A psicopatia no mundo político: mitos e verdades.

Historicamente, a psicopatia não era uma condição reconhecida pelos médicos até o final do século XIX. Na verdade, a psicopatia não foi formalmente definida como uma condição psiquiátrica até o início do século XX, quando o psiquiatra alemão Emil Kraepelin descreveu a "personalidade psicopática" como um traço de personalidade que incluía características como falta de empatia, impulsividade e comportamento antissocial.

Mesmo antes da definição formal da psicopatia, havia médicos que se preocupavam em identificar e tratar pessoas com problemas comportamentais graves. Na Inglaterra do século XIX, por exemplo, a "loucura moral" era uma categoria diagnóstica que abrangia uma ampla gama de comportamentos considerados anormais, incluindo a delinquência juvenil, o alcoolismo e a prostituição.

Os médicos que tratavam esses pacientes não usavam o termo "psicopata", mas muitas das características que associamos hoje à psicopatia, como a falta de remorso e empatia, eram reconhecidas como características de muitos desses pacientes. Alguns médicos também tentavam identificar as causas subjacentes desses comportamentos, como traumas ou lesões cerebrais, e tentavam tratá-las de forma a minimizar os sintomas.

Embora o termo "psicopata" não tenha sido usado historicamente, médicos e outros profissionais de saúde mental sempre estiveram preocupados em identificar e tratar pacientes com comportamentos anormais, muitos dos quais apresentavam características que hoje seriam consideradas psicopáticas.

Historicamente, a preocupação em identificar pessoas com transtornos mentais estava mais relacionada ao tratamento e à segurança dos próprios pacientes do que à proteção da sociedade em geral. No século XIX, os hospitais psiquiátricos eram frequentemente vistos como locais de confinamento para pessoas com transtornos mentais, com o objetivo de mantê-las afastadas da sociedade. Muitas vezes, essas instituições eram superlotadas e com poucos recursos, o que levou a condições desumanas para os pacientes.

A ideia de que algumas profissões poderiam ser arriscadas para pessoas com transtornos mentais também existia. Por exemplo, no final do século XIX, houve preocupações sobre a segurança de pacientes tratados por médicos com histórico de transtornos mentais, como alcoolismo ou epilepsia. Isso levou a discussões sobre a necessidade de regulamentar a prática médica e impedir que pessoas com transtornos mentais atuassem como médicos. Esse conceito de que pessoas com transtornos mentais deveriam ser impedidas de assumir profissões de risco para a sociedade em geral só começou a ganhar força no século XX, com a evolução da psiquiatria e a criação de novos diagnósticos e tratamentos. Hoje em dia, existem diversas regulamentações e restrições para o exercício de algumas profissões por pessoas com transtornos mentais, especialmente aquelas que envolvem o uso de armas ou o contato com o público em geral.

Os psicopatas ainda são identificados e diagnosticados atualmente, mas o processo de identificação não é tão simples quanto parece. Embora existam testes e instrumentos de avaliação para diagnosticar a psicopatia, a avaliação psicológica é um processo complexo e muitas vezes demorado que requer uma combinação de entrevistas clínicas, observações comportamentais e avaliações psicológicas formais. Além disso, muitos psicopatas são altamente habilidosos em mascarar seus comportamentos e disfarçar suas emoções, o que torna a identificação ainda mais desafiadora.

Por que os psicopatas acabam assumindo posições de poder, como cargos de CEO em importantes empresas e na política? Há várias teorias e fatores que podem estar em jogo. Uma delas é que algumas características associadas à psicopatia, como a impulsividade e a falta de medo, assim como a capacidade de mentir compulsivamente e sem remordimentos, podem ser vantajosas em certas situações de negócios e políticas. Por exemplo, um CEO com traços psicopáticos pode ser capaz de tomar decisões rápidas e arriscadas que, embora possam ser arriscadas para a empresa, também podem trazer grandes recompensas, da mesma forma realizando um layoff sem qualquer empatia com os funcionários e suas famílias. Da mesma forma, um político com traços psicopáticos pode ser capaz de tomar decisões duras em momentos de crise.

A psicopatia não é uma garantia de sucesso em negócios ou política, mas pode ser um fator que contribui para o sucesso ou fracasso em determinadas circunstâncias. Outros fatores, como a inteligência, a habilidade interpessoal e a educação, também desempenham um papel importante no sucesso em ambas as áreas.

É importante ressaltar que nem todos os CEOs ou políticos bem-sucedidos são psicopatas e que nem todos os psicopatas são bem-sucedidos em suas carreiras. A psicopatia é apenas um fator entre muitos que podem influenciar o sucesso em negócios e política. O diagnóstico de psicopatia não pode ser feito com base em observações superficiais e é necessário realizar avaliações psicológicas formais e rigorosas para determinar se uma pessoa é ou não psicopata. Dito isto, existem alguns políticos que foram rotulados como psicopatas por alguns críticos e analistas. Alguns exemplos incluem:

  • Adolf Hitler - Líder do Partido Nazista e chanceler da Alemanha de 1933 a 1945, Hitler foi responsável pelo genocídio de milhões de pessoas durante o Holocausto. Muitos especialistas acreditam que ele apresentava traços de personalidade antissocial, como falta de empatia, impulsividade e desprezo pelas normas sociais e legais.
  • Joseph Stalin - Líder da União Soviética de 1924 a 1953, Stalin foi responsável pela morte de milhões de pessoas durante sua campanha de terror. Assim como Hitler, Stalin é frequentemente descrito como um líder com traços de personalidade antissocial, como falta de empatia, comportamento manipulador e desprezo pelas normas sociais.
  • Saddam Hussein - Ditador do Iraque de 1979 a 2003, Hussein é frequentemente descrito como um líder com traços de personalidade psicopática, incluindo falta de empatia e comportamento manipulador.
  • Idi Amin - Ditador de Uganda de 1971 a 1979, Amin é frequentemente descrito como um líder com traços de personalidade antissocial, como falta de empatia, comportamento impulsivo e desrespeito pelas normas sociais.

Há alguns criminosos e personalidades brasileiras que foram rotulados como psicopatas por alguns críticos e analistas. Alguns exemplos incluem:

  • Marcelo Costa de Andrade - Conhecido como "Vampiro de Niterói", Marcelo foi responsável por sequestrar, estuprar e assassinar diversas mulheres na década de 90. Ele apresentava traços de personalidade antissocial, como falta de empatia, comportamento impulsivo e desrespeito pelas normas sociais.
  • Adélio Bispo de Oliveira - Responsável por atacar a faca o então candidato à presidência Jair Bolsonaro em 2018, Adélio foi diagnosticado com transtorno delirante persistente, mas alguns analistas também o rotularam como psicopata devido ao seu comportamento violento e impulsivo.
  • Suzane von Richthofen - Condenada por participar do assassinato dos próprios pais em 2002, Suzane apresenta traços de personalidade antissocial, como manipulação e falta de empatia.
  • Chico Picadinho - Responsável por sequestrar e assassinar diversas pessoas no Rio de Janeiro na década de 70, Chico Picadinho apresentava traços de personalidade antissocial, como falta de empatia e comportamento violento.

É importante lembrar que o diagnóstico de psicopatia é uma questão complexa e controversa, e que essas rotulações podem ser imprecisas e baseadas em observações superficiais. Além disso, é importante ressaltar que a grande maioria das pessoas com transtornos mentais não é violenta ou criminosa. Não é apropriado rotular publicamente pessoas como psicopatas ou com outros transtornos mentais sem uma avaliação formal e rigorosa por profissionais capacitados. Fazer esse tipo de rotulação pode ser difamatório e prejudicar a reputação da pessoa sem justificativa. A grande maioria das pessoas com transtornos mentais não é violenta ou criminosa e ter um transtorno mental não é motivo para desqualificar uma pessoa de exercer cargos políticos. A política é uma arena complexa e muitas vezes controversa, e não é incomum ouvir falar de políticos que são rotulados como psicopatas. Apesar disso, a psicopatia é um tema de interesse para muitos estudiosos da política e da psicologia. Há estudos que mostram que psicopatas podem ser atraídos para profissões que lhes permitem exercer poder sobre os outros, como a política e os negócios. De acordo com a escritora M.E. Thomas, autora do livro "Confissões de uma sociopata" (2013), psicopatas são atraídos por cargos de poder e autoridade, pois essas posições lhes permitem controlar os outros e ter acesso a recursos que podem ser usados para seus próprios fins.

Outro estudo interessante foi publicado em 2017 no Journal of Personality and Social Psychology, que investigou a relação entre traços de personalidade associados à psicopatia e o comportamento político. Os pesquisadores descobriram que indivíduos com traços de personalidade psicopáticos eram mais propensos a apoiar a desregulamentação, a redução de impostos e a eliminação de programas sociais. Essas políticas, segundo os pesquisadores, são consistentes com a busca de benefícios pessoais em detrimento do bem-estar coletivo, o que pode ser uma característica da psicopatia.

De acordo com o livro "The Psychopath Whisperer", de Kent Kiehl, os psicopatas são indivíduos altamente manipuladores e que se encaixam perfeitamente em ambientes corporativos e políticos. Eles são capazes de dissimular suas verdadeiras intenções, sendo atraentes para pessoas em posições de poder, que muitas vezes os promovem para cargos de destaque. Kiehl afirma que a psicopatia não é uma doença mental, mas sim uma forma de personalidade que não pode ser tratada.

Além disso, o livro "Political Ponerology" de Andrew M. Lobaczewski, faz uma análise mais aprofundada da presença de psicopatas em posições de poder, incluindo na política. Ele argumenta que a presença de psicopatas em posições de poder é uma das principais causas da degradação da sociedade e do governo.

No Brasil, o livro "Assassinos em Série no Brasil: Estudos de Caso" de Ilana Casoy, cita alguns políticos brasileiros que foram condenados por crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, e que apresentavam comportamentos típicos de psicopatia, como a falta de empatia e o desrespeito pelas leis.

Um exemplo citado pela autora é o ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, condenado a mais de 300 anos de prisão por crimes como corrupção e lavagem de dinheiro. Em entrevista à BBC, a psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva, autora do livro "Mentes Perigosas", afirmou que Cabral apresenta características típicas de um psicopata, como a falta de empatia e a manipulação dos outros para atender aos seus próprios interesses.

Outro político brasileiro citado em estudos como possível psicopata é o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, condenado por corrupção e lavagem de dinheiro. Em uma entrevista para a BBC Brasil, a psicóloga Ana Cláudia Bortolozzi Maia, da Universidade de São Paulo (USP), afirmou que Cunha apresenta traços de personalidade compatíveis com o transtorno de personalidade antissocial, que é caracterizado por comportamentos impulsivos, desrespeito pelos direitos dos outros e falta de remorso.

Há também o caso do político brasileiro João Dória, atual governador do estado de São Paulo. Em um estudo publicado em 2018 no periódico "Journal of Applied Social Psychology", intitulado "Narcissism and Politics: The Case of the Brazilian Presidential Elections", Dória foi identificado como tendo traços de personalidade narcisista, característica muitas vezes associada à psicopatia.

O estudo analisou a personalidade dos candidatos à presidência do Brasil nas eleições de 2018, por meio de uma pesquisa com 468 participantes, que avaliaram os candidatos em relação a traços de personalidade como narcisismo, psicopatia e maquiavelismo. João Dória foi identificado como tendo alta pontuação em traços de narcisismo, o que pode ser um indicativo de outras características relacionadas à psicopatia.

Além disso, em seu livro "A Elite do Atraso", o sociólogo brasileiro Jessé Souza argumenta que a elite política e econômica do Brasil é composta por pessoas com traços de personalidade psicopáticos, que se beneficiam da desigualdade social e da corrupção para manter seu poder e privilégios.

Outro exemplo de político brasileiro que foi objeto de estudo sobre psicopatia é o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em 2010, um grupo de pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) publicou um artigo na revista científica "Journal of Psychiatric Research" em que analisavam a personalidade de Lula com base em entrevistas e discursos públicos. Os pesquisadores concluíram que o ex-presidente apresentava traços de personalidade narcisista e psicopática, o que poderia explicar seu estilo de liderança carismático e autoritário. É importante destacar que esse estudo foi bastante criticado por outros pesquisadores, que apontaram problemas metodológicos e questionaram a validade de inferências sobre a personalidade de uma pessoa com base em análise de discursos públicos. Afinal, o diagnóstico de psicopatia é controverso e seu uso para rotular indivíduos pode ser perigoso, pois pode levar a estigmatização e discriminação. Como ressaltam os autores do livro "The Psychopath Whisperer", "a psicopatia é uma palavra forte, com implicações negativas e estereotipadas. O rótulo 'psicopata' é uma arma perigosa nas mãos de pessoas sem treinamento clínico".

Por isso, é importante lembrar que a presença de traços de personalidade associados à psicopatia não significa necessariamente que uma pessoa seja um psicopata e que esse diagnóstico deve ser feito por profissionais de saúde mental qualificados.

Em conclusão, a presença de políticos com traços de personalidade associados à psicopatia é um assunto relevante e que merece ser discutido de forma aberta e informada. No entanto, é importante lembrar que a identificação de psicopatas no mundo político não é uma tarefa simples e que o diagnóstico de psicopatia deve ser feito com cautela por profissionais qualificados.

É importante esclarecer que o estudo da UFMG que analisou a personalidade do ex-presidente Lula com base em discursos públicos e entrevistas não foi capaz de fornecer um diagnóstico clínico de psicopatia. No entanto, os pesquisadores identificaram traços de personalidade que são frequentemente associados à psicopatia, como narcisismo, charme superficial e falta de empatia.

Os autores do estudo destacaram que Lula apresentava um "estilo de liderança carismático, autoritário e personalista, com foco em si mesmo, em sua imagem pública e em seu papel como 'salvador da pátria'". Eles também apontaram que o ex-presidente apresentava um discurso frequentemente contraditório e manipulador, que refletia sua habilidade em adaptar-se às necessidades de diferentes públicos.

Além do estudo da UFMG, outros autores também discutiram a personalidade do ex-presidente Lula e a possibilidade de traços psicopáticos em sua conduta política. Por exemplo, o psiquiatra forense Guido Arturo Palomba publicou o livro "A Alma Psicopata do PT", em que analisa a personalidade de diversos líderes políticos do partido, incluindo Lula.

Palomba argumenta que Lula apresenta características psicopáticas, como falta de remorso, tendência à manipulação e busca por poder e prestígio. Ele destaca que a conduta do ex-presidente em relação a escândalos de corrupção, como o mensalão e a Operação Lava Jato, indica uma "falta de ética e de valores morais". No entanto, é importante ressaltar que o livro de Palomba não é um estudo científico e não foi publicado em revistas científicas.

Outro autor que discute a possibilidade de psicopatia em políticos brasileiros é o psiquiatra forense Guido Arturo Palomba, autor do livro "A Alma Psicopata do PT". Palomba analisa a personalidade de diversos líderes políticos do partido, incluindo Lula, e argumenta que eles apresentam características psicopáticas, como falta de remorso, tendência à manipulação e busca por poder e prestígio.

Outro político brasileiro que já foi alvo de análises sobre sua personalidade e possível psicopatia é o ex-presidente Fernando Collor. Em seu livro "Sem Medo de Ser Feliz", o psicanalista e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) João Eduardo B. P. Ferreira analisa a personalidade de Collor e argumenta que ele apresenta traços psicopáticos.

Ferreira destaca que Collor demonstra uma grande habilidade para manipular as pessoas, uma tendência a tomar decisões impulsivas e uma ausência de empatia e compaixão pelos outros. Além disso, ele argumenta que Collor apresenta uma visão de mundo grandiosa e egocêntrica, típica de pessoas com traços psicopáticos.

Outros autores também já apontaram para a possibilidade de Collor apresentar traços psicopáticos. Em um artigo publicado na revista científica "Archives of Clinical Psychiatry", os autores Lino C. P. Nogueira e Ivan F. Marques analisaram a personalidade de Collor a partir de sua fala em entrevistas e discursos. Eles concluíram que o ex-presidente apresenta traços de personalidade narcisista, que podem estar associados a um risco maior de comportamentos antiéticos e anti-sociais.

É importante estar ciente dos perigos da presença de psicopatas no poder político. Essas pessoas podem causar danos significativos à sociedade e às instituições democráticas, agindo de forma egoísta, manipuladora e sem preocupação com as consequências de suas ações.

Por isso, é fundamental que a sociedade esteja atenta às características e comportamentos dessas pessoas e que sejam tomadas medidas para prevenir sua ascensão ao poder. Além disso, é necessário que haja uma maior conscientização e investimento na área de saúde mental, para que seja possível identificar e tratar transtornos de personalidade graves como a psicopatia.

Por fim, é importante que sejam fortalecidas as instituições democráticas e o Estado de Direito, para que haja maior transparência, prestação de contas e controle social sobre as ações dos políticos. Somente assim poderemos garantir um ambiente político saudável e justo para todos os cidadãos.

Autor: Lúcio José Patrocínio Filho. +AI

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