O Livro dos Mortos e a Justiça Divina.

O Livro dos Mortos e a Justiça Divina.

Por Lúcio José Patrocínio Filho:.


No Templo dos mais altos graus daquela discreta Ordem das Ordens milenares, no décimo terceiro grau definitivamente Templário e trigésimo primeiro grau Antigo e Aceito e único grau da sétima classe de Dalchó[1], Tribunal da Ordem, de profunda ritualística iniciática, grau dos graus esotéricos, ao brindar a oportunidade de alcançar uma dada elevação consciencial e espiritual, por sua ligação com os ritos egípcios descritos no Livro dos Mortos, algo como uma recompensa à vontade do Cavaleiro Sagrado, de manter-se no caminho da Lei Universal, o caminho da evolução descrito por Bongard[2], Templo da guematria[3] esotérica dos números nove e dez, em representação ao Triplo Triângulo e à Tetractys[4] dos pitagóricos; nove ou dez Grandes Inspetores Comendadores deveriam estar reunidos para julgar um mal adepto, o qual se auto intitulava juiz, filósofo e desconhecido. Entretanto, dado que a palavra “julgar” contém cinco sentidos – supor, considerar, avaliar, decidir e sentenciar –, cinco inquisidores estavam presentes, provenientes de Roma, Constantinopla, Antioquia, Alexandria e Jerusalém, escolhidos por aqueles que dirigem e organizam a Ordem nos graus mais elevados, justamente por serem considerados justos, Grandes Inspetores Comendadores, juízes e filósofos desconhecidos.

O mal adepto está diante do juiz de Roma e é este o primeiro juiz que lhe lança uma pergunta:

– ¿Acaso não lhe foi dito que se honra em primeiro lugar os deuses imortais, tal e como ordenado pela lei?

– Deve-se ter piedade para com a causa divina. A piedade é o pilar de todas as virtudes. Ora, se estamos em um sendeiro evolutivo e cada ser vive sua própria realidade com respeito a seu estágio evolutivo; é mister afirmar que não estamos todos atravessando o oceano da vida em um mesmo barco, como se estivéssemos na arca de Noé. Individualmente, cada ser está levando a cabo sua Obra a seu ritmo, e seu processo evolutivo será afetado ainda pelos fenômenos caóticos do mundo, podendo inclusive perder a cabeça e até regredir. Quiçá seja essa a razão da raridade da presença de consciências elevadas no mundo fenomênico. É que são conscientes dessa premissa de que podem perder o juízo aqui na Terra; perder tudo o que conquistaram em todas as suas vindas de todas as eras; todos os trabalhos ao longo da metempsicose[5] estariam sendo colocados em risco. Por isso está dito que “deve-se ter piedade para com a causa divina”. 

– ¿Como ousa, um mal adepto, discursar sobre a piedade? Acaso pensa que alcançou os mais elevados degraus, e que se tornou um imortal? – interrompe-lhe o juiz de Antioquia.

– É mister afirmar que há uma escada, que seus pés tocam a terra, e que sua ponta acaricia a Luz divina. E como cada ser evolutivo vai por seu degrau; e como fomos feitos à sua imagem e semelhança – enquanto Adão primordial –, podemos também afirmar que somos todos deuses, que todos algum dia chegaremos lá. É mister honrar os deuses deste universo, e assim estaremos honrando a nós mesmos. É a razão pela qual em muitas ordens iniciáticas a palavra percorre um sendeiro ascendente. É como se ali houvesse uma escada na qual todos trabalham no sentido de subir tal escada, respeitando os graus e as condições de cada um. É mister reconhecer e honrar a todos e cada um dos que percorrem esta escada, respeitando sempre o grau evolutivo de cada um; e isso é obedecer a lei divina e é honrar o próprio mecanismo do Universo. O Eterno não teve começo e não terá fim. O imortal teve começo e não terá fim. Assim D’us é eterno e todo o resto é imortal, pois surgiram do 1 e trabalham para regressar a esse 1 na eternidade. 

– ¿Mas e aqueles que, como você, não estão subindo esta escada? Aqueles que ora recordam de D’us e dos degraus superiores, ora se esquecem completamente de tudo e rolam escada abaixo. Esses são os deuses mortais, que morrem para a vida divina, afastando-se de D’us e caindo na morte cíclica da metempsicose. ¿Acaso você refletiu sobre a morte? ¿Acaso crê ser mais leve que a pluma do avestruz?

– Imagine que você acaba de morrer. Imagine que pela razão que seja, seu coração acaba de parar de bater e sua alma deixa seu corpo. Eis que aparece então uma luz no fim de um túnel; a tão relatada visão daqueles que estiveram à beira da morte. ¿O que você faria? ¿Ficaria parado esperando algo acontecer ou seguiria o caminho traçado em direção à luz? Detenha-se um momento, justo e perfeito irmão de Roma, detenha-se e medite sobre esse acontecimento, o qual todos estamos fadados a vivenciar.

Depois de uma pausa indigesta, como se cada um estivesse olhando-se no espelho, o réu continuou a falar:

– A reencarnação ou como diziam os pitagóricos, a metempsicose, é um mecanismo de segundas chances, que atua na base da escada para dar uma nova oportunidade àqueles de pouca memória para com as coisas de D’us. Ora, a base da escada está no mundo fenomênico, mundo este que tem como rei, aquele que traz o anoitecer[6]. Porquanto, a luz vista por aqueles que tiveram uma dada experiência de quase morte, nada mais é que o Portador da Luz, mostrando o caminho que conduz à sua metempsicose, confirmando que esta alma está caída e que, portanto, deverá renascer.  Aquele que veja dita luz, não deveria ficar aterrorizado, pois ele seguindo-a ou não, acabará por renascer, já que o fato de estar vendo tal luz, implica que sua alma não está preparada para a justiça divina, simbolizada pelo número nove, mas sim que, vivencia uma espécie de justiça comum, simbolizada pelo número quatro.

– ¿Acaso crê que compreende tudo sobre a morte? ¡Não podemos corroborar com tamanha ignorância! 

– Não é a morte quem deve ser compreendida, querido romano, mas sim a privação do bem-estar, pois a morte da essência racional é a ignorância e a impiedade a que a alma será submetida ao ter que renascer, causando uma desordem mental que a sujeitará novamente às paixões. Uma vez mais devemos citar o adágio ocultista que diz que: “Não é possível regressar ao criador por meio da ignorância”. E é essa ignorância do que é bom, que fará com que a alma precipite na escravidão do que é mau, da qual somente poderá libertar-se pelo retorno à Inteligência de D’us, por meio do exercício do “recordo de si”. Será por meio desta reminiscência ou seja, por este trabalho de recordar todos os seus atos, não só da presente vida, senão de todas as vidas, que a libertará, e assim, finalmente será julgada pela justiça divina, não mais tendo que regressar ao mundo fenomênico. 

O juiz de Alexandria interrompe suas palavras. Intrigado, questiona:

– ¿Mas o que acontece depois que a alma deixa o corpo e não mais tem que regressar? 

– Essa resposta não a temos aqui no mundo físico, pois aqueles que foram, não regressaram amiúde. Contudo, pode-se tentar elevar os pensamentos e arriscar-se na elaboração de um raciocínio que tente explicar o que acontece ali. 

– Não me diga que seguirá buscando sua inocência na numerologia do pitagorismo. – zombou-lhe o juiz de Constantinopla.

– Ora, se tudo são números e todos tendem a regressar ao 1, logo, cada degrau da escada possui uma numeração, sua ordem é decrescente e o último degrau é o 1.  O fato do caminho evolutivo ser representado por uma escada, não significa que regressar ao criador seja um caminho ascendente, trata-se de mera representação para que se compreenda mais facilmente os conhecimentos vertidos em cada degrau do caminho. Portanto, é mister afirmar que o caminho dos que se tornaram deuses imortais é uma contagem regressiva que termina no 1, que simboliza o Criador e que não é um número senão todos em um. Pode-se afirmar também, que o último degrau não será o zero, pois é sabido que esse número simboliza o vazio absoluto do antes da criação do mundo fenomênico ou seja, que o zero simboliza o tudo que era D’us antes que Ele cedesse espaço de Si para que pudesse existir nosso mundo. Logo, a expressão “Morreu, acabou.” é falsa, pois não há a possibilidade de regressar no tempo, para o antes da criação do mundo, para deixar de existir. E isso desemboca na conclusão de que para deixarmos de existir seria necessário que D’us voltasse a ser esse tudo do antes da criação, voltar a ser o zero, o que jogaria por terra toda a teoria da evolução espiritual, pois: ¿Para quê tudo isso, se o objetivo final fosse voltar a ser o nada absoluto?

– Aqui somos nós quem fazemos as perguntas. – intercedeu o juiz de Roma. – ¿Por que se acredita inocente das acusações? ¿Por que esta crença em sua libertação?

– Meu verso vai além da prática da tolerância para com as crenças. Ensina que a elevação é conseguida por meio da purificação constante da vontade, pelo entendimento e pelo amor. É o que ensina o acrônimo alquímico e hermético: V.I.T.R.I.O.L., tão visto nas paredes das câmaras iniciáticas de qualquer templo esotérico que se preze: é revisitar-se constantemente até alcançar a transfiguração. A liberdade depende disto para ser perfeita, pois sem este preceito, desembocará no mal e na escravidão do mundo. É a conquista da liberdade no 3, aliada à saúde do conhecimento do 7, ao amor verdadeiro do 8, quebrando as algemas da dualidade do 2, com a ajuda do par de opostos no 5, ambos retificados no 6, para finalmente serem julgados na justiça divina do 9 e não pela justiça comum do 4, finalmente retornando ao 1.

– Sua numerologia não vai salvá-lo de uma justa condenação. ¿Acaso se crê um pitagórico?

– A via iniciática não é para todos; e os pitagóricos sabiam disto. Não seria prudente sair pelo mundo vociferando o conhecimento pitagórico como se fosse o rei da verdade, afirmando que: “¡Vossa crença prega o medo! ¡Não praticais o mal porque temeis os castigos de D’us e, praticais o bem no intuito de obterdes vantagens! ¡Há sim outro caminho!”. Tal ato serviria apenas para fomentar o ateísmo, cujas consequências sabemos serem nefastas ao longo da história. Deve-se então estar preparado para ser capaz de entender o conhecimento verdadeiro do sendeiro que leva ao 1. 

– ¡Basta! – raivoso, o juiz de Constantinopla é tomado por uma súbita ira que lhe sai de dentro – !Números, números, números¡ ¿Por que tanta veneração pelo número 1?

– Porque honrar a D’us com perfeição é tornar minha alma à Sua imagem e semelhança, e segundo essa máxima pitagórica, a honra que se presta Àquele que nada necessita, consiste em receber os dons concedidos por Ele, pois não se honra a D’us pedindo-Lhe coisas, dando-Lhe coisas, dando-Lhe palavras de agradecimento ou realizando sacrifícios, mas sim, tornando-se digno de receber tais dons. Todo ato perfectivo deve ser ofertado a D’us, não na forma de agradecimento, mas na aceitação do dom merecido e fazendo bom uso dele. 

– ¡Mas há testemunhas que relatam suas ações! ¿Como você pode defender-se de tais acusações? – perguntou-lhe o juiz de Roma.

– Deve-se ter em conta que estamos no mundo dos fenômenos, ao mesmo tempo em que flertamos com o extra-físico. Desde esta perspectiva esotérica de causalidade, tornar-se-ia válida a realização de um ato físico, de vontade, que provoque um fenômeno de conexão ou de confirmação das intenções da alma no mundo fenomênico, o que validaria o ato de agradecimento e de realização de sacrifícios, validaria até mesmo o ato de não usar o nome de “D’us” em vão. Há uma inteligência no ato de honrar a D’us e há a necessidade de alcançar uma compreensão teológica dos porquês dos atos de agradecimento e de sacrifício, pois do contrário, tem-se apenas um simples hábito. Este é o verdadeiro culto pitagórico que respeita todas as crenças e respeita o grau de cada um. É a intencionalidade da oferta o que será valorado, pois a piedade é agradável a D’us. 

– Peço que respeite seu juramento e honre os presentes neste Templo das Virtudes. – disse o romano. 

– Os pitagóricos afirmavam que se deve respeitar o juramento e honrar os ilustres heróis. A virtude de D’us é Lei e com ela opera todas as coisas por igual no tempo e no espaço. Jurar perante a Lei é um ato de fé; é o aceitar receber a Luz divina, mas para que isso ocorra será necessário um ato físico, uma confirmação material, tal e como pegar uma vela e acendê-la com um fósforo. É perceber que se está na escuridão, que se deseja a Luz, mas que se está ciente de que não basta só a vontade, pois deverá realizar este ato físico de acender a vela, para demonstrar sua vontade, seu entendimento e seu amor para com D’us. 

– ¿E por que você acendeu sua vela? – o juiz de Jerusalém, sussurrando, pergunta.

– Ora, quando se jura perante a Lei, recebe-se a Luz, e a partir do momento em que se é iluminado, passa-se a ter sombra, pois toda luz gera uma sombra. Logo, para que um juramento seja válido, deve ser cometido perante a Lei divina, pois a virtude divina, sua Luz, será a única capaz de validar tal juramento, ao permitir que aquele que realiza o ato, veja sua própria sombra. A Lei divina pode ser representada pelo objeto físico mais elevado de uma sociedade, como exemplos podemos citar a Bíblia, a Torá ou qualquer outro símbolo do divino, como o faziam os pitagóricos ao colocar a mão sobre a Tetractys.

O juiz de Jerusalém, tece uma breve explanação e pergunta:

– Com efeito, o juramento divino coloca todos no caminho, mas não lhes priva da liberdade, com o qual podem chegar a perderem-se pelo caminho. Aqueles que se perdem, violam o juramento e afastam-se de D’us, os que permanecem, honram seu juramento e honram a D’us; e a cada instante estão mais próximos do Criador. ¿Você concorda, que o caminho nisto consiste?

– Em uma visão macrocósmica, honrar o juramento é observar-se em cada ato que realiza, certificando estar em consonância com as virtudes divinas. Já no microcosmos deve-se atuar com as virtudes e com elas não permitir que os deuses internos atuem por encima da razão, pois o caminho consiste nisto.

– Poucos são os que percorrem o caminho. Então ¿por que deveríamos crer no juramento de um comum? – questionou, o juiz de Constantinopla.

– Na vida profana o juramento é praticado amiúde. Tais juramentos são realizados com a mão direita sobre o Livro da Lei, que geralmente é a bíblia da religião mais atuante no país. 

– Mas, ¿por que esses juramentos são feitos sob a Lei divina? – enfatizou, o juiz. 

– Ora, sabe-se que em um julgamento, as palavras declaradas pelo réu poderão e serão usadas em contra ou a seu favor, com o qual espera-se que a verdade aflore desde sua própria língua, quando os contrastes entre o dito e as provas, delatem a força de sua moral. O homem que atua sempre com a verdade por diante, tem uma força inquebrantável, sua moral faz-se reconhecer perante todos e isto fortalece sua credibilidade. A mentira logo é desmascarada e destrói todos os argumentos do mentiroso, o qual perde toda a sua credibilidade. Será então a justiça divina, caindo sobre o réu, pois jurou dizer a verdade perante D’us e mentiu. Logo, é ele quem se entrega, arrependendo-se de sua traição para com seu juramento divino. É o arrependimento de sua alma no espiritual, o que provoca seu arrependimento no material, portanto, o juramento escapa da esfera do “crer”, pois a alma sabe da existência do Criador. A própria reticência no jurar, coloca em cheque a minha moral, assim como o juramento fácil fará com que eu caia mais facilmente no perjúrio.

– ¿Você acha que isso será suficiente para libertar sua alma?

– Este pensamento pode levar a explicar o porquê dos suicídios. É a alma, quando entende que o corpo não tem mais remédio e desprende-se dele para não terminar corrompida pela doença do corpo no mundo fenomênico. Os juramentos iniciáticos ganharam má fama, pois aceitar ter o pescoço cortado, caso falte com o juramento, pode ser interpretado como algo terrível e diabólico, fato é que existem até conjuros para desfazer tais juramentos, afirmando não serem coisas de D’us. É o desconhecimento, aliado ao medo que leva à ira, que por sua vez leva ao ódio, para finalmente culminar no sofrimento. É confirmar que a ignorância dói.

– ¿Acaso afirma que somos ignorantes para julgá-lo? ¿Acaso perdeu a prudência? – vociferou o juiz de Constantinopla.

– Aquele que honra constantemente seu juramento, que não se exalta com qualquer ato e utiliza a prudência a seu favor, fortalece seu espírito e seu vínculo com a alma que deixa-se levar pelos bons costumes, colocando-se em movimento no sentido de contribuir para a plena realização da Grande Obra. O juramento então, não será como uma arma a ser utilizada contra ele mesmo, mas sim, como uma ferramenta de despertar constante, recordando-o de seu desígnio maior, que nada mais é que o de permanecer caminhando pelo sendeiro. Honrar e respeitar o juramento, torna-o sagrado e fortalece a egrégora formada por aqueles que já juraram e agora testemunham tal acontecimento. 

– ¿Acaso crê na existência de alguma egrégora, neste julgamento? A única energia que nos move, vai em direção à sua condenação. – afirmou, o juiz de Constantinopla.

– Uma egrégora é formada pela vontade e o amor dos seres em reunião. Ora, se há um caminho de regresso ao Criador, se este caminho é como uma escada, na qual, cada degrau tem seu número em ordem decrescente, até alcançar o 1, que não é um número senão todos em um, se o caminho está repleto de seres, cada um em seu degrau, e se todos eles geram egrégoras, enquanto juntos compartilham da Luz divina, é mister afirmar que toda egrégora funciona como um vórtice de energia, que conecta todas as egrégoras pelo caminho, tal e como está dito no conhecimento egípcio: “O que está acima é como o que está abaixo. O que está dentro é como o que está fora.” É mister afirmar que entre todos os seres há uma gravidade que os atrai. Esta força é claramente percebida no mundo físico, basta observar as cidades dos homens, os animais vivendo em bandos, as plantas que não prosperam vivendo sozinhas. Infindáveis estudos esotéricos não cansam de afirmar que somos todos “um”. Será esta percepção de unidade o que nos fará reunir, e esta tendência repete-se ao longo do caminho. Somos seres caminhando em grupos pelo sendeiro, retificando-nos uns aos outros, quando necessário, e esta gravidade, que a todos atrai, chama-se “amor”. 

– Você está sendo acusado de desonra, de romper com os graus iniciáticos. – disse o juiz de Antioquia.

– Deve-se honrar a D’us e honrar os seres que persistem neste sendeiro. Estes seres de bondade serão honrados, respeitando os degraus em que se encontram e reconhecendo a elevada sutileza de suas virtudes. Um exemplo deste “honrar” está nos rituais das ordens iniciáticas, onde a palavra circula em sentido horário - acompanhando o movimento da egrégora - e vai subindo os degraus até alcançar a posição dos mestres mais venerados, os quais terão a última palavra. Deste modo são honrados os graus e as condições de cada um. 

– Algo falha neste julgamento. ¿Quem está ocultando a verdade? – exaltou-se, o juiz de Alexandria.

– Minhas palavras ocultam sim uma verdade, a de que uma vez alcançado um degrau muito próximo ao Criador, já não há retorno, deixa-se de ser um deus mortal, vulnerável à lei do retorno, para ser um deus imortal; aquele que gravita muito perto da Luz, portanto, sua sombra em muito foi reduzida, suas virtudes em muito aperfeiçoadas, e sua memória nunca se esquece de D’us ou seja, nunca tende ao vício e ao esquecimento, porque aqueles de boa memória, nunca se esquecem de D’us.

– Você também está sendo acusado de bruxaria. ¿Você prestou culto aos demônios? – e gritou - ¡Mostre-nos sua verdade!

E sussurrando como se estivesse contando um precioso segredo, defende-se do que lhe é acusado:

– Respeite também os demônios terrestres, prestando-lhes o culto que lhes é legitimamente devido. Quão raro é que um ser elevado, decida por voltar a provar do livre-arbítrio; submeter-se às paixões do mundo dos mortais. Não fosse o verdadeiro valor que implica esta oportunidade, nunca se arriscaria o pescoço esotérico, tão elevado é o risco de perder-se o juízo e converter-se em um malvado demônio, tomado pela loucura. – e enfatiza, sem perder a cordura – ¿O que traz mais desonra, ser um ignorante ou um sábio caído? Meu verso não trata das almas que encontraram o belo na verdade e na virtude, na ciência e na Luz, e que por perderem o juízo, caíram. Não se deve confundir os anjos com os demônios. Ambos são sábios, mas percorrem caminhos distintos. No meu verso, “demônios terrestres” são os que alcançaram uma dada perfeição divina, mas que, ao contrário de transcenderem ao mundo dos deuses imortais, retornam ao mundo dos fenômenos. O respeito e o culto a esses seres, que já pertencem às ordens divinas, mas que ainda encontram-se entre os mortais, será uma forma de proteção, de amparo que se lhes deve dar, para que possam concluir suas obras com a máxima serenidade. É algo como reconhecer o talento de um artista e financiá-lo, por admiração e respeito à sua pessoa e ao seu trabalho, mesmo sabendo que suas obras ainda não valem nada. Essa propensão em proteger os bons, pode fazer com que se cometam equívocos. Não é necessário ir longe, basta observar na política, onde pensando serem anjos predestinados, elegem verdadeiros demônios, estes sim, anjos caídos. O ato de honrar é hierárquico, onde as honras menores são dadas aos cheios de sabedoria e virtude, que percorrem o caminho, e as honras maiores aos deuses imortais que orbitam a esfera de D’us. Todas essas honras são dadas a eles porque reconhece-se neles a presença de D’us. É o neófito, que depois de passar por todas as provas de purificação interna está pronto para ser iniciado.

– Observo a justiça em tuas ações e em tuas palavras. Você demonstra ter o hábito de nunca agir impensadamente, sem regra e sem razão. Mas peço que faça uma reflexão, que pelo destino é ordenado a todos os homens morrer. – falou o juiz de Jerusalém.

– Aquele que a todo momento medita, coloca-se um passo adiante dos demais, em todas as situações de seu dia-a-dia, pois suas palavras e ações serão sempre justas, ao serem desprovidas de loucura, de covardia, de intemperança e de avareza. Porquanto, não poderá ser injusto, porque suas palavras e ações estarão sempre pautadas na mais sublime dentre todas as virtudes, que é a justiça – todos os juízes aprovam, movendo a cabeça positivamente –. Embora a meditação tenha como objetivo, lograr um estado de lucidez suficiente, que o conduza à obtenção da justiça em suas palavras e ações, o ato de meditar, que significa colocar-se em conexão com o Criador e, como diria Platão, “inibir sua alma concupiscível”, faz com que suas palavras e ações sejam prudentes, justas e perfeitas, algo parecido com uma espécie de justiça divina.

– ¿E por que é tão importante a prudência e a inteligência? – perguntou o alexandrino.

– Com a prudência e a inteligência, o homem adquire a coragem a e temperança para finalmente alcançar a justiça. O prudente utiliza da razão para enxergar o melhor em cada alma e assim tornar justas suas palavras e ações, pois a prudência é a pedra fundamental sobre a qual está erigido o pilar da razão, que sustenta o edifício que conforma todas as suas qualidades e o protege das intempéries da cólera e da cupidez. Transcendendo as virtudes sobre os vícios, a justiça extrai das virtudes da alma os elementos necessários para adornar o pilar da razão. O equilíbrio da balança da justiça só pode ser logrado quando a razão esteja presente em todos os percalços da vida, com a prudência prevalecendo sobre todas as palavras e ações, para que assim todos os pensamentos sejam retos e a piedade para com os deuses seja mantida. 

– ¿E por que deveríamos concluir que está provido da razão? e que, portanto, deveríamos ter piedade de vossa alma. – argumentou o juiz de Jerusalém.

– Os desprovidos de razão, não sintonizam com as pessoas que o rodeiam, e muito menos sintonizam-se com os deuses. É como uma doença da alma, corroendo seus corpos físicos e fugindo da morte, possuídos pelo desejo de permanecer neste mundo, para acumular mais e mais riquezas materiais, desperdiçando a vida em uma senda repleta de injustiças para com o homem e impiedade para com os deuses. O justo cultiva as virtudes e por isso é corajoso e não sofre perante a morte, pois somente adquire o que é honesto e belo e por isto é desprendido de todo mal, porquanto, unicamente praticará o bem a si mesmo e ao próximo, pois visitando seu interior, conheceu sua alma concupiscível e a retificou, convertendo-a em um cubo de virtudes, aquela mesma pedra oculta, que tanto anseiam os filósofos e alquimistas. Tal e como dito no verso pitagórico, “Conhece-te a ti mesmo e respeita-te a ti mesmo.”.

– É chegada a hora de praticar a justiça. – comentou o juiz de Roma – ¿Algo mais, para falar? – tremulou sua língua. 

– Exaltado é aquele que, com prudência pratica a justiça. Pesando sempre suas palavras, nunca pronunciará blasfêmias, por mais difícil e doloroso que possa ser seu instante. E essa dor, e essa dificuldade, nunca o impelirá a agir com injustiça, portanto nunca arrebatará os bens do próximo, ou fará dano algum a qualquer pessoa, mantendo assim intacta a justiça em suas ações e em sua alma. Não há meio termo, não há como ser justo com uns e injusto com outros, ora pratica a prudência, ora não. “O hábito faz o monge”, e esta máxima demonstra que somente será justo aquele que cultiva suas virtudes em todos os momentos. Por isso no verso está dito “e não te acostumes a comportares-te em nada sem razão”, porque de não fazê-lo com justiça, sempre, perde-se o hábito e cai novamente nos vícios da intemperança, da imprudência, da covardia e da avareza, o que conduzirá inexoravelmente ao mundo das injustiças, das palavras e ações equivocadas e prejudiciais a si próprio e ao próximo.

– ¡Quanta insolência! ¿Como ousa acusar de imprudência, os Grandes Juízes e Filósofos Desconhecidos? 

– A prudência, a temperança, a coragem, e a justiça como a mais valiosa virtude pitagórica. Em seus versos, Pitágoras coloca sobre a mesa, quatro virtudes, que são como ferramentas práticas para moderar as paixões e praticar o bem. A pedra angular do pitagorismo é a liberdade. As virtudes libertam, os vícios escravizam, nisto estamos todos de acordo. As paixões estão no âmbito das necessidades físicas, e como vícios que são, cada indivíduo deve utilizar do livre-arbítrio para moderá-las. Não se trata de removê-las, o que converteria o homem em um vaso vazio, mas sim se trata de tê-las dentro, e que a razão, plena de justiça, governe sobre elas. Falar em “vencer as paixões” não seria mais que uma crença, porque o iniciado não cultiva nenhuma luta em seu interior. O verdadeiro iniciado é aquele que nunca perde as estribeiras, nunca se deixa levar pelas paixões, porque sempre tem em mãos as suas virtudes. É aquele que nunca perde a cabeça quando vive momentos difíceis como uma discussão com a esposa, com os filhos ou com os funcionários de sua oficina. É aquele, que mesmo quando traído por seu melhor e mais fiel amigo, age com a razão aliada a seus princípios de justiça, com prudência e paciência, pesando todas as cartas que estejam colocadas sobre a mesa e decidindo com justiça, punindo se considera que deve punir, perdoando se considera que deve perdoar, mas sempre sereníssimo, sem mágoas que possam enfermá-lo, sem loucuras que possam fazê-lo perder o juízo, explicando com honestidade as razões de suas decisões, nunca pelas costas e sempre com a verdade e o amor por diante.

– Se acerca o momento de finalmente julgá-lo. ¿Como pensa que deveríamos agir? – pergunta-lhe o juiz de Roma.

– Consulte e delibere antes de agir, a fim de não lhe entregues a ações loucas. Pois é de um espírito pobre, falar e agir sem razão e sem reflexão. Mas faça tudo quanto a seguir não lhe aflija e não lhe obrigue ao arrependimento.

– Sem dúvida alguma, agiremos com nossas virtudes. – afirmou o romano.

– Pitágoras convida uma vez mais à reflexão e à meditação, como instrumento para dar brilho às virtudes. Aquele que é sábio e prudente, saberá deter-se ante as adversidades para dar-se um momento e, com serenidade, questionar-se a si mesmo, permitindo que as virtudes tenham tempo e espaço para emergirem desde o cubo perfeito e assim demonstrar toda sua grandeza, beleza e sabedoria. Ao fazê-lo, não haverá espaço na alma à insensatez, à loucura e à injustiça, pois, fortalecida pelo hábito de cultivar somente o que é belo e honesto, e cercada por anjos guardiões dos homens de bem, conservará imutável o juízo; mente e alma combatendo pela virtude, escolhendo sempre o bem, praticando sempre a justiça divina e sustentando suas decisões, porque sempre serão sábias e isentas de arrependimento. O mal condena a alma concupiscível à sua metempsicose. Pela incapacidade de abraçar as virtudes, a alma desconecta-se para não se ver contaminada pela loucura, pelos excessos e crimes do corpo. Sua próxima vida será mais densa, para que trabalhe mais em sua correção e assim seja capaz de purgar suas paixões por meio do arrependimento, para que se coloque no caminho do virtuoso. Como um castigo que se dá a si mesmo por seu temeroso caminhar imprudente e sua miserável razão.

– Suas palavras são repletas de filosofia. Ainda que estivesse em silêncio, certamente estaria buscando sua liberdade. – comentou o juiz de Jerusalém.

– O silêncio liberta do arrependimento e gera filósofos.

– ¿Por que razão, abandonou a construção de seu Templo? 

– O conhecimento é parte do polimento; e com pedras cúbicas são construídos os Templos. Mas um Templo é vazio e frio, ainda que perfeito, porque é o conhecimento que nos permite admitir nossa própria ignorância. Então, que se preencha de si mesmo, por meio da meditação; expanda-se até alcançar suas próprias paredes e faça girar sua gnose no sentido que deve ser feito. Tal energia, colocada em movimento, mentalmente, despertará sua alma para o trabalho do interno. Quando mente e alma trabalham juntas, vibrando dentro de um coração justo e perfeito, sintoniza-se com os deuses imortais; e ainda que seja somente por um instante, permite vislumbrar o caminho da eternidade. Dito isto, o que se tenta explicar aqui é que se pode passar toda uma vida estudando em busca da verdade, mas essa busca serve apenas para construir seu próprio Templo. Este Templo, que é seu interior, construído com base no estudo exaustivo de uma vida inteira, tão-somente permitirá ver-se a si mesmo sentado em seu próprio trono, dentro do seu próprio templo de eterna ignorância, porque por mais que se estude, por mais que se saiba, àquele que avança somente com o conhecimento, o trono é o limite. 

Intrigado, o juiz de Alexandria questiona o réu. – ¿Então como ir além? ¿Como pode o sábio atravessar o véu de Kéter, para bater nas portas de um Templo superior ao que estava antes, e ver-se a si mesmo abrindo-lhe as portas como guardião de seu novo Templo? 

Deu-lhe a seguinte resposta:

– Com a expansão silenciosa da mente e da alma, no intuito de aproximar-se do divino, e somente quando com amor no coração, pois o caminho do meio convém apenas aos bons, logrará alcançar novos Templos, até que finalmente esteja apto a colocar-se entre os deuses imortais ou seja, entre aqueles que já não estão sujeitos à metempsicose de Pitágoras; à reencarnação. Esta reflexão é um convite à humildade, à piedade para consigo mesmo e para com os deuses imortais, pois é com a soberbia que se destrói o Templo, afastando-se do Criador. Dedique-se ao que ainda valha a pena, ao que possa instrumentalizar a razão, para que se possa praticar a justiça em todos os momentos da vida, sem temer as desgraças e principalmente a morte, formando um ser temperante, virtuoso, amigo e respeitoso; convertendo-se naquele que honra e cultua os seres superiores, e goza de suas recompensas sem arrependimento ou remorso, pois toda ação visa uma recompensa, seja ela qual for, e suas ações imitam os atos divinos, com o qual suas recompensas serão sempre divinas. 

O juiz de Roma conclui:

– Também é certo que você costuma ter uma vida simples, honrada e sem ostentações, evitando cercar-se do que atraia a inveja. Há relatos de que você não é um esbanjador sem motivo, nunca agindo como se não conhecesse o belo e o honesto.

O juiz de Jerusalém intercede:

– Mas não se deixe levar pela cobiça, nem seja mesquinho. A justa medida é excelente em todas as coisas.

– Aristóteles flertou com o conhecimento pitagórico e por isso era um adepto do caminho do meio. Sábias foram suas palavras ao afirmar que a sabedoria está no equilíbrio entre o excesso e a falta. Qualquer ordem iniciática que se preze, edifica seu Templo com base nessa premissa. Desvirtuar-se demasiadamente para ambos lados significa cair, por um lado à condição de aprendiz, aquele que ainda não está acostumado com a Luz, e por outro à condição de companheiro, ofuscado por flertar com a Luz.

O juiz de Alexandria interrompe. Parece iluminado:

– E ela vendou-me os olhos e levou-me até sua gruta de ossos, e com ela chorei e suspirei consternado. Então fechei com beijos seus olhos e ela mostrou-me um caminho iluminado. Na escuridão exorcizei meus pesadelos, e foi como o último dos sonhos que eu jamais tive, caminhando como caminham os anjos, rumo à liberdade. Caminhe com os pés no mundo físico, ora com o vício, ora com a virtude, até o dia da sua morte. Mas aqueles que aprendam a visitar as profundidades da Terra, acabam por encontrar aquele diamante tão apreciado pelos filósofos, oculto na mais profunda escuridão. E uma vez polidas suas arestas, contemplam como a pedra bruta converte-se no mais precioso brilhante e aprendem a caminhar como caminham os anjos, os mesmos que dizem somente possuir virtudes, aqueles que não lidam com a morte. A justa medida pitagórica ensina a não ultrapassar os limiares da direita e da esquerda, afirmando que existe sim o caminho da iluminação, um sendeiro que aparenta ser sinuoso e flamejante, mas os iluminados sabem de sua retidão e de sua verdade. 

O juiz de Antioquia finaliza:

– Não faça as coisas que lhe poderão prejudicar, e raciocine, antes de fazê-las. Aquele que beba do elixir da razão, flertará com a verdade e a sabedoria daqueles que realizam a Grande Obra.

– O conhecimento serve apenas para a edificação do Templo, o qual, uma vez consolidado, deverá ser utilizado para alcançar estados superiores, para alcançar a purificação por meio da meditação e da transmutação. Utilizar a razão a cada instante é manter-se alerta para não cair nos erros que corrompem o equilíbrio hermético. A realização deste trabalho, consome muita energia, que quando desperdiçada pelos egos, nos impulsos desenfreados dos desejos mundanos, fará falta ao que realmente importa. Por isso o verso pitagórico é claro ao colocar que a não utilização da razão é prejudicial, e esse prejuízo não é somente físico, mas sim abarca a todos os corpos sutis, desequilibrando as colunas que sustentam as paredes do Templo interior e impossibilitando a realização da Grande Obra, a tão citada pelos alquimistas. Meditar é calar-se diante D’ele, é jogar por terra todo e qualquer vestígio de auto importância pessoal e, no silêncio do tudo, entrar em sintonia com a música do universo.

Todos os Grandes Inspetores Comendadores, Juízes e Filósofos Desconhecidos, levantam-se para proferir a sentença, naquela sublime câmara branca e consistorial.

– Declaramos o réu, inocente de todos os cargos que se lhe imputam. O Adepto Inquisidor, conquistou o direito de viver em busca da liberdade. ∆

Notas:

[1] Segundo Jorge Cornejo, a redação do ritual deste grau parece ser mais tardia que a de outros graus escoceses, dado que a versão mais antiga que conhecemos é a de Dalchó (1827), o qual afirmava apresentar “um perfeito e amplo Ritual do grau 31°”.

[2] R. Bongard, “Manuel maçonnique du Rite Écossais Ancien et Accepté”.

[3] É o método hermenêutico de análise das palavras bíblicas somente em hebraico, atribuindo um valor numérico definido a cada letra. É conhecido como "numerologia judaica" e existe na Torá.

[4] Um tetraktys (do grego antigo τετρακτύς) é uma representação pitagórica na forma de um triângulo, denominado "triângulo perfeito". Para os pitagóricos, os números mantinham uma relação direta com a matéria, considerando, por exemplo, o número "um" como um ponto, o "dois" como uma reta, "três" uma superfície e o "quatro" um sólido. Assumindo que 1 + 2 + 3 + 4 = 10, o número "dez" era visto como uma espécie de conjunto de quatro elementos, o "alicerce" das coisas do mundo. O número "dez", de acordo com os pitagóricos, corresponderia a um tetraktys.

[5] É o termo utilizado pelos pitagóricos para simbolizar a imortalidade do ser por meio da reencarnação.

[6] Eosphorus) ou Fósforo (Do antigo grego: Φωσφόρος Phosphorus), a Estrela d’Alva ou Estrela da Manhã, é filho de Eos, deusa da aurora, e irmão de Héspero (Do antigo grego: Ἓσπερος Hesperus), a Estrela Vésper. Seu equivalente romano era Lúcifer (do Latim Luxferres ou seja, “portador da luz”), em hebraico (hillel).

O Adepto
O Adepto. Ilustração de Vinícius Yano.



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© Lúcio José Patrocínio Filho.

Bibliografia:

Brasílio Conte, Carlos - Pitágoras - Ciência e Magia na Antiga Grécia .
de la Fuente, David Hernández - Vida de Pitágoras según Porfirio. 
Ferreira dos Santos, Mario - Pitágoras e o Tema do Número.
— Versos Áureos de Pitágoras.
Gonzalez, Rubén - Pitágoras y la nueva conciencia. 
Hiérocles de Alexandria - Comentário aos Versos dourados de Pitágoras.
Krishnamacharia, Ekkirala - Introducción a Pitágoras.
— La sabiduría de Pitágoras.
PETROVNA Blavatsky, Helena - Isis sin velo, 1877.
SRI K PARVATHI KUMAR - Pitágoras - El teclado pitagórico.

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