanto isso, no rancho... Simon sai de seu quarto demonstrando insônia e preocupação. Caminha pelo corredor e finalmente bate na porta do quarto de Chuan-Chuan. — Simon! Ainda é madrugada! Espero que seja algo importante! — Desculpe-me molestá-la bem no meio da madrugada, mas precisamos conversar. — Muito bem! Entre. —Chuan sentou-se na cama, enquanto Simon continuava de pé, andando de um lado para outro e deixando ver seu nervosismo. — Amanhã chegarão os investigadores e eles são oficiais de diversas agências internacionais. Juntos, formam uma poderosa organização! — Siga falando, Simon. Explique-me isso direito. — Eu sou membro dessa organização, Chuan! E asseguro que eles vão interditar tudo por aqui! —Chuan-Chuan fica surpreendida—. Estou contando tudo isso porque sei o quanto essa pesquisa é importante para sua carreira e não quero que você saia daqui sem nada. — Eu sabia que havia algo estranho nos meandros dessa história! Foi muito fácil e rápido conseguir a aprovação essa expedição. — E igual a essa há outras tantas pelo mundo. Ao menor sinal de evidências que possam ajudar a pesquisar seres sobrenaturais, eles entram em ação e assumem o controle. — Você está querendo convencer-me que aquele fóssil é um ser sobrenatural? —levanta-se da cama, irada—. Mas isso é um absurdo! Uma loucura! Não temos nenhuma maldita evidência de nada! —respira fundo—. Maldição! — O exame de DNA confirmou nossas suspeitas. — O quê? Em baixo tom de voz, revela o segredo: — Aquele esqueleto fossilizado é um ancestral de um homem-lobo! — Mas isso é um absurdo! Jamais ouvi tal barbaridade! — Absurdo é saber que Leona também é uma mulher-lobo! — Leona? Não me venha com seus delírios e deixe Leona em paz! Mesmo porque, você e seus amigos nunca vão colocar suas garras nela, afinal ela foi embora. — Não pode ser! —saiu correndo para o quarto de Leona. Simon certificou-se de que Leona não estava mas ali. Parecia verdadeiramente transtornado, procurando despertar a Julie para informá-la do que estava ocorrendo. Chuan-Chuan ligou seu computador e começou a enviar toda a informação possível ao maior número de amigos pesquisadores. Simon agora entra em seu quarto. — Espero que não você não divulgue nada a ninguém. Não sabe o que poderia ocorrer comigo se descobrem que ajudei você a ocultar informações. — Obrigada Simon! Acabo de divulgar nossas últimas descobertas e guardei algumas amostras que Phil havia colhido. — Mais seguro seria você partir! Julie aproxima-se de Simon e apóia-se em seus ombros: — Estou pronta, Simon! Os dois saem apressados pela porta da frente. Chuan querendo respostas: — Onde vocês estão indo? — Capturar a Leona! — Deixem Leona em paz! Essa história já foi longe demais. Leona encontra a Tumba dos Zhoukoudians... Os três já atravessaram o lago e agora contemplam um pequeno salão repleto de fósseis por todos os lados. Leona, boquiaberta, emociona-se ao ver maravilhosos esqueletos de Lobos incrustados na rocha. Era magnífico porque junto a cada esqueleto havia uma arma oriental igualmente desgastada pelo tempo. Coração de Lobo e Lixo Selvagem estavam igualmente maravilhados, contemplando os últimos vestígios da primeira tribo de Lobos da China. Havia um desenho em relevo na rocha, justo ao centro do salão. Decorava o chão formando imagens de círculos e ondas. Leona parou sobre o desenho e pediu aos outros que olhassem aquilo. Estavam deslumbrados com a beleza do local que estava repleto de milenares pinturas orientais. Leona questiona, rompendo o silêncio: — Mas onde estão os Zhoukoudians? Imediatamente após questionar, os fósseis começaram a desprender-se da rocha, sutilmente movendo-se rumo ao centro da sala; eram sete. Suas almas eram visíveis caminhando meio desconexas de seus corpos; mórbidos esqueletos pairando sinuosos, empunhando suas armas Shaolin. — Ela percebe que os dois Lobos começam a caminhar para trás, forçados por uma vibração energética gerada pelos próprios guerreiros fossilizados. Leona tenta mover-se, mas depara-se com serpentes brilhantes como luz ultravioleta a circularem rastejantes ao redor de suas pernas, raivosas e sedentas. Verdadeiras najas observando-a imóvel, vendo o corpo de Leona tornar-se uma flamejante esfera de energia luminosa. Um dos fósseis, cercado por espíritos de serpentes flutuando sinuosas através de seu corpo, inicia uma exibição de Kung Fu Shaolin em estilo serpente, fazendo bailar suas mãos no ar, como cabeças de najas. Seu corpo transforma-se em uma grande serpente negra e pairando move-se ondulada, cada vez mais perto do corpo de Leona. Parecia que seria engolida pela gigantesca víbora, entretanto atravessou-a como um raio, rasgando sua roupa e transformando-se em uma grande tatuagem negra que circulava toda a perna direita da arqueóloga, finalizando com a cabeça em seu ventre a exibir longas presas. Junto ao corpo da serpente ainda ficou gravada a arma do guerreiro, uma lança com uma larga foice pontiaguda na ponta e ornamentada no dorso com barbantes vermelhos. Leona grita tomada por aquela fulminante energia. Olha para cima, estendendo braços e pernas; seu corpo flutuando entre ondas de luz e os espectros das serpentes dissolvendo-se entre dilapidadas brumas. Outro guerreiro, este mais deteriorado, aproxima-se de Leona movimentando-se em estilo louva-deus, com suas mãos imitando este inseto. Era mais um Lobo ancestral com habilidades em artes marciais, aproximando-se para ceder seus poderes para a mais nova guardiã dos tesouros da Terra. Espíritos de louva-deus voando como uma nuvem de insetos em forma de ondas verdes. O guerreiro empunha uma longa espada ondulada, típica utilizada por praticantes de Kung Fu, e com ela executa uma perfeita performance com movimentos ameaçadores. Não demorou muito para transformar-se em uma luz verde, violentamente penetrando o corpo de Leona e deixando mais uma tatuagem, agora na perna esquerda, desenhando um louva-deus e a espada; nuvens de insetos fragmentando-se e desaparecendo no ar. O terceiro a aproximar-se era muito forte e, para um fóssil, estava em bom estado de conservação. Caminha como um tigre; olhos felinos fixados nos olhos de Leona. Fisicamente era igual a um grande lobo do Canadá, mas sua alma tinha a forma de um temível tigre indiano. Caminham juntos, algo desarmônicos, chegando bem perto da esfera de energia e transformando-se em um Lobo selvagem. Executa um movimento de Kung Fu em estilo do tigre, saltando sobre Leona para deixar mais uma marca, agora em sua cintura, em forma de duas patas de tigre. Empunhava uma longa lança de bambu com ponta de prata, também tatuada atrás da perna direita de Leona; ponta ornamentada com barbantes vermelhos, desenhada nas costas. De tamanho descomunal; a cabeça também era grande. O quarto espírito guerreiro era um caranguejo; suas mãos acima da cabeça e os braços em arco. Demonstra sua arte com movimentos de extrema precisão, ao mesmo tempo em que salta para unir-se ao corpo de Leona. Acompanhado por espíritos de caranguejos gigantes que movem suas terríveis pinças para todos os lados, o guerreiro rodopia um bastão de madeira que em suas mãos certamente despertaria medo até ao mais valente guerreiro. Transforma-se em uma grande tatuagem de caranguejo, exibindo suas pinças nas costas de Leona. Coração e Lixo já haviam percebido que presenciavam um momento histórico, onde Leona estava convertendo-se na mais poderosa Loba dos últimos tempos. Pararam de lutar contra a energia que os repelia para fora do salão, pondo-se a contemplar os fossilizados guerreiros chineses que transmitiam seu legado. O quinto guerreiro surge do teto, pairando como uma garça; e o era. Pousa majestoso diante de Leona, transformando-se em um Lobo, logo demonstrando sua habilidade em Kung Fu Shaolin estilo garça. — Leva dois leques de aço com tecido vermelho, decorados com desenhos de aves, e utiliza-os como perigosas armas orientais. — Abriu seus braços como se fosse uma ave, voando para penetrar o corpo de Leona, deixando uma tatuagem mesclada entre as outras e os leques tatuados em suas coxas e nádegas. Leona estava hipnotizada pelo espírito de uma garça que voava com sua plumagem incendiada com chamas azuis. Certamente aquilo era um gato. Não era um gato como outro qualquer, afinal tratava-se de um fóssil a caminhar lento, circulando a esfera de energia que encobria Leona. Era o sexto guerreiro, realizando os mais agressivos movimentos ainda não desempenhados por nenhum dos outros. Como um espírito de gato enfurecido, repentinamente salta sobre Leona e penetra suas costas, transformando-se em uma arrepiante tatuagem mesclada junto com as outras. Deixa também tatuada a arma que leva consigo, uma aterrorizante lança com significativo machado em formato de lua crescente na extremidade. Parece que tudo terminou. A esfera de energia perde força e desaparece. Leona cai ao solo e exausta permanece de joelhos. Sua roupa está totalmente destroçada, mas a quantidade de desenhos em sua pele deixa a impressão de não estar quase desnuda. Ouve-se então uma ave aproximando-se em vôo rasante e pousando adiante da jovem. Transforma-se em um fóssil bastante magro e esbelto a realizar movimentos em estilo águia. O fóssil logo deixa de demonstrar suas habilidades, indo direto ao assunto: — Somos guerreiros! Há mais de mil anos fomos escolhidos para preservar um legado de sabedoria e força. Agora a Terra solicita este legado para utilizá-lo em defesa de sua existência e você foi escolhida para fazer esta ligação entre nosso legado espiritual e o mundo telúrico. Serei o último a unir-me com seu corpo e, quando isso ocorra, deixará de ser Leona Brid e passará a ser chamada Ponte para o Passado. Porque você é a ponte para o nosso legado milenar! —aponta para cima—. Que a lua acompanhe sua energia! —aponta para Leona—. Que nossa sabedoria e força ajude-a em seu importante destino! Saltou sobre Leona, voando como uma águia, gerando chispas e raios ao transformar-se em uma tatuagem de águia no peito, junto com um par de armas orientais, compostas cada uma por duas afiadas lâminas de prata em formato de lua nova, invertidas e unidas entre si. Seus companheiros aproximam-se e Coração de Lobo pergunta: — Ponte para o Passado, o que faremos agora? Ponte para o Passado levanta-se olhando fixamente para os dois. Seu corpo estava eletrizado e sua aura havia crescido como uma bolha de energia de seis metros de diâmetro. — Lutaremos contra a Destruição! Suas lanternas iluminavam o caminho e apressados buscavam Leona. Estavam armados e tinham ordens para capturá-la, mesmo que para isso fosse necessário matá-la. Em poucas horas chegariam os cientistas da Ashling e eles queriam, mais que nada, entregar Leona pessoalmente. Afinal não teriam a oportunidade de contemplar o poder agora adquirido por Leona. Julie conteve a seu companheiro, batendo a mão em seu peito. Olhos humanos presenciando algo verdadeiramente aterrador. Ouvem os ruídos provocados pelo ranger de ossos petrificados; Julie, visivelmente fora de si, tremendo o queixo e ameaçando desmaiar, e Simon liberando seu último suspiro antes de serem esquartejados pela gigantesca fera: — Oh, meu Deus! Ponte para o Passado segue pela caverna, acompanhada por seus amigos. Deparam-se com o lago subterrâneo e os dois começam a caminhar pelas paredes de pedra, segurando-se nas fissuras. Ela olha para o outro lado do lago, percebendo que poderia chegar ali com facilidade. Em um incrível salto, sobrevoa todo o salão até cair suavemente do outro lado; os dois, assombrados, não podiam esconder suas caras de espanto, ao ver aquela poderosa Loba pousando como uma águia. — Vamos! Não temos tempo a perder! —diverte-se com a situação. Lixo Selvagem queria dar uma resposta e até esboçou uma reação, sendo contido por um forte ruído provocado por algo realmente não esperado. — Ponte para o Passado surpreende-se com o fenômeno e coloca-se em posição de ataque, sacando sua espada chinesa e protegendo-se com uma vibração energética que circulava seu corpo como uma volumosa aura reluzente. Ela realmente transformou-se em uma poderosíssima guerreira. Seu poder era tão grande que fazia com que os outros dois, mesmo sendo fortes guerreiros indígenas, parecessem desprezíveis adversários, facilmente descartáveis; o que em realidade não o eram. Toda a água do lençol freático converteu-se em um brilhante líquido azul; mui fluorescente. Moveu-se em direções opostas, formando um círculo gigante e batendo suas águas nas paredes e no teto. Era quase como se a caverna estivesse virando de cabeça para baixo, ou que a força da gravidade estivesse invertendo sua direção. Entretanto a água não chegou ao teto em sua totalidade, pairando no ar e formando um gigantesco e cintilante portal, com uma fina camada de água a desenhar galáxias e estrelas no centro. O fenômeno provocava rajadas de vento que forçavam Coração de Lobo e Lixo Selvagem contra as rochas e privava-os da possibilidade de qualquer movimento. Eles gritavam como se estivessem em chamas; seus corpos, de costas para a rocha, sendo esmagados pela pressão. Era fácil perceber a violência do vento, bastando observar as faces dos dois sendo esticadas para trás e suas bocas parecendo rasgar. Ponte para o Passado percebeu que aquilo era infinitamente mais forte do que tudo até então presenciado e que algo deveria ser feito antes que seus amigos fossem esmagados pela poderosa consciência que ali se manifestava. Verdade que estava furiosa, afinal sentia-se mais poderosa do que nunca e naquele momento deparava-se com algo absurdamente mais poderoso do que ela. Era algo tão incrível que era possível ver nitidamente o universo dentro do espelho d’água, como se fosse uma grande tela de cinema em três dimensões. Em desespero, extravasou com um grito longo e furioso: — Não! Naquele momento em que qualquer reação pareceria inútil, seu grito soou como um “basta”, e viram como aquele fenômeno esvaía-se e deixava somente a imagem do universo a aproximar-se lentamente rumo ao lago. Uma ponte de gelo surge diante de Ponte para o Passado, quase como por um encanto. Lixo Selvagem e Coração de Lobo continuaram a caminhar pelas fissuras da rocha e um velho aparece cruzando aquela gélida ponte; caminhava ao encontro de sua filha. Claro que tocou profundamente meu coração e em verdade foi algo surpreendente; jamais havia imaginado que pudera ser meu pai. Era um senhor de idade e aproximava-se vestido com uma túnica branca, simples; sua cabeça encoberta pelo capuz. Mesmo ainda distante; mesmo não visualizando seu rosto, apenas sentindo e analisando sua frequência energética eu pude estar certa sobre a identidade daquele que aproximava. Afinal estava ali parado diante de meus olhos, retirando seu capuz para deixar o ambiente leve, com seu sorriso limpo. — Pai! — Minha Filha! Afinal você encontrou seu destino! —apoiou nos ombros da filha. — É você mesmo? —ambos sorriem. — Um dia eu fui Steven Brid, depois passei a ser conhecido por Sombra de Sepultura. Agora já não tenho nomes —um suspiro—. Sou apenas um espírito de luz! — Não consigo acreditar que você esteja vivo —ambos colocam-se cara a cara. — Em verdade não poderia dizer que estou literalmente vivo. Coração de Lobo aproxima-se e faz um comentário: — Ele é um Celestino! Já não precisa ter um corpo físico. Todos se assustam com a afirmação de Coração de Lobo, incluindo a Lixo Selvagem que também aproxima para contemplar o poder daquela poderosa consciência que ali manifestava-se. — É verdade, Coração de Lobo! Agora não necessito de um corpo físico. Ponte para o Passado afasta-se ligeiramente de seu pai, recordando que ali ainda faltam membros da família. — E Richard? E minha mãe? — Sua mãe não era um Lobo, infelizmente já não está entre nós — segura as mãos de Ponte para o Passado—. Quanto a seu irmão... O Celestino parou de falar e virou de costas para os Lobos ali presentes. Parecia esperar que algo ocorresse, olhando para o fundo do salão de pedras. O universo tridimensional começou então a mover-se, logo surgindo dezenas de Lobos que caminhavam flutuando em direção a eles. Aproximava-se pela esquerda e era o príncipe Greg, o outro pela direita e era Richard Brid, ambos acompanhados por anciões de suas respectivas tribos. Ponte para o Passado correu para abraçar a Richard, prontamente querendo respostas. — Mas como foi que você conseguiu escapar da emboscada na Torre Eiffel? — Um amigo apareceu para salvar-me. Os malditos estavam quase colocando suas mãos imundas em mim, quando John aproximou-se para abrir um portal com sua energia. — John! Logo me apresentará a este amigo. Quero agradecer-lhe pessoalmente! Estavam todos com seus corpos na forma humana e cabeças de lobos, com exceção do Celestino que mantinha uma forma humana; iluminado como um fantasma. Ele tomou a palavra para solucionar mais uma trama engendrada para desestruturar o mundo dos Lobos. — Todos aqui já sabem que Greg foi vítima de uma espúria conspiração, onde um rei desestruturado e seduzido pela energia da Destruição tentou acabar com uma dinastia de milênios, única e exclusivamente para satisfazer seu ego, servo da Destruição —sua voz ecoa pelo imenso salão e todos ouvem com atenção e respeito—. Também é verdade que utilizamos esse conflito para desvendar o Mistério da Águia das Montanhas, o que resultou na descoberta de uma poderosa guerreira, enviada para ajudar-nos a combater a Destruição —ninguém contesta, limitando-se a ouvir—. É muito triste saber que perdemos um poderoso aliado, e mais triste ainda é saber que ele agora luta contra nós. Creio que todos aqui já sabem quem é o traidor. Com o devido respeito à Tribo Garras de Fogo aqui presente, sugiro que o Rei Jukes Montanha de Fogo seja capturado imediatamente. Parecia que tudo havia sido solucionado. Até mesmo o Rei Átila abraçava seu filho, demonstrando estar arrependido por haver pensado que Greg Raio de Fogo poderia ser um traidor. Os demais membros de sua tribo faziam gestos violentos, expondo suas garras como se estivessem furiosos e uivando juntos em um tom assustador, mas era simplesmente um gesto de satisfação característico desta tribo, um cântico de glória pela volta do príncipe da Bavária. — Como ousam julgar-me? Ninguém aqui tem renome suficiente para julgar ao Rei Jukes Montanha de Fogo! —o Rei Jukes, que até o momento havia permanecido oculto atrás de seus capangas, revela-se diante daquele conclave para defender sua honra agora desmoronada. Átila, o pai de Greg Raio de Fogo, dava ares de pânico ao ver seu irmão surgindo das profundezas do mundo dos espíritos e aproximando-se furioso através da ponte de gelo gerada pelo Celestino. Somente o rei Átila sabia o quanto seu irmão podia chegar a ser perverso, e era um segredo de família bem guardado; o caráter monstruoso desse poderoso Lobo que aproximava-se. Empunhava uma potente espada, herdada por seu pai no passado, portadora dos Treze Espíritos de Fogo, conhecidos por serem os fundadores da Tribo Garras de Fogo. Jukes levantou sua espada bem alto, tão alto que todos puderam ver sua lâmina flamejando como aço derretido. Gritava escarnecido, clamando por guerra. — Matarei a todos! —concentra toda sua energia em um único golpe que rompe a ponte de gelo em duas metades; fissura que chega ao outro lado, assustando a Ponte para o Passado e a Richard. Sombra de Sepultura, o Celestino, reage transformando-se em uma intensa névoa de estrelas, que bailando flutua por todo o local. Não era mais possível ver onde estava, afinal todo o ambiente era ele. Apenas escutam sua voz ecoando por todo o salão, algo impressionante. — Montanha de Fogo! —chama a atenção do rei da Turquia—. Você sabe que ainda está em tempo. Entregue suas armas, tanto físicas quanto espirituais e deixe que os sábios de sua tribo ajudem sua alma, seduzida pela Destruição. — Maldito! Nem mesmo um Celestino vai ser páreo para meu poder! Saia do meu caminho, saia neste exato instante! Eu primeiro matarei sua filha, depois matarei seu filho! Quero exterminar sua família para que todos saibam o tamanho do meu poder! Flutuava como um espírito, afinal a ponte havia sido destruída por ele mesmo. Estava realmente fora de controle e sua fúria era percebida pela cor de sua aura, tão vermelha que em alguns momentos chegava a produzir centelhas negras de ódio. Entretanto aquela demonstração de total ignorância não acovardava àquele recém iniciado Celestino, muito pelo contrário, ele sabia que aquele momento era uma boa oportunidade para Ponte para o Passado demonstrar seu poder. O Celestino continuava ali, preenchendo toda a atmosfera, vagando como uma névoa em forma de flocos de luz que pareciam estrelas. O universo também criado por ele ainda estava ali, com exceção da ponte de gelo que havia sido destruída e caíra em um abismo espiritual. Os demais Lobos permaneciam calados e imóveis. Sabiam que aquela consciência tão evoluida não poderia ser questionada por eles. Contudo havia um ali que não concordava com isso, e este titulava-se Rei Jukes Montanha de Fogo. A Agência Ashling aproxima-se... Helicópteros e aviões com asas giratórias pousam na vertical; são muitos. Homens armados vestidos em trajes, estranhos trajes pressurizados. Cercam a cabana e toda a redondeza, assustando os membros da expedição que saem apressados, tapando seus olhos por causa do vento provocado pelas hélices das aeronaves; Chuan não está. Parecem surpresos pela visita, um pouco assustados por não saberem do que se tratava. Segundos depois, já com toda a área sob controle, pousa um avião como se fosse um helicóptero. Isso era possível graças às suas asas que giravam para colocar seus motores em posição vertical. Desde dentro sai um senhor também vestido com aquele estranho traje branco, com a cabeça e as mãos descobertas, o que demonstrava que, à exceção dos demais, seu traje não estava hermeticamente isolado. Aproximou-se a Andrew, querendo respostas: — Onde está Simon? —sua voz é grave e parece apressado. — Deixou a cabana nesta mesma madrugada. Ouvimos uma discussão entre ele e a chefe da expedição e logo depois, Simon e Julie saíram em busca de algo que parecia importante. — Maldição! —passa a mão em seus cabelos grisalhos; volumosa cicatriz em sua mão. O criador do “Projeto Ashling” está enfurecido. — E Chuan-Chuan também há desaparecido! —intrigado, questiona—. O que está acontecendo aqui? Afinal, quem é você? Andrew não conseguiu nenhuma resposta e todos pareciam não entender o porquê de tudo isso. Um agente aproxima-se para dar os detalhes da operação: — Senhor, acabamos de encontrar a entrada da caverna! A área está toda cercada. O que faremos agora? — Envie os grupos três e quatro à caverna. Vamos entrar! Dentro da caverna... Montanha de Fogo deu um salto agressivo em direção aos três ali presentes. Os demais assustaram-se, mas não recuaram. Sujeitando sua espada negra com as duas mãos, antes de tocar ao solo ainda golpeou simultaneamente com seus pés a Richard e a Raio de Fogo, sendo violentamente lançados em direções opostas. Ao mesmo tempo em que caía ao solo, golpeou malvadamente à Ponte para o Passado com sua espada, girando-a veloz para atingir suas pernas. Ela pressente e salta para esquivar, rodopiando ao redor de sua espada que parecia parada no mesmo lugar, de tão perfeito que foi o giro de seu corpo. Absorve sua espada antes de tocar o chão da caverna, e completando seu giro no ar, exteriorizando seus leques de aço e abrindo cada um em uma de suas mãos, com braços estendidos dá a impressão de pousar como uma ave. Montanha de Fogo continua atacando forte, não dando oportunidade para que ela pudesse aplicar seus poderosos golpes. Segue girando seu corpo que estava emborcado, levantando-se escarnecido e tentando atingi-la. Ela movimenta ligeiramente seus braços na horizontal, manejando aqueles lindos leques de tal forma que estonteia o inimigo, e com os braços cruzados trava sua espada negra entre eles. Parecia incrível que segurasse a espada do rei apenas utilizando leques; todos demonstraram sonora surpresa. Ponte para o Passado aproveitou o momento para olhar no fundo dos olhos de Montanha de Fogo, mesmo sabendo que ali não encontraria nada, exceto uma alma retorcida e corrompida pela Destruição. Ainda travados, com Ponte para o Passado detendo seus movimentos por estar segurando sua espada, Richard e Raio de Fogo levantam-se decididos a atacar; voz incisiva ordenando que parem. — Afastem-se! —o Celestino interfere—. Agora saberemos porque a Terra escolheu Leona para ser a Ponte para o Passado! Espadas explodindo em ódio; espadas feitas de prata e almas. Ponte para o Passado ataca os pontos vitais de Montanha de Fogo, movimentando-se como uma garça. Ele parecia exausto por extremos e precisos ataques, mesmo ainda defendendo-se dos mais imprevisíveis golpes de Ponte para o Passado. O maldito rei gira sua espada liberando ondas no ar, e em um ato inesperado duplica sua espada aplicando um ataque duplo em ambos os braços de sua inimiga mortal. Ela absorve seus leques tão rapidamente que se transformam em tatuagens decorando o pescoço e sua face. Ao mesmo tempo exterioriza suas lâminas em formato de lua nova invertidas e com cada uma em uma mão, de braços cruzados, apara o fulminante golpe de duas espadas. Ainda reage abrindo os braços e golpeando as espadas para deixar o maldito com o peito aberto, com o peso das espadas puxando seus braços por causa da inércia. Ela vê a oportunidade, voltando a cruzar seus braços com toda velocidade para cortar a face de rei com aquelas horripilantes lâminas afiadas. Jukes pela primeira vez e de joelhos, cai; suas armas escapando de suas monstruosas garras e seu sangue escapando-lhe das artérias. Todos os anciões ali presentes vivenciam a cena, assustados —Jukes caía de joelhos diante daquela poderosa guerreira, contudo preparava-se para jogar sujo—. Abaixa a cabeça como se sentisse muita dor, aproveitando para pegar as espadas no chão —elas estavam em posição invertida, afinal haviam caído para trás no momento em que ele caíra de joelhos, mas isso não impediu que realizasse um ataque levantando seu corpo mesmo ainda de joelhos, cruzando seus braços diante da cabeça e empunhando as espadas que em movimento cruzado pareciam uma tesoura gigante—. Contudo seu ataque transformou-se em defesa, com Ponte para o Passado dando um passo para frente e investindo toda sua força em um ataque duplo para partir seu crânio ao meio —fagulhas escapavam de suas armas. Jukes era empujado para trás, rolando no chão e logo levantando-se cercado por uma trêmula aura lilás. Ponte para o Passado não pára, absorve suas lâminas e posiciona-se como um louva-deus, enquanto nuvens de espíritos deste mesmo inseto saem de seu corpo e seguem em direção ao corpo de Montanha de Fogo —pareciam arder e reluziam como luzes verdes. Infestaram o corpo do rei e todos ali sabiam que estavam literalmente comendo sua alma—. Jukes Montanha de Fogo expressa seu mais profundo descaso, liberando uma gargalhada irritante e transformando-se em uma enorme bola de fogo —estava claro que não se tratava de fogo físico, e sim uma bola de fogo energética que desintegrou instantaneamente a todos aqueles insetos—. Aproveitou para insultar sua inimiga, e entre tantas pilhérias disse: — Não passa de uma bastarda abandonada por sua família! —empunha sua espada—. Vou ensinar-lhe algo realmente poderoso. Com uma fúria maligna Montanha de Fogo crava sua espada na rocha, abrindo uma enorme fenda que quase engole a Ponte para o Passado; abriu as pernas para não cair. — Jukes, ouça-me! Entregue-se para sua tribo e viverá! — Nunca! Seguirei com meu plano e matarei a todos que oponham-se! — Então não resta outra opção —ela parece entristecida—. Terei que matá-lo! Os agentes da Ashling alcançam o salão onde deveria estar o guardião, mas ali não há nada. O esqueleto fossilizado no teto já não está e o caminho está aberto para que logo alcancem o salão do lençol freático. Seguem adiante, apressados. Jukes voa para seu destino, atacando com todas as suas forças. Furioso, descontrolado, larga sua espada para enfrentá-la em um combate corpo a corpo. Garras clamando por sangue, golpes gerando extrema dor. Ponte para o Passado utiliza os sete estilos dos sete guerreiros, mostrando a força dos poderes que a ela foram concedidos. Seus movimentos são tão rápidos e precisos que ele não consegue acertar nenhum ataque. Em uma sequência digna de um mestre de Kung Fu, rompe o peito do maldito que cospe sangue e pela segunda vez, cai. Ela aproxima-se para liquidar a batalha, mas Montanha de Fogo percebe que não terá chances em um combate corpo a corpo e covardemente gira seu corpo exteriorizando sua espada. — Foi isso o que você aprendeu seguindo à Destruição? —fazia uma alusão ao fato dele sacar sua espada, depois que haviam decidido lutar sem armas—. Pois eu digo que você não passa de um covarde corrompido, e mostrarei a todos o que acontece quando um defensor da Terra resolve servir à Destruição. Ponte para o Passado posiciona as palmas de suas mãos em direção ao maldito e todos vêem como ela em questão de segundos, absorve sua alma. De joelhos, o corpo do Rei Jukes Montanha de Fogo pela terceira vez, cai; sua espada caindo e fincando entre rochas. Naquele momento ficou provada a magnitude de seu poder, e todos compreenderam que o destino de Ponte para o Passado era entrar para a história dos Lobos, como sendo a maior guerreira jamais enviada pela Terra. Richard corre para abraçar sua irmã, enquanto os anciões ali presentes afastam-se e desaparecem entrando no reflexo do lago. O Rei Átila saca a espada de Jukes que ficou fincada entre as pedras, entregando-a a seu filho Greg. Com mais um caso solucionado, o Celestino deixa o salão, levando consigo seu universo e as nuvens de energia. Richard olha para o Celestino e ainda teve tempo para expressar seus sentimentos, gritando bem alto para seu pai: — Desejo-lhe uma próspera evolução! Agora estão apenas os dois irmãos diante do lago. As energias espirituais, que antes iluminavam todo o ambiente, lentamente vão dissipando-se sobre o lago. Richard questiona: — E agora, Leona, o que você vai fazer? — Seguir meu destino! —e antes que seu irmão lançasse outra pergunta, responde—. E não se preocupe, porque agora sei onde está você! Richard leva suas mãos a seu pescoço para retirar um lindo colar de prata. Olha para o colar e para sua irmã e sorri. — Sinto-me exausta! — Leona estava muito cansada pela energia que havia utilizado para lutar contra Montanha de Fogo. — Isso acontece quando utiliza sua energia espiritual com intensidade. Sempre que sinta-se assim, deverá entrar no mundo dos espíritos para captar mais energia. — E não há outra forma de recuperar energia? — Claro que sim! Algumas vezes nos deparamos com espíritos energéticos vagando pelo mundo físico. Esses espíritos são uma fonte de energia. Logo aprenderá a capturá-los. — Vejo que ainda há muito que aprender! — Sim! Antes que esqueça-me, acho que isso pertence a ti! —coloca o colar no pescoço de Ponte para o Passado e ela também sorri. Richard fica sem palavras, beija o rosto de sua irmã e caminha rumo ao lençol freático para desaparecer em silêncio. Ponte para o Passado segura a mão de Greg para juntos mergulharem em um lago que consumia os últimos vestígios de energia, ali dispersos no ar. Homens com estranhos trajes invadem o salão, presenciando apenas umas últimas névoas energéticas que se dissipam na água. Podia-se ver o ódio no olhar de Albert Wallace. Estava claro que perdia mais uma oportunidade de provar que não foi um delírio o ocorrido com ele nos subúrbios de York em 1962. — Maldição! Por todos os demônios! —esmurrava as rochas para expressar sua raiva— Chegamos tarde demais!
fim.

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