Ensaios dos Versos Áureos de Pitágoras.
Deve-se ter piedade para com a causa divina. A piedade é o pilar de todas as virtudes. Ora, se estamos em um sendeiro evolutivo e cada ser vive sua própria realidade com respeito a seu estágio evolutivo; é mister afirmar que não estamos todos atravessando o oceano da vida em um mesmo barco, como se estivéssemos na arca de Noé. Individualmente, cada ser está levando a cabo sua Obra a seu ritmo, e seu processo evolutivo será afetado ainda pelos fenômenos caóticos do mundo, podendo inclusive perder a cabeça e até regredir. Quiçá seja essa a razão da raridade da presença de consciências elevadas no mundo fenomênico. É que são conscientes dessa premissa de que podem perder o juízo aqui na Terra; perder tudo o que conquistaram em todas as suas vindas de todas as eras; todos os trabalhos ao longo da metempsicose estariam sendo colocados em risco. Por isso está dito que “deve-se ter piedade para com a causa divina”. Ainda dentro deste pensamento é mister afirmar que há uma escada, que seus pés tocam a terra, e que sua ponta acaricia a Luz divina. E como cada ser evolutivo vai por seu degrau; e como fomos feitos à sua imagem e semelhança – enquanto Adão primordial –, podemos também afirmar que somos todos deuses, que todos algum dia chegaremos lá.
É mister honrar os deuses deste universo, e assim estaremos honrando a nós mesmos. É a razão pela qual em muitas ordens iniciáticas a palavra percorre um sendeiro ascendente. É como se ali houvesse uma escada na qual todos trabalham no sentido de subir tal escada, respeitando os graus e as condições de cada um. É mister reconhecer e honrar a todos e cada um dos que percorrem essa escada, respeitando sempre o grau evolutivo de cada um; e isso é obedecer a lei divina e é honrar o próprio mecanismo do Universo. O Eterno não teve começo e não terá fim. O imortal teve começo e não terá fim. Assim D’us é eterno e todo o resto é imortal, pois surgiram do 1 e trabalham para regressar a esse 1 na eternidade.
¿Mas e aqueles que não estão subindo esta escada? Aqueles que ora recordam de D’us e dos degraus superiores, ora se esquecem completamente de tudo e rolam escada abaixo. Esses são os deuses mortais, que morrem para a vida divina, afastando-se de D’us e caindo na morte cíclica da metempsicose.
Imagine que você acaba de morrer. Imagine que pela razão que seja seu coração acaba de parar de bater e sua alma deixa seu corpo. Eis que aparece então uma luz no fim de um túnel; a tão relatada visão daqueles que estiveram à beira da morte. ¿O que você faria? ¿Ficaria parado esperando algo acontecer ou seguiria o caminho traçado em direção à luz? Detenha-se um momento e medite sobre esse acontecimento, o qual todos estamos fadados a vivenciar.
A reencarnação ou como diziam os pitagóricos, a metempsicose, é um mecanismo de segundas chances, que atua na base da escada para dar uma nova oportunidade àqueles de pouca memória para com as coisas de D’us.
Ora, a base da escada está no mundo fenomênico, mundo este que tem como rei, aquele que traz o anoitecer[1]. Porquanto, a luz vista por aqueles que tiveram uma dada experiência de quase morte, nada mais é que o Portador da Luz[1], mostrando o caminho que conduz à sua metempsicose, confirmando que esta alma está caída e que, portanto, deverá renascer.
Aquele que veja dita luz, não deveria ficar aterrorizado, pois ele seguindo-a ou não, acabará por renascer, já que o fato de estar vendo tal luz, implica que sua alma não está preparada para a justiça divina, simbolizada pelo número 9, mas sim que, vivencia uma espécie de justiça comum, simbolizada pelo número 4.
Não é a morte quem deve ser compreendida, mas sim a privação do bem-estar, pois a morte da essência racional é a ignorância e a impiedade a que a alma será submetida ao ter que renascer, causando uma desordem mental que a sujeitará novamente às paixões. Uma vez mais devemos citar o adágio ocultista que diz que: “Não é possível regressar ao criador por meio da ignorância”. E é essa ignorância do que é bom, que fará com que a alma precipite na escravidão do que é mau, da qual somente poderá libertar-se pelo retorno à Inteligência de D’us, por meio do exercício do “recordo de si”. Será por meio dessa reminiscência ou seja, por esse trabalho de recordar todos os seus atos, não só da presente vida, senão de todas as vidas, que a libertará, e assim, finalmente será julgada pela justiça divina, não mais tendo que regressar ao mundo fenomênico.
¿O que acontece depois que a alma deixa o corpo e não mais tem que regressar? Essa resposta não a temos aqui no mundo físico, pois aqueles que foram, não regressaram amiúde. Contudo, pode-se tentar elevar os pensamentos e arriscar-se na elaboração de um raciocínio que tente explicar o que acontece ali. Ora, se tudo são números e todos tendem a regressar ao 1, logo, cada degrau da escada possui uma numeração, sua ordem é decrescente e o último degrau é o 1.
O fato do caminho evolutivo ser representado por uma escada, não significa que regressar ao criador seja um caminho ascendente, trata-se de mera representação para que se compreenda mais facilmente os conhecimentos vertidos aqui. Portanto é mister afirmar que o caminho dos que se tornaram deuses imortais é uma contagem regressiva que termina no 1, que simboliza o Criador e que não é um número senão todos em um. Pode-se afirmar também que o último degrau não será o 0, pois é sabido que esse número simboliza o vazio absoluto do antes da criação do mundo fenomênico ou seja, que o 0 simboliza o tudo que era D’us antes que Ele cedesse espaço de Si para que pudesse existir nosso mundo. Logo, a expressão “Morreu, acabou.” é falsa, pois não há a possibilidade de regressar no tempo, para o antes da criação do mundo, para deixar de existir. E isso desemboca na conclusão de que para deixarmos de existir seria necessário que D’us voltasse a ser esse tudo do antes da criação, voltar a ser o 0, o que jogaria por terra toda a teoria da evolução espiritual, pois: ¿Para quê tudo isso, se o objetivo final fosse voltar a ser o nada absoluto?
O verso vai além da prática da tolerância para com as crenças religiosas. Ensina que a elevação é conseguida por meio da purificação constante da vontade, pelo entendimento e pelo amor. É o que ensina o acrônimo alquímico e hermético: V.I.T.R.I.O.L., tão visto nas paredes das câmaras iniciáticas de qualquer templo esotérico que se preze: é revisitar-se constantemente até alcançar a transfiguração. A liberdade depende disso para ser perfeita, pois sem esse preceito desembocará no mal e na escravidão do mundo.
É a conquista da liberdade no 3, aliada à saúde do conhecimento do 7, ao amor verdadeiro do 8, quebrando as algemas da dualidade do 2, com a ajuda do par de opostos no 5, ambos retificados no 6, para finalmente serem julgados na justiça divina do 9 e não pela justiça comum do 4, finalmente retornando ao 1.
Mas a via iniciática não é para todos; e os pitagóricos sabiam disso. Não seria prudente sair pelo mundo vociferando o conhecimento pitagórico como se fosse o rei da verdade, afirmando que: “¡Vossa crença prega o medo! ¡Não praticais o mal porque temeis os castigos de D’us e, praticais o bem no intuito de obterdes vantagens! ¡Há sim outro caminho!”. Tal ato serviria apenas para fomentar o ateísmo, cujas consequências sabemos serem nefastas ao longo da história. Deve-se então estar preparado para ser capaz de entender o conhecimento verdadeiro do sendeiro que leva ao 1.
“Honrar a D’us com perfeição é tornar minha alma à Sua imagem e semelhança”. Segundo essa máxima pitagórica, a honra que se presta Àquele que nada necessita consiste em receber os dons concedidos por Ele, pois não se honra a D’us pedindo-Lhe coisas, dando-Lhe coisas, dando-Lhe palavras de agradecimento ou realizando sacrifícios, mas sim tornando-se digno de receber tais dons. Todo ato perfectivo deve ser ofertado a D’us, não na forma de agradecimento, mas na aceitação do dom merecido e fazendo bom uso dele.
Contudo é necessário dizer que se deve ter em conta que estamos no mundo dos fenômenos, ao mesmo tempo em que flertamos com o extra-físico. Desde esta perspectiva esotérica de causalidade, tornar-se-ia válida a realização de um ato físico, de vontade, que provoque um fenômeno de conexão ou de confirmação das intenções da alma no mundo fenomênico, o que validaria o ato de agradecimento e de realização de sacrifícios, validaria até mesmo o ato de não usar o nome de “D’us” em vão. Há uma inteligência no ato de honrar a D’us e há a necessidade de alcançar uma compreensão teológica dos porquês dos atos de agradecimento e de sacrifício, pois do contrário, tem-se apenas um simples hábito. Este é o verdadeiro culto pitagórico que respeita todas as crenças e respeita o grau de cada um. É a intencionalidade da oferta o que será valorado, pois a piedade é agradável a D’us.
2“Respeita o juramento e [3]honra os ilustres heróis.” (pitagorismo)
A virtude de D’us é Lei e com ela opera todas as coisas por igual no tempo e no espaço. Jurar perante a Lei é um ato de fé; é o aceitar receber a Luz divina, mas para que isso ocorra será necessário um ato físico, uma confirmação material, tal e como pegar uma vela e acendê-la com um fósforo. É perceber que se está na escuridão, que se deseja a Luz, mas que se está ciente de que não basta só a vontade, pois deverá realizar este ato físico de acender a vela, para demonstrar sua vontade, seu entendimento e seu amor para com D’us.
Ora, quando se jura perante a Lei, recebe-se a Luz, e a partir do momento em que se é iluminado, passa-se a ter sombra, pois toda luz gera uma sombra. Logo, para que um juramento seja válido, deve ser cometido perante a Lei divina, pois a virtude divina, sua Luz, será a única capaz de validar tal juramento, ao permitir que aquele que realiza o ato, veja sua própria sombra. A Lei divina pode ser representada pelo objeto físico mais elevado de uma sociedade, como exemplos podemos citar a Bíblia, a Torá etc.
Com efeito, o juramento divino coloca todos no caminho, mas não lhes priva da liberdade, com o qual podem chegar a perderem-se pelo caminho. Aqueles que se perdem, violam o juramento e afastam-se de D’us, os que permanecem, honram seu juramento e honram a D’us; e a cada instante estão mais próximos do Criador.
Em uma visão macrocósmica, honrar o juramento é observar-se em cada ato que realiza, certificando estar em consonância com as virtudes divinas. Já no microcosmos deve-se atuar com as virtudes e com elas não permitir que os deuses internos atuem por encima da razão, pois o caminho consiste nisto.
Na vida profana o juramento é praticado amiúde. Tais juramentos são realizados com a mão direita sobre o Livro da Lei, que geralmente é a bíblia da religião mais atuante no país. ¿Mas por que esses juramentos são feitos sob a Lei divina? Ora, sabe-se que em um julgamento as palavras declaradas pelo réu poderão e serão usadas contra ou a seu favor, com o qual espera-se que a verdade aflore desde sua própria língua, quando os contrastes entre o dito e as provas, delatem a força de sua moral.
O homem que atua sempre com a verdade por diante, tem uma força inquebrantável, sua moral faz-se reconhecer perante todos e isso fortalece sua credibilidade. A mentira logo é desmascarada e destrói todos os argumentos do mentiroso, o qual perde toda a sua credibilidade. Será então a justiça divina, caindo sobre o réu, pois jurou dizer a verdade perante D’us e mentiu. Logo, é ele quem se entrega, arrependendo-se de sua traição para com seu juramento divino. É o arrependimento de sua alma no espiritual, o que provoca seu arrependimento no material, portanto, o juramento escapa da esfera do “crer”, pois a alma sabe da existência do Criador. A própria reticência no jurar, coloca em cheque a moral do réu, assim como o juramento fácil fará com que caia mais facilmente no perjúrio.
Esse pensamento pode levar a explicar o porquê dos suicídios. É a alma, quando entende que o corpo não tem mais remédio e desprende-se dele para não terminar corrompida pela doença do corpo no mundo fenomênico.
Os juramentos iniciáticos ganharam má fama, pois aceitar ter o pescoço cortado, caso falte com o juramento, pode ser interpretado como algo terrível e diabólico, fato é que existem até conjuros para desfazer tais juramentos, afirmando não serem coisas de D’us. É o desconhecimento, aliado ao medo que leva à ira, que por sua vez leva ao ódio, para finalmente culminar no sofrimento. É confirmar que a ignorância dói.
Aquele que honra constantemente seu juramento, que não se exalta com qualquer ato e utiliza a prudência a seu favor, fortalece seu espírito e seu vínculo com a alma que deixa-se levar pelos bons costumes, colocando-se em movimento no sentido de contribuir para a plena realização da Grande Obra. O juramento então não será como uma arma a ser utilizada contra ele mesmo, mas sim uma ferramenta de despertar constante, recordando-o de seu desígnio maior, que nada mais é que o de permanecer caminhando pelo sendeiro.
Honrar e respeitar o juramento, torna-o sagrado e fortalece a egrégora formada por aqueles que já juraram e agora testemunham tal acontecimento. Uma egrégora é formada pela vontade e o amor dos seres em reunião. Ora, se há um caminho de regresso ao Criador, se este caminho é como uma escada na qual cada degrau tem seu número em ordem decrescente até alcançar o 1, que não é um número senão todos em um, se o caminho está repleto de seres, cada um em seu degrau, e se todos eles geram egrégoras, enquanto juntos compartilham da Luz divina, é mister afirmar que toda egrégora funciona como um vórtice de energia que conecta todas as egrégoras pelo caminho.
18Em verdade vos digo que tudo o que ligardes na terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra será desligado no céu. 19Também vos digo que, se dois de vós concordarem na terra acerca de qualquer coisa que pedirem, isso lhes será feito por meu Pai, que está nos céus. 20 Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles. (Mateus 18:18-20)
(Plágio ou adaptação do conhecimento egípcio: “O que está acima é como o que está abaixo. O que está dentro é como o que está fora.”)
É mister afirmar que entre todos os seres há uma gravidade que os atrai. Essa força é claramente percebida no mundo físico, basta observar as cidades dos homens, os animais vivendo em bando, as plantas que não prosperam vivendo sozinhas. Infindáveis estudos esotéricos não cansam de afirmar que somos todos “um”. Será esta percepção de unidade que nos fará reunir, e esta tendência repete-se ao longo do caminho. Somos seres caminhando em grupos pelo sendeiro, retificando-nos uns aos outros, quando necessário, e essa gravidade que a todos atrai, chama-se “amor”.
Deve-se então honrar a D’us e honrar os seres que persistem neste sendeiro. Estes seres de bondade serão honrados, respeitando os degraus em que se encontram e reconhecendo a elevada sutileza de suas virtudes. Um exemplo desse “honrar” está nos rituais das ordens iniciáticas, onde a palavra circula em sentido horário - acompanhando o movimento da egrégora - e vai subindo os degraus até alcançar a posição dos mestres mais venerados, os quais terão a última palavra. Deste modo são honrados os graus e as condições de cada um.
Ainda dentro desta questão ritualística poder-se-ia contestar então a posição dos recém iniciados, pois seguindo a lógica falariam depois daqueles de grau imediatamente superior ao deles, mas encontram-se posicionados no Norte para que sirvam de espelho aos mestres, e como ainda não sabem falar, acham-se permanentemente calados, com o qual a honra aos deuses superiores nunca será quebrada, e se por acaso falam, essa transgressão será utilizada pelos demais como uma oportunidade para afinar suas virtudes.
Esses versos ocultam uma verdade, a de que uma vez alcançado um degrau muito próximo ao Criador, já não há retorno, deixa-se de ser um deus mortal, vulnerável à lei do retorno, para ser um deus imortal; aquele que gravita muito perto da Luz, portanto, sua sombra em muito foi reduzida, suas virtudes em muito aperfeiçoadas, e sua memória nunca se esquece de D’us ou seja, nunca tende ao vício e ao esquecimento.
“Aqueles de boa memória, nunca se esquecem de D’us.” (Comentário do autor)
4“Respeita também os demônios terrestres, prestando-lhes o culto que lhes é legitimamente devido.” (Pitagorismo)
Quão raro é que um ser elevado decida por voltar a provar do livre-arbítrio, submeter-se às paixões do mundo dos mortais. Não fosse o verdadeiro valor que implica essa oportunidade, nunca se arriscaria o pescoço esotérico, tão elevado é o risco de perder-se o juízo e converter-se em um malvado demônio tomado pela loucura. ¿O que traz mais desonra, ser um ignorante ou um sábio caído? Este verso não trata das almas que encontraram o belo na verdade e na virtude, na ciência e na Luz, e que por perderem o juízo, caíram. Não se deve confundir os anjos com os demônios. Ambos são sábios, mas percorrem caminhos distintos. Neste verso a denominação “demônios terrestres” refere-se aos que alcançaram uma dada perfeição divina, mas que, ao contrário de transcenderem ao mundo dos deuses imortais, retornaram ao mundo fenomênico. O respeito e o culto a esses seres que já pertencem às ordens divinas, mas que ainda encontram-se entre os mortais será uma forma de proteção, de amparo que se lhes deve dar, para que possam concluir suas obras com a máxima serenidade. É algo como reconhecer o talento de um artista e financiá-lo, por admiração e respeito à sua pessoa e ao seu trabalho, mesmo sabendo que suas obras ainda não valem nada.
Essa propensão a proteger os bons, pode fazer com que se cometam equívocos. Não é necessário ir longe, basta observar na política, onde pensando serem anjos predestinados, elegem verdadeiros demônios, estes sim, anjos caídos.
O ato de honrar, então é hierárquico, onde as honras menores são dadas aos cheios de sabedoria e virtude, que percorrem o caminho, e as honras maiores aos deuses imortais que orbitam a esfera de D’us. Todas essas honras são dadas a eles porque reconhece-se neles a presença de D’us. É o neófito, que depois de passar por todas as provas de purificação interna está pronto para ser iniciado.
5Honra também teu pai, tua mãe e teus mais próximos parentes. (pitagorismo)
Seguindo a premissa de que evoluímos em grupo, é mister dizer que os que nos ladeiam são semelhantes a nós. Logo, aquele que está em busca do conhecimento esotérico estará cercado de pessoas de bem. Isso incluirá a todos, amigos e parentes. É a lei da sintonização, que nos situa entre os iguais. Está em Provérbios 13:20: “O que anda com os sábios ficará sábio, mas o companheiro dos tolos será destruído.”
Dentre todos os membros do grupo evolutivo, os pais são os que deverão receber a maior honra, pois são eles quem brindam aos filhos a oportunidade de viver. Sua genética está contida nos filhos, com o qual as capacidades dos pais, neles estarão embutidas. Honrar os pais é reconhecer que seus dons foram recebidos graças à capacidade de escolha dos pais, quando buscavam alguém para procriar. Sabe-se que de uma má escolha podem originar doenças genéticas gravíssimas, que vão afetar a vida não só dos filhos, mas de todos os pertencentes ao grupo. Já uma escolha consciente do processo evolutivo, que implica estar atento, tanto às questões físicas quanto espirituais, demonstra lucidez; é o estar consciente de que cada tomada de decisão gera consequências que ecoam em todas as esferas evolutivas, com o qual essa escolha, quando realizada com prudência será sempre um ato de piedade, de respeito e de amor para com o próximo. A própria expressão “ajudar o próximo” abarca todo esse ensinamento, pois “próximo” significa “aquele que é “semelhante” ou seja, aquele que pertence ao grupo.
Levando este verso à uma esfera superior, poderia afirmar que, de saber que um feto tem má formação genética e que por esse motivo o filho nascerá com problemas graves, ¿seria um ato de piedade para com o filho e para com todos os pertencentes ao grupo evolutivo, optar pelo aborto? Desvendando a metempsicose[2] dos pitagóricos e considerando também o adágio ocultista que afirma que “a vida é cíclica“, é mister dizer que o ato do aborto acabará por gerar consequências, pois aquela alma não teria encarnado com todos aqueles problemas ao azar, mas sim por uma necessidade pessoal e coletiva de que ocorresse assim. Considerando ambas possibilidades, ¿a quem caberia a decisão final? ¿À mãe?, que com seu amor dirá “não” ao aborto ou com a razão dirá “sim”. ¿Ou a todos da família?, que por egoismo dirão “sim”, ou sendo uma família de extraordinária transcendência espiritual dirão “não”. Aqui depararão uma vez mais com o “Y” dos esotéricos, onde o caminho é bifurcado e eis que surge a grandeza do livre arbítrio para que os seres em evolução possam tomar suas decisões e seguir adiante. Seja qual for a decisão, a eles pertence, e a todos influirá.
Da mesma forma devem ser analisadas as questões materiais. À uma família que viva do plantio, fazer muitos filhos é uma sábia decisão, pois a carga familiar será dividida entre muitos e a terra não ficará ociosa por falta de braços fortes e geneticamente adquiridos por um pai adaptado às durezas da vida rural. Um casal que viva nas grandes cidades, em uma residência compacta e sem tempo para sua prole não pode decidir-se por procriar sem controle, pois essa decisão certamente fará cambalear a estrutura familiar.
O que o verso pretende demonstrar é que nossas decisões afetam não somente a nós mesmos, mas a todos os que nos rodeiam, familiares e amigos; logo, ter a percepção da causalidade é honrar a todos, inclusive os que estejam por vir. É esta percepção do que é bom “para todos”, que nos fará utilizar da prudência em todas as tomadas de decisões. Essa interferência na vida dos demais, causada pelos atos decorrentes de nossas decisões, é mais que suficiente para demonstrar que nunca estamos sós e que sempre evoluímos em grupo.
Há um ditado popular que diz o seguinte: “O que um pai faz por um filho, um filho não faz por um pai”.
Essa frase nada mais é que uma advertência sobre a necessidade e a importância de honrar os pais, declarando que os pais fizeram tudo o que a eles fora possível para que os filhos alcançassem a perfeição e agora o mínimo que se pede é que este esforço seja respeitado; é o número 8, que representa o amor verdadeiro em sua forma cíclica, em um dar e receber infinito, como um pai que provê ao filho e logo este a seu filho e assim sucessivamente em um verdadeiro culto à família no 3, pai, mãe e filho.
Esse triângulo isósceles e tetráctico, que conforma a família, é reconhecidamente a base da vida em sociedade, e tudo o que venha para destruir esse modelo divino deverá ser considerado ilegítimo. Muitas foram as tentativas nesse sentido, como o movimento feminista, que surgiu de uma necessidade lógica de liberdade das mulheres na sociedade, mas que, por outro lado, fez cambalear o culto à família. Deve-se citar também o comunismo, onde os pais entregam a educação dos filhos ao país, desfigurando o modelo familiar. Portanto, as conquistas sociais como a igualdade entre homens e mulheres são bem-vindas, mas deve-se estar atento ao modelo universal de família, para que este culto à família, esta honra primordial, que deve ser prestada às pessoas de bem e principalmente àqueles seres divinos que estejam “próximos”, não seja perdida.
Hiérocles de Alexandria reflexionou sobre a possibilidade de que aqueles a quem devemos honrar fossem “viciosos”, e concluiu que deveríamos obedecer primeiro a D’us, observando as virtudes, mas que não deveríamos ser impiedosos para com os pais; não os abandonando, e sempre buscando ampará-los dentro da virtude e do amor, ao mesmo tempo não permitindo que eles nos contaminem com seus vícios. É saber quando obedecer suas ordens por piedade, e quando desobedecê-las para não ser impiedoso consigo mesmo.
No perfeito culto à família, os pais conduzem sua família com a harmonia do 6, pois ambos estão retificados no 3, e transmitem esses valores aos filhos, para que juntos caminhem em direção ao Criador. Essa família terá uma vibração mais sutil, sua egrégora atrairá os bons e repelirá os maus, e é a partir da qualidade dessa energia que as pessoas distanciam-se ou aproximam-se, e assim os grupos evolutivos são formados.
Outro aspecto do verso pitagórico revela a necessidade de honrar os seres e as coisas que nos rodeiam. É comum ver o imigrante criticar seu país de origem, ver aquele que mudou de religião criticar sua religião anterior, ver aquele que está descontente com sua família criticar seus pais etc. Seja qual for sua condição, sejam quais forem as condições daqueles que participaram de sua caminhada, nunca desonre os seres e as coisas deixadas em seu caminho, pois conformam o seu ser. Todo o contrário disso, deve-se buscar a sabedoria naquele espinho mais pontiagudo que um dia penetrou a carne e causou tanta dor, e honrar a D’us, sempre com um sorriso nos lábios, demonstrando que entende e aceita os dons recebidos, graças a essa oportunidade de percorrer o caminho, seja ele qual for.
6“Entre todos os homens, escolhe para ser teu amigo o mais virtuoso.” (pitagorismo)
Este verso é uma clara alusão à lei da sintonização, lei que coloca cada indivíduo em seu degrau, seja ele qual for. A problemática dessa lei é que ela reúne os virtuosos, o que é desejável, mas também reúne os perversos, o que é detestável; e afirma que o mundo fenomênico é uma armadilha evolucionista no sentido esotérico do termo, pois os perversos, unidos, acabam por corromper os inadvertidos virtuosos, que pecam por sua doçura. Aquele que é virtuoso e que por uma escolha equivocada ou porque foi forçado pelas circunstâncias da vida, deixa que entre em sua morada os perversos, cai, e o preço a pagar é elevado, pois uma escolha equivocada trará consequências não só a ele, mas a todos os indivíduos de seu grupo evolutivo, incluindo os não incarnados. É a maçã podre que, quando colocada no cesto, apodrece as demais.
Virtuosos devem caminhar com virtuosos; e todo ato de amor para com os perversos, caso ocorra, deverá ser realizado com muita lucidez, pois a piedade para com eles poderá converter-se em impiedade consigo mesmo.
Os pitagóricos levavam muito a sério o culto da amizade, e até nos dias de hoje é uma grande sorte e motivo de grande satisfação conseguir encontrar uma alma apta à vida iniciática, encontrar um indivíduo que realmente consiga alcançar um elevado estado de unidade, que por sua sutileza espiritual embeleze a egrégora e a todos eleve.
Suaves acordes produzidos por delicados dedos a tocar as cordas das liras, ecoando pelo hemiciclo a céu aberto, enquanto contemplam o sol desaparecendo no horizonte; será essa sintonia musical que reunirá os amantes da boa música ao redor dos anjos, gerando um ambiente insuportável aos perversos. Estes, ainda podem chegar a conquistar um lugar no Templo dos virtuosos, mas a melodia que circula com a egrégora e emana dentre anjos e homens bons, logo fará com que deixem cair suas máscaras, até que se afastem ao final. Por contraste, aquele que se enverede pelas paixões, unindo-se aos perversos por sintonização, dificilmente conseguirá escapar dessa obscura força gravitacional, que como se de um buraco negro tratasse, sequer deixará que se escape a luz; pois como dito no adágio hermético: “tal como é acima, é abaixo”. Quão difícil é levantar-se quando se cai.
A escolha das amizades pode ser comparada à escolha de uma rádio, quando se busca aquela música que se adeque ao gosto musical. Quando entra outra música e esta não sintoniza com as vibrações do ouvinte, ele mudará a frequência do rádio em busca de outras canções mais adequadas a seus anseios. Quando persiste na mesma rádio, esperando a que em algum momento ocorra uma mudança que se adapte melhor aos seus ouvidos, poderá acabar fisgado pela canção e dificilmente conseguirá retirá-la da cabeça. Eis que o mau entrou por seus ouvidos e agora altera seu estado vibracional, e enquanto não regresse ao exercício do retorno de si, não conseguirá livrar-se da prisão a qual fora enviado.
7”Segue sempre seus mansos conselhos e suas ações honestas e úteis.“
8”E nunca odeies teu amigo por uma leve falta, tão quanto o possas.”
9”Ora, o poder habita ao lado da necessidade.” (pitagorismo)
Eis que todos os seres buscam transcender suas paixões e alcançar um estado de piedade divina. ¿Mas qual é o próximo degrau, uma vez que se haja dominado o mais sutil dentre os mais sutis deuses internos?
A amizade é uma virtude superior, e por virtude que é, atrai os homens de bem. Dado que o amor verdadeiro é aquele que dá sem esperar nada em troca, sequer esperar por um obrigado, sequer esperar ser correspondido pelo fato de haver dado, uma amizade verdadeira unicamente cultivar-se-á entre pessoas que se amam, e tudo o que esteja fora dessa premissa nunca escapará da esfera do interesse. Os perversos não cultivam amizades, mas sim grupos de interesses em comum para cometerem suas atrocidades enquanto possam tirar vantagens uns dos outros e dos demais. Já os virtuosos, cultivam suas amizades, dentro do amor, dando sem esperar nada em troca, e será nessa troca de amores, simbolizada pelo movimento cíclico do amor verdadeiro no número 8, que juntos galgarão novos degraus do sendeiro evolutivo.
No verso 9: “Ora, o poder habita ao lado da necessidade.” Os pitagóricos escancaram o contraste entre o amor verdadeiro dos virtuosos e o interesse sórdido dos perversos, pois ¿quão estreito será o caminho, por um lado verdadeiro e puro, por outro vil e egoísta?; ¿e como saber se o outro caiu ou se sou eu o caído? A amizade tornar-se-á então uma armadilha, uma sutil provação que vai testar seu amor e sua vontade; e é muito fácil cair, pois a amizade abarca forças sutis, energias que se combinam e que devem seguir um fluxo contínuo e cíclico, como a “Ouroboros” dos alquimistas; uma corrente de amor que será cuidada e cultivada; e assim os anjos imortais aproximar-se-ão e uma maravilhosa egrégora será formada, fechando a todos em um poderoso, impenetrável e inquebrantável círculo de amor. Esse é o verdadeiro poder da amizade.
10“É mister que saibas que todas essas coisas são assim, mas acostuma-te a suplantar e a vencer tuas paixões.”
11”Primeiramente a gula, a preguiça, a luxúria e a ira.” (pitagorismo)
Segundo Hiérocles de Alexandria, as paixões humanas são tão poderosas que paralisam a razão, portanto devem ser reprimidas por meio da coragem e da força de vontade, mas sempre depois de armar-se de conhecimento, que pode ser adquirido, por exemplo, com a leitura.
Uma vez conseguido reprimir os deuses internos que consomem por dentro e forçam o cometimento dos pecados, pode-se então iniciar o trabalho de transcendência sobre as paixões.
O excesso de alimento provoca um pesado sono, e este sono, aliado ao excesso de comida, produz uma força desmedida. Esse desequilíbrio energético, exacerba as paixões e irrita o lado concupiscível da alma, conduzindo então à intemperança, tal e como o afirmava Platão:
“Para que se realize a sabedoria,[...], a única virtude verdadeiramente humana e racional, é necessário que a alma racional domine, antes de tudo, a alma concupiscível, derivando daí a virtude da temperança,[...].” (A República - Platão)
Será submetendo as paixões às ordens da razão, que se conseguirá transcender sobre a ira, aquela que excita a alma enlouquecida, que faz com que o corpo avance sobre os pais e que a concupiscência arme-se contra as ordens da razão e permita que a ira precipite na blasfêmia, no perjúrio e no desejo incontrolável pelas riquezas materiais. Aqui está a origem de todas as impiedades que conduzem à guerra, que dividem as famílias, que traem os amigos e os entes queridos, que afundam a alma na escuridão dos crimes cometidos contra as leis. Cegada pelos deuses internos, a consciência sabe que a alma está desfalecendo no abismo, mas sua razão está débil e cede à sua própria cólera que cativa a alma e impede obedecer a razão.
“Não é possível regressar ao criador por meio da ignorância”, portanto todo ser, armado de razão e munido de conhecimento, com a força de vontade aliada à temperança e a tudo o que é belo e honesto, é um ser iluminado e está preparado para obedecer aos preceitos da razão e vencer suas paixões. E para aqueles que saibam interpretar, afirmo: “Estes iluminados são como a Lua, que recebe a luz do Sol e a reflete para iluminar a escuridão da Terra.”
É mister conhecer os deveres e buscar as ferramentas necessárias para submeter as paixões. Está escrito no verso: “É mister que saibas que todas essas coisas são assim…” e isso significa que uma vez aprendida a tarefa de submetimento das paixões, deve-se manter-se em alerta permanente para que, tal como está no verso: “…mas acostuma-te a suplantar e a vencer tuas paixões”, esse trabalho de aparar as arestas funcione como algo quase instintivo, pois a razão segue o sendeiro do conhecimento e da ciência e, pelo contrário, a ignorância é regida pelo hábito e pelos fenômenos anômalos, tão frequentes na vida dos desequilibrados. Pelo hábito são adestrados os animais e não os seres dotados de razão.
O apetite, quando segue as ordens da razão, contenta-se com a justa medida e por sua vez modera as outras paixões. Em consequência a ira perde força e sem energia não faz vibrar os outros deuses internos. Será então nesse mar de tranquilidade, que finalmente corpo e alma estarão unidos em prol da realização da tão citada “Grande Obra” dos alquimistas. As meditações a cada dia serão mais serenas e profundas, conduzindo ao conhecimento do interno, ao descobrimento da verdade e ao respeito para com esse autoconhecimento, quando então, aquela pedra bruta, a tão citada filosófica, tornar-se-á esquadrilhada e cairá por terra o mundano. (Adaptado dos comentários de Hiérocles).
Será por essa busca por vencer as paixões, que os seguidores de várias religiões praticam o jejum, pois esvaziando-se do alimento, estancam a gula, que nada mais é que a primeira paixão que desperta a preguiça, a luxúria e a ira. Esse pensamento pitagórico ensina que a morte dos deuses internos não significa que eles devam ser destruídos. Vencer as paixões não é deixar de ter paixões, mas sim tê-las dentro, mas que elas nunca se manifestem por encima da razão. Essa é a inteligência do verso ao dizer que devemos estar acostumados a vencer as paixões, pois elas nunca cessarão. Por isso há muita sabedoria no velho adágio ocultista: “Aquilo que você é capaz de ver no outro, você também leva dentro, caso contrário você nada veria.”. A diferença é que o iluminado leva todos os deuses internos dentro, mas nele, esses estão imóveis, o que reforça outro adágio ocultista retirado dos escritos de Manly Palmer Hall, onde ele afirma que: “A imobilidade é morte”.
O ser humano necessita das paixões para sobreviver às adversidades do mundo, mas se o objetivo é escapar da lei do retorno, escapar da órbita gravitacional da matéria, então é mister levar a cabo esse trabalho do interno, vencendo as paixões por meio da vontade, do conhecimento e do amor verdadeiro. Esse verso coloca em evidência que cair na armadilha das paixões e tentar sair dela por meio do sofrimento é o que os esotéricos chamamos de “Via Crística”, e ensina que há outros caminhos além desse, e um deles é o sendeiro da iluminação, o caminho do meio, que consiste no que já foi dito, força de vontade, estudo e amor.
12“Nunca cometas uma ação vergonhosa, nem em presença de outros, nem em particular, 13e sobretudo respeita a ti mesmo.” (pitagorismo)
Quão fácil é cair na escravidão dos vícios, jogando por terra todas as virtudes. Basta uma distração qualquer, uma perda momentânea de lucidez, para que as ações não condigam com a razão. Este verso pitagórico fala sobre a escravidão pela perda do recordo de si. O estar desperto deve ser uma constante e instrumento de polimento. Seja cercado de olhos ou na mais completa solidão, as ações devem estar sintonizadas com a razão e com o Criador. Em ambos casos não será obra fácil.
“E disse o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só...” Gênesis 2:18
Não há escrito algum, seja ele esotérico, místico, sagrado, bíblico, ou de qualquer polaridade mágica, que desenvolva algum pensamento filosófico que não esteja pautado nos princípios da chispa divina ou seja, da conexão entre positivo e negativo, ou o que é o mesmo, entre masculino e feminino; com o qual, qualquer pessoa, seja ela homem ou mulher, que não tenha a seu lado o seu oposto, não logrará completar a Grande Obra, porque grande parte deste trabalho está na vida em casal. Ora, o verso é claro ao afirmar que, quando só, o homem é capaz de abandonar todas as suas virtudes e acometer-se às barbáries, e de igual forma ocorre quando anda em bando, pois, sintonizados, juntos perdem a cabeça. Aquele que consiga ter uma vida em casal será um afortunado, porque juntos, ele e ela, darão um ao outro a presença necessária para que ambos nunca estejam sós, e assim nunca cometerão uma ação vergonhosa, inclusive quando estejam entre outras pessoas, pois um puxará a orelha do outro.
Não é por menos que os rituais de qualquer Ordem esotérica que se preze, possuem um ordenamento da palavra, que vai sempre por degraus, desde os mais abaixo aos mais elevados, assim, se alguém abaixo lança uma tolice, os de acima podem transformá-la, e se são os de acima os que caem, não haverá embate com os de abaixo. Sempre que a palavra circule mais de uma vez, esse descuido será uma desinteligência, e sempre será uma ação vergonhosa, uma vitória dos vícios e uma derrota das virtudes.
14“A seguir, observa a justiça em tuas ações, e em tuas palavras.”
15“E estabelece o hábito de nunca agir impensadamente, sem regra e sem razão.”
16“Mas faz sempre esta reflexão, que pelo destino é ordenado a todos os homens morrer.”
17“E que os bens da fortuna são incertos, e do mesmo modo como podem ser adquiridos, também podem ser perdidos.” (pitagorismo)
Aquele que a todo momento medita, coloca-se um passo adiante dos demais em todas as situações de seu dia-a-dia, pois suas palavras e ações serão sempre justas ao serem desprovidas de loucura, de covardia, de intemperança e de avareza. Porquanto não poderá ser injusto, porque suas palavras e ações estarão sempre pautadas na mais sublime dentre todas as virtudes, que é a justiça. Embora sua meditação tenha como objetivo, lograr um estado de lucidez suficiente, que o conduza à obtenção da justiça em suas palavras e ações, o ato de meditar, que significa colocar-se em conexão com o Criador e, como diria Platão, “inibir sua alma concupiscível”, faz com que suas palavras e ações sejam prudentes, justas e perfeitas, algo parecido com uma espécie de justiça divina.
Com a prudência e a inteligência, o homem adquire a coragem a e temperança, para finalmente alcançar a justiça. O prudente utiliza da razão para enxergar o melhor em cada alma e assim tornar justas suas palavras e ações, pois a prudência é a pedra fundamental sobre a qual está erigido o pilar da razão, que sustenta o edifício que conforma todas as suas qualidades e o protege das intempéries da cólera e da cupidez.
Transcendendo as virtudes sobre os vícios, a justiça extrai das virtudes da alma os elementos necessários para adornar o pilar da razão. O equilíbrio da balança da justiça só pode ser logrado quando a razão esteja presente em todos os percalços da vida, com a prudência prevalecendo sobre todas as palavras e ações, para que assim todos os pensamentos sejam retos e a piedade para com os deuses seja mantida. Os desprovidos de razão não sintonizam com as pessoas que o rodeiam, e muito menos sintonizam com os deuses. É como uma doença da alma, corroendo seus corpos físicos e fugindo da morte, possuídos pelo desejo de permanecer neste mundo para acumular mais e mais riquezas materiais, desperdiçando a vida em uma senda repleta de injustiças para com o homem e impiedade para com os deuses.
O justo cultiva as virtudes e por isso é corajoso e não sofre perante a morte, pois somente adquire o que é honesto e belo e por isso é desprendido de todo mal, porquanto unicamente praticará o bem a si mesmo e ao próximo, pois visitando seu interior, conheceu sua alma concupiscível e a retificou, convertendo-a em um cubo de virtudes, aquela mesma pedra oculta que tanto anseiam os filósofos e alquimistas. Tal e como dito no verso pitagórico, “Conhece-te a ti mesmo e respeita-te a ti mesmo.”.
Exaltado é aquele que, com prudência pratica a justiça. Pesando sempre suas palavras, nunca pronunciará blasfêmias, por mais difícil e doloroso que possa ser seu instante. E essa dor, e essa dificuldade, nunca o impelirá a agir com injustiça, portanto nunca arrebatará os bens do próximo, ou fará dano algum a qualquer pessoa, mantendo assim intacta a justiça em suas ações e em sua alma.
Não há meio termo, não há como ser justo com uns e injusto com outros, ora pratica a prudência, ora não. “O hábito faz o monge”, e esta máxima demonstra que somente será justo aquele que cultiva suas virtudes em todos os momentos. Por isso no verso está dito “e não te acostumes a comportares-te em nada sem razão”, porque de não fazê-lo com justiça sempre, perde-se o hábito e cai novamente nos vícios da intemperança, da imprudência, da covardia e da avareza, o que conduzirá inexoravelmente ao mundo das injustiças, das palavras e ações equivocadas e prejudiciais a si próprio e ao próximo.
A prudência, a temperança, a coragem, e a justiça como a mais valiosa virtude pitagórica, em seus versos, Pitágoras coloca sobre a mesa, quatro virtudes que são como ferramentas práticas para moderar as paixões e praticar o bem.
A pedra angular do pitagorismo é a liberdade. As virtudes libertam, os vícios escravizam, e nisso estamos todos de acordo. As paixões estão no âmbito das necessidades físicas, e como vícios que são, cada indivíduo deve utilizar do livre-arbítrio para moderá-las. Não se trata de removê-las, o que converteria o homem em um vaso vazio, mas sim se trata de tê-las dentro, e que a razão plena de justiça governe sobre elas. Falar em “vencer as paixões” não seria mais que uma crença, porque o iniciado não cultiva nenhuma luta em seu interior.
O verdadeiro iniciado é aquele que nunca perde as estribeiras, nunca se deixa levar pelas paixões, porque sempre tem em mãos as suas virtudes. É aquele que nunca perde a cabeça quando vive momentos difíceis como uma discussão com a esposa, com os filhos ou com os funcionários de sua empresa. É aquele que mesmo quando traído por seu melhor e mais fiel amigo, age com a razão aliada a seus princípios de justiça, com prudência e paciência, pesando todas as cartas que estejam colocadas sobre a mesa e decidindo com justiça, punindo se considera que deve punir, perdoando se considera que deve perdoar, mas sempre sereníssimo, sem mágoas que possam enfermá-lo, sem loucuras que possam fazê-lo perder o juízo, explicando com honestidade as razões de suas decisões, nunca pelas costas e sempre com a verdade e o amor por diante.
18“Suporta com paciência e sem murmúrios a tua parte, seja qual for, 19dos sofrimentos que o destino determinado pelos deuses lança sobre os seres humanos.”.
20“Mas esforça-te por aliviar a tua dor no que for possível, 21e lembra que o destino não manda muitas desgraças aos bons.”.
22“O que as pessoas pensam e dizem varia muito; agora é algo bom, em seguida é algo mau.”
23“Portanto, não aceites cegamente o que ouves, nem o rejeites de modo precipitado.”
24“Mas, se forem ditas falsidades, retrocede suavemente e arma-te de paciência.”
25“Cumpre fielmente, em todas as ocasiões, o que te digo agora:”
26“Não deixes que ninguém, com palavras ou atos, 27 leve-te a fazer ou dizer o que não é melhor para ti.” (pitagorismo)
Cada um cria seu próprio inferno, assim como também pode criar seu próprio paraíso. O mais correto seria então afirmar que, cada indivíduo cria sua própria realidade. Aquele que reclama de tudo e de todos, não faz mais que reclamar de si mesmo, pois sua realidade, criada por ele mesmo, é fruto de seus pensamentos, sentimentos, palavras e ações, que emanam uma dada vibração, sua, que é percebida por tudo e por todos, os quais terão que assimilar tais energias, lidar com elas e, devolvê-las dentro da capacidade e limitação de cada um. Ora, se as vibrações são emanadas, se são recebidas por tudo e por todos, se são trabalhadas por cada um e em seguida devolvidas, logo, tudo vibra e deixa-se vibrar. E esses eventos acontecem em ciclos infinitos. É a razão pela qual um bate-boca vai sempre in crescendo. Isso significa que não estamos sós, e que todos os nossos atos, incluindo aqui o próprio pensamento, afeta não somente ao que o gera, mas sim a todo o universo. E isso é conhecido como efeito borboleta.
O verso é claro ao começar ordenando que não transmita aos demais seus problemas, pois foi você mesmo quem os criou, e se começa a murmurar, contaminará os demais. Foi você mesmo quem criou tais problemas, e os deuses simplesmente atenderam seu pedido, não porque queiram o mal, pois são desprovidos dos desejos, e deles somente emana o bem. E foi exatamente por emanarem sempre o bem, que permitiram que seu livre-arbítrio fosse respeitado.
Cada indivíduo cria sua própria realidade e com ela transforma o universo. Então a inteligência desses versos está em mostrar que será melhor não entrar nessa ciranda de injustiças para consigo mesmo e para com o universo. E se acaso entra, esforça para sair quanto antes para o bem de todos.
O normal é que as pessoas oscilem, ora para um lado, ora para outro, pois o caminho do meio é o equilíbrio entre vibrações, é saber equilibrar a si mesmo com suas vibrações e equilibrar a si mesmo quando recebe vibrações alheias, e manter-se ali. E quanto melhor executes essa Grande Obra, esse trabalho do interno, será bom que avance para águas mais tranquilas, onde navegam os deuses que estão mais próximos de se tornarem deuses imortais, e ali aprenda a lidar com a sutileza dos ventos divinos, e ali descubra que os bons não sofrem amiúde. É por isso que se deve refinar o círculo de amizades, apartando os brutos e preservando os elevados, porque manter-se equilibrado eternamente na parte mais tortuosa da espada flamejante não é avançar, mas sim torturar-se um deus.
28“Consulta e delibera antes de agir, a fim de não te entregares a ações loucas.”
29“Pois é de um espírito pobre falar e agir sem razão e sem reflexão.”
30“Mas faze tudo quanto a seguir não te aflija e não te obrigue ao arrependimento. “ (pitagorismo)
Pitágoras convida uma vez mais à reflexão e à meditação como instrumento para dar brilho às virtudes. Aquele que é sábio e prudente saberá deter-se ante as adversidades para dar-se um momento e, com serenidade, questionar-se a si mesmo, permitindo que as virtudes tenham tempo e espaço para emergirem desde o cubo perfeito e assim demonstrar toda sua grandeza, beleza e sabedoria. Ao fazê-lo, não haverá espaço na alma à insensatez, à loucura e à injustiça, pois, fortalecida pelo hábito de cultivar somente o que é belo e honesto, e cercada por anjos guardiões dos homens de bem, conservará imutável o juízo; mente e alma combatendo pela virtude, escolhendo sempre o bem, praticando sempre a justiça divina e sustentando suas decisões, porque sempre serão sábias e isentas de arrependimento.
O mal condena a alma concupiscível à sua metempsicose.
Pela incapacidade de abraçar as virtudes, a alma desconecta-se para não se ver contaminada pela loucura, pelos excessos e crimes do corpo. Sua próxima vida será mais densa, para que trabalhe mais em sua correção e assim seja capaz de purgar suas paixões por meio do arrependimento, para que se coloque no caminho do virtuoso. Como um castigo que se dá a si mesmo por seu temeroso caminhar imprudente e sua miserável razão.
O silêncio liberta do arrependimento e gera filósofos.
31“Não faças nunca coisa alguma que não saibas.”
32“Aprende tudo o que é preciso saber, e por este caminho levarás uma vida deliciosa.” (pitagorismo)
O conhecimento é parte do polimento; e com pedras cúbicas são construídos os Templos. Mas um Templo é vazio e frio, ainda que perfeito, porque é o conhecimento que nos permite admitir nossa própria ignorância. Então, que se preencha de si mesmo, por meio da meditação; expanda-se até alcançar suas próprias paredes e faça girar sua gnose no sentido que deve ser feito. Tal energia, colocada em movimento, mentalmente, despertará sua alma para o trabalho do interno. Quando mente e alma trabalham juntas, vibrando dentro de um coração justo e perfeito, sintoniza-se com os deuses imortais; e ainda que seja somente por um instante, permite vislumbrar o caminho da eternidade.
Dito isso, o que se tenta explicar aqui é que se pode passar toda uma vida estudando em busca da verdade, mas essa busca serve apenas para construir seu próprio Templo. Esse Templo, que é seu interior, construído com base no estudo exaustivo de uma vida inteira, tão-somente permitirá ver-se a si mesmo sentado em seu próprio trono, dentro do seu próprio templo de eterna ignorância, porque por mais que se estude, por mais que se saiba, àquele que avança somente com o conhecimento, o trono é o limite.
¿Então como ir além? ¿Como pode o sábio atravessar o véu de Kheter e bater nas portas de um Templo superior ao que estava antes e ver-se a si mesmo abrindo-lhe as portas como guardião de seu novo Templo? E a resposta é a seguinte: com a expansão silenciosa da mente e da alma, no intuito de aproximar-se do divino, e somente quando com amor no coração, pois o caminho do meio convém apenas aos bons, logrará alcançar novos Templos, até que finalmente esteja apto a colocar-se entre os deuses imortais ou seja, entre aqueles que já não estão sujeitos à metempsicose de Pitágoras; à reencarnação.
Esta reflexão é um convite à humildade, à piedade para consigo mesmo e para com os deuses imortais, pois é com a soberbia que se destrói o Templo, afastando-se do Criador.
Dedique-se ao que ainda valha a pena, ao que possa instrumentalizar a razão, para que se possa praticar a justiça em todos os momentos da vida, sem temer as desgraças e principalmente a morte, formando um ser temperante, virtuoso, amigo e respeitoso; convertendo-se naquele que honra e cultua os seres superiores, e goza de suas recompensas sem arrependimento ou remorso, pois toda ação visa uma recompensa, seja ela qual for, e suas ações imitam os atos divinos, com o qual suas recompensas serão sempre divinas.
Fabre D’Olivet analisa os versos e parte para uma análise da cultura corporal, porque, além da cultura espiritual e mental o homem tem que cuidar do corpo para atingir a perfeição. Inicia com os primeiros versos que já foram analisados e discorre sobre o papel de Pitágoras na construção do termo “Filosofia” e das palavras simbólicas emitidas por ele, como: “não se deve atiçar o fogo com a espada”, “não se deve colocar o bom alimento no vasilhame impróprio”, “nem todas as matérias são próprias para se fazer uma estátua de mercúrio” – máximas enigmáticas, mas que indicam que se deve evitar todo o excesso – que é o fundamento do pitagorismo – que não se deve, portanto, sair do justo meio. Assim diz ele, “não se deve usar da espada na causa de D’us e da verdade; não se deve confiar a ciência à uma alma corrompida” ou, como dizia Cristo: “atirar pérolas aos porcos e nem dar aos cães as coisas santas”, pois nem todos os homens são igualmente adequados à receber a ciência e a tornarem-se modelos de sabedoria, refletindo a imagem de D’us.
Então disse o Senhor D’us: “Agora o homem tornou-se como um de nós, conhecendo o bem e o mal. Não se deve, pois, permitir que ele tome também do fruto da árvore da vida e o coma, e viva para sempre”. Gênesis 3:22.
33“É mister não negligenciar de modo algum a saúde do corpo.”
34“Mas dá-lhe com justa medida beber e comer e os exercícios de que ele tem necessidade.”
35“Ora eu chamo justa medida o que não te incomodará.” (pitagorismo)
O pitagorismo exorta uma vez mais o culto ao equilíbrio, agora do corpo físico, para que se possa contar sempre com ele. É a moderação, a transcendência sobre a gula no quesito alimento, observar-se a todo momento a fim de que não se cometam excessos e, de ser assim, trará a saúde do corpo e da alma. A tecnologia levou o homem a criar alimentos muito sofisticados, tanto para atender a poucos que possam pagar pela qualidade, quanto para atender a massa de bilhões de bocas que devem ser alimentadas cada dia no mundo. A oferta é abundante para aqueles que saibam escolher e que possam pagar pela escolha, e isso ocorre em todas as classes sociais. Há bons e péssimos alimentos, caros e baratos em ambos casos. Portanto é mister conhecer os alimentos, saber para que servem, que benefícios trazem ao corpo e que malefícios podem causar, sopesar e decidir-se por uma alimentação que se adapte melhor ao corpo, à alma e ao bolso. Não se trata aqui de detalhar as características de cada alimento, mas sim de despertar para a questão, logo, que cada um faça seus estudos e alcance a justa medida para satisfazer suas necessidades alimentícias.
Outra questão levantada nos versos é o exercício. Não se trata de converter-se em atleta, mas sim de encontrar a medida certa de exercícios, pois cada um tem seu biorritmo, então a quantidade de exercícios necessários é uma questão individual e uma vez mais deve-se buscar a justa medida. O excesso pode causar lesões e desproporções estéticas, a falta pode matar.
Também deve-se ter em conta o exercício mental. Ora, a mente não para, nem mesmo quando dormida, mas não é suficiente apenas estar desperto, deve-se buscar colocá-la em movimento, estudar, dar soluções aos problemas da vida cotidiana, utilizar a razão. Deve-se atentar para a saúde mental, afinal a alma transita lá dentro.
Cada indivíduo exerce uma profissão diferente e a cada uma é necessário empregar quantidades diferentes de energia. É mister então dar-se conta do que o corpo necessita para poder executar suas tarefas diárias. O filósofo, por exemplo, não necessita grandes quantidades de energia, pois passará o dia utilizando a mente para filosofar, os olhos para ler e pouco necessitará das outras partes do corpo, mas o cérebro consome grandes quantidades de energia, calculam os cientistas que chega a consumir 20% do que se ingere, então o filósofo sim deve encontrar sua justa medida que não lhe prejudique a mente, tanto pela falta, a qual lhe enfermará, quanto pelo excesso, o que colocará à prova suas virtudes por exaltar seus desejos carnais e suas paixões. Ademais, o alimento pesado adormece a mente, e ainda pior é a bebida, e por essa razão foi citada primeiro no verso, pois distancia do corpo a alma e a razão.
36”Acostuma-te a uma vida simples, honrada e sem ostentações.”
37”Evita cercar-te do que atraia a inveja.”
38”E não sejas um esbanjador sem motivo, agindo como se não conhecesse o belo e o honesto.“
39”Mas não te deixes levar pela cobiça, nem sejas mesquinho. A justa medida é excelente em todas as coisas.” (pitagorismo)
Aristóteles flertou com o conhecimento pitagórico e por isso era um adepto do caminho do meio. Sábias foram suas palavras ao afirmar que a sabedoria está no equilíbrio entre o excesso e a falta. Qualquer ordem iniciática que se preze, edifica seu Templo com base nessa premissa. Desvirtuar-se demasiadamente para ambos lados significa cair, por um lado à condição de aprendiz - aquele que ainda não está acostumado com a Luz - e por outro à condição de companheiro - ofuscado por flertar com a Luz.
“E ela vendou-me os olhos e levou-me até sua gruta de ossos, e com ela chorei e suspirei consternado. Então fechei com beijos seus olhos e ela mostrou-me um caminho iluminado. Na escuridão exorcizei meus pesadelos, e foi como o último dos sonhos que eu jamais tive, caminhando como caminham os anjos, rumo à liberdade.”
Caminhe com os pés no mundo físico, ora com o vício, ora com a virtude, até o dia da sua morte. Mas aqueles que aprendam a visitar as profundidades da Terra, acabam por encontrar aquele diamante tão apreciado pelos filósofos, oculto na mais profunda escuridão. E uma vez polidas suas arestas, contemplam como a pedra bruta converte-se no mais precioso brilhante e aprendem a caminhar como caminham os anjos, os mesmos que dizem somente possuir virtudes, aqueles que não lidam com a morte.
A justa medida pitagórica ensina a não ultrapassar os limiares da direita e da esquerda, afirmando que existe sim o caminho da iluminação, um sendeiro que aparenta ser sinuoso e flamejante, mas os iluminados sabem de sua retidão e de sua verdade.
40”Não faças as coisas que te poderão prejudicar, e raciocina antes de fazê-las.“ (pitagorismo)
Aquele que beba do elixir da razão flertará com a verdade e a sabedoria daqueles que realizam a Grande Obra.
O conhecimento serve apenas para a edificação do Templo, o qual, uma vez consolidado, deverá ser utilizado para alcançar estados superiores, para alcançar a purificação por meio da meditação e da transmutação.
Utilizar a razão a cada instante é manter-se alerta para não cair nos erros que corrompem o equilíbrio hermético. A realização deste trabalho consome muita energia, que quando desperdiçada pelos egos, nos impulsos desenfreados dos desejos mundanos, fará falta ao que realmente importa. Por isso o verso pitagórico é claro ao colocar que a não utilização da razão é prejudicial, e esse prejuízo não é somente físico, mas sim abarca a todos os corpos sutis, desequilibrando as colunas que sustentam as paredes do Templo interior e impossibilitando a realização da Grande Obra, a tão citada pelos alquimistas. Meditar é calar-se diante D’ele, é jogar por terra todo e qualquer vestígio de auto importância pessoal e, no silêncio do tudo, entrar em sintonia com a música do universo. ∆
Notas:
[1] Eosphorus) ou Fósforo (Do antigo grego: Φωσφόρος Phosphorus), a Estrela d’Alva ou Estrela da Manhã, é filho de Eos, deusa da aurora, e irmão de Héspero (Do antigo grego: Ἓσπερος Hesperus), a Estrela Vésper. Seu equivalente romano era Lúcifer (do Latim Luxferres ou seja, “portador da luz”), em hebraico הֵיללֵ (hillel).
[2] É o termo utilizado pelos pitagóricos para simbolizar a imortalidade do ser por meio da reencarnação.
Bibliografia:
Brasílio Conte, Carlos - Pitágoras - Ciência e Magia na Antiga Grécia
de la Fuente, David Hernández - Vida de Pitágoras según Porfirio.
Ferreira dos Santos, Mario - Pitágoras e o Tema do Número.
— Versos Áureos de Pitágoras.
Gonzalez, Rubén - Pitágoras y la nueva conciencia.
Hiérocles de Alexandria - Comentário aos Versos dourados de Pitágoras.
Krishnamacharia, Ekkirala - Introducción a Pitágoras.
— La sabiduría de Pitágoras.
PETROVNA Blavatsky, Helena - Isis sin velo, 1877.
SRI K PARVATHI KUMAR - Pitágoras - El teclado pitagórico.

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