Capítulo I - Um mundo repleto de Lobos
Em algum lugar ao norte do Canadá
Gélidas montanhas, brancas, desertas e inóspitas; acuado Lobo fugindo da Destruição. Infindável floresta de pinheiros encoberta pela neve; inverno de 1982.
Aquele inverno teria sido igual aos outros, não fosse o alvoroço causado pela polícia federal, relatado como “uma tentativa de busca e captura de um assassino fugitivo”, pois algo muito bizarro ocorreu ali. Vários habitantes daquele pacato vilarejo, muito conhecido pelos Lobos e por eles chamado de Vila dos Ventos Gélidos, situado aos pés de alguma daquelas montanhas selvagens e frias do Canadá, que outrora fora utilizado como base para peculiares operações militares, disseram tê-los visto vestidos com roupas curiosas, parecendo astronautas e não federais, notícia que logo depois saiu publicada na imprensa desse mesmo condado. Um lenhador muito conhecido e respeitado pelos nativos desse vilarejo, pai de família, comentou que havia visualizado um helicóptero cinza, de vidros espelhados e desprovido de qualquer tipo de identificação, pousando próximo à sua casa, bem perto do Bosque das Neblinas Grises. Comentou que um federal teria aberto a porta da aeronave e pôde visualizar o emblema da CIA no capacete do piloto.
Vários agentes correm pela floresta; o monstro inspirando e espirando forte entre úmidos arbustos. Sensores e aparelhos estranhos em suas mãos, tentando acuar algo por eles almejado como sobrenatural.
Furioso, sem saída, quebrando árvores e troncos secos, olha para todos os lados. Imagens delirantes, rebuscadas e confusas; visualizando o chão, a floresta, o céu nebuloso e percebendo a aproximação do inimigo. Irado, ferido, desprende um aterrorizante uivo, gerando sinuosos ecos macabros. —encontrava-se na forma de um lobo; sem azimutes—. Correndo desesperado, inicia uma espantosa mutação. Seus pelos cresciam e tornavam-se mais espessos—. De súbito ganhou peso tornando-se um monstruoso e gigantesco lobo que, tomado por uma fúria selvagem, avançou rumo ao suicídio. Disparos com armas poderosas; munição de prata. A Terra Mãe chora a morte de mais um dos seus defensores, desencadeando uma forte tempestade de neve.
Fascinado, atônito, um dos agentes aproxima-se do corpo supostamente animal. Parecendo liberar a pressão de ar que antes preenchia seu estranho traje, retira sua máscara metálica e curva-se para alcançar o monstro em meio aos arbustos. Usando a mão esquerda, portadora de uma enorme e volumosa cicatriz, apalpa uma enorme tatuagem negra, situada no pescoço daquela gigantesca fera. E com a mão direita equilibrando o cilindro de oxigênio que parece incomodar seus ombros, lê:
—Ashling! —baforadas saem de sua boca, dispersando-se ao vento canadense.
A tempestade toma uma proporção jamais vista. Uma forte tormenta cobrindo seu corpo com neve; lenta metamorfose, derradeira e mórbida. Diante dos olhos científicos daqueles agentes secretos, o monstruoso Lobo vai tomando a forma de um homem morto, ensanguentado e desfigurado.
O agente está pensativo, buscando respostas em sua mente mundana. Como poderia ser verdade aquele fenômeno sobrenatural? Falando alto, vira-se em direção aos outros agentes, claramente desejando respostas:
— Diabos! De que lugar poderia ter saído tal aberração?
Estávamos diante da cena e tudo parecia estar tão nebuloso, inacreditável. Algumas semanas depois, vários agentes que presenciaram a captura não acreditavam ter visto a horripilante criatura morrendo e mudando forma. “A cortina lupina age de forma misteriosa, entre brumas escatológicas.”
— Oh, Mãe Terra! —babava sangue negro—. Resista... Resista! —estas foram últimas palavras de um lobo solitário—.
Tudo começou quando Albert Wallace, um jovem inglês, foi atacado por um Lobo nos subúrbios de York, em 1962. Além do trauma psicológico, o monstro havia deixado profundas cicatrizes em seu corpo, uma delas em sua mão esquerda. Dedicou toda sua vida pesquisando fenômenos sobrenaturais, sempre em busca de provas da existência de homens-lobo. Vinte anos mais tarde, como professor de biologia de uma famosa universidade inglesa, havia sido convidado para colaborar com a Interpol, por ser o homem mais indicado para levar a cabo uma missão secreta; buscavam algo sobrenatural.
Foram necessários dois anos de muito trabalho desenvolvendo os equipamentos necessários para que pudessem atingir um objetivo por todos entendido como pura ficção. Estes mesmos dois anos foram utilizados por um grupo de agentes para encontrar alguma pista que servisse de ponto de partida, mesmo que fosse algo de total sutileza, que pudesse levá-los em direção ao desconhecido. Em 1982, ouvindo testemunhos de pessoas que afirmavam haver visto o que parecia ser um monstro ou um lobo bestial e de tamanho descomunal caminhando pela floresta, decidiram que podia ser um bom momento para começar. Eles realizaram um trabalho perfeito, uma minuciosa investigação que culminou em uma terrível caçada onde pela primeira vez os seres humanos puderam capturar um arauto da Terra. Tratava-se de um Lobo poderoso dentro da hierarquia do mundo dos Lobos, seu nome era Ashling Gelo do Norte.
Wallace ficou muito satisfeito e decidiu que depois daquele dia sua equipe de investigação teria Ashling como codinome. Depois dessa caçada os integrantes da Ashling tornaram-se os humanos mais odiados pelos Lobos de todo o mundo.
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