Segredos do Êxodo [1]. Por Sabbah, Roger.

Segredos do Êxodo [1]. 

A Tumba e seus Segredos 

Por Sabbah, Roger.

Tradução: Lúcio José Patrocínio Filho:.

Publicação autorizada pelo escritor.


ÍNDICE


No outono de 1923, Howard Carter estava escavando um local no Vale dos Reis. No dia 4 de novembro do mesmo ano, um de seus trabalhadores fez uma descoberta monumental – um degrau que conduzia à tumba do “jovem faraó”, o Rei Tutancâmon, morto no ano 1322 a.C. .


Notícias do descobrimento espalharam-se por todo o planeta como um barril de pólvora. A mídia, cientistas, políticos e cada homem e mulher nas ruas, ficaram todos hipnotizados por esse magnífico descobrimento arqueológico. Depois de meses de estudo e classificação, todo o conteúdo foi removido da tumba, exceto o sarcófago em granito vermelho no qual a múmia do rei descansava. Os tesouros, objetos de até 3250 anos de idade, foram todos transladados ao Museu do Cairo e expostos aos olhos dos admirados visitantes.


A própria tumba foi aberta aos turistas, os quais amiúde surpreendiam-se por seu pequeno tamanho, quando comparado com outras tumbas do Vale dos Reis.


A tumba foi estudada dos pés à cabeça, mas ainda ocultava muitos dos seus segredos. Na parede leste da câmara funerária, acima dos desenhos de doze sacerdotes segurando o mortuário catafalco, estão oito colunas pintadas com inscrições religiosas. As figuras e inscrições não despertaram grande interesse ao princípio. Recentemente, entretanto, foram devidamente estudadas e verteram nova luz ao período no qual o monoteísmo foi inventado na história humana.


Na parede norte da tumba há uma figura enigmática, portanto a coroa do Egito. Pregada na coroa encontra-se o uraeus – uma cobra domesticada – um antigo símbolo de realeza. O nome desta misteriosa pessoa aparece em dois cartuchos reais colocados sobre sua face. Ele era chamado de O Divino Pai Ai – Faraó Ai. Seu nome está escrito em um hieróglifo duplamente assinado. Pesquisas comprovaram que seu nome, Ai, é o nome de Deus na Bíblia Aramaica, Yud-Yud יי, a qual é nossa fonte primordial para o Velho Testamento.



Pesquisadores perceberam que alguns dos objetos encontrados na tumba guardavam uma estreita semelhança aos artigos mencionados na Bíblia egípcia. Um exemplo disso encontra-se na entrada da sala do tesouro, sentado sobre um baú do tesouro com polias de madeira, uma estátua do Deus Chacal, Anúbis, guardião da tumba de Tutancâmon. O chacal e o baú estavam cobertos por um xale de linho com franjas, “adornado com uma dupla trança de lótus azul, recordando as faixas azuis do talit com o tsitsit, o xale de franjas de oração dos hebreus. O baú de polia de madeira esculpida, folheado a ouro por dentro e por fora, relembra, em sua forma e concepção religiosa, a Arca da Aliança.


A câmara funerária de Tutancâmon suporta quatro compartimentos superpostos, um dentro do outro. Os compartimentos estão cobertos por um enorme tecido de linho, colocado em uma folha de madeira, dando um ar de tenda ou tabernáculo ao objeto como um todo. Na época da descoberta, esta folha foi comparada com o tabernáculo do Velho Testamento, o Sanctum Sanctorum, construído de madeira dourada e portador da Arca da Aliança.



Quando Howard Carter abriu o terceiro compartimento, ele percebeu em um de seus painéis laterais dois anjos com suas asas levantadas para cima, análoga aos anjos colocados na Arca Sagrada da história bíblica. Eles estão reproduzidos em duas portas seladas do quarto e último compartimento, assim como na tampa do corpo da máscara dourada.


Esse e outros achados arqueológicos provocaram pesquisas, ambas no período de suas descobertas, e ainda mais recentemente, por considerar que a arqueologia egípcia pode verter muita luz nas escrituras hebraicas. Na tumba do Rei Tutancâmon há indicações de que a história bíblica do êxodo possui conexões muito próximas às crenças religiosas egípcias do que formalmente podia-se acreditar.


O Livro do Êxodo fala de um povo chamado de “Hebreus”. Muito é conhecido da história egípcia, ainda não existe uma descrição de um povo chamado de Hebreus. De fato, não há nada sobre qualquer êxodo do país de qualquer grupo de escravos. Historiadores e arqueólogos têm investigado em vão por vários prismas que o êxodo descrito na bíblia tenha ocorrido.


Na história bíblica do êxodo, o faraó egípcio nunca é mencionado por nome. Ele é descrito como “aquele que nunca conheceu José”.



Ele acreditava que os escravos hebreus eram “mais numerosos e fortes” que os egípcios:


“Vinde, usemos de astúcia para com ele; quiçá se multiplique e aconteça que, havendo guerra, se una também ele com os nossos inimigos, peleje contra nós e suba da terra.” (Bíblia Hebraica, A Lei de Moisés-Torá, Ed. Sêfer, Êxodo 1:10).


A Bíblia indica que há dois tipos de povos no Egito ao mesmo tempo: os egípcios e os hebreus (Filhos de Israel). O Faraó não tem medo dos hebreus enquanto eles sejam menores em número. Seu maior medo é que ele perca sua força de trabalho que tanto necessita.


Consciente do perigo demográfico do crescimento da população escrava, decide tomar uma medida radical. Ele decide que todos os primogênitos hebreus sejam mortos. Temendo a Deus, mais do que temem ao Faraó, as parteiras recusam tal ordem.


Então, o Faraó ordena que o povo lance os primogênitos hebreus no rio. Aqui é onde a história de Moisés começa.


Resgatado das águas do rio Nilo pela filha do Faraó, “ele torna-se seu filho”. Um dia, Moisés mata um egípcio que maltratava um hebreu. Outro dia, aparta a briga entre dois hebreus. O medo de ver-se a si mesmo denunciado por um dos que provocaram a briga causou sua ascensão na terra de Midiã. Lá, ele casou-se com Zipporá, uma das sete filhas de Jetro, o sumo sacerdote de Midiã. Depois do milagre da Sarça Ardente, a mão leprosa e o báculo que se transformou em serpente, Moisés retornou ao Egito e uniu-se a seu irmão Aarão.


Juntos aproximaram-se do Faraó, o qual recusou deixar que os hebreus fossem embora. Sucedeu um dilúvio de pragas. As dez pragas, trazendo a morte dos primogênitos dos egípcios, subjugando o Faraó. O rei derrotado do Egito rendeu-se e permitiu ao povo partir. Entretanto, pediu a Moisés e a Aarão para abençoá-lo primeiro.


Aqui começa a história do grande êxodo rumo à Terra Prometida. A história a qual todos conhecem, traça uma travessia pelo Mar Vermelho, vagando pelo deserto do Sinai, o presente das Tábuas da Lei a Moisés, a Arca da Aliança, o Tabernáculo, o episódio do Bezerro de Ouro e a rebelião do povo comum. Depois de quarenta anos vagando pelo deserto, e após a morte de Moisés e Aarão, a conquista, a tanto tempo esperada pelo povo hebreu, finalmente começa com a captura de Jericó. De aí em diante todas as cidades dos Canaanitas [Cananeus] submeteram-se ao poderio do exército de Josué.


Essa é a história que é tão familiar aos Judeus, Cristãos e Muçulmanos. Essa é a história do coração do conflito continuado entre Israel e Palestina no ano 2000 d.C.. Devido às diferentes versões dessa história, é necessário que coloquemos nossa atenção na arqueologia e na história que nos conta sobre uma cidade localizada no Egito em 1350 a.C.. Para entender essa versão alternativa da história do Êxodo, precisamos investir um tempo de leitura sobre essa incrível cidade antiga.



À direita, o Faraó Ai

À direita, o Faraó Ai, com seu manto de pele de jaguar, em alusão ao manto bíblico de Nemrod.


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© Lúcio José Patrocínio Filho.

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