Vril
Vril.
Por Lúcio José Patrocínio Filho:.
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O escritor inglês Bulwer Lytton utilizou a palavra [vril] como a força maravilhosa descrita em seu livro [A Raça Futura]. Ele foi um dedicado estudante de Cabalá, magia e rosacrucianismo e fez uso de seu conhecimento oculto ao gravar o termo [vril], revelando claramente sua conexão com a doutrina de Eliphas Lévi [mago e escritor ocultista francês Alphonse Louis Constant], com quem se sabe, manteve correspondência, razão pela qual se sabe que ele estava estreitamente ligado a alguma sociedade ocultista. Não há relato da existência do termo [vril] anterior ao livro de Bulwer, pelo que o mais provável é que tenha sido inventado por ele mesmo, um termo que considero um grande acerto esotérico, como tentarei demonstrar neste estudo, mas o certo é que essa pequena palavra de apenas quatro letras, ganhou proporção mundial no mundo dos ocultistas desde então.
Obviamente Vril é uma contração do adjetivo [viril], que todo dicionário define como [capaz de procriar], portanto, desde sua base, foi um acerto por parte de Bulwer Lytton, ao escolher ou criar esse termo para denominar a força mágica descrita em sua novela, e está de acordo com a declaração de Lévi, [Deus a cria eternamente, e o homem, como imagem da Deidade, a modifica e aparentemente a multiplica na reprodução de sua espécie].
Como cabalista, Bulwer Lytton compreendia os significados esotéricos das letras hebraicas, e estas são as que nos proporcionam as chaves para o verdadeiro significado da palavra [vril] [וריל], que vale [6+200+10+30=246=12=3], ainda que seja uma tentativa de dar sentido à uma palavra inventada para uma novela fantástica. As duas primeiras letras Vav[ו] e Resh [ר] remetem à palavra em hebraico [ruach] [רוח], que significa hálito, em alusão ao hálito divino, o [hálito do hálito] ou sopro divino e [neshamah] em hebraico [נְשָׁמָה nəšâmâh] ou nefesh [נֶ֫פֶשׁ nép̄eš] [que vem da raiz NŠM ou respiração] oposto a ruach [רוּחַ rúaħ], em grego [πνεῦμα] [pneuma], em latim [spiritus] [anima], em psicologia [psykhē] [ψυχή] e nas culturas hinduístas o [prana]. Sua terceira letra, a Yud [י], entre outros significados representa a [mão] e faz referência à todas as obras do homem no sentido de realização, assim como Deus criou o mundo em 6 dias, a letra Vav [ו] também vale 6. A última letra Lamed [ל], tem significado de completude da criação, afinal é a última letra da Torá, além de representar a forma com a qual o [boi] é controlado e guiado, sendo que no alfabeto hebraico o [boi] está representado pela letra Alef [א], a qual, no Sepher Yetzirah, representa o Poder de Vida ou [ruach]. Assim vemos que a sequência das letras na palavra [vril] pode ser desenvolvida tal e como descrita por Paul Foster Case como: V: Vav [ו] conexão. É a realização de uma obra. Perceba que começa com uma Yud [י] e desce verticalmente em linha reta. É pensar antes de agir, pensar elevado, junto com Deus, planejar, somente depois de ter todas as ideias claras e planejadas, passa-se à execução, com determinação, no mundo de abaixo, no mundo material. R: Resh [ר] cabeça, cérebro, força do pensamento. Planejar sem pressa, pois se o resultado não será o esperado, melhor não realizar essa obra. I: Yud [י] mão, as atividades criativas peculiares do homem, a modificação do Poder de Vida mediante obras realizadas de acordo com modelos de pensamento. L: Lamed [ל] cetro; o que dirige e controla o [boi] [א], portanto o que guia e determina as manifestações de [ruach], o hálito de vida, que os cabalistas atribuem à letra Alef [א]. Esta influência reitora é o conhecimento, o resultado de transmutar o Poder de Vida em formas de pensamento (R) que se convertem em modelos para obras (I) cuja execução expressa e amplifica o conhecimento. Por isso a expressão [aprender fazendo] adotada por exemplo pelo movimento escoteiro. No livro, [The secret teachings of all ages] o autor descreve [OS HABITANTES CELESTIAIS DO SOL] afirmando que as Ordens secretas, descrevendo os anjos, arcanjos e outras criaturas celestes, declararam que se assemelhavam a pequenos sóis, sendo centros de energia radiante cercados por correntes de força Vrílica. Destas correntes de força que se derramam, deriva a crença popular de que os anjos têm asas. Essas asas são leques de luz em forma de coroa, por meio dos quais as criaturas celestiais impulsionam-se através das essências sutis dos mundos suprafísicos. Os verdadeiros místicos são unânimes em sua negação da teoria de que os anjos e arcanjos têm forma humana, como tantas vezes retratada. Uma figura humana seria totalmente inútil nas substâncias etéreas, através das quais se manifestam. A ciência há muito debate a probabilidade de outros planetas serem habitados. Objeções à ideia são baseadas no argumento de que criaturas como organismos humanos não poderiam existir nos ambientes de Marte, Júpiter, Urano e Netuno. Este argumento falha em levar em consideração a lei universal da Natureza de adaptação ao meio ambiente. Os antigos afirmavam que a vida originava-se no sol, e que tudo, quando banhado pela luz do orbe solar, era capaz de absorver os elementos da vida solar e posteriormente irradiá-los como flora e fauna. Um conceito filosófico considerava o sol como um pai e os planetas como embriões ainda conectados ao corpo solar por meio de cordões umbilicais etéreos, que serviam como canais para transmitir vida e nutrição aos planetas. Algumas ordens secretas ensinaram que o sol era habitado por uma raça de criaturas com corpos compostos de um éter espiritual radiante, não muito diferente em sua constituição da bola brilhante do próprio sol. O calor solar não teve nenhum efeito prejudicial sobre eles, porque seus organismos eram suficientemente refinados e sensibilizados para que se harmonizassem com a tremenda taxa vibratória do sol. Essas criaturas lembram sóis em miniatura, sendo um pouco maiores do que um prato de jantar em tamanho, embora alguns dos mais poderosos sejam consideravelmente maiores. Sua cor é a luz branca dourada do sol, e deles emanam quatro feixes de [Vril]. Esses feixes são frequentemente de grande comprimento e estão em movimento constante. Uma palpitação peculiar deve ser notada em toda a estrutura do globo e é comunicada na forma de ondulações aos feixes que emanam. A maior e mais luminosa dessas esferas é o Arcanjo Miguel; e toda a ordem da vida solar, que se assemelha a ele e reside no sol, é chamada pelas religiões modernas de [os arcanjos] ou [os espíritos da luz]. O que se percebe é que a publicação de Bulwer na segunda metade do século XIX, justamente no auge do ocultismo, influenciou os iniciados das mais diversas ordens esotéricas, alimentando a imaginação e a criatividade da mente humana, ainda mais em mentes despertadas por supostos rituais de iluminação. Infelizmente, seu invento foi adotado por um dos ditadores mais emblemáticos e abomináveis da história, Hitler, o que trouxe consequências terríveis para a humanidade. A energia descrita por Bulwer, converteu-se em instrumento e símbolo da loucura pelo poder. Segundo Camacho Santiago, em seu livro [20 Grandes Conspirações da História], houve uma [GUERRA MÁGICA], na qual a obsessão de Hitler com o oculto era de tal calibre, que promulgou uma lei, que proibia expressamente, e com sentenças severas, a prática de qualquer forma de adivinhação. Organizaram-se buscas em grande escala, sendo confiscados praticamente todos os livros e documentos que tratam desses assuntos. Como última medida, todos aqueles considerados como uma [ameaça mágica] ao regime, foram eliminados ou tiveram que fugir às pressas da Alemanha. Referindo-se à Maçonaria, o próprio Hitler escreveu: [A sua organização hierárquica e iniciação através dos ritos simbólicos, isto é, sem perturbar as inteligências, mas trabalhando com a imaginação através da magia e dos símbolos de culto, são elementos perigosos. (…) Você não vê que nosso partido deve participar desse personagem? Uma ordem (...) é o que tem que ser; uma ordem, a Ordem hierárquica de um sacerdócio secular]. Graças ao conselho de Stein, os britânicos estavam cientes dessas peculiaridades da liderança nazista e não hesitaram em traçar vários planos com o objetivo de tirar proveito dessa fraqueza. A magia poderia ser o calcanhar de Aquiles do Führer, algo que ele considerava como sua arma secreta e que, ao contrário, poderia ser a razão de sua queda. É impressionante como às vezes, durante a guerra, os Aliados decidiam lutar contra Hitler em seu próprio terreno e recorriam a notáveis ocultistas britânicos para usar seus talentos em uma espécie de guerra mágica, paralela à carnificina que estava ocorrendo nas frentes de batalha. O caso mais notável entre esses é o de Aleister Crowley. Considerado o mago negro mais importante do século XX, foi um personagem peculiar que se definiu como [a besta do Apocalipse], mas provou ser um grande patriota, apesar de sua impopularidade e má publicidade, que serviu ao seu país com o melhor que ele tinha: seu conhecimento do oculto. A verdade é que Crowley já havia atuado como agente duplo durante a Primeira Guerra Mundial, e no início da Segunda Guerra Mundial propôs ao alto comando britânico distribuir ao inimigo panfletos com falsas informações ocultistas, tática que foi utilizada de várias maneiras, como a impressão de edições sutilmente retocadas das profecias de Nostradamus ou transmissões de rádio em alemão, que incluíam previsões astrológicas desfavoráveis aos nazistas e supostas mensagens de soldados alemães mortos, recebidas por um meio falso. Há a anedota de uma transmissão em inglês na Rádio Berlim, na qual os alemães mostravam seu descontentamento com esses eventos: [Mesmo que Crowley celebre uma missa negra na Catedral de Westminster, isso não salvará a Inglaterra], declarou o locutor irado. Não há registro de que tal cerimônia jamais tenha ocorrido, mas, à luz dos acontecimentos, parece que os britânicos foram mais bem-sucedidos do que os nazistas em colocar as forças ocultas a seu lado.
Era [O IMPÉRIO DA LOUCURA], ainda com as palavras de Camacho Santiago. Por sua vez, Hitler continuou sua obsessão mágica, recorrendo a todos os meios disponíveis. O que começou como um estudo erudito e metódico, tornou-se uma corrida louca, sem ordem ou objetivo, em que não apenas sua vida e sanidade estavam em perigo, mas as de todos os alemães, que seguiam cegamente a Hitler como líder indiscutível. Um dos métodos a que recorreu foi o uso de drogas para adquirir estados alterados da consciência. O que, usado com moderação e dentro da estrutura de certas tradições religiosas é um meio válido e amplamente usado de introspecção mística, nas mãos de Hitler, tornou-se fora de controle. O caudilho alemão acabou viciado em peiote, através do qual entrava em transes frequentes e intensos, atormentados por alucinações perturbadoras, nas quais afirmava comunicar-se com seres misteriosos a quem chamava de [superiores desconhecidos]. Poucos no topo da organização nazista foram salvos de cair nesses caprichos esotéricos. Numerosos especialistas em ocultismo forneceram evidências de que Hitler e seus associados mais próximos estudaram meticulosamente técnicas e cerimônias ocultas e obscuras, com o pretexto de aplicá-las a seus fins políticos e militares. Até o ministro da propaganda Goebbels, que se opôs tão ferozmente à influência do psíquico Hanussen, ousou citar trechos das quadras de Nostradamus durante seus comícios. Aquele que na época era o chefe do desenvolvimento e da civilização europeia, despencava desesperadamente em um abismo obscurantista, levado pela loucura de seus líderes. A irracionalidade e a magia dominaram a nação por meio de seus líderes e das sociedades secretas que os apoiavam. O Führer, transformado no ídolo da população alemã, foi elevado à categoria de uma nova divindade germânica, personificada e enraizada no simbolismo sombrio do mito wagneriano. Durante a era nazista, a Alemanha tornou-se intelectualmente uma ilha. Teorias heterodoxas descartadas pela ciência ocidental, como a existência da Atlântida, considerada o berço ancestral da raça ariana, tornaram-se dogmas, favorecidos por aquele estranho terreno fértil. Religião, história, psicologia e até mesmo as ciências físicas foram transformadas, distorcidas pelo prisma extravagante do regime nazista. A cosmologia oficial ditava que a Terra era oca e que os seres humanos a habitam, em alusão à novela fantástica de Bulwer. A dinâmica do cosmos foi explicada como uma luta perpétua entre o fogo e o gelo. A nova ciência nazista desenvolveu-se fora dos limites impostos pelo modelo cartesiano. A psicologia foi substituída por uma mistura do misticismo de Gurdjieff, da teosofia de Madame Blavatsky e dos arquétipos da mitologia nórdica. O lugar da física newtoniana foi ocupado impunemente por uma força misteriosa chamada [Vril], enquanto extravagantes doutrinas geológicas que afirmavam que a Terra era oca e a fria cosmologia de Hans Horbiger – a doutrina do gelo eterno – eram ensinadas nas escolas, apesar de serem uma fraude completa.
Essas hipóteses bizarras foram acreditadas com tanta convicção, que as trajetórias dos foguetes V1 e V2 foram traçadas com tais princípios em mente, apesar dos quais, alguns até milagrosamente alcançaram seus objetivos. Não é por menos que von Braun batizara seus foguetes com essa letra.
Tudo culminou com a [THE THULE SOCIETY]. A ascensão do Terceiro Reich não é fácil de ser explicada, sem citar esse grupo secreto chamado "Sociedade Thule". Vários estudiosos acreditam que essa sociedade secreta alemã e ariana era o verdadeiro poder oculto por trás do Partido Nacional Socialista. Sua ideologia defendia um retorno à magia e à irracionalidade que dominou o mundo durante a Idade Média. A bagagem doutrinária da ordem consistia em uma estranha fusão de pangermanismo, negação do materialismo, espírito medieval, aspectos do pensamento Rosacruz, ensinamentos alquímicos e, em geral, tudo o que podia estar relacionado à tradição esotérica ocidental.
Eles foram os encarregados de encorajar as aventuras mais selvagens de Hitler, desde a captura da Lança do Destino, até as buscas pelo Santo Graal ou pela Arca da Aliança, que deram um jogo tão bom aos filmes de aventura. Em 6 de abril de 1919, houve uma espécie de revolução na Baviera, na qual socialistas e anarquistas tomaram as ruas e proclamaram a República Soviética da Baviera. Sem saber como ou de onde, surgiu um grupo de resistência, "os brancos", formado por soldados desmobilizados conhecidos como Freikorps [corpos francos], equipados, treinados e financiados pela Sociedade Thule. Graças a esse exército misterioso, a revolução bávara foi esmagada em poucas semanas, sem a necessidade de intervenção governamental. Nas palavras de um jornalista francês da época: [A hipótese de uma comunidade secreta na base do nacional-socialismo foi-se impondo gradualmente. Uma comunidade demoníaca, governada por dogmas ocultos muito mais complicados que as doutrinas elementares expressas no [Mein Kampf] e servida por ritos dos quais não se notam vestígios, isolada, mas cuja existência parece indiscutível aos analistas da patologia nazista. Talvez o melhor exemplo disso seja a temida SS, o corpo de elite da máquina nazista. Elite da guarda pessoal de Adolf Hitler, que se transformou gradualmente em uma ordem religioso-militar, fundamentada em doutrinas ocultistas. Seu credo racista e exclusivo, levou-os a tentar cumprir todas as estranhas e aterrorizantes doutrinas do nacional-socialismo. Era uma ferramenta poderosa, projetada para subjugar as chamadas "raças inferiores" e alcançar a purificação final da linhagem ariana por meio da seleção e eliminação racial. Sua estética ameaçadora foi concebida para personificar a imagem da raça ariana como classe dominante. Organizados como uma ordem cavalheiresca antiquada, elementos emprestados do paganismo germânico e de outras correntes ocultas sempre estiveram presentes em seus ritos. Não devemos nos surpreender então, que um dos requisitos para fazer parte dessa elite do nazismo era negar categoricamente a religião cristã, que era considerada a fonte de todos os males da raça ariana.]
Camacho completa afirmando que foi uma [PARANOIA COLETIVA], uma época em que os oficiais da SS afirmaram sem vergonha que, de acordo com a doutrina nacional-socialista, o Canal da Mancha é muito menos largo do que dizem os mapas. Muitos dos hierarcas nazistas eram homens que acreditavam na magia, para quem o universo nada mais era do que uma ilusão, algo cuja estrutura podia ser modificada, dobrada pela vontade dos iniciados. Essa foi a motivação que levou Hitler a enviar suas tropas para a Rússia sem equipamento de inverno. [Cuidarei do inverno], disse ele a seus generais, convencido de que os incêndios arianos afastariam o gelo eslavo - [ou simplesmente faria alguma magia que convertesse o inverno em algo mais ameno pelo desejo dos deuses.] O império da magia havia erguido seu trono fantasmagórico na Alemanha. Que poder misterioso era o fascínio de Hitler por seu povo? Houve quem visse em sua oratória poderosa e insana um homem possuído por algum tipo de espírito maligno. A resposta é muito mais simples. Por meio de seus estudos, Hitler aprendeu o imenso poder que os símbolos exercem sobre as massas e empreendeu a tarefa de trazer à vida mitos que, embora ignorados, permaneceram poderosos nas profundezas do inconsciente coletivo do povo alemão. O tecido oculto do regime nazista continua a ser um dos assuntos pendentes da história contemporânea. Infelizmente, o que foi publicado até agora não fez nada para levantar esse véu. Provavelmente, há muito mais mitologia sobre o ocultismo nazista do que sobre outros tópicos aparentemente mais palatáveis para especulação, como a vida sexual de Hitler ou sua suposta fuga para a Argentina ou o Polo Sul. Muitos autores têm se dedicado a repetir "fatos" que leram em outros livros, cujos autores, por sua vez, fizeram o mesmo, tornando praticamente impossível voltar à fonte original da informação. Felizmente, existem estudiosos sérios sobre este assunto, como Nicholas Goodrick-Clarke, cujo livro é certamente o melhor disponível atualmente sobre o assunto. Este Doutor em Filosofia da Universidade de Oxford, apresenta uma galeria chocante de antecedentes mágicos do nazismo, cuja extensão dá uma ideia de quão pouco sabemos sobre suas origens: Ariosofia, Wotanismo, a Armanenschaft, a Ordem dos Novos Templários, a Germanenorden, a Sociedade Edda, a Sociedade Thule, a Ordem Vril... Graças a este trabalho entendemos que o que aconteceu na Alemanha de Hitler nada mais foi do que o terrível culminar de um projeto que essas organizações estavam desenvolvendo com precisão e disciplina germânicas em todo o século XIX. Muitos enigmas ainda precisam ser revelados em relação ao esoterismo nazista. Vejamos um exemplo: quando as tropas soviéticas entraram em Berlim, encontraram um grupo da SS que haviam cometido suicídio coletivo no quartel-general da ordem usando estranhas adagas rituais. Mas o que realmente chamou a atenção dos soldados que fizeram a descoberta macabra foi que todos os corpos eram da raça tibetana. O que faziam soldados tibetanos no coração da Segunda Guerra Mundial? Os soldados não carregavam documentos ou insígnias e não constavam em nenhum registro. Nada se sabe sobre sua origem, mas esse fato sugere que Hitler conseguiu cumprir outra de suas ambições ocultas: manter uma [troca mística] com grupos de iniciados no Tibete. Falar do Vril é falar de um período negro da história humana, um período que começa com a ascensão da magia no século XIX até sua completa distorção e loucura, que culminou no advento da Segunda Guerra Mundial. Seguirei com algumas citações de escritores que bisbilhotaram a história em busca das verdades e mitos que cercam a história do ocultismo. Após a Primeira Guerra Mundial, as sociedades ocultas começaram a se misturar com o ativismo político, especialmente no sul da Alemanha. Munique foi inundada com refugiados russos anticomunistas e Dietrich Eckart ficou satisfeito em encontrar nos Protocolos o que ele viu como a prova final da longa conspiração mundial judaico-maçônico-bolchevique. Ele providenciou sua publicação imediata e o livro espalhou-se rapidamente pela Alemanha e Europa, até mesmo pelos Estados Unidos. [A forma como [Os Protocolos dos Sábios de Sião] circularam, pareceria indicar a existência de uma rede internacional de conexões secretas e forças cooperantes (...) descrita com clareza nos próprios Protocolos], comentou o autor Heiden.
Os protocolos foram especialmente bem recebidos na Alemanha, onde uma população pobre e enlutada, perguntava por que havia perdido a Primeira Guerra Mundial. Sem negros, hispânicos ou asiáticos por perto, o papel de bodes expiatórios coube aos judeus do Leste Europeu. A circulação dos Protocolos acendeu o antissemitismo há muito adormecido e resultou em uma ardente fogueira de ódio e divisão. As facções políticas lutaram em todo o país, com a filosofia comunista recém-chegada dando grandes passos e permeando uma população desiludida e dependente. Para lidar com a ameaça comunista e o caos crescente, mais de duas dezenas de organizações nacionalistas de direita surgiram somente em Munique. Entre elas estava a Sociedade Thule, em homenagem à pátria mítica dos alemães, [Última Thule], que tinha como logotipo, uma suástica sobreposta a uma espada. Thule, no imaginário dos ocultistas alemães, era uma Atlântida Teutônica, uma ilha pré-histórica mítica nas regiões nórdicas que se acreditava ser o lar de uma civilização há muito extinta de alienígenas que perderam a consciência de suas origens, quando entraram em contato com os seres humanos. Eckart, Rudolf von Sebottendorff e seus epígonos, acreditavam que a ciência avançada da Thule havia sobrevivido ao longo dos séculos, preservada por alguns poucos iniciados em sua sabedoria secreta e esotérica. Os membros da Sociedade Thule buscavam continuamente essa sabedoria por meio de rituais destinados a fazer contato com seres superiores. [Todo o núcleo duro da Sociedade Thule era formado por satanistas que praticavam magia negra], escreveu Trevor Ravenscroft. [Isto é, eles estavam preocupados apenas em elevar sua consciência por meio de rituais em direção ao conhecimento do Diabo e das inteligências não humanas do Universo e em alcançar um meio de comunicação com essas Inteligências, sendo que o Mestre-Adepto desse círculo era Dietrich Eckart.] É bem sabido que em Munique, durante aqueles turbulentos anos do pós-guerra, ocorreram várias centenas de assassinatos e sequestros políticos não resolvidos. [É entre essas pessoas desaparecidas, a maioria das quais eram judeus ou comunistas, que devemos procurar os [bodes expiatórios], mortos em ritos de [magia astrológica] oficiados por Dietrich Eckart e o círculo mais íntimo da Sociedade Thule], denunciou Ravenscroft, que afirmou que era um [fato bem conhecido] que os Thulistas eram uma [sociedade assassina]. Assassinos ou não, o fato é que em 7 de abril de 1919, quando comunistas revolucionários dominaram Munique por um curto período de tempo, proclamando a República da Baviera Soviética, as únicas pessoas que perseguiram e executaram como subversivos perigosos foram os membros da Sociedade Thule, incluindo seu jovem secretário, Príncipe Von Thurn und Taxis. Em 3 de maio, veteranos do exército, incluindo os Freikorps em seus capacetes adornados com a suástica da Sociedade Thule, libertaram Munique dos bolcheviques. Foi a última ameaça séria do comunismo à Alemanha até depois da Segunda Guerra Mundial. Os monarquistas e homens de negócios de Thule sabiam que precisavam ganhar o apoio dos trabalhadores comuns se quisessem derrotar os aglomerados sindicatos de socialistas. Para acabar com eles, adotaram uma estratégia dupla. Enquanto líderes empresariais, militares e intelectuais conspiravam nas reuniões da Sociedade Thule realizadas no Four Seasons Hotel, uma segunda organização de trabalhadores manuais foi formada, o Partido dos Trabalhadores Alemães, liderado pelo comentarista esportivo Karl Harrer e o ferroviário Anton Drexler. De acordo com os editores do Time-Life, [a Sociedade Thule havia contatado Drexler porque esperava promover uma revolução dos trabalhadores, mas eles não sabiam nada sobre trabalhadores]. O partido foi criado em janeiro de 1919, com a fusão do Comitê de Trabalhadores Independentes de Drexler e do Círculo de Trabalhadores Políticos liderado por Harrer. O Círculo foi fundado pelo teosofista Sebottendorff, que também contribuiu para a criação da secreta Ordem dos Alemães. A Germanenorden era uma sociedade inspirada no modelo dos maçons, mas eram decididamente antimaçons e antissemitas, com cerimônias complexas e ritos de iniciação que exaltavam as glórias da mitologia germânica e os cavaleiros teutônicos medievais, formados a partir dos cavaleiros templários. O renomado biógrafo de Hitler, John Toland, descreveu Sebottendorff apenas como [um homem misterioso] e devoto de Platão. Tal e como ficou sabendo mais tarde, o nome verdadeiro de Sebottendorff era Rudolf Glauer, filho de um engenheiro ferroviário de Dresden. O conde alegou ter sido legalmente adotado pelo conde Heinrich von Sebottendorff e com direito a herdar o título. Eckart e outros recusaram revelar sua verdadeira identidade por medo de desacreditar sua causa. Amplamente visto como subversivo, o Germanenorden de Sebottendorff levou à criação da Sociedade Thule para servir como sua organização de fachada. [A concepção inicial dos modernos thulistas era extremamente simples e ingênua], escreveu Ravenscroft. [As versões mais sofisticadas da lenda de Thule foram gradualmente desenvolvidas por Dietrich Eckart e o General Karl Haushofer, sendo posteriormente refinadas e ampliadas sob a liderança do Reichsführer SS Heinrich Himmler, que aterrorizou grande parte do mundo acadêmico alemão para que lhe ajudassem a sustentar profissionalmente, para assim perpetuar o mito da superioridade racial alemã.] De acordo com William Bramley, Haushofer era membro da [Vril], outra sociedade secreta baseada em um livro do lorde rosacruz, o britânico Bulward Litton, no qual conta uma novela sobre a visita de uma [super-raça] ariana à Terra em um passado remoto. Haushofer foi um mentor de Hitler e de seu ministro Rudolf Hess. Himmler era outro membro proeminente da [Sociedade Vril]. Haushofer havia viajado extensivamente pelo Extremo Oriente antes de se tornar um general do exército do Kaiser. [Suas primeiras associações com influentes empresários e estadistas japoneses foram cruciais para a formação da aliança germano-japonesa na Segunda Guerra Mundial], escreveu Peter Levenda. [Ele também foi o primeiro nazista de alto escalão a estabelecer relações significativas com governos da América do Sul, em antecipação a uma ação política e militar contra os Estados Unidos; relacionamentos que mais tarde serviriam aos criminosos de guerra - e ocultistas nazistas - que escaparam dos julgamentos de Nuremberg]. Haushofer, sendo professor da Universidade de Munique, traçou a política de Hitler de Lebensraum, o [espaço vital] para uma Alemanha severamente punida no Tratado de Versalhes. Apoiado pelos violentos bandidos de camisa marrom da SA de Ernst Röhm, e incitado por tiradas antissemitas e antibolcheviques, o jovem Partido dos Trabalhadores Alemães juntou-se à crescente oposição ao instável governo de Weimar. Eckart, que era membro, tanto do partido incipiente, quanto da Sociedade Thule, percebeu que o Partido dos Trabalhadores Alemães precisava de um líder. [Precisamos de alguém no comando, capaz de suportar o som de uma metralhadora. Que saiba como assustar a multidão. Não podemos nomear um oficial porque o povo já não lhes respeita. O melhor seria um trabalhador que saiba falar... não precisaria de muito bom senso ... Deve ser solteiro, depois procuraremos mulheres para ele], disse aos membros durante uma reunião em 1919. Eckart encontrou esse líder na pessoa de um agente da Inteligência Militar enviado para infiltrar-se no partido: um pintor austríaco fracassado chamado Adolf Hitler, outrora descrito como [um filho do Iluminismo]. Foi amplamente documentado como Hitler compartilhava os interesses de Eckart pelo sobrenatural e o oculto. Quando criança na Áustria, cresceu com os contos folclóricos e heroicos dos Cavaleiros Teutônicos Alemães. Como artista em total miséria na Viena anterior a Primeira Guerra Mundial, Hitler frequentou bibliotecas e livrarias quando velho, povoando sua mente com tradições esotéricas e propaganda antissemita. Admirador de Hegel e de sua filosofia, também estudou história antiga, religiões orientais, ioga, ocultismo, hipnose, teosofia e astrologia. De acordo com Ravenscroft, ele até buscou a iluminação no estilo dos anos 1960, tomando drogas alucinógenas. [Foi no pequeno escritório dos fundos da livraria do bairro antigo da cidade, que Ernst Pretzsche [o dono da loja] revelou a Hitler os segredos por trás da astrologia e do simbolismo alquímico da busca do Graal], escreveu ele. [Foi lá também que o sinistro corcunda deu ao seu aluno monstruoso a droga com a qual evocou a visão clarividente dos astecas, o peiote mágico reverenciado como uma divindade.] Ravenscroft, um oficial britânico retirado, explica como Hitler, enquanto ainda em Viena, ficou obcecado pela chamada [Lança do Destino], dita ser a lança de Gaius Cassius, um soldado romano, conhecido como Longinus. De acordo com a lenda, Longinus perfurou o lado de Jesus com aquela lança, quando estava na cruz; não como punição, mas para abreviar compassivamente sua agonia. Aquela que alegou ser a própria lança, ainda está em exibição hoje no Museu de Hofburg em Viena. E foi lá, de acordo com Ravenscroft, onde o jovem Hitler soube da lenda que diz que quem possua a Lança Heilige, ou Lança Sagrada, controlará o destino do mundo. Em seu livro, The Spear of Destiny, Ravenscroft tece uma rica tapeçaria da história e folclore germânico, incluindo Hitler e a lança, juntamente com um estudo detalhado de magia, ocultismo e sociedades secretas. Ravenscroft atribui suas informações sobre a lança e Hitler a seu mentor, Dr. Walter Johannes Stein, um cientista e filósofo vienense, que conheceu Hitler e que se mudou mais tarde à Inglaterra. Stein explicou como Hitler entrou em transe [canalizando] uma entidade não humana, enquanto junto com a lança. [A vida espiritual de Hitler não estava madura o suficiente na época para manter a consciência de si mesmo e de seus arredores, quando aquela entidade alienígena entrou nele], explicou Stein a Ravenscroft. Esse tipo de transe foi mencionado por um membro da plateia durante um dos discursos de Hitler. [Ficava falando e falando, como se tivesse entrado numa roda sem fim, por uma hora e meia, até que ficava absolutamente exausto (...), então, quando estava exausto e ofegante, sentava-se e voltava a ser homem simples e afável (...). Era como se ele tivesse passado repentinamente a outro estado, sem transição]. O próprio Hitler aludiu a um controle metafísico. Ele mencionou a vários colegas, que sua [voz interior] o estava guiando, e uma vez disse [Estou seguindo meu curso com a precisão e a confiança de um sonâmbulo]. Além disso, durante sua estada em Viena, Hitler conheceu Jorg Lanz von Liebenfels, o editor da Ostara, uma revista de assuntos ocultos e eróticos. Um monge cisterciense que fundou a antissemita e secreta Ordem dos Novos Templários, Liebenfens e seu mentor, Guido von List, procuraram reviver a irmandade medieval dos Cavaleiros Teutônicos, que tinham a suástica como emblema. List foi um autor respeitado do misticismo pangermânico, até ser banido de Viena, depois que foi descoberto que sua irmandade secreta tinha a ver com perversões sexuais e [magia negra medieval]. Foram as filosofias de Liebenfels e List, exaltando a glória do ocultismo pagão e a superioridade da raça ariana, que levaram à fundação da Sociedade Thule. [Os nomes de List e Liebenfels logo se tornaram sinônimos do movimento pangermânico volkisch, que acabou levando ao Partido Nazista], disse o autor Levenda. Tudo o que Hitler aprendeu em Viena o mudou drasticamente. O ex-coroinha e devoto católico cantor, que até considerou ser padre, tornou-se ateu declarado e foi até acusado de praticar o satanismo. Epperson refletiu sobre essas conexões: [Assim, a suástica era um símbolo da Sociedade Thule; um símbolo do Partido Nazista; algo relacionado de alguma forma ao símbolo do Sol dourado, e o Sol dourado era um símbolo de Lúcifer]. A própria saudação nazista era um sinal secreto da Sociedade Thule, onde as multidões, estendiam o braço e a palma da mão em flecha, inconscientemente lançando suas energias em direção ao Führer e este as recebia com a mão em concha para cima e para atrás, em clara alusão à energia vril, ainda que as massas nunca tiveram acesso a este entendimento. Apoiando essa acusação de satanismo, bem como demonstrando o fascínio de Hitler pelo sobrenatural, está um poema que ele escreveu em 1915, enquanto servia no exército alemão na Frente Ocidental. John Toland o reproduziu em seu livro Adolf Hitler.
A relação de Hitler com o sobrenatural tornou-se mais pessoal depois que ele foi cegado pelos efeitos do gás mostarda em um ataque britânico na noite de 13 para 14 de outubro de 1918. [sim, a humanidade quase foi poupada de viver os horrores de Hitler]. Enviado a um hospital em Pasewalk, Pulverturm, a visão de Hitler melhorou, apesar das notícias que anunciavam a derrota da Alemanha e a assinatura do armistício, relatadas por um pastor que o visitava. Enquanto definhava de dor e desespero, Hitler teve uma visão sobrenatural. [Como São João, ele ouviu vozes o chamando para salvar a Alemanha], Toland escreveu: [E de repente, [um milagre aconteceu]: a escuridão que cercava Hitler evaporou. Podia ver novamente! Então, jurou solenemente, prometeu que se tornaria [político e dedicaria todas as suas forças para cumprir a ordem recebida]]. Peter Levenda viu a experiência de Hitler como [uma espécie de visão mística, semelhante à vivida por Guido von List muitos anos antes, durante sua cegueira temporária - ou como Saúl, que ficou cego em seu caminho para Damasco - razão pela qual, Adolf Hitler mudou completamente a partir desse momento]. Em sua chegada a Munique após a guerra, o cabo Hitler foi designado para um trabalho braçal, o de guarda prisional, trabalho que durou até o golpe comunista na primavera de 1919. Quando a Reichswehr foi evacuada, Hitler ficou lá para espionar os revolucionários. Mais tarde, quando o exército e os Freikorps retomaram Munique, foi Hitler quem percorreu as fileiras de prisioneiros comunistas apontando os líderes a serem executados. Como recompensa por seu trabalho clandestino, Hitler foi designado ao Departamento de Imprensa e Agência de Notícias do exército alemão. No outono de 1919, foi encarregado de espionar vários grupos revolucionários que estavam surgindo na tumultuada cena política da Baviera. O comandante de Hitler, o capitão Karl Mayr lembra que Hitler parecia [um vagabundo cansado procurando por um dono (...) disposto a se juntar a todos que lhe mostrassem bondade (...) totalmente desinteressado pelo povo alemão e seu destino]. Hitler lembrava-se: [Um dia recebi ordens de meus superiores para descobrir o que estava por trás de uma suposta sociedade política que, sob o nome de Partido dos Trabalhadores Alemães, tinha a intenção de convocar uma reunião (...). Tinha que ir lá, descobrir sobre aquela sociedade e fazer um relatório sobre ela.] Uma vez na Cervejaria Sterneckerbräu, não ficou muito impressionado. [Encontrei entre 20 e 25 pessoas lá, a maioria pessoas das camadas mais baixas da sociedade], escreveu Hitler. O jovem agente militar, chocou a pequena multidão ao argumentar contra a proposta de que a Baviera cortasse seus laços com a Prússia. Para sua surpresa, alguns dias depois, um cartão chegou ao seu quartel, informando a Hitler que havia sido aceito como membro do Partido dos Trabalhadores Alemães. [Eu não sabia se devia ficar enojado ou cair na risada], escreveu ele. [Eu não tinha intenção de entrar em um partido já pronto, mas queria criar um partido meu.] No entanto, por orientação de seus superiores, Hitler voltou. Um dos primeiros membros do Partido dos Trabalhadores Alemães foi Eckart, que muitas vezes foi considerado o fundador espiritual do Nacional-Socialismo. Eckart viu em Hitler o líder maleável que ele procurava e que logo se apresentou aos círculos sociais de direita em Munique e a seus amigos intelectuais da Sociedade Thule. Embora muitos historiadores tenham minimizado o papel de Eckart tanto nas práticas metafísicas quanto na fundação do Partido Nazista, é significativo que Hitler tenha entendido claramente a importância de Eckart. Ele termina seu infame livro Mein Kampf com estas palavras: [E eu também quero lembrar [entre os heróis nazistas] o homem que, como um dos melhores, por meio de suas palavras, seus pensamentos e, finalmente, seus atos, consagrou sua vida no ressurgir de nosso povo: Dietrich Eckart]. Quando Eckart estava morrendo em sua cama, em 1923, disse: [Siga Hitler! Ele vai bailar, mas fui eu que dei o tom para ele. Eu o iniciei na [Doutrina Secreta], abri sua mente e dei a ele os meios para se comunicar com os Poderes. Não chore a minha morte: vou influenciar a história mais do que qualquer outro alemão]. A [Doutrina Secreta], transmitida a Hitler por Eckart e o Professor Haushofer da Universidade de Munique, foi um amálgama de conceitos e filosofias extraídas em grande parte do trabalho da Madame Blavatsky e sua Sociedade Teosófica, uma mulher rodeada de histórias de charlatanismo, entre elas o famoso Caso Coulomb [Coulomb Affair]. Uma mistura de misticismo oriental, ocultismo e história ocultista, a doutrina foi uma tentativa de compreender a origem do homem. De acordo com Ravenscroft: [[Quando o Terceiro Olho [que muitos acreditam ser a glândula pineal entre os olhos] é aberto para uma visão completa do Arquivo Akáshico [memória oculta mística da humanidade], o iniciado na [Doutrina Secreta] torna-se um testemunho vivo de toda a evolução do mundo e da humanidade. Viajando por tremendas visões do tempo, o verdadeiro espírito original da Terra e do homem é revelado, e o destino revelado da humanidade pode ser testemunhado através das condições de vida e ciclos de desenvolvimento em constante mudança]. Nessa doutrina, os visitantes não humanos da Terra, há muito gerados pela manipulação genética de [híbridos humanos e divinos, uma espécie de deuses humanos], dividiam-se em várias sub-raças - os Rmoahal, os Tlavati, os Toltecas, os Turania, os arianos, os acadianos e os mongóis -. Durante esse processo, ocorreram muitos erros, produzidos pelos [gigantes] da Bíblia e da mitologia nórdica. Essas raças viveram ciclos de vida progressivos na época da fabulosa Atlântida. Com a destruição da Atlântida, eles se espalharam pelo mundo e seus atributos mentais e físicos começaram a se degenerar. Sua expectativa de vida diminuiu consideravelmente. Enquanto isso, seus processos mentais no mundo material tornaram-se mais nítidos, [esses poderes de pensamento e percepção sensorial foram adquiridos ao custo de uma perda total de poderes mágicos sobre a natureza e sobre as forças vitais nos organismos humanos], Ravenscroft escreveu. [Com essa perda de poderes intuitivos, os criadores ensinaram aos primeiros humanos, que tudo na Terra era comandado por [divindades] invisíveis e que eles deveriam servir a esses deuses, sem reservas. Acima de tudo, eles foram ensinados a respeitar e proteger a pureza de seu sangue], acrescentou. Hitler expressou esses conceitos em seu infame livro [Minha Luta], escrevendo: [Tribos arianas (...) dominam povos estrangeiros (...) e desenvolvem a capacidade intelectual e de organização latente neles. Frequentemente, ao longo de alguns milênios ou mesmo séculos, eles conseguem criar civilizações que carregam principalmente as marcas de seus inspiradores. (…). No final, entretanto, os conquistadores pecam contra o princípio de preservar a pureza de sua raça, que eles inicialmente respeitaram. Eles começam a se misturar com os nativos e, assim, acabam com sua própria existência. A queda do homem no Paraíso resultou em expulsão]. Neste ponto, nem é preciso dizer se devemos considerar tudo isso como algo cabal. Basta entender que, naquela época, muitas pessoas inteligentes e educadas levavam esses conceitos a sério, e no caso de Hitler, essas ideias tiveram consequências terríveis para milhões de pessoas. É interessante notar que o termo [ariano] [uma palavra de origem sânscrita que significa [nobre]] até a chegada de Hitler era usado apenas como referência aos indivíduos que falavam línguas indo-europeias em vez de referir-se ao conceito de raça. No entanto, tanto em estudos acadêmicos, quanto em ocultismo, o termo também é usado como referência à uma linhagem que falava línguas indo-europeias e que vem de tempos pré-históricos. A origem desses indivíduos era desconhecida, mas devido às características comuns da linguagem, muitos estudiosos acreditam que eles vieram do norte da Europa. Um ramo desses [arianos] está localizado hoje no Iraque e se relaciona a antigas histórias de divindades que vieram do céu. Uma segunda ramificação alcançou a Índia e se misturou à população existente. Eles são mencionados nos Vedas hindus, também em conexão com algumas divindades que se moviam em dispositivos voadores chamados [vimanas]. Tudo começa a soar surpreendentemente semelhante à crença teosófica dos visitantes extraterrestres. Hitler, apoiado por fundos da unidade de Inteligência do Exército do capitão Mayr e pelos fanáticos anticomunistas de Thule por meio de Eckart, rapidamente assumiu o controle do Partido dos Trabalhadores Alemães, que logo chegou a 3.000 membros. Levenda diz que Mayr se reportava a ricos industriais e militares que operavam no Four Seasons Hotel, o que indicaria uma conexão entre a Inteligência Militar e a Sociedade Thule. Em abril de 1920, Hitler mudou o nome do partido para Nationalsozialistiche Deutsche Arbeiterpartei, o Partido Nacional Socialista Alemão do Trabalho, popularmente conhecido pela abreviatura de Partido Nazista. No ano seguinte, o partido adquiriu um jornal, o [Voelkischer Beobachter] [o Observador Racial] com financiamento secreto do exército e colocou Eckart no comando. [No início de 1923, o [Voelkischer Beobachter] foi transformado em jornal e assim, deu a Hitler o que todo partido político alemão precisava, um jornal diário para pregar o evangelho do partido] - escreveu William Shirer. A partir desse momento a máquina nazista começou a avançar de forma imparável. É evidente que os nazistas nunca teriam existido sem a ajuda e o apoio do Reichswehr alemão e da secreta Sociedade Thule. Um estudo dos vinte e cinco pontos levantados em 1920 por Hitler, Drexler e Eckart como os pontos básicos do Partido Nazista, revela que muitos deles são quase idênticos aos ideais apontados pelo marxismo, apresentando uma origem comum ou plágio das ideias de Marx. Eles também incluíram orientações sobre bancos e comércio internacional, especialmente denúncias de [escravidão por juros]. Tal e como já mencionado, o último romance de Bulwer-Lytton, [The Coming Race], foi influente na literatura de ficção científica do século XX. Ele descreve uma raça com poderes superiores que viveu por muito tempo sob a superfície da terra. Eles desenvolveram uma força chamada [Vril] que usavam para efeitos tecnológicos avançados e aparentemente mágicos. Em 1870, Lytton explicou: [Não me referia a Vril para mesmerismo, mas para eletricidade, desenvolvida para usos ainda vagamente adivinhados, e incluindo tudo o que possa haver genuíno no mesmerismo, que considero ser uma mera corrente ramificada daquele grande fluido permeando toda a natureza]. No entanto, [Vril] tornou-se um clichê do ocultismo popular do século 20, assim como a noção de uma terra oca com seus habitantes. Segundo Van Helsing, em seu livro [As sociedades secretas], Karl Haushofer fundou, antes de 1919, uma segunda ordem, os [Irmãos da Luz], que tomou-se mais tarde a [Sociedade Vril]. Nesta, encontravam-se também [Os Mestres da Pedra Negra], uma nova fundação dos templários oriundos da ordem Germânica de 1917 e os Cavaleiros Negros do [Sol Negro], elite da [Sociedade Thule] e da SS. Quando se compara a [Sociedade Vril] com a [Sociedade Thule], a diferença pode resumir-se no seguinte: a [Sociedade Thule] ocupava-se das coisas materiais e políticas, enquanto que a [Sociedade Vril] tinha ocupações referentes sobretudo ao Além. Mas elas tinham, mesmo assim, alguns pontos em comum. As duas estudavam a Atlântida, Thule, [a Ilha dos Bem Aventurados] de Gilgamesh, os relatórios originais entre os germanos e os mesopotâmicos, assim como os antigos santuários como Stonehenge com suas pedras eretas. Em seu livro, Van Helsing postula que foi graças aos entendimentos sobre a palavra Vril, que a Alemanha nazista chegou a construir máquinas avançadas de guerra, uma virilidade [força de vontade] que culminou com a criação de tecnologia sofisticada como os foguetes do tipo V e caças de guerra propulsados por turbinas em vez de simples hélices. Indo além, o cientista mais célebre e nazista convicto, Wernher von Braun, pai do programa espacial da NASA e responsável por levar o homem à lua, denominou à sua mais famosa criação, Saturno V, uma clara alusão à energia Vril [V de Vril] e Saturno como o sexto planeta, em alusão à letra V de Vav [ו] [Vril]. Finalmente temos que [Saturno V] significa VV [6+6=12=3], e como cúmulo de coincidências, foram 6 as missões Apollo bem sucedidas e a única que falhou, levava o número 13, um número considerado fatídico no esoterismo, por valer 4 [1+3=4], sendo o 4 um número que remete aos entendimentos sobre a morte, presentes no portal da letra Dalet [ד].
Perceba que como a base e os fundamentos de todo esoterismo que se preze está na Cabalá, e como esta é puro esoterismo judaico, posso levantar a hipótese de que a perseguição aos judeus e consequente advento do holocausto, teve como pretexto uma limpeza étnica para apoderar-se do esoterismo judaico de forma que ninguém pudesse afirmar no futuro que a base do esoterismo nazista tivesse origem judaica. Talvez por isso os neonazistas afirmam que a Cabalá não é judaica e que, em seus delírios de antissemitismo, afirmam que os judeus roubaram esse conhecimento e passaram a afirmar que sempre foi de origem judaica. Com toda essa informação reunida aqui, o que se entende com claridade é que o [poder] é capaz de mover multidões e de enlouquecer as mentes até mesmo dos intelectuais mais elevados entre toda a humanidade. A palavra [VRIL] entra aqui como um acróstico ou símbolo representativo desse transtorno que o poder provoca nas pessoas e como fórmula secreta que revela como transcender sobre o poder do poder. V.R.I.L. [וריל] é como uma chave, e ainda que os ocultistas do período nazista não conseguiram alcançar esse entendimento, resultando em uma terrível guerra mundial, há sim uma verdade oculta e iluminada atrás dessa terrível história que obscureceu e manchou os significados da virilidade humana. Ser viril é ser capaz de, com uma lança, caçar um animal maior e mais forte que você, utilizando a cabeça, mas sem perder a cabeça, com sabedoria e com a graça de Deus, conduzindo e canalizando essa energia [vril] para a realização da Grande Obra. É fato que novas ordens e pseudo ordens ocultistas e grupos neonazistas continuam existindo em todo o mundo, ainda que muito bem controlados pelos governos, devido ao aprendizado e às profundas cicatrizes deixadas pelo período da WWII, não só centrados no antissemitismo, mas também no ódio a outras religiões, povos e culturas. A mente humana tem uma espécie de defeito, nosso cérebro é como uma teia de aranha, que funciona muito bem, enquanto permanece intocada, mas uma vez que é tocada, gruda uma com a outra e torna-se impossível voltar a colocá-la em sua forma inicial, e assim são as conexões entre nossos neurônios, nosso cérebro cria conexões entre eles e, quanto mais esforço ou foco é colocado em um assunto, maior é a memorização sobre esse assunto, mas isso provoca um efeito colateral bem conhecido, chamado de extremismo, fanatismo ou radicalismo. Por isso afirmo com total certeza, a humanidade não está imune a que outra tragédia de proporções mundiais ocorra, pelo simples fato de que um grupo de pessoas passe a crer que suas ideias são as únicas que valem e as únicas que devem prevalecer e com o qual, todos devem ser submetidos ou morrer. Dito isso, lanço um alerta, pois uma poderosa indústria do fanatismo foi criada e atua nesse exato instante. São as denominadas redes sociais, algo que inicialmente emanava uma sensação de unidade e futuro iluminado para a humanidade, converteu-se no que temos hoje, uma verdadeira fábrica de extremistas. Tudo isso devido a alguns recursos implantados nestas ferramentas, que provocam que o usuário dessas redes sociais vejam apenas o que queiram ver, ao permitir seguir ou deixar de seguir determinados grupos, página, pessoas ou assuntos. O que se logra é a formação de um funil, um filtro de informações, com o qual o usuário passa a ver sempre as mesmas coisas que lhe agradam ou que ele pensa que lhe são agradáveis, mas que dia trás dia, forjam sua mente, perigosamente aproximando-o de um curto-circuito mental, como uma teia que se enreda, e que, sem que ele perceba, acabará por convertê-lo em um fanático extremista ou como mínimo em um alienado, mais escravo que nunca de sua bolha pessoal. Do francês antigo [avril], do latín [Aprīlis], do inglês [April], o quarto mês do calendário gregoriano, tendo 30 dias, descendendo do crioulo haitiano e das ilhas Maurício [avril], do Persa: آوریل [âvrîl], dos anagramas dessa palavra [livra], [rival], [viral] e das expressões como a francesa [poisson d'avril] [primeiro de abril, dia do peixe] a qual, assim como a brasileira [primeiro de abril], significa [dia do tolo] ou [dia da mentira], e a [En avril, ne te découvre pas d'un fil] [Em abril não te descubra nem um cabelo] em alusão ao perigo de achar que já é verão, mas que pode acabar passando frio se sai sem abrigo, e finalmente a expressão espanhola [En abril, lluvias a mil.], em alusão a que abril é o mês que mais chove na Espanha. O mês de abril é também o mês da primavera no hemisfério norte, junto com o final de março e que se estende até o final de junho, e é justamente essa estação do ano, que os povos do hemisfério norte mais conectam com os significados do sexo. Há o ditado espanhol [La primavera la sangre altera], ditado popular que hoje está respaldado pela ciência, que explica que é na primavera que os seres vivos do hemisfério norte voltam a receber a luz do sol em todo seu esplendor, o que provoca um aumento da vitamina D, que está associada à presença de testosterona e endorfinas no sangue e consequente elevação do desejo sexual. Dito tudo isso, a palavra [Avril: A Vril] denota o poder do mês de abril e todos os significados relativos à palavra [Vril] como energia mágica, uma vez que no esoterismo, incluindo a fonte de todo o esoterismo do mundo atual, a Cabalá, e digo mais, indo além e o que é o mesmo, o esoterismo do Egito Antigo, [Vril] é a energia sexual, é a capacidade de produzir os hormônios, que são como elixires mágicos, responsáveis por provocar nos seres vivos a [força de vontade] de viver, por isso tem-se a deusa da beleza, da sensualidade e do amor, Afrodite, do grego antigo [Ἀφροδίτη] [Afrodite] [a Vênus para os romanos], origem da palavra [afrodisíaco], substância capaz de incrementar o desejo sexual, palavra que tem como raiz a África, o que finalmente remete uma vez mais ao Antigo Egito, portanto, remete ao poder ou [força interior] que a humanidade tem de realizar grandes obras. Há um mito tibetano que conta a história de uma cidade subterrânea chamada [Aggartha] ou [Shamballah], cuja população tinha poderes transcendentais como telepatia e conseguinte controle mental sobre a humanidade, mito este muito explorado por escritores ocultistas como o já citado sir Edward Bulwer-Lytton em sua novela onde introduz o conceito da energia Vril. Digo isso para inserir outro entendimento, pois se temos uma origem em um mito que narra as profundezas da Terra, esse assunto remete ao acróstico hermético V.I.T.R.I.O.L., tão utilizado por todas as ordens esotéricas que se prezam, que significa [Visita Interiora Terrae, Rectificando, Invenies Occultum Lapidem] [Visita o Centro da Terra, Retificando-te, encontrarás a Pedra Oculta [ou Pedra Filosofal]], que simboliza o ato de interiorização do homem para descobrir-se a si mesmo e, conhecendo-se, tanto seus defeitos como virtudes, torna-se capaz de realizar grandes obras. |
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| © Lúcio José Patrocínio Filho |










Estou boquiaberto com a sua fantástica exibição de cultura e erudição. Impressionante. Vou precisar reler ałgumas vezes para aprender e apreender o sentido.
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