Filosofando com... Carlos Brasílio Conte.

Filosofando com... Carlos Brasílio Conte.

Por Lúcio José Patrocínio Filho:.

“Juro por aquele que nos revelou a Tetráktis, fonte e raiz da eterna natureza.”

Conhecida como a figura mais sagrada do pitagorismo, forma um triângulo equilátero com 10 pedras dispostas na sequência 4, 3, 2, 1, cuja soma resulta no número perfeito, aquele que contém todos os outros ou seja, o número 1, pois 4+3+2+1 = 10 = 1+0 = 1 = Alef [א] que é igual a 26 = 2+6 = 8, o número símbolo do infinito. Arquitas de Tarento afirmava que tal figura era o símbolo dos supremos processos e forças do Cosmos, a chave de todas as proporções harmônicas. Sobre ela os iniciados da escola de Krotona prestavam um juramento: nunca revelarei seus mistérios sagrados aos não iniciados.

A Tetráktis revela os intervalos das oitavas musicais, o diapente e o diatessăron. É provável que Pitágoras tenha-se inspirado no som de sua Lira para dar vida ao símbolo dos símbolos pitagóricos e seus segredos assemelham-se aos da Árvore da Vida da Cabala.

Em sua geometria ocultam-se figuras de importância esotérica. A mais óbvia é o triângulo, o qual representa a trindade, o Pai, Filho e Espírito Santo do Cristianismo; Ísis, Osíris e Hórus dos Mistérios Egípcios; Brahma, Vishnu e Shiva no Hinduísmo (ver Trimúrti); Sabedoria, Beleza e Força da Arte Real. Outra figura é o hexágono, figura da qual origina-se a Estrela de Seis Pontas, a Estrela do Rei Salomão ou Hexagrama. Tal estrela é formada pela união de dois triângulos invertidos, o superior e o inferior, o espírito e a matéria, e faz analogia com a pedra cúbica, ideal de perfeição, que por sua vez é análoga à cruz, que é a decomposição do cubo em seis faces. Os nove triângulos menores fazem 3x3, a saudação universal. Os três triângulos entrelaçados representam as grandes luzes iniciáticas, e o triângulo com seu ponto central representa o sol refletindo-se na Grande Pirâmide de Quéops, a Luz do Criador. Em outra analogia, um retângulo 2x1 possui diagonal valor raiz de 5, o que torna seu ponto central um encontro entre duas diagonais de valores irracionais. Essa mesma diagonal é encontrada entre o triângulo e o retângulo 2x1 superpostos, o que reforça a simbologia do ponto de maior transcendência no Templo, pois os números irracionais são considerados divinos, e é com raiz de 5 que se alcança o número áureo.

O número 1 ou ponto é a origem de tudo. O 2 é a linha reta, é o ponto em movimento ou sua extensão, é a dualidade, a polaridade e a soma dos opostos. O 3 é a linha em movimento e sua extensão, é a tríade: inteligência, vontade e amor. O 4 é o tetraedro, o início da tridimensionalidade e os quatro elementos. Representa aquele que possui apenas virtudes e como um anjo regressa ao Criador. ∆

tetraktis
Scuola di Atene. Pintura de Rafael, 1509-1511.
Detalhe da prancheta com o símbolo da Tetráktis de Pitágoras.



Bibliografia:
Brasílio Conte, Carlos - Pitágoras - Ciência e Magia na Antiga Grécia.


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© Lúcio José Patrocínio Filho.

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