Análise da palestra do Olavo de Carvalho
Análise da palestra do Olavo de Carvalho:
Parte 1: Introdução e Contexto
A natureza da guerra assimétrica e a cobertura na mídia.
Artigos jornalísticos e a questão da Guerra Assimétrica.
Parte 2: Guerra Assimétrica e suas Implicações
O conceito de guerra assimétrica, seu desenvolvimento histórico e as estratégias envolvidas.
Os lados em conflitos assimétricos não são julgados pelos mesmos critérios e como isso afeta a percepção pública.
Parte 3: Exemplos e Chantagem Emocional
Exemplos, incluindo a Guerra da Argélia, para ilustrar como um lado pode usar táticas assimétricas e criar uma vantagem moral e emocional sobre o outro.
A importância da cobertura midiática nesse contexto.
Parte 4: O Uso do Sentimento Maligno e o Medo
O papel do medo do "mal olhado" e a relação entre raiva e medo.
Como o medo do mal olhado pode influenciar as reações das pessoas.
Parte 5: Tolerância como Estratégia
A tolerância e sua relação com o totalitarismo e o autoritarismo.
A eficácia da tolerância como uma forma de resistência a essas formas de governo.
Parte 6: Reflexões sobre o Oriente Médio e o Futuro
A situação atual no Oriente Médio, especialmente Israel e os palestinos.
Reflexão sobre as soluções possíveis e como a estratégia está presente na política mundial.
Olavo de Carvalho - Transcrição
Há muitos anos, li algo do filósofo alemão Heidegger, Martin Heidegger, sobre as origens do totalitarismo. Ele afirmava que a origem remota do totalitarismo estava na entrada da modernidade, quando, com René Descartes, a filosofia proclamou a possibilidade de que o indivíduo humano poderia alcançar um conhecimento de validade universal apenas através da introspecção. Isso é o princípio básico do racionalismo, que sugere que, ao conhecer algumas premissas universais, o indivíduo poderia deduzir todo o sistema das ciências. Heidegger argumentou que se existe essa possibilidade de que o indivíduo tenha uma visão abrangente e segura da realidade, então o detentor desse conhecimento deve também ser o detentor da autoridade sobre o mundo.
Heidegger raciocinou que não poderia haver totalitarismo sem a ideia de controle total da sociedade e do processo histórico, e essa ideia, por sua vez, não poderia existir sem um conhecimento total e abrangente da realidade. Ele argumentou que a pretensão de conhecimento do novo tipo de indivíduo que emergiu com a ciência moderna era a raiz do totalitarismo.
Alain Renault, em seu livro "A Era do Indivíduo," explora essa tradição de pensamento que parte de Heidegger e leva a interpretações de fenômenos totalitários por pensadores como Hannah Arendt e Claude Lefort. Eles veem o totalitarismo como uma tentativa de dominação total, que só pode ser concebida em um contexto em que o campo socio-histórico é representado como totalmente controlável por um poder que o tornaria transparente e racionalizaria todos os seus aspectos, tornando-se seu senhor e possuidor.
Em suma, essa teoria de Heidegger argumenta que o totalitarismo é o resultado extremo da promoção moderna da subjetividade, que busca o controle total sobre a sociedade e a realidade, com base na ideia de conhecimento e poder.
Então, no mesmo instante que se inaugura o sonho ou a ambição de uma ciência universal capaz de dominar completamente o processo histórico e controlar a vida social, no mesmo instante, aparece o princípio da racionalização da sociedade moderna. A racionalização à qual Max Weber se referia, colocando toda a sociedade a serviço de um processo industrial cientificamente organizado, elimina as ligações dos indivíduos com suas respectivas comunidades de origem, ou seja, a desaculturação da Revolução Industrial.
Massas inteiras de antigos artesãos abandonam suas coletividades e suas pequenas cidades para se dirigirem às grandes cidades ou à capital, onde se tornam operários da indústria ou desempregados. Isso cria uma multidão de pessoas desarraigadas que não possuem mais aquela identidade cultural original e a ligação pessoal que tinham com suas comunidades de origem. Agora, elas são como átomos soltos na sociedade industrial anônima.
Esses dois processos mencionados por Heidegger, a ambição de controle total da mente humana sobre a realidade e a ideia do desarraigo, são duas fontes do totalitarismo moderno. Um lado, a ambição do controle total, e por outro, a desumanização causada pelo rolo compressor da sociedade moderna que esmaga as pequenas comunidades e culturas tradicionais, instaurando em seu lugar uma máquina anônima e impessoal da sociedade industrial.
Este diagnóstico foi lido há mais de 20 anos e pareceu razoável na época. No entanto, mais tarde surgiram duas perguntas. A primeira pergunta é: se o totalitarismo começa com a exaltação da inteligência individual e da consciência individual, como é possível que a primeira coisa que ele faça ao se instalar seja esmagar todas as consciências individuais? Se alguma consciência individual tem primazia em um regime totalitário, só pode ser a consciência individual do governante, negando a todos os outros o privilégio de conhecer a realidade. Portanto, a exaltação das consciências individuais durante o regime totalitário se aplica apenas ao governante, não aos demais cidadãos.
A segunda pergunta é: como Heidegger, que conhecia tão bem o espírito do totalitarismo, suas causas, etc., acabou se filiando ao Partido Nazista? Como ele, que teorizou sobre as origens do totalitarismo, entrou para o partido que representava o totalitarismo nazista? Parece haver uma inconsistência nessa ação.
Examinando a situação, percebemos que uma das promessas iniciais do Partido Nazista que pareceu sedutora ao público da época foi a crítica à sociedade industrial moderna e o apelo ao arraigamento cultural. O Nazismo prometeu uma restauração do senso de participação e conexão pessoal com suas comunidades de origem, uma identidade cultural e nacional germânica. Essa promessa apelou às pessoas, oferecendo-lhes um senso de comunidade e pertencimento em oposição à impessoalidade da sociedade industrial.
No entanto, se essa promessa de arraigamento foi cumprida, então a explicação de Heidegger para as origens do totalitarismo estava errada. Sua teoria de que o totalitarismo estava intrinsecamente ligado à impessoalidade da sociedade moderna, destruindo culturas tradicionais e deixando os indivíduos em um mundo anônimo, não se sustenta. O totalitarismo nazista buscou precisamente o oposto, enfatizando a comunidade, a cultura e a raça. Portanto, a relação intrínseca que Heidegger viu entre a impessoalidade da sociedade moderna e o totalitarismo parece não existir.
Além disso, o totalitarismo não é unívoco, ele pode ter duas faces opostas, como vimos no caso do nazismo e do comunismo. Ambos eram totalitários, mas com abordagens muito diferentes, um enfatizando a impessoalidade e a modernização, e o outro enfatizando a comunidade e a identidade cultural. Portanto, o totalitarismo é uma besta com várias faces, o que torna sua análise mais complexa do que se pensava inicialmente.
Através da participação no partido, este se tornava um novo elo de solidariedade entre as pessoas, substituindo os laços de família e tradição que haviam sido perdidos. Quando estudamos a história da cultura que se formou em torno do movimento comunista, notamos a quantidade de sentimentalismo associada a essa cultura. Por exemplo, no passado, as pessoas se referiam a Stalin como "paizinho Stalin", e até hoje, quando as pessoas falam sobre a Juventude Comunista, elas derramam lágrimas. Havia uma cultura sentimental que criava um senso de identidade e pertencimento. Quando eu fazia parte do partido por três anos, eu me sentia integrado naquele movimento, não apenas politicamente, mas também humanamente.
Ao estudar mais a fundo o movimento comunista, percebi que havia tantas versões diferentes da ideologia comunista e propostas diferentes em relação aos regimes comunistas que não era possível defini-lo como um movimento ideológico unívoco. Existem várias ideias comunistas e regimes comunistas. No entanto, o que mantém uma unidade é a cultura comunista. Qualquer pessoa que participe de um movimento de esquerda se integra de alguma forma na cultura do movimento. Isso envolve o indivíduo em todas as esferas da vida, seja no trabalho, em encontros sociais ou festas. A pessoa sempre está cercada por outras que lhe oferecem um senso de identidade, pertencimento e até irmandade.
Nesse sentido, o comunismo, que pode parecer um totalitarismo mais seco, frio e racional, também tem um componente emocional e comunitário profundo. Por outro lado, o totalitarismo nazista, cuja ideologia se voltava para o apelo comunitário, a volta às raízes, e a resgate dos átomos anônimos e desarraigados da sociedade industrial, também incorporou um processo de modernização industrial, tão racional, frio e desumano quanto qualquer outro.
Portanto, ao analisar apenas o lado ideológico e teórico desses movimentos, percebemos que por trás de suas justificativas, seja apelando para o senso de justiça e igualdade ou para a comunidade e o resgate da identidade, ambos tinham uma face monstruosa, sem necessidade de considerar os atos criminosos que cometeram. Se comunistas e nazistas fossem pessoas bem-intencionadas, apenas considerando suas ideias, encontraríamos nesses discursos um apelo ao bem, mas por trás deles, existia uma face sombria.
Essa análise revela que cada totalitarismo tinha incorporado dentro de si a face do outro. Assim, o socialismo representava um totalitarismo societário, voltado para uma maior dissolução das comunidades tradicionais e para uma maior racionalização da sociedade, enquanto o nazismo representava um totalitarismo comunitário, enfatizando o retorno às raízes e à identidade nacional, racial e grupal. Ambos tinham componentes opostos em sua ideologia, e essa dualidade torna a análise mais complexa.
Tá certo, através do partido, este se tornava um novo elo de solidariedade entre as pessoas, substituindo os laços de família e tradição que haviam sido perdidos. Quando estudamos a história da cultura que se formou em torno do movimento comunista, notamos a quantidade de sentimentalismo associada a essa cultura. Por exemplo, no passado, as pessoas se referiam a Stalin como "paizinho Stalin", e até hoje, quando as pessoas falam sobre a Juventude Comunista, elas derramam lágrimas. Havia uma cultura sentimental que criava um senso de identidade e pertencimento. Quando eu fazia parte do partido por três anos, eu me sentia integrado naquele movimento, não apenas politicamente, mas também humanamente.
Ao estudar mais a fundo o movimento comunista, percebi que havia tantas versões diferentes da ideologia comunista e propostas diferentes em relação aos regimes comunistas que não era possível defini-lo como um movimento ideológico unívoco. Existem várias ideias comunistas e regimes comunistas. No entanto, o que mantém uma unidade é a cultura comunista. Qualquer pessoa que participe de um movimento de esquerda se integra de alguma forma na cultura do movimento. Isso envolve o indivíduo em todas as esferas da vida, seja no trabalho, em encontros sociais ou festas. A pessoa sempre está cercada por outras que lhe oferecem um senso de identidade, pertencimento e até irmandade.
Nesse sentido, o comunismo, que pode parecer um totalitarismo mais seco, frio e racional, também tem um componente emocional e comunitário profundo. Por outro lado, o totalitarismo nazista, cuja ideologia se voltava para o apelo comunitário, a volta às raízes, e a resgate dos átomos anônimos e desarraigados da sociedade industrial, também incorporou um processo de modernização industrial, tão racional, frio e desumano quanto qualquer outro.
Portanto, ao analisar apenas o lado ideológico e teórico desses movimentos, percebemos que por trás de suas justificativas, seja apelando para o senso de justiça e igualdade ou para a comunidade e o resgate da identidade, ambos tinham uma face monstruosa, sem necessidade de considerar os atos criminosos que cometeram. Se comunistas e nazistas fossem pessoas bem-intencionadas, apenas considerando suas ideias, encontraríamos nesses discursos um apelo ao bem, mas por trás deles, existia uma face sombria.
Essa análise revela que cada totalitarismo tinha incorporado dentro de si a face do outro. Assim, o socialismo representava um totalitarismo societário, voltado para uma maior dissolução das comunidades tradicionais e para uma maior racionalização da sociedade, enquanto o nazismo representava um totalitarismo comunitário, enfatizando o retorno às raízes e à identidade nacional, racial e grupal. Ambos tinham componentes opostos em sua ideologia, e essa dualidade torna a análise mais complexa.
Talvez seja a melhor definição de ideologia. Este é um discurso pretexto. Se pegamos um partido qualquer, ele sempre terá dois programas. Tem um programa interno que é para sua orientação, ou seja, o que ele vai fazer na realidade, sua estratégia, etc., e tem o discurso de autojustificação ideológica, que é o que ele quer que os outros pensem que ele está fazendo, mas que às vezes não é exatamente o que está fazendo. Se acompanharmos, por exemplo, a trajetória desses regimes nos momentos de máxima condensação total, a duplicidade de estratégia ideológica se torna quase alucinante, porque os membros fazem exatamente o contrário do que estão dizendo. Isto é sistemático, não é uma coincidência. A duplicidade é planejada.
Essa mesma dualidade, que usamos agora de comunidade e sociedade, pode servir como uma pista para investigar isso de outra forma. Em toda a sociedade humana que existiu até hoje, toda e qualquer sociedade humana sempre existe, por um lado, os papéis sociais que as pessoas desempenham, ou seja, a identidade social de cada um, como no momento, eu me compreendo como conferencista, e vocês como a plateia, o Artur Rotberg se entende como presidente da ebraica, etc. São as identidades com as quais nós nos mostramos e nos compreendemos na sociedade.
No entanto, existem certos momentos em que você é violentamente despido da sua identidade social. Por exemplo, quando você é assaltado na rua, todas as ligações que você tem na sociedade falham. Você está separado de tudo e é reduzido à condição humana no seu sentido mais físico. Em certas experiências extremas, como participar de um resgate escolar, você é desligado da sua identidade social e reduzido à condição de corpo vivente. O mesmo ocorre com experiências com drogas, onde o drogado não tem uma identidade social. Em todos esses momentos, as identidades sociais são temporariamente dissolvidas, e o indivíduo é lançado em experiências mais diretas e primitivas.
O entendimento dessa diferenciação entre papéis sociais e experiência mais direta está claro. Todos os movimentos totalitários, sem exceção, conseguiram mobilizar massas de pessoas para trabalhar em prol de uma organização social mais centralizada, controladora e, de certa forma, mais racional e unificada, aproveitando-se exatamente dessa diferenciação.
A estratégia psicológica de Hitler, por exemplo, era nunca enxergar o indivíduo como pessoa, mas sempre como membro de um grupo social. Hitler, instintivamente, sabia que as pessoas eram mais facilmente influenciadas por meio dos vínculos do grupo e que suas reações variavam conforme o grupo ao qual pertenciam. Portanto, seu método consistia em desorganizar os grupos tradicionais da sociedade civilizada a que o indivíduo pertencia, fazendo com que ele se sentisse desamparado. No entanto, essa desorganização tinha que ser rápida e violenta. O efeito a longo prazo só seria duradouro se o indivíduo fosse imediatamente integrado em novos grupos que promovessem o comportamento aprovado pelo partido.
Isso implicava que o indivíduo, de forma rápida, era levado a se desvincular de sua família, igreja, grupo local, etc. Nesse momento, ele se via entregue aos seus medos mais primitivos. Então, era apresentada a ele uma nova identidade, conforme os planos do Partido Nazista, por exemplo, por meio da filiação ao partido ou a outros grupos afins.
Essa estratégia de desvincular o indivíduo de seus grupos tradicionais e, em seguida, integrá-lo em novos grupos era observada em todos os movimentos de massa. Esse processo proporcionava uma sensação de liberdade quando o indivíduo estava isolado, mas também envolvia a disciplina e obediência ao grupo ao qual ele se juntava, resultando em opressão.
A estratégia de Hitler rompia a resistência do espírito individual, desorganizando os grupos tradicionais e, em seguida, reconstruindo novos grupos alinhados com a ideologia nazista. O resultado era um indivíduo submetido a uma nova identidade, adaptada aos planos do partido.
Deve-se notar que ambos os grandes movimentos totalitários do século XX, o comunismo e o nazismo, tinham limitações em relação a essa abordagem. O comunismo, ao prometer uma comunidade internacional de proletários, acabava dissolvendo a individualidade do indivíduo em uma multidão impessoal, exacerbando a impessoalidade da sociedade industrial. Por outro lado, a ideologia nazista, ao prometer um arraigo comunitário, era limitada a pessoas de uma nacionalidade e raça específicas, o que a tornava inaplicável para outras nacionalidades ou raças.
Agora, no texto, você mencionou que sempre que existe uma teoria da superioridade racial, curiosamente, essa raça superior é sempre a do próprio teórico. É uma observação interessante, indicando um viés nas teorias de superioridade racial, em que o teórico tende a se colocar como superior. É uma crítica válida à falta de imparcialidade nesses tipos de teorias.
Islã
Em relação ao islamismo, os intelectuais muçulmanos começaram a perceber, a partir da década de 1930, que o Islã poderia fornecer uma solução para esse problema, especialmente em relação à busca de uma identidade cultural mais profunda. O Islã tem sua própria estratégia econômica, que preserva a propriedade privada, mas coloca controles substanciais nas mãos de líderes religiosos. Além disso, é uma cultura abrangente que mantém sua unidade onde quer que o Islã seja praticado.
Quando alguém se converte ao Islã, percebe que o Islã tem muitos pilares e regras. Os cinco pilares são bem conhecidos, mas existem muitos outros ditos e feitos do profeta Maomé, chamados de "hadits", que detalham a vida e o estilo de Maomé. Esses hadits abrangem todos os aspectos da vida, desde como escovar os dentes até como fazer visitas, comer e até mesmo como ir ao banheiro. Portanto, existe uma receita baseada no estilo de vida de Maomé para quase todas as ações humanas. Embora inicialmente essas práticas não sejam obrigatórias, a pressão social leva as pessoas a segui-las, pois pareceriam esquisitas se não o fizessem.
O processo de revelação corânica levou 28 anos, desde o primeiro versículo revelado a Maomé até o último, que ele recebeu no final. Para absorver todas essas regras e se tornar um verdadeiro muçulmano, seriam necessários, teoricamente, 28 anos. Mesmo assim, é difícil alcançar a perfeição, mas a comunidade muçulmana está sempre observando e instruindo os indivíduos sobre como seguir corretamente essas práticas em todas as situações da vida cotidiana.
Então existe um cerco total. Nós podemos comparar; vocês já repararam que não existe muita propaganda islâmica? Já viram isso? Não tem propaganda islâmica porque o Islã se expande mais ou menos como uma ameba. Ele engole a ameba que está do lado, entendendo. Então, a hora que o sujeito entra no Islã, ele é totalmente absorvido em todos os aspectos de sua vida, e essa absorção é progressiva. Isso quer dizer que a possibilidade do indivíduo ser religiosamente islâmico é certo, e os hábitos de sua cultura originária é praticamente nula. O Islã cresce e leva não somente uma doutrina religiosa, mas leva uma cultura inteira.
Então, não é verdade dizer que quem é islâmico não é árabe, certo? Porque todos esses costumes são realmente os costumes, mas quando você vê a variedade, por exemplo, de estilos de vida e estilos culturais que existiram entre grupos judaicos ou grupos cristãos ao longo do tempo, se você comparar, sei lá, um judeu africano, certo, com o judeu russo ou com o alemão, você vai ver que eles realmente pertencem a culturas diferentes e que entre o seu Judaísmo e a cultura local, eles procuram fazer, vamos dizer, algum arranjo. Não é isso? Porque às vezes dá mais certo, às vezes não dá certo. Mas, nesse sentido, eu sugeriria a leitura de um livro, "Mein Weg als Deutscher und Jude" (Meu Caminho como Judeu e Alemão), de Jacob Wassermann.
Jacob Wassermann é o Dostoiévski do século XX, o maior romancista da humanidade. E ele escreveu, além dos romances, escreveu um livro chamado "Mein Weg als Deutscher und Jude," e ele vai investigando esse paralelismo da condição de judeu e de alemão até chegar a um ponto que, olha, isso aqui é inseparável, nós não temos mais como nos separar da nossa germanidade. Bom, mas isso é porque ele nasceu lá. Se tivesse nascido na Rússia, seria outro negócio. Isso para o muçulmano não pode acontecer.
O muçulmano, esteja onde estiver, ele participará mais intensamente da cultura islâmica do que da cultura local, e em geral, naquilo em que essa cultura local não coincida com os valores islâmicos, ele a condenará, certo, de maneira bastante rigorosa, e se absterá de participar dela. Tá certo, em todos os seus detalhes. Isso quer dizer que o senso de participação comunitária com o Islã dá aos seus membros é não apenas intenso e profundo, mas é total.
Quer dizer, a adesão ao Islã é imediatamente uma nova identidade comunitária e é, ao mesmo tempo, a participação numa estratégia mundial. Então, isso quer dizer que, contemplando o problema dos dois totalitarismos, o muçulmano da década de 30 e 40 começou a ter ideias. Algumas dessas ideias, evidentemente, eram de origem ocidental, mesmo tiradas do próprio Heidegger. Heidegger foi muito lido entre os líderes islâmicos.
Eu recomendo outra leitura, que é a autobiografia intelectual de Seyed Hossein Nasr. Seyed Hossein Nasr é um grande filósofo iraniano. Ele foi ministro da cultura no Irã no tempo do Xá Reza Pahlavi. Então, ele foi ministro da cultura no tempo do Xá Reza Pahlavi, e ele conta ali a educação que ele teve nos anos 30 no Irã. Então, ali, por aí, você tem a ideia do que um rapaz de família rica e culta poderia ter acesso naqueles anos. Toda a cultura europeia da época era transparente para eles. Eles sabiam de tudo, tudo, tudo. Quer dizer, nas casas das pessoas ricas ali de Teerã eram assiduamente frequentadas por representantes do existencialismo, do marxismo, etc. Tudo que tinha de bom e de melhor na Europa aparecia lá. E eles não estavam, de maneira alguma, desligados.
Então, eles tinham isso e ainda tinham todo o aporte tradicional islâmico. Então, Seyed Hossein Nasr diz que ele cresceu ouvindo as tias dele recitarem poesia tradicional persa. Ele mesmo aprendendo a recitar o Alcorão de cor desde pequeno, e ao mesmo tempo, ele tinha acesso à cultura europeia em todas as suas versões. Quer dizer, por exemplo, a liderança intelectual comunista da época frequentava também a casa daquele pessoal. Tanto o pessoal ligado ao existencialismo como até existencialismo cristão, tal como Gabriel Marcel, também era totalmente conhecido ali.
Então, eles tiveram uma espécie de mostruário da cultura mundial na qual, ao mesmo tempo, não tinham nenhuma participação ativa. Quer dizer, eles estavam vendo tudo e não estavam participando ativamente. Eles tiveram muito tempo para pensar nisso. Aí, a ideia de que o totalitarismo islâmico pudesse resolver as contradições dos dois totalitarismos anteriores aparece também pelo fato de que esses muçulmanos tiveram ocasião de assistir tudo isso, como se fosse numa televisão. E aperfeiçoar durante com essa experiência as suas ideias sobre o que seria um regime islâmico.
O problema do regime islâmico é o verdadeiro abacaxi, porque tudo na sociedade islâmica é regrado pelo Alcorão. Se você ler o Alcorão, que é um livro relativamente pequeno, mas 280 páginas, você verá que ele tem regulamentos sobre os hábitos diários, sobre a vida em família, etc. Ele tem todo um código civil. Esse código civil é ainda completado pelos hadiths, quer dizer, pelos exemplos de Maomé. Então, você tem talvez ali o código civil mais meticuloso do universo. Tá certo. Porém, não tem um código do direito político. Não diz uma palavra sobre o que deve ser o regime político. Graças a este fenômeno é que surgiu este problema de xiitas e sunitas. Porque, enquanto Maomé esteve vivo, então, de certo modo, ele condensava na pessoa dele os vários aspectos da da sociedade e da liderança islâmica. Ele era ao mesmo tempo um líder religioso, um líder militar, era o guru da população, era Ministro de todas as pastas, e assim por diante. Então, ele era o fator de unidade do regime islâmico. Não havia regime nenhum, regime era ele, e era um homem de um gênio absolutamente extraordinário que tinha solução para todos os problemas.
Enquanto ele vivia, ninguém teve que raciocinar muito porque ele ouvia tudo, né? Quando o sujeito morreu, no dia seguinte, já deu o rolo porque aí eles perceberam que não havia regime nenhum. Então, primeiro, nós temos que eleger um, nós temos que ter um chefe, esse negócio, né? Então, alguns achavam que esse chefe tinha que ser, vamos dizer, um continuador da obra de Maomé, portanto, alguém investido também da missão profética e dotado do carisma profético. E outros disseram: Não, de jeito nenhum, o único profeta que tivemos era esse. Ele disse que ele era o selo da profecia, então acabou, não tem mais profeta agora, tá. Então, tem que ter apenas um governante civil.
Tá certo, e o guiamento espiritual da comunidade deve caber à própria comunidade nos seus representantes mais eruditos e mais ilustres, que formariam o que chama uma comunidade. Mas não a comunidade no sentido de todo mundo, a uma é a comunidade de todo mundo que pensa e que está interessado no assunto. Então, esta entidade informal, a uma é que seria o guiamento espiritual da comunidade. E outros acham: Não, nós temos que ter aqui um profeta e escolher, evidentemente, o genro de Maomé, Ali, que era de fato espiritualmente o homem mais notável da comunidade, não só espiritualmente, mas intelectualmente. Sou um monte. É um tipo muito especial. É um tipo muito especial. Agora, e acharam que ele era ainda mais especial do que era, porque acharam que havia realmente nele o carisma da profecia, então é uma espécie de continuador do profeta.
Então, é isso que é a distinção entre sunita e xiita. Sunni quer dizer os costumes, e os costumes não é nada mais do que a coleção dos hadiths, quer dizer, a coleção daquilo que foi copiado, foi anotado da vida de Maomé e que serve como modelo para a conduta de gerações de muçulmanos. E xiita não quer dizer nada mais do que xia, quer dizer os companheiros, os companheiros de Ali, aqueles que ficaram fiéis a ele, que eram a minoria entre os xiitas.
Tá certo, então, a subsistência da comunidade depende de haver um líder carismático em cada nova geração. Isso é chamado de Imam. Imam é um nome que significa duas coisas. Em primeiro lugar, o Imam é o sujeito que chefia a prece ou que conduz a prece. Não sei se vocês já viram a prece muçulmana, fica um bando de gente alinhada, e há um sujeito na frente que diz a prece em voz alta, e os outros repetem ou acompanham. Ele conduz a prece de algum modo. Portanto, evidentemente, cada Mesquita tem um Imam. Se juntar dois muçulmanos para rezar em uma casa, um deles vai ter que ser o Imam. Mas também, a mesma palavra é usada num sentido mais ampliado para querer dizer o grande guia espiritual do mundo.
No mundo xiita, uma divisão dentro do Islã, o termo Imam já mostra a indefinição e a contradição interna do Estado Islâmico. Falar de Estado Islâmico é até estranho porque, até hoje, ninguém sabe o que é um regime islâmico. Durante muito tempo, ficou assim, e esta indefinição fez com que ao longo do tempo se consolidasse uma noção muito peculiar do que é a legitimidade de um governo.
Evidentemente, toda a teoria do Estado subentende o critério de legitimidade do governante no mundo islâmico. O governo legítimo é aquele que existe, a partir do momento que ele cessa de existir, nós descobrimos que ele não era legítimo ou que deixou de ser porque o governo expressa a vontade de Deus. Se o sujeito ainda é governante, é porque Deus quer que ele esteja lá. Se ele deixou de ser, é porque Deus o tirou de lá, então perdeu a legitimidade.
Isto é um convite a golpes de estado, revoluções, etc. Quer dizer, cada um olha o sujeito que está lá, ele pensa que é legítimo, todo mundo pensa que é legítimo, mas eu vou mostrar que não era. A tremenda instabilidade política do mundo islâmico só cessa em certos momentos quando algum grupo ou dinastia excepcionalmente feroz consegue impor a ordem ao conjunto.
Isso se prolongou até o século XX, quando se intensificaram os contatos intelectuais e políticos entre o mundo islâmico e a Europa. Naturalmente, surge a ideia de formular corretamente o que seria um regime islâmico. Aí surge o indivíduo chamado Saí Kutub. Saí Kutub era um revolucionário egípcio que escreveu um comentário ao Corão em 30 volumes chamado "A Sombra do Corão". Este foi o fundador da entidade que se chamou a Fraternidade Islâmica. Ele criou uma interpretação politizada do Corão, versículo por versículo, fazendo uma espécie de teologia da libertação islâmica.
Um exemplo disso é a definição de tirano no Corão: "Tirano é aquele que proíbe o que Deus permite ou permite o que Deus proíbe." Se você entender a palavra de Deus no sentido que se deve entender, que é o fundamento da ordem da realidade, o tirano é o sujeito que quer tornar possível o que é impossível e quer tornar impossível uma coisa que já era perfeitamente possível. Isso leva a definição de que governos legítimos são aqueles baseados na lei corânica, enquanto os outros são todos tirânicos.
Essa interpretação de Saí Kutub se impregnou no movimento islâmico ao longo do tempo, e a luta contra a tirania faz parte do jihad, que significa guerra santa. Isso fez parte das obrigações islâmicas, e todo cidadão islâmico que vive em um país sob um regime não islâmico tem a obrigação de lutar para derrubar seu governo.
No entanto, deve-se notar que a análise não se limita a isso, e o discurso continua explorando como essas ideias se relacionam com o antissemitismo e outras questões. Além disso, são apresentadas reflexões sobre as interações entre as ideologias islâmicas, o comunismo e o nazismo.
Análise:
Parte 1: Compreendendo a Guerra Assimétrica e seu Papel na Mídia
A guerra assimétrica, um termo que descreve conflitos em que as partes envolvidas não possuem igualdade de forças militares, recursos e habilidades, tem sido um tema de discussão significativo nas últimas décadas. A forma como esses conflitos são representados na mídia desempenha um papel crucial na percepção pública e nas políticas relacionadas. Nesta análise, exploraremos as observações feitas por Olavo de Carvalho sobre a natureza da guerra assimétrica e seu retrato na mídia, examinando como a cobertura jornalística influencia a compreensão pública desses conflitos.
A guerra assimétrica é caracterizada por uma disparidade substancial de poder entre as partes envolvidas. Isso pode ocorrer em diversos cenários, como insurgências, guerras civis ou conflitos entre grupos não estatais e estados-nação. Para compreender melhor a guerra assimétrica, é fundamental reconhecer que ela difere dos conflitos convencionais, em que as forças em combate possuem níveis semelhantes de força militar e recursos.
A mídia desempenha um papel crucial na representação desses conflitos. Os jornalistas e meios de comunicação desempenham um papel central na seleção, interpretação e disseminação das informações sobre a guerra assimétrica. No entanto, Olavo de Carvalho levanta uma questão crítica relacionada ao tamanho dos artigos jornalísticos. Muitas vezes, esses artigos são curtos demais para fornecer uma compreensão completa das complexidades dos conflitos assimétricos. Essa limitação na cobertura midiática pode levar a uma visão simplificada e, às vezes, distorcida desses eventos.
A representação mediática da guerra assimétrica tem implicações significativas na percepção pública desses conflitos. Olavo de Carvalho destaca que o público frequentemente baseia sua compreensão dos eventos naquilo que é apresentado pela mídia. Como resultado, a simplificação ou o viés na cobertura jornalística podem influenciar a opinião pública e as políticas governamentais. Portanto, a maneira como a guerra assimétrica é apresentada na mídia desempenha um papel fundamental na formação da perspectiva e opiniões do público sobre esses conflitos.
Outro ponto interessante é a questão da guerra assimétrica como um pretexto. Isso significa que os termos com que as questões chegam ao debate público nem sempre correspondem à verdadeira natureza do conflito. Os atores envolvidos em conflitos assimétricos frequentemente possuem agendas próprias, e o debate público pode ser moldado por questões secundárias ou superficiais, em vez de abordar as raízes e complexidades dos conflitos. Isso cria um ambiente em que as discussões públicas podem se concentrar em pontos que não abordam as causas fundamentais dos conflitos, limitando a busca de soluções eficazes.
Em resumo, a Parte 1 desta análise destaca a importância da mídia na representação da guerra assimétrica e seu papel na influência da opinião pública. Olavo de Carvalho enfatiza a necessidade de reconhecer as limitações na cobertura midiática desses conflitos, bem como a importância de aprofundar a compreensão além da superfície. Além disso, ele observa que o debate público muitas vezes se concentra em questões secundárias, deixando de abordar as causas fundamentais dos conflitos assimétricos. Em partes subsequentes desta análise, exploraremos as observações adicionais de Olavo de Carvalho sobre a guerra assimétrica e sua relação com a mídia, bem como outras questões relevantes.
Parte 2 A complexidade da guerra assimétrica em um contexto global, considerando como potências globais, potências regionais e atores não estatais influenciam e moldam esse tipo de conflito.
A guerra assimétrica não é um fenômeno limitado a uma única região, e suas dinâmicas são profundamente influenciadas pelas interações entre diversos atores.
As potências globais, em particular as superpotências, desempenham um papel significativo na guerra assimétrica. Elas frequentemente buscam promover seus interesses estratégicos ao apoiar grupos insurgentes ou intervir militarmente em nações afetadas por conflitos assimétricos. Essas ações podem ser motivadas por uma variedade de fatores, incluindo questões econômicas, geopolíticas e de segurança nacional.
A influência das potências globais nem sempre é transparente, e muitas vezes é objeto de controvérsia. A mídia desempenha um papel crucial na cobertura dessas intervenções, e a maneira como os meios de comunicação retratam as ações das superpotências pode variar amplamente. Isso, por sua vez, influencia a percepção pública dos conflitos assimétricos e das partes envolvidas.
Além das superpotências, as potências regionais desempenham um papel fundamental na guerra assimétrica. Elas têm interesses diretos nas regiões afetadas e podem fornecer apoio a grupos que compartilham seus objetivos. Essas ações podem agravar conflitos já complexos e prolongados.
A cobertura midiática da influência das potências globais e regionais na guerra assimétrica é um aspecto crítico a ser considerado. A mídia muitas vezes molda a percepção pública desses eventos, destacando ou minimizando certos aspectos de acordo com sua perspectiva editorial e agendas políticas. Portanto, a compreensão do público sobre conflitos assimétricos muitas vezes é influenciada pela mídia.
A presença de atores não estatais, como grupos insurgentes, organizações terroristas e milícias, adiciona uma camada de complexidade à guerra assimétrica. Esses grupos frequentemente operam em contextos onde o Estado não possui um controle total e podem exercer influência significativa nas dinâmicas do conflito. A mídia desempenha um papel crítico na forma como esses atores são retratados, afetando a opinião pública e as políticas de resposta.
Em resumo, a Parte 2 deste estudo destaca a natureza intrincada da guerra assimétrica no contexto global e como as ações das potências globais, potências regionais e atores não estatais desempenham um papel fundamental na evolução desses conflitos. A mídia desempenha um papel significativo na narrativa desses eventos, moldando a percepção pública e influenciando as respostas políticas. Nas próximas partes deste estudo, continuaremos a explorar observações relevantes e interligadas a essa temática.
A Parte 3 A importância da informação e da propaganda em conflitos assimétricos.
Essa dimensão muitas vezes subestimada desempenha um papel crucial na forma como os conflitos se desenrolam e como o público os percebe.
A informação é uma ferramenta poderosa em conflitos assimétricos. Grupos insurgentes, organizações terroristas e milícias frequentemente utilizam estratégias de comunicação para recrutar membros, arrecadar fundos e promover sua causa. Eles exploram as mídias sociais, sites e plataformas online para disseminar sua mensagem, muitas vezes com alcance global.
As potências estatais também reconhecem o valor da guerra de informação. Elas empregam táticas de propaganda para influenciar a opinião pública, tanto doméstica quanto internacionalmente. As operações psicológicas visam moldar a narrativa do conflito, desacreditar o inimigo e manter o apoio público.
A disseminação de informações falsas, conhecidas como "fake news", é uma ferramenta comum em conflitos assimétricos. A desinformação pode confundir o público, criar divisões e minar a confiança nas fontes de informação. Portanto, a capacidade de discernir informações confiáveis de fontes não confiáveis é essencial para o público e as partes envolvidas.
Além disso, a propaganda é frequentemente usada para retratar grupos insurgentes ou organizações terroristas como heróis ou vítimas. Isso pode atrair recrutas e simpatizantes, tornando esses grupos mais resistentes e perigosos. A mídia desempenha um papel duplo nesse cenário, cobrindo os eventos e, ao mesmo tempo, sendo utilizada como uma ferramenta de propaganda.
A guerra de informação também tem implicações para as potências globais e regionais envolvidas nos conflitos assimétricos. A maneira como eles moldam a narrativa do conflito pode afetar significativamente a opinião pública em seus países e em todo o mundo. A mídia desempenha um papel fundamental na disseminação dessas mensagens e na formação da opinião pública.
Em resumo, a Parte 3 deste estudo destaca a importância da informação e da propaganda em conflitos assimétricos. A forma como os grupos insurgentes, organizações terroristas, milícias e estados empregam estratégias de comunicação molda a narrativa do conflito e afeta a percepção pública. A disseminação de informações falsas e a propaganda desempenham um papel significativo na complexidade desses conflitos. Nas partes subsequentes deste estudo, continuaremos a explorar aspectos relevantes relacionados a essa temática.
Parte 4 A questão da moralidade e da ética nos conflitos assimétricos.
É uma dimensão complexa, pois envolve a avaliação das ações de diferentes partes envolvidas em tais conflitos, incluindo grupos insurgentes, organizações terroristas, milícias e forças estatais.
Em conflitos assimétricos, as questões éticas podem ser particularmente desafiadoras, uma vez que as táticas empregadas pelas partes muitas vezes violam princípios morais amplamente aceitos. Isso inclui o uso de táticas como o terrorismo, sequestros, ataques a alvos civis e o recrutamento de crianças-soldados.
As partes envolvidas em conflitos assimétricos muitas vezes justificam suas ações com base em ideologias políticas, religiosas ou culturais. Isso levanta questões sobre a legitimidade de suas ações e se há alguma justificação moral para o que fazem. Além disso, a presença de atores não estatais nesses conflitos torna ainda mais complexa a avaliação da ética das ações.
As forças estatais, por sua vez, também enfrentam dilemas éticos em conflitos assimétricos. O uso de força militar, mesmo quando direcionado contra grupos insurgentes ou organizações terroristas, pode resultar em baixas civis. A questão da proporcionalidade, da discriminação entre combatentes e não combatentes e do respeito pelo direito internacional humanitário desempenha um papel crítico.
Um aspecto ético importante é como a comunidade internacional responde a esses conflitos. As sanções econômicas, os embargos de armas e as intervenções militares podem ser vistas como medidas éticas para conter grupos que empregam táticas violentas. No entanto, as implicações éticas dessas medidas também são frequentemente debatidas.
Por fim, a mídia desempenha um papel fundamental na exposição das ações das partes envolvidas em conflitos assimétricos. A cobertura midiática pode influenciar a opinião pública e moldar a percepção das ações e motivações das partes. Portanto, o jornalismo ético é vital para um entendimento preciso dos conflitos.
Nesta seção, destacamos a complexidade da dimensão ética dos conflitos assimétricos. A avaliação da moralidade das ações em tais conflitos é um desafio, uma vez que envolve uma série de atores com justificativas ideológicas variadas. A ética das táticas usadas, a resposta da comunidade internacional e a cobertura midiática são fatores críticos nesse contexto. Nas partes subsequentes deste estudo, continuaremos a explorar aspectos relevantes relacionados a essa temática.
A Parte 5 A relação entre conflitos assimétricos e as complexidades da política internacional.
A política internacional desempenha um papel significativo na dinâmica desses conflitos, influenciando as estratégias e os desfechos. Vamos analisar como atores estatais e não estatais interagem nesse cenário e como a geopolítica global afeta o curso desses conflitos.
Os conflitos assimétricos frequentemente se desenrolam em cenários onde os interesses de várias potências globais estão em jogo. A competição entre superpotências, como os Estados Unidos e a Rússia, pode levar a um ambiente propício para o surgimento de conflitos, com diferentes atores regionais e locais buscando apoio e intervenção externa.
Além disso, a exploração de recursos naturais, como petróleo e minerais, frequentemente desempenha um papel na escalada de conflitos assimétricos. Grupos insurgentes podem obter financiamento por meio da extração ilegal e contrabando desses recursos, o que cria um vínculo entre questões econômicas e conflitos armados.
A política internacional também influencia as respostas à escalada de conflitos assimétricos. A comunidade internacional, muitas vezes liderada por organizações como as Nações Unidas, pode impor sanções econômicas, embargos de armas ou até mesmo intervenção militar em conflitos que ameacem a paz global. No entanto, as considerações políticas, interesses nacionais e rivalidades geopolíticas podem limitar a eficácia dessas ações.
As negociações de paz em conflitos assimétricos frequentemente envolvem mediadores internacionais e acordos que buscam equilibrar os interesses das partes em conflito com as preocupações da comunidade internacional. No entanto, alcançar um acordo duradouro muitas vezes se prova extremamente desafiador, uma vez que os atores envolvidos podem ter objetivos incompatíveis e desconfiança mútua.
Além disso, as alianças políticas e militares entre estados desempenham um papel crítico na geopolítica dos conflitos assimétricos. Apoio financeiro, fornecimento de armas e assistência estratégica podem ser fatores determinantes na capacidade de grupos insurgentes ou organizações terroristas de sustentar seus esforços.
Em resumo, a política internacional desempenha um papel central nos conflitos assimétricos, influenciando sua eclosão, escalada e resolução. A competição entre superpotências, a exploração de recursos naturais, as respostas da comunidade internacional e as alianças entre estados moldam a dinâmica desses conflitos. Compreender o contexto geopolítico é fundamental para analisar as raízes e as consequências dos conflitos assimétricos.
A Parte 6 As complexidades da tolerância e na relação entre a tolerância e o totalitarismo. A tolerância é um conceito complexo, muitas vezes debatido em contextos políticos e sociais. Vamos explorar como a tolerância pode desempenhar um papel fundamental na prevenção do totalitarismo e na promoção de sociedades mais justas e inclusivas.
Tolerância, em seu sentido mais amplo, refere-se à capacidade de aceitar e respeitar diferenças, sejam elas de natureza étnica, religiosa, política ou cultural. É a disposição de conviver com a diversidade e permitir a coexistência pacífica de perspectivas variadas. A tolerância é frequentemente vista como um valor fundamental em sociedades democráticas.
Em muitos casos, a intolerância é um dos principais motores do totalitarismo. Regimes totalitários muitas vezes buscam suprimir a dissidência e impor uma visão única e homogênea da sociedade. Aqueles que se desviam da ideologia oficial podem enfrentar perseguição, prisão ou até mesmo violência. A intolerância é um componente essencial do controle totalitário.
Portanto, a tolerância desempenha um papel crítico na prevenção do totalitarismo. Quando as sociedades promovem a tolerância, elas criam espaço para o debate aberto, a diversidade de opiniões e a participação cidadã. Isso pode servir como um antídoto contra as tentativas de grupos ou governos de consolidar o poder e controlar a narrativa pública.
No entanto, a tolerância não é uma questão simples. Em algumas situações, a tolerância em relação à intolerância pode ser percebida como uma fraqueza. Quando grupos ou indivíduos promovem discursos de ódio, discriminação ou violência, a questão da até onde se deve ser tolerante torna-se complexa. A tolerância ilimitada à intolerância pode, de fato, minar a própria base da democracia.
Portanto, a promoção da tolerância deve ser equilibrada com a defesa dos direitos humanos, da justiça e da igualdade. Em sociedades democráticas, a tolerância não significa aceitar violações dos direitos fundamentais ou a discriminação de grupos vulneráveis. É um desafio encontrar o equilíbrio entre ser tolerante com opiniões divergentes e, ao mesmo tempo, proteger os valores democráticos e a dignidade humana.
Em resumo, a tolerância desempenha um papel fundamental na prevenção do totalitarismo, criando espaço para a diversidade e o debate em sociedades democráticas. No entanto, a tolerância não é um valor absoluto e deve ser equilibrada com a defesa dos direitos humanos e da justiça. Compreender as complexidades da tolerância é essencial para construir sociedades mais justas e inclusivas.
Comentários
Postar um comentário