Viagem ao Farol de Alexandria.
Viagem ao Farol de Alexandria.
Por Lúcio José Patrocínio Filho:.
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Houve um homem de sublime grandeza, que com vontade, heroísmo, honra e genialidade, percebeu o que seria necessário fazer para transformar o Mundo Antigo. E assim realizou grandes obras. Tal e como seu pai, foi iniciado nos Mistérios de Samotrácia e sua devoção à esses mistérios contribuiu em suas conquistas pelo mundo helenístico. Quiçá por este motivo nunca tenha experimentado derrota alguma. Mostrou-se mais iniciado de Orfeu que aprendiz de Aristóteles. Quiçá encontrara a paz de sua alma sob o som telúrico da lira de Orfeu, mais que na filosofia do mestre grego. Sua grandeza pôde ser observada em sua tolerância para com o cinismo de Diógenes de Sínope - aquele que fora pupilo do fundador do cinismo, Antístenes de Atenas e discípulo do próprio Sócrates. Considerado o Aquiles da Macedônia, revolucionou o mundo, desde o Egito até a Índia, não com os métodos dos Césares, mas sim com a reconciliação, com o respeito para com as religiões e culturas e a liberdade da ciência. Com sabedoria conciliou as religiões de seu império com um sincretismo apoiado pela ciência de Aristóteles, desde a Minerva de Atenas ao Jeová de Jerusalém, do Osíris Egípcio ao Brahma dos indianos, abrindo novos caminhos nos degraus iniciáticos; novos sendeiros para alcançar a divindade com sabedoria e tolerância para com todas as religiões e culturas do Mundo Antigo. Pode-se afirmar então, que alcançou uma linguagem universal, a Mathesis Megiste dos pitagóricos. Tal e como poeticamente afirmou Edouard Schure, “sua espada foi o último resplendor da Grécia de Orfeu, e com ela iluminou o oriente e o ocidente”. Partiu rumo ao Oriente Eterno, embebido de suas conquistas e de seus sonhos de um mundo mais pleno de conhecimento e sabedoria. Quiçá por esse “desejo” (se é que se pode chamar de desejo tais sublimes intenções), mandou erigir Alexandria com os pilares da filosofia oriental, com as fundações da sabedoria judaica, com a gnose, que se expandiu até encontrar-se com as muralhas do helenismo, e com a abóbada celeste da sabedoria egípcia. Monoteísta, segundo os siríacos, no Egito é considerado quase como um faraó, pois afirmam ser ele filho de Nectanebo II, o último faraó, que quando derrotado pelos persas, foi viver incógnito na Macedônia. Com sua magia, Nectanebo teria seduzido ali a Olímpia do Épiro, alegando ser o deus Ámon, e com ela teria gerado Alexandre, aquele que seria reconhecido como “O Grande”, ainda que Olímpia afirmasse que ele era filho de Zeus. Pitagóricos como Sócrates, Platão e Aristóteles, beberam do conhecimento egípcio e dos mistérios gregos. Alexandre o Grande, certa vez enviou uma carta a Aristóteles, acusando-o de revelar certos segredos esotéricos, o que comprova a importância dada ao conhecimento e, de certa forma, explica o termo “conhecimento oculto”, pois desde aqueles tempos havia o entendimento de que a verdade não pode ser dada a todos, mas sim, deve ser encontrada por cada indivíduo à sua maneira. “Desvenda por ti mesmo os mistérios, com conhecimento, vontade e amor.” ∆ |
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© Lúcio José Patrocínio Filho.
Bibliografia:
A. ÁLVAREZ DE MIRANDA, 1961, Las religiones mistéricas.
B. HEMBERG, 1950. Die Kabiren.
K. KERENYI, 1944. Mysterien der Kabiren.
J. L. PÉREZ IRIARTE. Misterio de Samotracia.
PAPUS, 1903, La Kabbale.
PLUTARCO. Vidas Paralelas.
SCHURE, EDOUARD, 1889. Los Grandes Iniciados.
STROZZI, RENATO. Cagliostro.

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