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Capítulo IX - Avenida Kürfürstendamm

É manhã! Berlim continua bela, e mesmo com tantas reformas e limpezas de terrenos antes proibidos pela cortina de ferro, a cidade ainda mantém seu frisson transcendente. Uma nova Berlim está surgindo depois da unificação. Ainda há neve nas calçadas e as pessoas começam a dar movimento à cidade. Ao longe toca algum solitário sino de igreja; sete badaladas sem parar. — Ai, minha cabeça dói! —  Leona tira o cabelo do rosto e tenta levantar-se . Está frio e o vento sopra com temperatura negativa. Ela levanta-se. Qualquer pessoa que passasse ao lado daquela cabina de telefone vermelha, na Avenida Kürfürstendamm, certamente veria Leona deitada ali dentro, assemelhando-se a uma mendiga. Leona respira fundo e abre a porta da cabina. Inicia uma caminhada sem destino. Descendo a nobre avenida da capital alemã, a congelada arqueóloga pouco a pouco desperta-se de um sono mal dormido.   Fogo, trevas; raios saindo de espadas épicas. Homens que se tornam monstros em um piscar de olhos, f...

Capítulo VIII - A Ashling prepara uma emboscada

Madrugada de muita neve; o vento gelado perseguindo almas. O Boeing conduz nossa arqueóloga e pousa com dificuldade, minutos antes do aeroporto ser fechado devido às péssimas condições atmosféricas. Leona segue rápida; seus pensamentos fixados em Marcela: — Cristo! Como estará Marcela? — entre a multidão, faces investigativas direcionam-lhe o olhar. A arqueóloga percebe algo, ainda pensativa. Parece estar sendo seguida: — Talvez seja melhor ir em metrô. Com tanta gente por perto, dificilmente serei atacada. Não vejo a hora de chegar ao hotel. Amanhã bem cedo tomarei o café da manh ã com Marcela. Quero chegar o mais rápido possível ao local do encontro — um choque em sua mente —. Ai! — deteve-se, apoiando-se no corrimão da escadaria da estação —. Richard não disse a hora do encontro! — segue adiante, conturbada. Alguns segundos de espera e lá estava o metrô. Soou o apito e as portas abriram-se. Leona entrou, não procurando pousadeiro. Aguardando perto da porta, percebeu a entra...

Capítulo VII - Você é o rei!

Abandonamos o metrô e seguimos rapidamente em direção à avenida mais próxima. — Marcela expressa segundos de pânico, parecendo congelar-se —. Andamos durante algum tempo procurando um hotel e mesmo com tantas circunstâncias desfavoráveis para uma escolha mais apurada, o que despenderia um tempo que no momento não dispúnhamos, acabamos por ficar no Hotel Alexander que está situado na rua Victor Hugo; um hotel três estrelas aceitável. Antes de entrarmos arrisquei um olhar ao ainda distante Arco do Triunfo, relembrando tantos momentos felizes que passei nesta cidade e agora vivíamos uma realidade completamente hostil. Claro que não tínhamos reservas para este hotel. Estávamos um pouco fora de lugar, mal arrumadas devido aos acontecimentos da noite, contudo, com um pouco de sorte conseguimos uma suíte. Minha amiga tomou um banho e foi à cama. Procurei fazer alguns curativos em seus braços que possuíam profundos e agravados cortes; Marcela com uma bolsa de gelo na cabeça. Empreguei quase to...

Capítulo VI - Os lobos-solitários aproximam-se

Aço e engenharia alemã, negro pérola como tom, detalhes em verde pastel e letras pardas brigando com o vento forte e cortante. Rompe a madrugada e a neve, seguro e fumegante; captando as luzes das cidades iluminadas. Vai! Conquiste o mundo físico, refletido no espelho cristalino que conduz ao extrafísico. Viajes por florestas e cidades sombrias, e ainda sem ver o caminho, toca a trombeta do aviso. Vai! Conduze lordes e príncipes, e sem esquecer dos mendigos, vai habitar a clausura. Vai! Monstruoso e ao mesmo tempo belo, que os loucos veneram, vai de encontro a ti mesmo, lendário e singelo. Por montanhas e abismos a locomotiva deixa Istambul, com destino a Paris. Dentro do trem há espaço de sobra, as cabinas da primeira classe estão vagas e as demais classes são capazes de instilar solidão nos olhos dos bilheteiros que por ali transitam. O silêncio sufoca; o som cálido dos vagões... Paranóia. Logo adiante, notória e demasiada, a fumaça de charutos cubanos parece não incomodar aos tr...