Segredos do Êxodo [22]. Letras e Hieróglifos.

Segredos do Êxodo [22].

Letras e Hieróglifos.

Por Sabbah, Roger.

Tradução: Lúcio José Patrocínio Filho:.

Publicação autorizada pelo escritor.


 ÍNDICE


Os Mistérios da Aleph א


Aleph é a letra mais enigmática do alfabeto hebraico. Ela guardou um segredo por mais de três mil anos.


Segundo os linguistas, a hebraica Aleph representa a cabeça de um touro, a primeira letra do alfabeto fenício. No entanto, quando os Pergaminhos do Mar Morto foram examinados, a Aleph hebraica parece mais uma combinação de sinais hieroglíficos:


A antiga א está composta de três partes:
a bandeira superior direita na forma de uma Yud [י],
a barra oblíqua e um pé esquerdo arredondado.


Os hieróglifos foram transcritos em escrita hierática, "o que permitiu a escrita rápida em papiro ou concha com pincel e tinta... uma escrita com muitas marcas abreviadas que podem ser traçadas em uma única varredura de um pincel".1

É principalmente na escrita hierática usada na Décima Oitava Dinastia, no tempo de Aquenáton, que a correspondência entre a escrita egípcia e a escrita hebraica deveria ser pesquisada. A semelhança entre as duas formas de escrita - o manuscrito quadrado hebraico e a escrita egípcia - é evidente.

O Aleph corresponde logicamente à união hierática dos quatro signos hieroglíficos que formam a palavra Áton:

Na tradição dos hebreus, Aleph [א] representa a divina unidade (valor numérico = 1).
Yud [י] representa o retorno à unidade (valor = 10), tal e como está descrito na numerologia dos Textos das Pirâmides.


Para representar o nome de seu deus Áton, os Yahuds que fugiram do Egito formaram a Aleph na imagem de Áton, dando-lhe o primeiro lugar no alfabeto hebraico. Eles criaram um símbolo da unidade divina, com o valor numérico de um. Sua forma, com sua base sólida, dá-lhe os atributos de poder e estabilidade que são encontrados em Aquenáton e Áton. Observe o comentário de Fabre d'Olivet sobre a Aleph:

Como imagem simbólica, isto (a Aleph) representa o homem universal, a raça humana. O ser dominante da terra [Aquenáton = Áton]. Em seu sentido hieroglífico, caracteriza a unidade, o ponto central, o princípio abstrato de uma coisa [Ré, o Deus Sol]. Empregado como um sinal, expressa poder, estabilidade e continuidade.3

A parte inferior da Aleph é geralmente arredondada, formando um pé. 

Em alguns versículos da Bíblia hebraica (Êxodo 16:2) e no aramaico (Gênesis 14:18), a Aleph, sem sua base, é chamada de "El", que significa Deus. Por exemplo, a palavra "Israel" é normalmente escrita ישראל". Mas também pode ser escrita da seguinte maneira (Êxodo 7:2):



A Lamed desapareceu e a parte mediana da Aleph, esticada, é pronunciada "L." A Yud acima é lida "E" - dando a pronúncia final "El". Esse fenômeno, frequente nas Bíblias hebraica e aramaica, mostra que a letra hebraica Yud possui vários valores de pronúncia, como era o caso da Yud egípcia, segundo a tabela de Champollion.4 

A ilustração abaixo é do templo de Kalbasha no Alto Egito, onde a cauda da serpente toma a forma da Aleph no interior do círculo Ré. Assim, a Aleph é a figura de Ré.

Ka, Cauda da serpente "Serpente" e Alef juntos soletra-se "Al", símbolo do Sol (Aten), SHA, Pássaro BA.

Além disso, o hebraico "El" אל, como o aramaico (caldeu) "Elah" אלה, contém a Aleph א, o signo de Áton e a Lamed ל), representando o uraeus ou sagrada víbora, e a faixa da cabeça de faraó.

Aleph = Ré = El

Os samaritanos seguiram uma religião quase idêntica à dos hebreus. Sua escrita consistia de 22 letras de origem fenícia, e o Aleph samaritano tem uma forma similar ao Aleph hebraico - exceto que carrega duas Yuds em vez de uma, lembrando o nome de Ai, a palavra para Deus na Bíblia em aramaico:

Alef Samaritana com suas duas Yuds = Unidade = Adon-Ai.


Essas semelhanças fornecem evidências de que as palavras da antiga língua egípcia têm afinidades com numerosas palavras hebraicas, tanto no sentido, quanto na pronúncia. Tais palavras pressagiam a língua hebraica, apesar da tendência do tempo de fazer mudanças. Esse conceito apoiaria a ideia de uma linguagem hieroglífica oculta que escondeu a verdadeira história por trás da lenda bíblica.

Fabre d'Olivet fez deste um tema principal em seu livro "La langue hebraique restituee". A escrita hebraica dá uma prova direta de sua origem egípcia básica, abrindo assim toda uma nova abordagem para entender a realidade histórica que foi dissimulada na "estória" bíblica. Esta escrita hierática é tanto a linguagem da Bíblia, quanto a linguagem dos faraós bíblicos. Consequentemente, é necessário olhar novamente os textos sagrados e explicá-los à luz das descobertas arqueológicas associadas à história do antigo Egito.

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A Aleph e a Ankh

A verdadeira origem da letra Aleph está relacionada com a letra egípcia Ankh. Áton oferece o sopro de vida a Aquenáton na posição oblíqua da Aleph. A mão de Áton é simbolizada pela Yud (Yad em hebraico significa mão). A barra oblíqua e o pé da Aleph correspondem exatamente à forma hierática da Ankh, formada a partir da Nun e da Okh.

Uma mão, Yad, portada por Aten's ray, é a respiração da vida e a origem da Aleph.


A Aleph e Amon

A forma da Aleph também invoca o hieróglifo “Amun” quando acompanhado pelo sol Ré, presente na maioria dos nomes dos Faraós. As palavras hebraicas Adon אדו e Amón אמו ambas iniciam-se com a Aleph. A Daleth ד tem a forma do hieróglifo “Deus Único”, e a Mem מ representa a deusa Mut,  esposa de Amón, mãe dos deuses. Ambas palavras terminam com a Nun, um signo também presente em Áton. A Nun é o oceano primordial onde divindades e faraós egípcios nasceram. A Aleph também simboliza Amón, o Deus Múltiplo, ou Áton, o Deus Único.

Neste caso, El pode significar Amón-Ré. A hebraica Lamed ל é a figura do Ureu (em latim: Uraeus)  do deus. Em egípcio, L e R são a mesma letra. Essa aproximação hieroglífica-hebraica permite-nos discernir através dos símbolos inscritos nos cartuchos de certos faraós, os nomes hebraicos bíblicos de Abraão, Aarão e Moisés, e assim descobrir a verdadeira identidade dos patriarcas hebreus.

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Beth ב

A letra Beth não foi transformada de seu homólogo egípcio. Sua forma é idêntica em egípcio antigo e hebreu. Sua perfeita analogia é encontrada no duplo cartucho de Áton, no qual figura quatro vezes, após o sinal Ré (mostrado seis vezes). Esses dois signos expressam a preposição "em" e, por extensão, "dentro", "no", "do". 

Para Fabre d'Olivet, a Beth é o hieróglifo da ação interior. A Beth, acompanhada da Aleph בא (Ba), é um símbolo de poder, uma imagem de continuidade na raiz do verbo "vir" ou "chegar a um ponto central". A Ba egípcia evoca a vida após a morte, a partida da alma para o outro mundo na forma do "pássaro Ba", que os hebreus chamam de העולמהבא "Olam Aba", "o mundo por vir".

Hieróglifo "dentro" (M). Concordância gramatical, funcional e de forma. 

Há outra analogia com a letra Beth: a primeira letra do primeiro verso da bíblia alude à criação do mundo, “No princípio [bereshit ברארשית] os Elohim criaram os céus e a terra”. A Beth é um sinal que conecta os céus e a terra.

Mundo do acima / Mundo do Abaixo. Céu / Terra. Hieróglifo do céu e da terra / Letra hebraica Bet [ב]

Tal e como o símbolo egípcio define e como ele mostra em sua forma, o quadrado Beth ב pode representar os elementos da criação separados pela vontade divina. 

O hieróglifo representa a terra sagrada, Aquetaton, inundada pela luz divina. A semelhança com a palavra hebraica Aretz ארץ traz a raiz hebraica Or אר, a primeira palavra de Deus na Bíblia7, e equivale à raiz egípcia Akh, também significando luz8. A última carta, a Tsadeh ץ, evoca Aquenáton de pé, glorificando o sol, uma forma equivalente ao hieróglifo Ts.

Tudo isto nos dá, em egípcio, Hay-me-Aket: aquele que se alegra com a terra sagrada.9

Em hebraico, isto é Hai-Ba-Aretz: aquele que vive na terra sagrada.

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Guimel ג

A Guimel, fazendo o som do "G", não é diretamente afiliado a um deus egípcio. No entanto, há um símbolo hieroglífico que aparece no nome de Áton. Em seu cartucho há um símbolo pronunciado "yi" na forma de uma Yod provido de duas pernas. Ele é usado na expressão "aquele que vem da luz de Áton" ou "aquele que reside à luz de Áton".

Em hebraico, o verbo "residir" ou "habitar" é Gar גר. As duas letras desta palavra encontram sua analogia na expressão "quem reside" incluída no título de Áton. O símbolo egípcio expressa a ideia de movimento, já que emprega duas pernas. Ele emana luz e habita no disco solar. Este conceito - proveniente do próprio coração do Egito e encontrado nos Textos das Pirâmides - enfatiza que Deus e o homem vêm da luz e vão em direção à luz.10 

Uma analogia de forma e símbolo


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Daleth ד e Resh ר

A Daleth (D) e o Resh (R) simbolizam a bandagem do faraó em seus elementos horizontais. O ponto que aparece no lado superior esquerdo é uma evocação do uraeus real ou sagrado, e a parte de baixo é a cauda da serpente protetora. Nos pergaminhos mais antigos, o símbolo de uraeus é sempre evidente. O Resh ר significa rosh (cabeça), evocando a cabeça do faraó. O hieróglifo correspondente a ele representa a serpente divina unida ao faraó.

O uraeus, símbolo nas letras hebraicas.

O uraeus, um emblema de poder e medo, e uma parte fixa da banda que cercava a cabeça de Tutankhamun, termina com duas tiras verticais, como os filactérios dos hebreus, que são usados até hoje: "E isso será como um sinal sobre o teu braço e como uma fronteira (totaphot) entre os teus olhos, porque com uma mão forte Javé nos tirou do Egito "(Êxodo 13:16).

Em egípcio, a faixa real é chamada Seshed ou Seshad, e é escrita foneticamente como S-Sh-D. O hieróglifo Seshed transcrito foneticamente ao hebraico com três letras Shin-Shin-Daleth ששד, visíveis nos filactérios ou tefilin (quando usado na cabeça) dos hebreus. No lado esquerdo da caixa está a Shin com quatro ramos, e no lado direito, a clássica Shin. A Daleth é representada pelo nó na parte de trás da cabeça.

Faixa hebraica (tefilin). Letra Shin [ש] com 4 galhos (S) pelo lado esquerdo e 3 pelo lado direito.
Letra Dalet no nó atrás (D).


Resh ר é a primeira letra do nome de Ré (ou Raha) רצ, o rei dos deuses no antigo Egito, o princípio supremo da criação. Isso explica por que a Resh é encontrada em nomes bíblicos como Sara, Raquel, Abraão, Ruel, Par'oo (Faraó), Yero, Debora, Rebeca, e em palavras como Kapara (oferenda), Barakha (bênção) etc. Como nos nomes egípcios, introduz a presença do deus Ré.

Hieróglifa Re / Hierática Re / Hebraica Resh


A analogia simbólica é descrita por Fabre d'Olivet:

Vimos o principal movimento agindo do centro para a circunferência, modificando-se pouco a pouco na luz, no fogo, na água, no ar, no fluido etéreo, de acordo com as raízes רא, רה, רו, רת, רי: mas, o mesmo movimento vindo da raiz רו e degenerando cada vez mais para o significado material, para tornar-se na raiz Ré רצ, o emblema de tudo o que é terrestre, opaco e maligno. 

Vale a pena observar seriamente.

Hieroglífico para Deus.


As letras Qof, Daleth, Resh, Lamed e He, contêm em suas formas o hieroglífico de Deus.


Faixa de cabeça de Tutancâmon


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He ה
 
A letra hebraica He ה, a quinta letra do alfabeto pronuncia-se respirando desde a profundidade da garganta. Seu significado original é "respiração".

Em sua forma abstrata, a letra hebraica ה serve para escrever o nome de Deus (Hashem), a qual os fiéis são proibidos de pronunciar.
 
Gênesis 2:4 diz: "Estas são as origens dos céus e da terra ao serem criados; no dia de fazer, o Eterno Deus [Elohim, Javé], terra e céu.
 
Rashi comenta sobre o significado da ה: "É com o He que os céus e a terra foram criados", isto é, pelo sopro de Deus.

O mesmo ocorreu no antigo Egito, segundo Christian Jacq: "Os Textos das Pirâmides afirmam de forma clara a realidade de um poder divino único, inacessível ao espírito humano." “Grande Deus, cujo nome é desconhecido...”.13 

O sinal hieroglífico é graficamente idêntico. Sua tradução, "o Grande Deus"14, é extremamente próxima do simbolismo da letra “He”.



Hieróglifo que significa "o Grande Deus", mostrando a correspondência da forma e
significado com a letra hebraica He.
 
A He tem um valor numérico de cinco, que corresponde aos cinco livros da Torá (Antigo Testamento), bem como aos cinco capítulos de "O Grande Papiro de Harris".15 Também recorda os cinco Grandes Nomes das marés reais dos faraós desde o tempo do Novo Reino.

Nas Cartas de El Amarna de Aquetaton, o faraó Aquenáton é chamado "o sopro" por seus vassalos, os cananeus e os reis fenícios: "Meu país e meus irmãos, servos do rei, meu senhor, e servos de Tutu, meu Senhor, ficamos encantados, quando o sopro do rei, meu Senhor, chega. (Extrato de uma carta de Aziru, chefe dos Amoritas, EA 164).

A He ה, um sinal divino, é encontrado na tumba de Tutancâmon:

Hieroglífico que significa “o Grande Deus”, idêntico à letra hebraica He, significando “o sopro de Deus”.


A escrita sagrada situada na parede leste da câmara funerária invoca ao rei morto para que tenha acesso à vida eterna. A tradução das três colunas do texto acima é a seguinte:

Coluna 1: "O, Nebkheperure" (nome do trono de Tutancâmon)
Coluna 2: "Venha em paz"
Coluna 3: "Ó, Grande Deus, protetor da terra!"

Doze sacerdotes puxando a corda do trenó da múmia do rei Tutancâmon.

Abaixo do hieróglifo He, altos dignitários puxam o trenó do rei. São os doze vizires do Alto e Baixo Egito, governadores regionais. Eles se distinguem entre si por suas túnicas e penteados. Os dois vizires com a cabeça raspada são sacerdotes; os dez outros, nobres.

Essas doze pessoas representam todas as províncias do Egito, e é um número que se encontra novamente na história bíblica das doze tribos de Israel, composta também por sacerdotes e nobres e os doze filhos de Jacob, transportando os restos embalsamados de seu pai. (Gênesis 50: 12-13).

O comentário de Rashi sobre isso é o seguinte:

Jacó havia arranjado um lugar para cada um, três no lado leste e da mesma forma para cada um dos outros lados. Levi [o Sumo Sacerdote] não precisava carregar [o sarcófago] porque estava destinado a carregar a Arca Sagrada. José também não precisou carregar porque era rei [do Egito]. Em seus lugares, havia Manassés e Efraim [dois filhos de José]. (Rashi, Gênesis 50:12-13)

A separação dos doze portadores do sarcófago de Jacó em "dez, mais dois", mencionados por Rashi, é encontrada na representação dos doze vizires na tumba de Tutancâmon (acima). Esse arranjo pode ser visto novamente nas procissões da Arca de Amon, que o rei do Egito e seus sumos sacerdotes estão envolvidos no transporte.

Doze sacerdotes dispostos em quatro grupos de três, carregando a Arca de Amon. O faraó e os dois sumos sacerdotes centrais não a carregam, em conformidade com o comentário de Rashi (Do Templo de Karnak).


Desde a época do Reino Antigo, os sacerdotes participaram das principais cerimônias religiosas:

 Era a Deus a quem eles serviam, em todos os lugares do Norte e Sul, ao longo do rio, os sacerdotes celebravam um ritual matutino com formas estritas que pouco variavam durante todo o Reino Antigo. Depois de um banho de purificação em um lago sagrado, ao amanhecer, um grupo de doze padres passou pelas portas do recinto do templo, atravessou a quadra ao ar livre em fila única e entrou no templo real.16 
 
Outro hieróglifo lembra muito o hebraico Heh nesta forma e soa com cinco lados.

 

Corresponde ao artigo pamuve "de" na tradução da palavra egípcia Yahudadaha-Malek descoberta por Champollion e traduzida ao hebraico Yehuda-hamalkhut. Ambos significam "o Reino de Judá". O He também está presente no nome Yahu inscrito em uma coluna do templo de Amenophis III em Soleb.

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Vav ו
 
A letra hebraica Vav ו, com sons de "V", "U" e "O", é análoga em sua forma ao hieróglifo que representa a víbora com chifres, que convencionalmente é o som de "F."
De acordo com o Tratado de Gramática de Champollion, o possessivo da terceira pessoa do singular - seu, dela, seu - é representado pela víbora com chifres. Também em hebraico, a terceira pessoa do singular possessivo é representada pela Vav ו.

A víbora com chifres é mostrada em pé, como o hebraico Vav ו.

A hebraica Vav não tem a mesma pronúncia de seu hieróglifo correspondente, embora sejam empregados de maneira idêntica nas duas línguas. No entanto, de acordo com Fabre d'Olivet, a "V" tem o mesmo valor fonético que a "F". Assim, Vav demonstra uma tripla analogia de som, forma e significado.

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Zain ז

Zain ז lembra o cetro "Uaz" ou "Uzer" do deus Ptah, o símbolo do poder criativo e do sopro divino. O hieróglifo representa a letra Z, assim como a letra hebraica Zain. A Z egípcia é encontrada no Pequeno Hino a Aton:
Tripla analogia de som, forma e significado.
Egípcia Uzer, significa força.


O substantivo egípcio Uzer, "força", tem a mesma raiz de "força", "Ozer" 1 עזר e "Oz" עז em hebraico. “Minha fortaleza e meu cântico é Deus,” (Êxodo 15:2).

Nos túmulos do Vale dos Reis, os deuses representam os ancestrais ou pais dos faraós. Em um dos postes da tumba de Seti I, o deus Ptah segura seu cetro "Uaz" de frente para o Faraó. Em outro, Arum simboliza Ramsés I; o pai recebendo o filho no Jardim da Eternidade. Arum coloca a mão no ombro de Seti I e apoia seu braço com a outra mão.

E fez Moisés como lhe ordenou o Eterno; e tomou a Josué, e o fez estar diante de Elazar, o sacerdote [El-Uzer = Ptah], e diante de toda a congregação. E pôs suas mãos sobre ele e recomendou-o, como falou o Eterno, por intermédio de Moisés. (Números 27:22-23)

Ptah, olhando a Seti I, segura o cetro Uaz (da tumba de Seti I).
Ramsés I (Moisés) identificado com Atum, dá as boas vindas a Seti I e coloca suas mãos nele (da tumba de Seti I).

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Het ח

A Het ח é pronunciada como uma "H" exagerada e seu hieróglifo correspondente é evidente na tabela de Champollion:
Analogia de som, forma e significado: o hebraico Het e o hieroglífico Het têm o mesmo nome.

A Het ח representa a porta de uma casa ou entrada de um templo com seus dois batentes e seu lintel, assim como sua contraparte egípcia.

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Tet ט

Fabre d'Olivet19 afirma que existe uma conexão entre as letras hebraicas D e T. Tanto o nome, quanto a forma da Tet fazem pensar no egípcio Thoth, deus do conhecimento e da escrita, representado por um íbis. A Tet hebraica vista aqui é certamente uma caricatura de uma ave. 

Hieroglífico T. De Champollion's Grammaire egyptienne.
A letra hebraica Tet comparada ao sagrado íbis.
O íbis representa o deus Thoth diante da deusa Maat,
enfeitado com uma pena.
Observe a cauda do íbis apontando para cima como a Tet ט hebraica.


A palavra hebraica "conhecimento" (ciência) é pronunciada Dahat דעת, que foneticamente é muito próxima de Thoth (Dahuty)20. Portanto, há uma analogia de nome, som, forma e símbolo.

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Yud י

Idêntica à letra egípcia Yud na tumba de Tutankhamon, a hebraica Yud י, tem o som "Ye" e pode ser associada com muitas vogais (Ya, Yo, Yi ...). É usada com tanta frequência na língua hebraica, quanto na escrita hieroglífica.

Muitas palavras do Egito Antigo, que usam a Yud são próximas ao hebraico, mas os estudiosos sempre deram prioridade aos sons greco-latinos, em vez dos sons das línguas semíticas. Portanto, na pronúncia convencional é dado apenas o som "yi". Isso distorce a linguagem do Egito Antigo, onde o significado em palavras com yo, yu e ye, e particularmente em ya e ay são perdidas (a '' A " sendo uma vogal majoritária nas línguas semíticas). Champollion assimilou a Yud nas letras A, E, Y, AY e EY. Para o grande egiptólogo, então, a Yud tinha um valor conhecido, um pouco como a hebraica Alef.

A Yud é a imagem da faculdade criativa, a manifestação do poder divino, eternidade, etc21. Como sua homóloga hieroglífica (em Hinos a Aton, por exemplo), está vinculada ao conceito de Deus e Sua criação. Seu valor numérico 10 é um símbolo, tanto de multiplicidade, quanto de unidade.

A hebraica Yud, assim como no egípcio, serve para designar os pronomes possessivos "meu" e "teu".

Yud
Fragmento dos Salmos de Akenaton. / Fragmentos de pergaminho dos Pergaminhos do Mar Morto.
A Yud egípcia pode ser escrita no sentido oposto, ainda mantendo seu mesmo significado.
A letra hebraica Yud.

A ilustração acima mostra uma Yud hebraica de um fragmento dos Manuscritos do Mar Morto; a antiga escrita hebraica é muito parecida com os caracteres egípcios.


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Kaf (or Khaf) ךכ

A Kaf כ, com o som de "K" ou Khaf, com o som de "ch" (como na palavra "loch" escocesa), é uma letra com pronúncia dupla. 

É chamada de Kaf ou Khaf dependendo de como a palavra é lida. Parece uma tigela virada de lado. 

No final de uma palavra, ela é chamada de Khaf ך sufit e tem sua base alongada para baixo. 

A Kaf, como todas as letras hebraicas, tem uma varredura apontando para cima (semelhante ao uraeus do rei do Egito). O cetro do Faraó - Kheka - tem uma pronúncia que lembra os dois sons da hebraica Kaf.

Kaf
O cetro de Khefa do Faraó | Khaf sufit hebraica | Cursiva | Khaf sufit

Na escrita cursiva hebraica, as Khaf são idênticas ao cetro do Faraó.

Muitas palavras hebraicas que simbolizam a realeza são escritas com a Khaf ך sufit (final) - Por exemplo, Melekh מלך, que significa rei, Abrekh אברך, que significa pai do rei, e Yerekh ירך, que significa linhagem real.

A hebraica Khaf כ serve como um pronome possessivo que designa a segunda pessoa do singular, como a egípcia "K", que é representada por um utensílio de cozinha ou um prato com uma alça. As correspondências gramaticais entre a escrita hebraica e egípcia constituem uma base fundamental na concordância das duas línguas.

Kaf
?exalt teu nome (K) | Eu sou filho (K) | (Eu sou) tua luz (tua graça)

Neste exemplo, "tua luz" é Akhek, que é muito parecido com Orekha אורך.

Na mesma linha, "Eu sou teu filho" - em egípcio Anok i shk [Anok i shak] - é próximo ao hebraico Anokhi (eu sou), Ish (homem), kha (do teu) [Anokhi Ishkha].

A Kaf כ também é como o hieróglifo Kha, ou "energia vital", representado por dois braços estendidos ao céu, exaltando Deus.

Kha
Hebraica Kaf | Hieroglífica Kha ou Ka

Analogia de som, forma e significado.

notes 22



À direita, o Faraó Ai

À direita, o Faraó Ai, com seu manto de pele de jaguar, em alusão ao manto bíblico de Nemrod.



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© Lúcio José Patrocínio Filho.

Comentários

  1. Bom dia, ótimo conteúdo. Como posso baixá-lo?

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    1. Não posso disponibilizar um arquivo para baixar, mas pode copiar o conteúdo do blog. Obrigado.

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