Sou geburah.
Quando me pergunto quem sou, onde estou e para onde vou, sempre visualizo a árvore da vida da cabalah, e logo posiciono-me na esfera da geburah. Geburah é severidade, é aquele que está na escuridão, mas atua como buscador da Luz. Insaciáveis são aqueles que se encontram ali, sempre esfomeados por conhecimento, ao mesmo tempo em que vociferam palavras de sabedoria e vomitam teologia a todo aquele que lhes molesta o espírito. Tal e como geburah, preciso estar sob o influxo da Luz, amparado, alimentado, saciado, cuidado como uma delicada flor de girassol, a qual sempre busca pela luz, por isso geburah está abaixo da binah, o lugar mais próximo ao espelho do Elevado, um lugar que ao mesmo tempo em que é trevas, recebe da forma mais direta, os raios da energia divina. Para entender quem sou, basta com entender quem não sou, e meu contrário é chesed, a caridosa doadora de Luz, aquela que não precisa ser amparada, aquela que ainda que esteja no abaixo, é capaz de doar toda sua Luz, desprendendo-se de tudo, em um derradeiro ritual de elevação, tal e como o faz um cometa, que ao aproximar-se de uma estrela, derrete-se de amor, doando tudo de si, devolvendo ao universo sua matéria, iluminando-se, aligeirando-se ao aproximar-se do sutil e do belo. Essa é a razão da geburah valer 8, ainda que seu valor seja o 5, pois ao depender da Luz emanada por binah, que vale 3, tem-se o 5+3 que a completa, formando o 8 do amor incondicional, onde é ela quem me ilumina e sou eu quem transforma sua Luz para devolver ao mundo algo belo. A severidade de geburah é sua prova cabal de que se trata de uma peça em formação, sua argila está mole e ainda pode ser moldada, mas como recebe a Luz emanada por binah, seu lugar converte-se na fornalha do artesão, a qual, quando apagada, é escura e fria, e quando aquecida, alcança uma dada temperatura solar, sua argila endurece, forja-se o vaso, e este é preenchido de tudo o que é feio e belo, tal e como o faz a letra beth ב, a qual é portadora do Tudo, e de súbito, abre-se para expurgar todo o elixir que leva dentro, forjando seu novo universo. Geburah busca aprender, e por isso acumula o conhecimento, perde água, enrijece-se, torna-se fria, como um vaso de argila, esquecido na escuridão da caverna, ainda que dentro possa ser capaz de preservar por milênios, delicados pergaminhos, repletos de conhecimento.
Geburah significa “guardar o tesouro”, “acumular riqueza”, o que torna coerente pronunciá-la com B labial, dessa forma a boca fica fechada, ao contrário de quando é pronunciada com V, que ficaria com a boca aberta, deixando o vento fluir para fora ou seja, teologando sobre o hálito do hálito, B é retenção e V é desprendimento, com o qual não faz sentido esotérico pronunciar gevurah.
Aquele que entra na escuridão, sabe que entra para nunca mais libertar-se. É um passo que nunca deve ser dado, mas como viemos da escuridão da beth ב, o verdadeiro passo é aquele que é dado adiante, das trevas para a luz, portanto, ainda que nunca devamos dar um passo em direção à geburah, já nos encontramos ali. Permita-se forjar, converta-se no vaso que logo será usado para matar a sede em chesed. Essa é a razão pela qual geburah é o tesouro, ela é tal e como a letra guimel ג, a qual encontra-se com suas mãos juntas, formando com elas um vaso elevado ao alto, simbolizando recepção, aquele que recebe para guardar, e o que recebe e guarda é a Luz que vem do alto, que vem da binah, que vale o 3 da guimel ג, assim como geburah vale o 5 da hei ה, letra que simboliza uma fornalha que tem uma justa entrada e que simboliza o pequeno e o grande, atuando em conjunto para forjar esse vaso que é chesed, o vaso que doa tudo o que leva dentro, para libertar-se, tal e como o faz um balão, que se escapa da mão de uma criança e que se eleva pela simples sutileza de ser. Lembre-se que todas as luzes do universo giram em torno de buracos negros supermassivos, uma escuridão que a tudo atrai, para logo devolver na forma de energia, que a tudo recria, em um ciclo que parece infinito e que ocorre dentro de um vaso formado pelas mãos do Criador.
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© Lúcio José Patrocínio Filho.

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