Capítulo II - A primeira carta
Meu relógio suíço marcava oito horas da manhã. Era uma segunda-feira ensolarada, algo incabível porque estávamos em pleno inverno, e naquele momento havia apenas uma questão a ser resolvida: o ônibus contratado para levar nosso grupo de universitários até o sítio arqueológico onde realizaríamos aulas práticas de Arqueologia Avançada partiria às nove horas em ponto e eu ainda estava nas dependências da casa de estudantes do Imperial College, uma Universidade inglesa. Desci rapidamente as intermináveis escadas, sendo interrompida pela Senhora Stanley, uma agradável anciã, adoradora de longos diálogos com os estudantes, facilmente encontrada limpando as escadas ou os corredores do prédio. Em verdade eu adoraria poder passar o dia todo filosofando sobre política internacional, assunto que ela parecia dominar com profundidade, contudo naquele momento encontrava-me de certa forma em apuros; malditos ponteiros que não paravam de girar. — Bom dia, Leona! —ela percebia meu andar apressado—. P...