Filosofando com Alice Bailey... o significado da palavra "elevado".

Filosofando com Alice Bailey... o significado da palavra "elevado".

Por Lúcio José Patrocínio Filho:.


Tudo o que vem do alto, sempre foi motivo de admiração e respeito pela humanidade. Muitas são as instituições que utilizam as aves como logotipo, incluídos os países, que adornam seus brasões e bandeiras com elementos celestes, aves, entre outros. Não poderia ser diferente no mundo dos esotéricos, onde o termo "elevado" ganha novas dimensões, entendimentos, simbologia e filosofia. 

Segundo a senhora Bailey, "um lugar elevado" é um lugar de iluminação e iniciação, lugares estes que podem ser encontrados na Torá, por exemplo a Arca de Noé, a qual ficou perdida em um lugar elevado no monte Ararat, ou o monte Sinai, onde D'us deu a Lei, ou Enoque, que subiu aos céus em vida, e Jacó, que sonhou com uma escada que se elevava até o céu, entre outros. Ainda assim, posso citar elementos esotéricos como o fogo, o qual tem movimento ascendente, as nuvens, como elemento presente em qualquer arranjo angelical ou até mesmo qualquer fumaça, pois o ar é também um elemento de elevação espiritual, basta lembrar dos índios fazendo sinais com a fumaça das fogueiras, e não é por menos que o novo papa é anunciado por um meio de elevação, com a famosa "Fumus albus" (fumaça branca), indicando esse elevado elemento "ar", branco para representar uma dada pureza divina. Descrever com riqueza a palavra "elevado" é como tentar esgotar um símbolo, e todos os esotéricos sabemos que os símbolos são elementos de inesgotável filosofia.

Elevando meus pensamentos com um estudo sobre os 12 Trabalhos de Hércules, encontro-me com seu oitavo trabalho, onde Hércules destrói a Hidra de Lerna, um monstro de nove cabeças, sendo uma delas imortal e, se acaso um valente guerreiro conseguisse cortar alguma dessas cabeças, duas novas cabeças brotariam de súbito, em um ciclo infinito, fortalecendo cada vez mais essa besta incontrolável. 

Hércules foi a seu encontro, desceu até as profundezas da sombria caverna, onde ali morava a famosa hidra, mas tratou de iluminar antes o caminho, lançando flechas em chamas embebidas em breu, despertando a besta que se encontrava ali, elevando sua ira, fazendo-a lançar baforadas de fogo ácido que jorravam desde suas nove cabeças e que embriagavam o ar da caverna. Com sua calda, ainda agitava ferozmente a água e a lama, que açoitavam a Hércules, mas este não se rendia, e com maestria decepava uma a uma as enormes cabeças, que se duplicavam a cada golpe certeiro. 

Hércules lembrou das palavras de seu mestre, afirmando que "nos elevamos ajoelhando", e foi dessa forma que conseguiu agarrar tal besta e elevá-la, iluminando seu corpo horrendo com a luz que entrava pela entrada da caverna e assim desativando todo o seu poder. Hércules então, identificou qual era a cabeça imortal e a decepou, enterrando-a embaixo de uma enorme pedra. 

Está claro que esse trabalho faz referência à uma dada elevação espiritual, fundamentada na humildade e na luz da sabedoria, mas principalmente relata a transcendência sobre a ira, o "dominar nosso monstro interior", aquele kraken que todos "levamos" dentro e que nos carcome as costelas nos momentos de ira, indicando que podemos "elevar" o nosso bem mais apreciado, assim como podemos "elevar" nossos monstros mais terríveis. 

Hércules ensina como encontrar a elevação nesses momentos de desvario, e o próprio termo revela, pois "elevado" significa El+evado [El], em latin: Al-tum [Al], em inglês: El+evate [El], em italiano: Al+zare [Al], Sol+levarsi [Sol], El+evare [El], em alemão: Au+fkommen [Al], uma clara alusão a D'us+levar ou seja, aquele que é levado por D'us ou o que é o mesmo, conduzido a um lugar superior, à uma dimensão superior, tal e como é entendido na parábola da hidra, onde Hércules "eleva" o monstro à uma dimensão superior, para dissolver seu poder com a luz da sabedoria, deixando claro que isso só foi possível, quando atuou com humildade, porque combater a ira com mais ira, somente vai aumentar o poder desse monstro, acrescentando-lhe cabeças contra as quais terá que lutar em um ciclo eterno, como em uma briga irresolúvel entre marido e mulher. 

Será essa cabeça imortal, a fonte irresolúvel dessa ira, a que deverá ser enterrada sob uma enorme pedra, indicando que ali se encontra, não algo abominável, mas sim valioso, um monstro que antes dominava meus pensamentos, mas que agora sou eu quem o domina e o mantém embaixo de uma pedra, pois já não o "elevo", mas sim o mantenho enterrado, porque sou eu quem domino minha natureza inferior e me coloco em outra dimensão, superior ao lugar em que me encontrava, antes de enfrentar meu eu inferior. ∆

Jó
Léon Bonnat - Jó. 1880.



Donation please to: paypal.me/luciopatrocinio

© Lúcio José Patrocínio Filho.

Bibliografia:

A. Bailey, AliceOs 12 trabalhos de Hércules.
_O ocultismo do livro de Jó.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

The Menorah and Its Divine Harmony

El Misterio Esotérico del Gato: Puertas entre Mundos, de Egipto a la Cábala.

O Triunfo do Capital e a Decadência do Socialismo: Uma Reflexão Histórica e Filosófica