Quem foi José do Patrocínio?

 
José do Patrocínio 
 
Ali pelo ano de 1993, enquanto um professor do curso de Administração de Empresas fazia a chamada, deteve-se por um instante após ler meu nome completo, indagando-me em seguida: 
- Você sabe o significado do seu sobrenome? 
 

30 anos depois, aqui vai a resposta: 

 

A 28 de abril de 1936, a loja maçônica União e Progresso, de Vitória, capital do Espírito Santo, publicou um manifesto ou coisa que a valha no jornal local "O Estado", do qual foi extraída escrupulosamente a seguinte lista de maçons históricos:
 

"A Loja 'União e Progresso' é apenas uma partícula do Grande Oriente do Brasil, instalado, há séculos, na capital do País, à rua do Lavradio nº 97, onde se acha legalmente constituído o seu poder Maçônico e por onde passaram os brasileiros mais eminentes na política, nas armas, nas artes e nas letras, tais como: Olympio da Silveira, Antônio Peregrino Maciel Monteiro, Alcindo Guanabara, almirante Jaceguay, Macedo Soares, Antônio Carlos Ribeiro de Andrada, Machado e Silva, general Andrade Neves, marechal Almeida Barreto, Américo Brasiliense, barão de Macahuba, Bernardino Campos, Carlos Peixoto Filho, barão de Cotegipe, Benjamin Constant, Casemiro de Abreu, o regente do Império, padre Diogo Antonio Feijó, almirante Eduardo Wandenkolk, Euzébio de Queiroz, Evaristo Ferreira da Veiga, Rangel Pestana, Francisco Gê Acayaba de Montezuma, Fausto Cardoso, Torres Homem, senador Francisco Clycerio, conselheiro Gaspar da Silveira Martins, general Thaumaturgo de Azevedo, general Gomes Carneiro, marechal Hermes da Fonseca, Martins Junior, Junioir, Julio Ribeiro, visconde de Cayru, José Clemente Pereira, o ator João Caetano, José do Patrocínio, Saldanha Marinho, o patriarca da Independência José Bonifácio de Andrada e Silva, almirante Joaquim José Ignacio, visconde de Inhaúma, barão de Ramalho, Tenreiro Aranha, general Menna Barreto, barão de São Gabriel, Joaquim Nabuco, visconde do Rio Branco, Lauro Muller, o grande negro brasileiro Luiz Gama, o naturalista Luiz Monteiro Caminhoá, Luís Alves de Lima e Silva o duque de Caxias, Campos Salles, marquês de Abrantes, generalíssimo Deodoro, general Osório, maestro Marcos Portugal, Carlos Gomes, os dois Martim Francisco Ribeiro de Andrada, pai e filho; Nilo Peçanha, Nunes Machado, Pedro I, Prudente de Moraes, Pinheiro Machado, Quintino Bocayuva, Sampaio Ferraz, Silva Jardim, conselheiro Tristão de Alencar Araripe, o notável humorista Urbano Duarte, Ubaldino do Amaral, Valentim Magalhães, visconde de Taunay, Washington Luiz e vários outros. 

Do clero brasileiro, também fizeram parte da Maçonaria os não menos ilustres: Bispo do Rio de Janeiro, Dom Manoel Rodrigues de Araujo, Conde de Irajá, sagrador, coroador e celebrante do casamento de D. Pedro II, Bispo de Pernambuco, Dom J. J. da Cunha de Azevedo Coutinho, (célebre escritor), Frei Norberto da Purificação Paiva, Frei Francisco de S. Carlos, Frei Francisco de Mont'Alverne (o maior pregador brasileiro do século XIX), Monsenhor Joaquim Pinto de Campos, (exímio orador, escritor e político), padre Luiz Gomes de Menezes, padre Joaquim Auliciano Pereira de Lyra, padre José Ferreira da Cruz Belmonte, padre Vicente Ferreira Alves do Rosário, padre (vigário) Eutychio Pereira da Costa, padre D. José Caetano (primeiro presidente da Constituinte), padre Diogo Antônio Feijó (regente do Império), padre José da Silva Figueiredo Caramuru, padre José Capistrano de Mendonça, padre Bartholomeu da Rocha Fagundes, Frei Cândido de Santa Izabel Cunha, Frei Antônio do Monte Carmelo, Cônego Ismael de Senna Ribeiro Nery, padre Francisco José de Azevedo (inventor de uma máquina de escrever), padre Antônio Álvares Guedes Vaz, padre Ernesto Ferreira da Cunha, padre Francisco Peixoto Levante, padre Antônio João Lessa, Padre José Rodrigues de Carvalho Celeste, Cônego Januário da Cunha Barbosa (fundador do Instituto Histórico Brasileiro, capelão do Paço Imperial, Reitor do Seminário do Rio de Janeiro), padre Manoel Ferreira Pita, Frei Carlos das Mercês Mecheli, Frei Joaquim do Amor Divino Caneca, Cônego Francisco L. de Brito Medeiros Campos, Cônego Dr. João Carlos Monteiro, padre Thomaz dos Santos Marlano Marques, padre Albino de Carvalho Lessa, padre Lourenço de Albuquerque Loyola, padre Manoel Cavalcante de Assis Bezerra de Menezes, padre Francisco João de Arruda, padre José Roberto da Silva, padre Cândido Ferreira da Cunha, padre Guilherme Cypriano Ribeiro, padre Torquato Antônio de Souza, padre João da Costa Pereira, Padre Francisco Marcondes do Amaral, padre Antônio da Imaculada Conceição, padre José Sebastião Moreira Maia, padre Antônio Areias, padre Paulo de Maia, padre José Mendes Leite de Almeida. 

José Carlos do Patrocínio (Campos dos Goytacazes, 9 de outubro de 1853 — Rio de Janeiro, 29 de janeiro de 1905) foi um farmacêutico, jornalista, escritor, orador e ativista político brasileiro. Destacou-se como uma das figuras mais importantes dos movimentos Abolicionista e Republicano no país. Foi também idealizador da Guarda Negra, que era formada por negros e ex-escravos para defender a monarquia e o regime imperial.

Filho de João Carlos Monteiro, vigário da paróquia de Campos dos Jordão e orador sacro de reputação na Capela Imperial, com Justina do Espírito Santo, uma jovem escrava Mina de quinze anos, cedida ao serviço do cônego por D. Emerenciana Ribeiro do Espírito Santo, proprietária da região.

Embora sem reconhecer a paternidade, o religioso encaminhou o menino para a sua fazenda na Lagoa de Cima, onde José do Patrocínio passou a infância como liberto, porém convivendo com os escravos e com os rígidos castigos que lhes eram impostos.

Aos catorze anos de idade, tendo completado a sua educação primária, pediu, e obteve ao pai, autorização para ir ao Rio de Janeiro. Encontrou trabalho como servente de pedreiro na Santa Casa de Misericórdia (1868), empregando-se posteriormente na casa de saúde do doutor Batista Santos. Atraído pelo combate à doença, retomou, às próprias expensas, os estudos no externato de João Pedro de Aquino, prestando os exames preparatórios para o curso de farmácia.

Em 1871, a Imperatriz Teresa Cristina doou todas as suas joias pessoais para a causa abolicionista, deixando a elite furiosa com tal ousadia. No mesmo ano A Lei do Ventre Livre entrou em vigor, assinada por sua filha a Princesa Imperial Dona Isabel. O bairro mais caro do Rio de Janeiro, o Leblon, era um quilombo que cultivava camélias, flor símbolo da abolição, sendo sustentado pela Princesa Isabel. José do Patrocínio organizou uma guarda especialmente para a proteção da Princesa Isabel, chamada “A Guarda Negra”. Devido a abolição e até mesmo antes na Lei do Ventre Livre , a princesa recebia diariamente ameaças contra sua vida e de seus filhos. As ameaças eram financiadas pelos grandes cafeicultores escravocratas. A família imperial não tinha escravos. Todos os negros eram alforriados e assalariados, em todos imóveis da família. D. Pedro II tentou ao parlamento a abolição da escravatura desde 1848. Uma luta contra os poderosos fazendeiros por 40 anos. O Parlamento sempre negava o projeto de lei, pois muitos tinham influências diretas ou indiretas com os grandes cafeicultores escravocratas. Se tratando de uma MONARQUIA CONSTITUCIONAL PARLAMENTARISTA, o imperador não tinha o poder para decretar leis sem aprovação da maioria do parlamento. Princesa Isabel recebia com bastante frequência amigos negros em seu palácio em Laranjeiras para saraus e pequenas festas. Um verdadeiro escândalo para época. Na casa de veraneio em Petrópolis, Princesa Isabel ajudava a esconder escravos fugidos e arrecadava numerários para alforriá-los. Os pequenos filhos da Princesa Isabel possuíam um jornalzinho que circulava em Petrópolis, um jornal totalmente abolicionista. Pedro II criou uma cota para negros alforriados ingressarem no Colégio Pedro II e nas Faculdades. Essa cota não foi aprovada pelo parlamento, porém Pedro II tirou de seus próprios proventos a garantia da cota. No período de 1872 e 1889 centenas de ex-cativos se tornaram médicos, advogados, engenheiros... Graças a chamada “bolsa do imperador”. “Estudos do IHGB e FGV entre 1992 e 2010, concluíram que se o reinado de Pedro II ou a continuação de seus planos por sua filha Princesa Isabel tivessem mais 15 anos de duração, 67% das favelas e por consequência 43% da violência e tráfico de drogas não existiriam na cidade do Rio de Janeiro e provavelmente em outras grandes metrópoles como São Paulo que emergiam na época.”

Aprovado, ingressou na Faculdade de Medicina como aluno de Farmácia, concluindo o curso em 1874. Nesse momento, desfazendo-se a república de estudantes com que convivia, Patrocínio viu-se na iminência de precisar alugar moradia, sem dispor de recursos para tal. Um amigo, antigo colega do externato de Aquino, João Rodrigues Pacheco Vilanova, convidou-o a morar no tradicional bairro de São Cristóvão, na casa da mãe, então casada em segundas núpcias com o capitão Emiliano Rosa Sena, abastado proprietário de terras e imóveis. Para que Patrocínio pudesse aceitar sem constrangimento a hospedagem que lhe era oferecida, o capitão Sena propôs-lhe que, como pagamento, lecionaria aos seus filhos. Patrocínio aceitou e, desde então, passou também a frequentar o "Clube Republicano" que funcionava na residência, do qual faziam parte Quintino Bocaiuva, Lopes Trovão, Pardal Mallet e outros. Não tardou que Patrocínio se apaixonasse por Maria Henriqueta, uma das filhas do militar, sendo também por ela correspondido. Quando informado do romance de ambos, o capitão Sena sentiu-se ofendido a princípio, porém vindo, após o matrimônio (1879), a auxiliar Patrocínio em diversas ocasiões.

Nessa época, Patrocínio iniciou a carreira de jornalista em parceria com Demerval da Fonseca, publicando o quinzenário satírico "Os Ferrões", que circulou de 1 de junho a 15 de outubro de 1875, no total de dez números. Os dois colaboradores se assinavam com os pseudônimos Notus Ferrão (Patrocínio) e Eurus Ferrão (Fonseca).

Dois anos depois (1877), admitido na Gazeta de Notícias como redator, foi encarregado da coluna Semana Parlamentar, que assinava com o pseudônimo de Prudhome. Foi neste espaço que, em 1879, iniciou a campanha pela Abolição da escravatura no Brasil. Em torno de si formou-se um grupo de jornalistas e de oradores, entre os quais Ferreira de Meneses (proprietário da Gazeta da Tarde), Joaquim Nabuco, Lopes Trovão, Ubaldino do Amaral, Teodoro Fernandes Sampaio, Paula Nei, todos da Associação Central Emancipadora. Por sua vez, Patrocínio começou a tomar parte nos trabalhos da associação.

Fundou, em 1880, juntamente com Joaquim Nabuco, a Sociedade Brasileira Contra a Escravidão. Com o falecimento de Ferreira de Meneses (1881), com recursos obtidos junto ao sogro, adquiriu a Gazeta da Tarde, assumindo a direção. Em Maio de 1883, articulou a Confederação Abolicionista, congregando todos os clubes abolicionistas do país, cujo manifesto redigiu e assinou, juntamente com André Rebouças e Aristides Lobo. Nesta fase, Patrocínio não se limitou a escrever: também preparou e auxiliou a fuga de escravos e coordenou campanhas de angariação de fundos para adquirir alforrias, com a promoção de espetáculos ao vivo, comícios em teatros, manifestações em praça pública, etc.

Em 1882, a convite de Paula Nei, Patrocínio visitou a província do Ceará, onde foi recebido em triunfo. Essa província seria pioneira no Brasil ao decretar a abolição já em 1884.

Em 1885, visitou sua cidade natal, Campos dos Goytacazes, sendo também recebido em triunfo. De volta ao Rio de Janeiro, trouxe a mãe, idosa e doente, que viria a falecer no final desse mesmo ano. O sepultamento transformou-se em um ato político em favor da abolição, tendo comparecido personalidades como as do ministro Rodolfo Dantas, o jurista Rui Barbosa e os futuros presidentes Campos Sales e Prudente de Morais.

No ano seguinte (1886), iniciou-se na política, sendo eleito vereador da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, com votação maciça.

Em Setembro de 1887, abandonou a "Gazeta da Tarde" para fundar e dirigir um novo periódico: o "A Cidade do Rio". À frente deste periódico, intensificou a sua atuação política. Aqui, fizeram escola alguns dos melhores nomes do jornalismo brasileiro da época, reunidos e incentivados pelo próprio Patrocínio. Foi nele que Patrocínio saudou, após uma década de intensa militância, a 13 de maio de 1888, o advento da Abolição.

Obtida a vitória na campanha abolicionista, as atenções da opinião pública se voltaram para a campanha republicana. Por ironia do destino, o "A Cidade do Rio" e a própria figura de Patrocínio passam a ser identificados pela opinião pública como defensores da monarquia em crise. Nessa fase, Patrocínio, rotulado como um "isabelista", foi apontado como um dos mentores da chamada "Guarda Negra", um grupo de ex-escravos que agia com violência contra os comícios republicanos.

Após a proclamação da República (1889), entrou em conflito em 1892 com o governo do marechal Floriano Peixoto, pelo que foi detido e deportado para Cucuí, no alto rio Negro, no estado do Amazonas.

"Em nome dos cidadãos que, movidos por sentimentos de gratidão e patriotismo, dedicaram suas vidas e sua honra para a Princesa Redentora, protesto contra as difamações e ataques dos homens republicanos de coração sombrio aos honrados homens de cor, declaro que nosso proposito não é criar a anarquia. A Guarda Negra existe para defender o futuro reinado da Princesa Redentora e a Honra da Raça Negra contra a humilhação daqueles que a odeiam. Restituir ao Homem de Cor o direito de que lhe foi roubado de intervir nos assuntos políticos. Estamos dedicados a lutar pelo governo que no dia 13 de Maio criou uma pátria grande o suficiente para guardar toda nossa gratidão, e lutar contra a vilania dos adeptos da escravidão, que agora estão disfarçados de republicanos. No entanto chegara o dia, quando os cidadãos na raça preta, representando o martírio de três séculos de escravidão, irão encarar a vergonha dos exploradores que por três séculos incitam a nossa vingança". (A controvérsia declaração do militante abolicionista e capoeira Clarindo de Almeida, comandante em chefe da Guarda Negra na Gazeta da Tarde. 04 de Janeiro de 1889.)

A Guarda Negra era um grupo político de militantes monarquistas, formado em sua totalidade por capoeiras negros que combatiam violentamente o crescente Movimento Republicano nas Cidades do então Império do Brasil, sob a liderança do chefe capoeira Clarindo de Almeida, e o jornalista José do Patrocínio. O Movimento acabou logo após a Proclamação da República sob dura repressão dos Governos de Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto. 

Retornou discretamente ao Rio de Janeiro em 1893, mas com o estado de sítio ainda em vigor, a publicação do "A Cidade do Rio" continuou suspensa. Sem fonte de renda, Patrocínio foi residir no subúrbio de Inhaúma.

Nos anos seguintes, a sua participação política foi inexpressiva, concentrando-se a sua atenção no moderno invento da aviação. Iniciou a construção de um dirigível de 45 metros, o "Santa Cruz", com o sonho de voar, jamais concluído. Numa homenagem a Santos Dumont, realizada no Teatro Lírico, quando discursava saudando o inventor, foi acometido de uma hemoptise, sintoma da tuberculose que o vitimou. Faleceu pouco depois, aos 51 anos de idade, aquele que é considerado por seus biógrafos o maior de todos os jornalistas da abolição.
 

Cronologia
1853: Em 9 de outubro, José Carlos do Patrocínio nasceu em Campos (na então província do Rio de Janeiro), filho natural do padre João Carlos Monteiro e de Justina, escrava africana, vendedora de frutas. 
1868: Patrocínio começou a trabalhar na Santa Casa de Misericórdia, no Rio de Janeiro.
1871: Por iniciativa do visconde do Rio Branco, foi promulgada a lei do Ventre Livre, reconhecendo como livres as crianças nascidas de mães escravas.
1874: Na Faculdade de Medicina, Patrocínio concluiu o curso de Farmácia.
1875: Com Demerval Ferreira, publicou o primeiro número do quinzenário satírico "Os Ferrões".
1877: Entrou na "Gazeta de Notícias", respondendo pela coluna "A Semana Parlamentar".
1879: Casou-se com Maria Henriqueta Sena, a "Bibi". Iniciou a campanha pela abolição da escravatura.
1881: Ingressou na "Gazeta da Tarde", vindo a se tornar proprietário do periódico.
1882: A convite de Paula Nei, viajou ao Ceará em campanha pró-Abolição; como fruto, dois anos mais tarde, o Ceará foi a primeira província brasileira a dar a emancipação aos escravos.
1883: Patrocínio redigiu o manifesto da Confederação Abolicionista.
1884: Publicou o romance "Pedro Espanhol".
1885: Promulgada a Lei dos Sexagenários, que concedeu a liberdade aos escravos com idade igual ou superior a 65 anos. José do Patrocínio visitou Campos, onde foi saudado como um triunfador. No Rio de Janeiro, o funeral de "tia" Justina, mãe de José do Patrocínio, transformou-se num grandioso comício de repúdio à escravidão.
1886: Foi eleito vereador da Câmara Municipal do Rio de Janeiro.
1887: Deixou a "Gazeta da Tarde", fundou e passou a dirigir o "A Cidade do Rio". Publicou o romance "Mota Coqueiro ou A pena de morte".
1888: A 13 de maio, a princesa Isabel assinou a Lei Áurea, extinguindo a escravidão no Brasil; José do Patrocínio beijou as mãos da princesa.
1889: Patrocínio publicou o romance "Os Retirantes", inspirado na inclemência da seca sobre os habitantes da região nordeste do Brasil. Foi acusado de fomentar a violenta ação da "Guarda Negra" em defesa do isabelismo. A 15 de novembro, a república foi proclamada no Brasil.
1892: José do Patrocínio importou da França o primeiro automóvel que circulou no Brasil. Movido a vapor, o seu barulho espantava os transeuntes. Por ter publicado, no seu jornal, um manifesto de um dos chefes da Revolta da Armada, o marechal Floriano Peixoto desterrou Patrocínio para Cucuí, no alto rio Negro (Amazonas).
1893: Proibida a publicação do periódico A Cidade do Rio, Patrocínio estava reduzido à miséria.
1905: Numa homenagem a Santos Dumont, ao discursar, José do Patrocínio sofreu uma hemoptise; faleceu a 30 de janeiro.

Obras
1875: Os Ferrões, quinzenário satírico, 10 números, em colaboração com Dermeval Fonseca;
1877: Mota Coqueiro ou A pena de morte, romance;
1879: Os retirantes, romance;
1883: Manifesto da Confederação Abolicionista;
1884: Pedro Espanhol, romance;
1885, 17 de maio: Conferência pública, no Teatro Politeama, em sessão da Confederação Abolicionista; "Associação Central Emancipadora", 8 boletins.

Pseudônimos
Em artigos nos periódicos da época, José do Patrocínio usou os pseudônimos de:
"Justino Monteiro" ("A Notícia", 1905);
"Notus Ferrão" ("Os Ferrões", 1875);
"Prudhome" ("A Gazeta de Notícias", "A Cidade do Rio").
 

Representações na cultura
José do Patrocínio já foi retratado como personagem na televisão, interpretado por Antonio Pitanga na novela Sangue do meu Sangue (1969) e por Kadu Karneiro no remake Sangue do meu Sangue (1995), Valter Santos na minissérie Abolição (1988) e Maurício Gonçalves na minissérie Chiquinha Gonzaga (1999).
 

Bibliografia
COUTINHO, Afrânio; SOUSA, J. Galante de. Enciclopédia de literatura brasileira. São Paulo : Global.
José do Patrocínio e a maçonaria
 

A maçonaria teve e tem grandes quadros negros, entre eles José do Patrocínio, maçom abolicionista, cognominado de "O Tigre da Abolição". Formou um trio famoso com os mulatos maçons, André Rebouças e Luiz Gama. Muitas Lojas recebem o nome deste corajoso e grande brasileiro. José Carlos do Patrocínio aparece em documentação maçônica. Boletim do Grande Oriente do Brasil de 1897, página 14, por ter sido citado na "Apuração Geral da Eleição de Grão-Mestre Adjunto, de 12 de fevereiro de 1897, em que recebeu seis votos, sendo três da Loja “João Caetano”, dois da Loja “Aurora Escocesa” e um da Loja “Ganganelli do Rio", o que não deixa dúvida de sua atividade maçônica.

Fundador da Academia Brasileira de Letras, juntamente com outros quarenta intelectuais, vários maçons, entre eles, Artur Azevedo, Graça Aranha, Joaquim Nabuco, Machado de Assis, Olavo Bilac, Visconde de Taunay, Coelho Neto, Rui Barbosa e Sílvio Romero, com sessão inaugural em 20 de julho de 1897, sendo eleitos Machado de Assis para Presidente, Rodrigo Otávio, 1º Secretário e Joaquim Nabuco como Secretário Geral, que pronunciou o discurso inaugural. Compareceu às sessões preparatórias da instalação da ABL e fundou a cadeira número 21, que tem como patrono Joaquim Serra. Com Joaquim Nabuco fundou a Sociedade Contra a Escravidão. Com votação maciça e pela causa, foi eleito vereador na cidade do Rio de Janeiro. Cidades, avenidas, ruas, praças, medalhas e comendas o homenageiam reverenciando a sua luta. Pelos seus biógrafos é considerado o maior de todos os jornalistas da abolição.

José do Patrocínio, logo após a Princesa Izabel assinar a Lei Aurea, disse a seguinte frase: “Minha alma sobe de joelho nestes passos”.

Escreveu várias obras, com destaque para os dez números de “Os Ferrões”, e também os romances “A pena de morte”, “Os Retirantes”, “Pedro Espanhol”, também “Manifesto da Confederação Abolicionista”, “Conferência Pública no Teatro Politeama”, artigos publicados em periódicos da época, usando vários pseudônimos e em uma de suas poesias, disse: “Louvado seja o Cristo! Ele era doce como aos domingos o romper da aurora; Escravo! Não é ele quem sustenta o homem torpe e vil que vos explora. Quando se há de curar essa medonha chaga hedionda e fatal do cativeiro?” Parece até que ele está falando para a chaga de corrupção que fere, envergonha e denigre a sociedade brasileira, em grande parte escravizada pela falta de saúde, segurança, oportunidades e vida digna.

Aos 35 anos, veria sua carreira decair. Seu novo jornal “A Cidade do Rio”, que ele fundou em 1887, tornou-se porta voz da monarquia em tempos republicanos. Foi acusado de estimular a formação da Guarda Negra, grupo de escravos libertos que agia com violência nos comícios republicanos, mas ainda aderiu ao movimento tarde demais, sendo abandonado pelos ex-aliados.

Em 1892, após atacar o Marechal Floriano Peixoto, foi exilado na Amazônia. Rui Barbosa o defendeu, num texto vigoroso: “Que sociedade é esta, cuja consciência moral mergulha em lama, ao menor capricho da força, as estrelas de sua admiração?”. Em 1893, voltou ao Rio, mas continuou a atacar o Marechal. Seu jornal foi fechado, a miséria bateu-lhe à porta e Patrocínio mudou-se para um barracão no subúrbio, dedicando-se a um delirante projeto de construir um dirigível de 45 metros de comprimento, mas a nave jamais se ergueu.

Em 29 de janeiro de 1905, na sua modesta escrivaninha começou a redigir: “Fala-se na organização de uma sociedade protetora dos animais. Tenho pelos animais um respeito egípcio. Penso que eles têm alma, ainda que rudimentar e que tem conscientemente revoltas contra a injustiça humana.” Não terminou o texto. A vida lhe fugiu naquele momento e o “Tigre do Abolicionismo” morre pobre e desamparado, mergulhado no esquecimento, porem posteriormente e a cada ano que passa revivido, sobretudo no Dia da Consciência Negra, como um dos grandes heróis do país, que teve uma vida aventurosa, inteiramente dedicada às grandes causas, a maior das quais a Abolição. Bendito seja o nome de José do Patrocínio.
 
José do Patrocínio


Referências Bibliográficas
Biblioteca Nacional RJ ( Acervo Teresa Cristina ) , Arquivo Nacional RJ , UNESCO , Livro Os Bestializados de José Murilo de Carvalho 1987 e Livro As Barbas do Imperador de Lilian Moritz Schwarcz 1998.
The Brazilian Black Guard Racial Conflict in Post-Abolition Brazil* Published online by Cambridge University Press: 11 December 2015 Michael R. Trochim.
The Brazilian Black Guard: Racial Conflict in Post-Abolition Brazil.
Cambridge University 2015, Michael R. Trochim.



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Translated by.
© Lúcio José Patrocínio Filho.

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