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Capítulo VI - Os lobos-solitários aproximam-se

Aço e engenharia alemã, negro pérola como tom, detalhes em verde pastel e letras pardas brigando com o vento forte e cortante. Rompe a madrugada e a neve, seguro e fumegante; captando as luzes das cidades iluminadas. Vai! Conquiste o mundo físico, refletido no espelho cristalino que conduz ao extrafísico. Viajes por florestas e cidades sombrias, e ainda sem ver o caminho, toca a trombeta do aviso. Vai! Conduze lordes e príncipes, e sem esquecer dos mendigos, vai habitar a clausura. Vai! Monstruoso e ao mesmo tempo belo, que os loucos veneram, vai de encontro a ti mesmo, lendário e singelo. Por montanhas e abismos a locomotiva deixa Istambul, com destino a Paris. Dentro do trem há espaço de sobra, as cabinas da primeira classe estão vagas e as demais classes são capazes de instilar solidão nos olhos dos bilheteiros que por ali transitam. O silêncio sufoca; o som cálido dos vagões... Paranóia. Logo adiante, notória e demasiada, a fumaça de charutos cubanos parece não incomodar aos tr...

Capítulo V - Leona entrevista um Lobo

Cinco de fevereiro A neve parou de cair na Cidade Luz. Paris só não está mais linda por causa de um atentado a bomba; ocorrido em uma estação do metrô próximo ao Museu do Louvre. Raio de Fogo caminha pelas ruas meio ressabiado. A cidade não é seu habitat natural. Quase todos os dias ele faz sua caminhada e sempre pára em vitrines que tem televisão ligada. Ambulâncias passam a toda velocidade, o que irrita profundamente ao selvagem Lobo que não suporta sirenes. Leona acha isso estranho e começa a reparar sua predileção por um programa de entrevistas que passa sempre às dezenove horas. Foi neste momento que ela teve uma grande idéia: — É isso! — bateu com a palma da mão em sua testa. Comprou um gravador portátil, pregando nele um adesivo da rede de televisão que exibia o programa de entrevistas. Reparou na maneira de vestir e no corte de cabelo da maioria das jornalistas francesas e copiou cada detalhe. Colocou uma fita no gravador e fez um teste de gravação. Tudo certo! — Claro...

Capítulo IV - A adaga de vidro

02 de fevereiro Marcela ficou indignada, não acreditando em tanta bobagem: — Você não vai cair neste trote, vai? Isso tudo é besteira! Nós temos que terminar os estudos ainda esse ano! — Amiga! — cruzam os olhares —. Não sei se é tudo mentira ou não! Tudo o que sei é que pegarei o próximo avião à Paris e ninguém me impedirá! — ela está obstinada, decidida. — Escute-me, amiga: se você for, ficarei com muita raiva; mas te perdoarei! Deduzo que irá sozinha, mas prometa-me que fará contato comigo, porque se não eu juro que te mato! — Tudo bem! — as duas abraçaram-se —. Eu te adoro! Leona pegou a espada, colocando-a embaixo de sua capa. Um pouco assustada, pensando estar sendo vigiada, entrou no dodge e seguiu rapidamente rumo a um galpão abandonado, na periferia da capital inglesa. Usou a própria espada para forçar a porta de aço, que rompeu com facilidade. Quando estava bem no centro do ambiente vazio e umbroso, abriu uma caixa de sapatos e pegou com cuidado uma pombinha cinza...

Capítulo III - O Mistério da Águia das Montanhas

Sou Richard Brid, um nome elegante e esquecido. Lobo Urbano ; sempre gostei da vida nas cidades e dos entretenimentos tecnológicos que os humanos desenvolvem. A máquina fascina-me, os computadores alucinam-me. Ouço vozes reprovadoras de alguns anciões de minha tribo no que diz respeito a meu modo de vida, entretanto tenho uma única certeza: a de que para destruir uma coisa, antes se faz necessário entendê-la. Empresário bem sucedido na Europa; sempre fui convocado para resolver questões difíceis que eram levantadas nas grandes assembléias de minha tribo, levadas a cabo em grandes centros como Londres, Paris, Madrid, Milão, Berlim ou Istambul. Contudo, faz algum tempo na Bélgica, quando descansava em um Haras de um industrial amigo meu, percebi que meu destino era resolver questões delicadas, não importando a tribo. Era uma manhã radiante e eu estava montado no puro sangue mais adorado por seu criador, o meu amigo Jack. Escarlate era muito inteligente e seu pêlo reluzia sobre a luz ...

Capítulo II - A primeira carta

Meu relógio suíço marcava oito horas da manhã. Era uma segunda-feira ensolarada, algo incabível porque estávamos em pleno inverno, e naquele momento havia apenas uma questão a ser resolvida: o ônibus contratado para levar nosso grupo de universitários até o sítio arqueológico onde realizaríamos aulas práticas de Arqueologia Avançada partiria às nove horas em ponto e eu ainda estava nas dependências da casa de estudantes do Imperial College, uma Universidade inglesa. Desci rapidamente as intermináveis escadas, sendo interrompida pela Senhora Stanley, uma agradável anciã, adoradora de longos diálogos com os estudantes, facilmente encontrada limpando as escadas ou os corredores do prédio. Em verdade eu adoraria poder passar o dia todo filosofando sobre política internacional, assunto que ela parecia dominar com profundidade, contudo naquele momento encontrava-me de certa forma em apuros; malditos ponteiros que não paravam de girar. — Bom dia, Leona! —ela percebia meu andar apressado—. P...