Segredos do Êxodo. [13] Abraão o egípcio.
Segredos do Êxodo [13].
Abraão o egípcio.
Por Sabbah, Roger.
Tradução: Lúcio José Patrocínio Filho:.
Publicação autorizada pelo escritor.
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Após a lenda da Arca de Noé, começa a história de Abraão. No relato bíblico, o patriarca Abraão foi a primeira pessoa a ter a revelação do Deus Único (AdonAi). Este Deus o conduziu à terra sagrada de Canaã. Ninguém como Abraão foi encontrado em pesquisa arqueológica alguma. Nem no Egito nem na Mesopotâmia houve algum testemunho na escrita do período, nem há representações pictóricas ou escultóricas referentes a este famoso indivíduo. Historiadores e arqueólogos buscaram Abraão em todo o Oriente Próximo, em vão. Em suas pesquisas através dos próprios textos bíblicos, eles o perseguiram, ainda sem resultado. ¿É possível que um homem que tenha acreditado ter introduzido o monoteísmo no Oriente Médio (Mesopotâmia, Canaã e Egito) pudesse ter deixado vestígio algum de sua existência? De acordo com as escrituras, Abraão teria vivido cerca de quatro séculos antes do êxodo do Egito (cerca de 1700 a.C.). Na Bíblia, ele disse ter testemunhado a existência do Deus Único naquele tempo. ¿Por que não há evidências históricas do ensino monoteísta naquele tempo nas terras atravessadas por Abraão? ¿Existe na Mesopotâmia, em Canaã ou no Egito uma pessoa que responde à descrição de Abraão? ☥ ☥ ☥ A evidência aponta para o fato de que os Judaítas históricos eram os Yehudim, que fizeram o êxodo de Aquetaton à Judá. Um olhar sobre a história de Judá tem relevância para nossa história. Os Judaítas (os Yehudim em hebraico ou Yahudaes em aramaico) estabeleceram-se em Judá, e os hebreus (os filhos de Israel, a "multidão") nos territórios do norte. Três séculos depois, o reino de Israel separou-se do reino de Judá. Os dois reinos separados se envolveram em uma guerra letal. A Bíblia afirma que havia 500 mil mortos em Israel: E os filhos de Israel fugiram de diante de Judá; e Deus [Elohim] os entregou na sua mão. De maneira que Abias e o seu povo fizeram grande matança entre eles; porque caíram feridos de Israel quinhentos mil homens escolhidos. E foram humilhados os filhos de Israel naquele tempo; e os filhos de Judá prevaleceram, porque confiaram no Senhor Deus [Adon-Ai] de seus pais. (2 Crônicas 13:16-18) As guerras de Judá contra Israel foram um prolongamento de uma separação muito antiga. A separação foi a do povo de Aquetaton que havia deixado o Egito, composto pelos sacerdotes Yahud (Judaítas), adoradores de Áton e de Ai (mais tarde Adon-Ai) e da multidão (Êxodo 12:37-38), composto das pessoas comuns (Israel), os quais, após o Êxodo, sofreram e desencadearam frequentes revoltas. Em 585 a.C., o Império egípcio, enfraquecido consideravelmente, não conseguiu apoiar os sacerdotes Yahud em Judá. Judá foi conquistada pelo exército caldeu de Nabucodonosor, e o povo de Judá foi exilado para a Babilônia. Os escribas Yahud levaram a lembrança de seu paraíso perdido com eles, juntamente com a memória do faraó Aquenáton, o verdadeiro pai do monoteísmo. Durante o longo exílio na Babilônia, eles transformaram sua história em lenda - a lenda de Abraão. O Egito era, então, o inimigo jurado da Babilônia. No entanto, o Egito era o país de origem dos sacerdotes judeus exilados. Para preservar o culto do Deus Único, eles tiveram que transpor Aquenáton no tempo e no espaço. Não foi possível representar seu herói como egípcio. Isso o tornaria uma abominação para seus novos mestres da Babilônia. Em vez disso, eles tinham que descrevê-lo como um indivíduo que vivia em um período mesopotâmico distante para que eles pudessem usufruir uma nova origem babilônica de monoteísmo. Essa manobra permitiu aos escribas sobreviverem no exílio no território de seus inimigos, mantendo a base de suas crenças. O problema era vital - para tornar a religião monoteísta aceitável pelos babilônios, eles tinham que excluir todos os vestígios egípcios. Os babilônios nunca teriam tolerado uma religião inimiga em seu próprio país. Durante o período problemático do exílio da Babilônia, os sacerdotes Yahud abandonaram seu deus egípcio Ai em favor do deus Javé. A lenda dos patriarcas teve que ser tecida nas tradições populares e nas crenças dos deportados Yahudim. Essa estratagema permitiu aos escribas e sacerdotes salvar as partes mais importantes de suas tradições ancestrais. Para proteger suas próprias vidas, os sacerdotes de Yahud dissimulavam sua história ao afirmar que o Egito, sua terra de origem, era o país detestável, responsável por todos os seus problemas. O Egito tornou-se, no novo relato, uma abominação - a terra amaldiçoada. Rompendo com as raízes de suas crenças anteriores, os escribas Judaítas criaram uma nova religião. No entanto, permaneceram fiéis ao passado e sutilmente esconderam a marca do antigo Egito em seus escritos bíblicos. ☥ ☥ ☥ Os camelos costumam aparecer nas histórias da Bíblia. No início da história de Abraão, o faraó oferece camelos a Abraão. Mais tarde, eles são mencionados novamente: E tomou o servo [de Abraão] dez camelos, dos camelos de seu senhor, e foi-se, e todos os bens de seu senhor estavam na sua mão; e levantou-se e foi a Aram-Naharáim ([noroeste da] Mesopotâmia), à cidade de Nachor. E fez ajoelhar os camelos fora da cidade [...] (Bíblia hebraica, A Lei de Moisés-Torá, Ed. Sêfer, Gênesis 24:10-11). Os camelos estão lá com Isaac (por exemplo, Gênesis 24:61, 64) e Jacob, neto de Abraão (por exemplo, Gênesis 30:43; 32:16), bem como em Êxodo, onde o camelo é feito parte da riqueza do Faraó. A Bíblia coloca Abraão no tempo em torno de 1700 a.C.. Naquele tempo, o camelo era desconhecido no Egito. Não foi até cerca de 1200 a.C. que o camelo foi domesticado na Mesopotâmia. Não aparece nos murais egípcios dos templos, nem nas tumbas ou pirâmides, nem nos escritos. Na verdade, o camelo não foi introduzido no Egito até muito mais tarde, pelos romanos no século II a.C.. No tempo de Ramsés II (século XIII a.C.), os egípcios não domesticaram o camelo nem usaram carros de guerra puxados por cavalos. Levaria vários séculos para os egípcios, surpreendidos pelos invasores asiáticos lutando a cavalo, para se tornarem conscientes da revolução equina. Pesquisadores bíblicos acreditavam que conversar sobre a presença de camelos na história dos patriarcas era um erro dos escribas. No entanto, os escribas entraram em grande detalhe, como se quisessem transmitir uma mensagem. "Ele fez cair os camelos..." (Gênesis 24:11). "Rebecca olhou para cima e desceu do camelo..." (Gênesis 24:64). Apresentar personagens bíblicos que descem das costas dos camelos é uma discussão anacrônica que os escribas aparentemente desejavam apresentar. No século VI a.C., o camelo, símbolo de riqueza e poder, já havia sido domesticado na Babilônia. Na época do exílio, os sacerdotes Yahud, levados para a escravidão, reconstituíram a história de Aquenáton para concordar com os valores e usos do mesmo período, para que fossem aceitáveis aos olhos de seus novos senhores. ¿Esqueceram de detalhar que os camelos não existiam no antigo Egito? ¿Não podiam apresentar e descrever o poder e a riqueza de Abraão sem os camelos? Os camelos dão um toque mesopotâmico à história, o que teria sido agradável aos seus captores. ☥ ☥ ☥ Os sacerdotes Yahud mudaram a origem de Abraão para um lugar distante do Egito, para Ur dos Caldeus, uma cidade localizada no limite leste da Mesopotâmia. Esta manobra premeditada removeu-lhe fisicamente e geograficamente do Egito. De forma verbal, eles podiam justificar aos seus novos mestres suas raízes recém concebidas na Mesopotâmia, ou melhor, Suméria, do passado distante. Para estabelecer uma genealogia convincente para Abraão, eles introduziram na história os nomes das cidades próximas no oeste da Mesopotâmia, Serúg (Gênesis 11:22), Nachór (Gênesis 11:24), Abraão (Gênesis 11:27) e a figura de Térach (pai de Abraão), legitimando assim uma origem caldeia para o patriarca. Esse procedimento permitiu que a comunidade dos Yahuds progressivamente fossem juntando as peças de sua história, ao mencionar cidades dentro do Império Babilônico. Embora a cidade de Ur existisse na Suméria, o nome "Caldeia" (Caldeus) não aparece até algum tempo em torno do século VI a.C.. A Caldeia nunca cedeu nenhuma prova arqueológica da existência do grande patriarca, Abraão. Para sobreviver e para que suas tradições também sobrevivessem, os Yahuds introduziram anacronismos na história dos Patriarcas. Eles tornaram a história compatível com a Babilônia do século VI a.C.. Eles reformularam uma grande parte de sua história naquela época, provavelmente sob restrições consideráveis. O novo texto da história não tinha nenhuma realidade histórica. Os personagens bíblicos foram concebidos e projetados no próprio interior da história recém concebida. No entanto, através da invenção de Abraão (assim como através de outros personagens bíblicos), os escribas monoteístas de Yahud conservaram a imagem do homem que os influenciou profundamente durante oito séculos. Na Bíblia escrita pelos escribas exilados, Abraham representou o Deus-Rei, o faraó monoteísta do maior império que o mundo conheceu, Aquenáton. ☥ ☥ ☥ De acordo com Cyril Aldred, o deus Áton guiou Amenófis IV [Aquenáton] para a terra sagrada de Aquetaton, onde hoje está Tel El-Amarna: Na verdade, este era o lugar para o qual o rei Aquenáton, visionário e religioso reformador, foi dirigido por inspiração divina no quinto ano de seu reinado; o local onde seu Deus Único, Ré Horakhty... manifestou-se no momento da criação do mundo. Agora, vejamos um texto bíblico que se relaciona com esse assunto: E disse o Eterno [Javé] a Abrão [Abram]: “Anda de tua terra e da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que te mostrarei. E farei de ti uma grande nação, e abençoar-te-ei, e engrandecerei teu nome, e serás uma bênção. (Bíblia hebraica, A Lei de Moisés-Torá, Ed. Sêfer, Gênesis 12:1-2) E apareceu o Eterno [Javé] a Abrão, e lhe disse: "À tua semente darei esta terra. [à tua posteridade darei este país]". E edificou [Abrão] ali um altar ao Eterno [Javé], que lhe havia aparecido. E saiu dali para o monte, ao oriente de Bet-El, a estendeu sua tenda: Bet-El ao ocidente e Ai [Ai] ao oriente, e edificou ali um altar ao Eterno [Javé] e invocou o nome do Eterno [Javé]. E saiu Abrão andando e viajando para o sul [Neguev]. (Bíblia hebraica, A Lei de Moisés-Torá, Ed. Sêfer, Gênesis 12:7) Mais adiante, o texto bíblico retoma: E Abrão estava muito carregado em gado, em prata e em ouro. E andou em suas viagens do sul [Neguev] até Bet-El, até o lugar em que estava sua tenda no princípio, entre Bet-El e Ai [Ai] [Bet-El = a casa de Deus]. Ao lugar do altar que havia feito no princípio, e invocou (rezou) ali Abrão o nome do Eterno [Javé]. (Bíblia hebraica, A Lei de Moisés-Torá, Ed. Sêfer, Gênesis 13:2-4). O lugar ao qual Aquenáton foi conduzido, Aquetaton, foi chamado de "um lugar para a glória de Áton", lar de Deus na Terra para a eternidade. Aquenáton construiu um altar no local, falando que seu deus indicou-lhe esse lugar e declarou a terra sagrada para ele e sua posteridade. O paralelo entre Abraão e Aquenáton torna-se mais claro. De acordo com Cyril Aldred, foi sempre de dentro de sua tenda, que Aquenáton supervisionava as grandes obras de sua capital. "O rei estava, no momento das conversas, descansando em uma tenda em Aquetaton, e de lá discutiu sobre onde seriam os limites da cidade". Christian Jacq comenta: A documentação informa-nos de uma conversa do rei, durante sua primeira estadia em El-Amarna (Aquetaton), residia sob uma grande tenda. Desde lá tomava as decisões e sem dúvida supervisionava as grandes obras e a atividade dos construtores. Este era o local exato onde ele tinha armado sua tenda, desde a qual Aquenáton ordenava a construção do Grande Templo de Áton. Como na Bíblia, a tenda é uma prefiguração do Santo dos Santos, a sala sagrada do templo. O comentário do Rashi revela detalhes essenciais sobre a relação entre Abraham e Aquenáton, nove séculos antes dos egiptólogos: Vale de Shaveh. O nome significa "vale unido". O Targum [aramaico] traduz isso da seguinte maneira: a planície aberta, ou seja, livre de árvores ou outros obstáculos. O Vale do Rei. O Targum diz que era a avenida real. Havia uma trilha de trinta unidades de comprimento, reservada para a diversão do rei. Outro Midrash. Este é o vale onde todas as nações, unidas em comum acordo, escolheram Abraão como rei, como líder e guia. (Rashi, Gênesis 14:17) Então Abraão foi o rei monoteísta de uma cidade localizada em um vale, que se vangloriou de uma avenida e foi aclamado por muitas "nações unidas". Os representantes destas nações só podiam ter aclamado um rei poderoso, aquele que receberam na cidade. A tradição oral guardava a lembrança de Aquenáton desfilando na avenida real diante de seu povo monoteísta, formado por diferentes nações unidas pela mesma língua, no vale de Aquetaton. De acordo com a descrição de Cyril Aldred, havia uma "Estrada Real" processional de 40 metros de largura, na qual a carruagem real de Aquenáton, seguida por Nefertiti, seguidos dos carros da polícia e a guarda de elite. Aldred insinua que era uma estrada real adaptada às corridas: "Uma estrada tão larga, esticada como uma pista de boliche, sugere mais um tipo de trilha planejada para carruagens do que para, digamos, as peregrinações de animais em caixas". Assim, o "hipódromo" que Rashi discute era uma estrada real, provavelmente delimitada pelas pontes norte e sul, com os edifícios que limitavam a cavalgada. O rei Abraão e o rei Aquenáton sem dúvida desfilavam pela mesma estrada. ☥ ☥ ☥ A Bíblia identifica "Abraão o hebraico" como o principal pastor que conduz seus rebanhos através das planícies e desertos da Mesopotâmia, Canaã e Egito. A imagem de um pastor semi-nómada que entra no Egito para o faraó, para receber esposas e riquezas está em grande contradição com os costumes do Antigo Egito. A expressão "pastor de rebanhos" aparece frequentemente na Bíblia. Em hebraico é pronunciado "Roeh-Tseh-On". "Eva então aborreceu seu irmão Abel. Abel tornou-se um pastor de rebanhos (Roeh-Tseh-On), e Caim cultivou a terra" (Gênesis 4:2). "Moisés tornou-se um pastor dos rebanhos de Jetro, seu pai - sogro do sacerdote de Midiã." (Êxodo 3:1). Fabre d'Olivet comparou a expressão hebraica "Roeh-Tseh-On" com o caldeu (antigo aramaico), samaritano, e equivalentes em árabe. Como resultado de suas explorações linguísticas, descobre que a expressão "Roeh-Tseh-On" esconde um rei com seu exército sob o símbolo de um pastor e seu rebanho. Quando o código é quebrado, Abraão é revelado como um personagem real. Os escribas listavam a linhagem real de Abraão (Aquenáton) no termo hebraico "Roeh-Tseh-On", o que lhes permitia manter uma atitude humilde diante dos reis da Babilônia. Na mesma linha, José pediu a seus irmãos que se apresentassem diante do Faraó como descendentes de gerações de pastores. E disse José a seus irmãos e à casa de seu pai: Subirei e anunciarei ao Faraó, e dir-lhe-ei: Meus irmãos e a família de meu pai, que estavam na terra de Canaã, vieram a mim. E os homens eram pastores [Roeh-Tseh-On], pois eram homens de gado; e seus rebanhos, e suas vacas e tudo que era deles, trouxeram. E quando vos chamar o Faraó e vos perguntar: Quais são os vossos ofícios? E direis: Homens de gado foram teus servos desde nossa mocidade até agora; também nós, também nossos pais; para que fiquem na terra de Goshen, pois é abominação para os egípcios todo pastor de rebanhos. (Bíblia hebraica, A Lei de Moisés-Torá, Ed. Sêfer, Gênesis 46:31-34). Para salvar suas vidas, os irmãos de José humilharam-se diante do Faraó. Os versos contraditórios que colocam juntos pastores e reis escondem a mensagem alternativa, no entanto. Para sobreviver no exílio, os Yahuds humilharam-se antes de Nabucodonosor, seu novo deus-rei, passando-se como pastores que vieram do Egito, viajando facilmente de um país para outro. Para agradar ao rei, colocaram seu antepassado Abraão na Mesopotâmia, porque os egípcios eram uma abominação aos olhos dos caldeus. A tradição dos agradáveis reis governantes foi perpetuada desde o tempo de Nabucodonosor até o reinado de Ptolomeu. O comentário de Rashi, discutindo Exodus 12:40, mostra que essa prática era conhecida na tradição oral. Ele escreveu: "Esta é uma das passagens da Torá que foi modificada para agradar ao Rei Ptolomeu". Essas modificações frequentes, que foram infligidas nos textos sagrados para agradar aos mestres egípcios ou babilônicos, distorcem o documento original e são motivo de muitas contradições entre a Bíblia e o fato histórico. Nabucodonosor concedeu clemência a essa população de pastores, os quais tradicionalmente eram submissos. Os sacerdotes de Yahud usaram esse recurso para obter o favor real. Eles passaram como um grupo de pastores hebreus e assim salvaram suas próprias peles. ☥ ☥ ☥ Tanto na história de Abraão quanto na história de Aquenáton, temos um caso de ruptura dramática com o passado. Na tradição oral judaica, é mencionado que Abraão quebrou os ídolos de seu pai. Conhecemos uma situação semelhante no Egito. Nos anos do quarto e do duodécimo de seu reinado, Aquenáton demoliu as estátuas dos deuses de Amon. Um sentimento de desolação varreu todo o Egito. Durante o tempo dessa reação iconoclasta, ele quebrou os ídolos de seu pai Amenófis III, isto é, dos seus antepassados, os faraós egípcios (os Elohim). Aquenáton, assim, quebrou o antigo mandamento de respeito pelos "pais", criando uma ruptura no núcleo da monarquia ancestral tradicional. Mais tarde, Horemheb e os Ramsés abandonaram propositadamente a gravação do nome de Aquenáton e os de seus filhos Semencaré e Tutancâmon, e até mesmo o do Divino Padre Ai, na parede do Templo de Abidos. Os nomes dos outros pais faraônicos ancestrais aparecem naquela parede. Horemheb declarou-se "o filho direto de Amenófis III", eliminando definitivamente os nomes dos reis hereges amarnianos da lista dos "Elohim". Aquenáton glorificou e proclamou seu nome, bem como o de Áton em Aquetaton. Aqui está um extrato da proclamação de Aquenáton em uma das estelas da fronteira da futura capital. O Rei do Alto e Baixo Egito, Exemplo vivo da Verdade, Senhor do País Duplo, Bonito como as Formas de Ré, o Filho de Ré, que também é o Exemplo Vivo da Verdade, Senhor das Duas Coroas, Aquenáton (o glorificado espírito de Áton, ótimo durante sua duração, vivendo para sempre eternamente. O Deus Perfeito, o Único de Ré, de quem Áton criou a Beleza, verdadeiramente excelente para o seu criador, que o satisfaz com tudo o que a alma dela deseja, o servo que engendrou e o administrador do país pelo qual ele o colocou o trono, fornecendo seu lar com inúmeras posses, sustentando Áton e magnificando seu nome, fazendo com que eles pertencessem a Ele que o criou. Eis que proclama Aquenáton. É Áton que queria isso para que ele fosse criado para comemorar seu nome. É Áton, meu pai, que governa a cidade. As palavras do rei levantam a seguinte questão. Ao excluir Amon, ¿rejeitou Aquenáton completamente seu pai, Amenófis III? ou pelo contrário, ¿identificou seu pai como Áton? Os termos "filho de Áton", "pai que governa a cidade", "Áton, o pai", que aparecem nas proclamações de Aquenáton, indicam um compromisso entre pai e filho. No Templo de Soleb, Amenófis IV é mostrado adorando seu pai Amenófis III, que era conhecido como "Áton radiante". "O culto de Áton seria coroado por uma" aliança "proclamando Áton o pai e Aquenáton o filho. A sugestão de um cisma entre Amenófis III e seu filho parece plausível. Na hora da quebra de Aquenáton dos ídolos de seu pai, Amenófis III ainda estava vivo. Deve ter existido um duplo reinado entre os dois monarcas. Um compromisso entre pai e filho permitiu que a nova religião monoteísta vivesse e prosperasse dentro das fronteiras da nova cidade sagrada. A paz foi assim assegurada pelo Egito pelo menos até a morte de Amenófis III. ☥ ☥ ☥ Se, para fins da política do Oriente Próximo, Aquenáton foi transformado no personagem lendário do Pai Abraão, ¿não podemos imaginar que sua esposa, Sara, também tenha sido um personagem histórico no drama da cidade sagrada de Aquetaton? A riqueza de Abraão, suas esposas (princesas), seus servos e escravos e a submissão a ele, de nações e reis estrangeiros, conferem-lhe a estatura de um monarca. E escutou Abrão que fora feito cativo seu irmão, e armou seus (homens) iniciados, nascidos de sua casa, trezentos e dezoito (homens) e os seguiu até Dan. (Bíblia hebraica, A Lei de Moisés-Torá, Ed. Sêfer, Gênesis 14:14). Este verso mostra que Abraão possuía uma mansão com 318 escravos (ou criados), sem contar as mulheres. Isso mostra que ele mantinha pessoal suficiente para um palácio. O número também é notavelmente próximo dos 317 servos e damas que esperavam que acompanharam Amenófis III em seu casamento com a princesa Gilukhepa. Dessa forma sutil, os sacerdotes Yahud e os escribas esconderam em seus textos a aparência da imensa civilização egípcia. A Bíblia insiste na grande beleza de Sara. Essa beleza levou a dificuldades com o Faraó e com os outros. A primeira esposa de Abraão foi Sarai, cujo nome foi posteriormente alterado para Sara. Gênesis 12:11 fala de sua beleza: Foi quando se aproximou [Abraão] para entrar no Egito, disse a Sarai sua mulher: "Eis que agora sei que és uma mulher formosa à vista. (Bíblia hebraica, A Lei de Moisés-Torá, Ed. Sêfer, Gênesis 12:11) Tomando a bela esposa em um país estrangeiro, parecia que Abraão estava em perigo. Ele temeu por sua própria vida nas mãos dos egípcios que, com certeza, o matariam para que Sara fosse uma viúva disponível. Por esta razão, pediu a Sara para fingir ser sua irmã e não sua esposa. Quando chegaram ao Egito, Sara era, de fato, notada pelos homens do país: E foi ao vir Abrão ao Egito, e viram os egípcios a mulher que era muito formosa. E viram-na os ministros do Faraó [Par’ó] e gabaram-na ao Faraó e foi tomada a mulher para a casa do Faraó. E a Abrão fizeram bem por causa dela; e teve ele rebanhos e vacas e asnos e servos e servas e jumentas e camelos. E infligiu o Eterno ao Faraó e à sua casa, grandes pragas por causa de Sarai, mulher de Abrão. E chamou o Faraó a Abrão e disse: Que é isto que fizeste a mim? Por que disseste: minha irmã é ela? E tomei-a para mim por mulher! E agora, aqui está a tua mulher, toma-a e vai-te. (Bíblia hebraica, A Lei de Moisés-Torá, Ed. Sêfer, Gênesis 12:14-19) Por causa da Sara, o Faraó tratou bem a Abraão, trazendo-lhe riquezas. Os escribas, ao contar a história bíblica, puderam mostrar a Abraão como uma pessoa rica e poderosa. Quando comparamos a esposa de Abraão, Sara, com a esposa de Aquenáton, Nefertiti, observamos alguns paralelos. Nefertiti também foi admirada pelos egípcios por sua perfeição. Abraham referiu-se à Sara como sua irmã. Joyce Tyldesley observa que a expressão "minha irmã" era costumeira entre os príncipes e as princesas do Egito. "Durante todo um período dinástico, a expressão "irmã" foi empregada em seu sentido mais amplo. Por conseguinte, também poderia designar igualmente uma irmã, uma cunhada ou uma irmã adotiva". Erman e Ranke relatam uma convicção similar. No Antigo Egito, a palavra "irmã" serviu para designar amado, exatamente como é usado hoje no Egito o termo "primo". Na poesia lírica egípcia, os amantes sempre dizem "meu irmão" e "minha irmã" e lá não há dúvida de que, na maioria dos casos, "sua irmã" não pode significar nada além de "sua amante", sua concubina. Sara era simultaneamente esposa do Faraó e Abraão. Nefertiti estava casada com o pai de Aquenáton, Amenófis III. Assim, Nefertiti foi casada com dois faraós. Este triângulo de casamento é paralelo ao triângulo do casamento na Bíblia. Nefertiti, meia-irmã de Aquenáton, não tive filhos com Amenófis III, com quem foi casada por um curto período. O mesmo aconteceu com Sara, esposa temporária do rei do Egito. A tradição oral afirma que Deus atormentava o faraó com impotência para que ele devolvesse Sara a Abraão. Amenófis III, senil e doente no final de sua vida, fez mais de setecentas estátuas femininas, cada uma com a cabeça de uma leoa (Sekhmet), para curar sua impotência e as outras doenças que o afligiam. A Bíblia afirma que Sara era a esposa de um faraó, que historicamente teria sido Amenófis III, o pai de Aquenáton. Nefertiti também era esposa de Amenófis IV. Os escribas bíblicos mantiveram na memória a imagem de Nefertiti para descrever Sara. Mais tarde, na história bíblica, novos paralelos foram trazidos para a questão Sara-Nefertiti. Anos depois da suspensão de Abraão no Egito, Sara permaneceu sem filhos. A questão sobre um herdeiro estava em jogo. Em Gênesis 16:3, quando Abraão esteve na terra de Canaã por dez anos, Sara, sem ter gerado um filho homem, ofereceu sua serva Agar a Abraão. Ele deitou-se com Agar e ela concebeu. Quando Agar tomou conhecimento do assunto de que ela havia concebido, sua amante tornou-se objeto de desdém para ela. Sara disse a Abraão: Mande conversa a escrava [Agar] e o filho dela" (Gênesis 21:10). Rashi esclarece o assunto de Agar egípcio (Rashi, Gênesis 16:1): Era a filha do faraó. Quando viu os milagres de Sarai, ele disse: "Seria melhor para minha filha ser serva [de Abraão] em tal casa do que sua amante em outra casa.” Se Agar é a filha do Faraó, ela só poderia ter sido dada, pelas mesmas razões que Sara, a um príncipe ou corregente pertencente à família real e deve ter residido no Egito. As princesas egípcias não podiam deixar seu país. Se Abraão tivesse feito isso, teria realizado o impossível - deixando o país na companhia de Sara e Agar, rainha e princesa do Egito. Nefertiti era mãe de seis filhas. Ela não gerou um filho para assegurar a linhagem real. Aquenáton teve um filho primogênito, Semencaré, com outra esposa, provavelmente a rainha Kiya, uma das muitas filhas de Amenófis Ill. Os dados históricos indicam que Nefertiti mandou embora a rainha Kiya. Como Nefertiti, Sara foi enterrada em uma caverna no final de um campo, lembrando o vale e os túmulos esvaziados nas falésias de Aquetaton. E confirmou-se o campo de Efron que está em Machpelá, diante de Mamré, o campo e a cova que nele havia, e toda árvore que no campo havia, em todos os seus limites, ao redor, para Abrahão, por compra, aos olhos dos filhos de Chet, e de todos os que vinham pela porta da sua cidade. (Bíblia hebraica, A Lei de Moisés-Torá, Ed. Sêfer, Gênesis 23:17-18). "Os filhos de Hete responderam a Abraão dizendo: "Ouçam-nos, Senhor [Adoni]! É um dignitário de Deus entre nós [Elohim]"... Abraão levantou-se e prostrou-se diante do povo da terra [Am Aarets], diante dos filhos de Hete. " Abraão é designado pelos filhos de Hete como Adon, "um dignitário dos Elohim entre nós", pertencente à sua família. Consequentemente, os filhos de Hete, diante de quem Abraão se prostra, são dignitários adorando o Elohim, o Deus Único. Daí a cidade bíblica de Hete ser monoteísta, "digna" de atribuir a Abraão um túmulo localizado no seu portão. No verso do capítulo 27 do Gênesis, há um problema em relação a "Hete", a cidade onde Abraão e Sara foram sepultados. Hete é misteriosamente transformado em "Canaã" no versículo seguinte (28:1). E disse Rebeca a Isaac: Enfado-me de minha vida, por causa das filhas de Chet. Se tomar Jacob mulher das filhas de Chet, como estas filhas desta terra [Aretz], para que quero vida? (Bíblia hebraica, A Lei de Moisés-Torá, Ed. Sêfer, Gênesis 27:46) E chamou Isaac a Jacob, e o abençoou, e ordenou-lhe e disse-lhe: Não tomes mulher das filhas de Canaã. (Bíblia hebraica, A Lei de Moisés-Torá, Ed. Sêfer, Gênesis 28:1) Hete é o nome fonético de Aquet, a cidade sagrada de Aquenáton. Este nome está escrito em dois hieróglifos HT, como em hebraico. Hete-Adon é semelhante ao som Aquetaton, que seria lido como Quer-Aton, e Aquetaten é onde Aquenáton e Nefertiti foram enterrados. Assim, essa transformação curiosa poderia ser simbólica da transformação pelos escribas de Hete, a cidade de Aquenáton em Hete, a cidade de Abraão e Canaã, a Terra Santa de Abraão. ☥ ☥ ☥ O relato bíblico do casamento de Rebecca com Isaque confirma seu status como uma princesa egípcia, rainha coroada do Egito. Gênesis 24:45-48 relata como Eleazar, servo de Abraão, traz Rebecca a Abraham e conta-lhe sua história: Antes que eu terminasse de falar com meu coração, eis que Rebeca surgia com seu cântaro sobre seu ombro; e desceu à fonte, e tirou água; e eu disse-lhe: Dá-me de beber, rogo-te. E apressou-se, e baixou seu cântaro, e disse: Bebe, e também a teus camelos darei de beber. E bebi, e também aos camelos deu de beber. E perguntei a ela: Filha de quem és tu? E disse: Filha de Betuel, filho de Nachór, para quem Milcá deu á luz. E pus o aro sobre seu nariz, e as pulseiras sobre suas mãos; (Bíblia hebraica, A Lei de Moisés-Torá, Ed. Sêfer, Gênesis 24:45-48) De acordo com Rashi (Gênesis 15:2), o Midrash diz que Eleazar seguiu os reis a Damasco. Assim, o servo de Abraão deve ter o poder de um general que difunde o ensinamento de seu mestre. A história é seguida com a distribuição de presentes reais. O versículo 47 descreve os costumes de Aquetaton, mostrados nas cartas de Amarna, envolvidos no reclamo das princesas para os vassalos do Egito. O anel passou pelo nariz de Rebeca é a imagem da entronização - um sinal de realeza. Forma o signo da vida, "Ankh", oferecido ao seu nariz por Áton e atribuído aos reis e rainhas do período de Amarnan. Os dois braceletes da Rebeca compartilham o mesmo significado que o anel. "E dois braceletes. Uma alusão às duas tábuas duplas" (Rashi, Gênesis 24:22). A explicação de Rashi compara as pulseiras às Tábuas da Lei. Voltando à tradição oral, ele estabelece a convergência da palavra tsemidym (braceletes) e as tábuas de pedra (mitsomedot), semelhante aos dois cartuchos de Áton - os mesmos cartuchos dourados sob a forma de pulseiras com os quais Aquenáton e Nefertiti são retratados utilizando. ☥ ☥ ☥ Jacob, neto de Abraão, filho de Isaque, é lendário por seu sonho no qual uma escada celestial foi erguida entre o céu e a terra. E se encontrou no lugar, e dormiu ali porque se havia posto o sol. E tomou das pedras do lugar e as pôs à sua cabeceira e deitou-se naquele lugar. (Bíblia hebraica, A Lei de Moisés-Torá, Ed. Sêfer, Gênesis 28:11). Rashi relata que, na tradição oral, esta passagem está explicando que a pedra era um apoio para a cabeça. Vários apoios de pedra para cabeça foram encontrados no túmulo de Tutancâmon. O assento funerário de alabastro em que o "faraó menino" repousava, como muitos objetos no túmulo, pertencia a Aquenáton. Erman e Ranke mencionam que vários encostos de cabeça foram encontrados nas casas de Amarna, adaptados com almofadas para conforto. Este fato mostra que a tradição oral hebraica manteve uma memória precisa de objetos em uso da origem egípcia do povo. Uma vez que Jacob acomodou-se para dormir, com a cabeça apoiada no suporte de cabeça de pedra, sonhou: E sonhou, e eis que uma escada estava apoiada na terra, e seu topo chegava aos céus, e eis que anjos de Deus subiam e desciam por ela. (Bíblia hebraica, A Lei de Moisés-Torá, Ed. Sêfer, Gênesis 28:12) Os Textos da Pirâmide falam claramente sobre uma escada, e uma escada com asas, lembrando a escada de Jacob com seus anjos escalando em direção à luz. Cada passo da escada representava um julgamento para o Faraó empreender. Nas paredes da pirâmide do faraó da Sexta Dinastia Pepi I (2300 a.C.) são alguns dos primeiros hieróglifos relacionados à vida desse rei. Uma escada com seis degraus, provavelmente representando os seis ensaios do faraó, está gravada lá. Para os egípcios, como para os Yahuds, a vida era apenas uma passagem para alcançar o mundo celestial. Do mesmo modo, a pirâmide de Djoser, uma construção de seis degraus, lembra as "obras" do faraó. A escada de Jacob, então, volta à escada do faraó. Jacob, como faraó, teve provas ou "trabalhos" à frente dele. A lenda bíblica da rocha e da escada de Jacob são reflexos das provações que o faraó teve que sofrer após a morte. Os escribas queriam preservar uma tradição profundamente ancorada no antigo Egito: a última viagem do faraó. ☥ ☥ ☥ Depois de lutar com um anjo, Deus disse a Jacob que doravante seu nome seria Israel. "Israel" foi considerado um título honorífico, ligado ao seu triunfo sobre o mensageiro de Deus, que está aqui identificado com os Elohim. E disse [o mensageiro de Deus ou deuses]: Não, Jacob não será mais teu nome, senão Israel, pois lutaste com (o anjo de) Deus e com homens e venceste. (Bíblia hebraica, A Lei de Moisés-Torá, Ed. Sêfer, Gênesis 32:29) A história é repetida mais tarde em Gênesis 35:10, quando os Elohim aparecerem a Jacob para dizer: "Teu nome é Jacob; não será mais Jacob, mas Israel será teu nome”. E chamou seu nome Israel. (Bíblia hebraica, A Lei de Moisés-Torá, Ed. Sêfer, Gênesis 35:10) A vitória de Jacob sobre os Elohim é um reflexo da vitória de Amenófis IV sobre seu pai, pelo qual ele também mudou seu nome. Aquenáton comprometeu-se contra os homens e os deuses. Ele fez com que Áton triunfe sobre os outros deuses (Elohim) do Império, os deuses de seu pai. Ele havia seduzido os sacerdotes e príncipes do Egito (os filhos dos Elohim) atraindo-os para a sua capital. Lá, ele mesmo tinha sido aclamado por todo o povo na avenida real de Aquetaton. Ele era o Pai das Nações, o Filho do Ré, o Deus Vivo. ☥ ☥ ☥ No começo da história de Jacob, ele enganou seu irmão Esaú de seu direito de nascença e fugiu de seu país de origem. Anos depois, quando Jacob e sua família retornaram ao país de origem, antecipou o encontro com seu irmão Esaú, de quem havia sido separado por muitos anos. Ele estava preocupado que Esaú desejasse-lhe prejudicar. E levantou Jacob seus olhos, e olhou, e eis que Esaú vinha, e com ele quatrocentos homens; e repartiu as crianças entre Lea e Rachel e entre as duas servas. E pôs as servas e seus filhos na frente; e a Lea e seus filhos atrás, e a Rachel e a José por último. E ele passou diante deles, e prostrou-se sete vezes, até chegar a seu irmão. (Bíblia hebraica, A Lei de Moisés-Torá, Ed. Sêfer, Gênesis 33:1-3) A prostituição antes de Faraó era habitual em Aquetaton. As cartas de El Amarna mencionam esta prática com frequência. Aqui é um chamado de angústia de Rib-Hadda, Príncipe de Gubla: Rib-Hadda disse a seu Senhor, o grande rei, rei de todos os países: "Caio aos pés do meu Senhor, o rei, sete vezes e sete vezes. Gubla, desde tempos antigos, tem sido uma cidade leal ao meu senhor o Sol de todos os países, e eu sou um escabelo para os pés do rei, meu senhor e seu leal servo. Agora, quanto a Sumur, a guerra contra ele é muito áspera, e é difícil contra mim. Sumur feito agora ataques até o seu portão. Eles conseguiram atacar, mas não conseguiram capturá-lo". (EA 141) As sete vezes que se prostra perante o Deus-Rei provavelmente foi instituída por Aquenáton. As Cartas de Amarna empregam a fórmula polida: "Eu caio aos pés do meu Sol, sete vezes e sete vezes". O ritual de Jacob é uma lembrança da tradição ateniana. Neste caso, o irmão mais velho de Jacob é uma substituição do pai de Aquenáton. ☥ ☥ ☥ E viveu Jacob na terra do Egito dezessete anos; e foram os dias de Jacob, anos de sua vida, cento e quarenta e sete anos. (Bíblia hebraica, A Lei de Moisés-Torá, Ed. Sêfer, Gênesis 47:28) Os 17 anos da vida de Jacob mencionados aqui correspondem aos 17 anos do reinado de Aquenáton. O número 17 também aparece nos 175 anos de Abraão (Gênesis 25:7). Os exageros na longevidade dos personagens bíblicos estendem-se por toda a história. Adão é reivindicado ter vivido por 930 anos (Gênesis 5:5), Noé 950 anos (Gênesis 9:29), Terá, pai de Abraão, por 205 anos (Gênesis 11:32), Sara 127 anos (Gênesis 23:1) e Moisés 120 anos (Deuteronômio 34:7). Essa imoderação permitiu que os escribas estabelecessem o livro das gerações no conto bíblico e, assim, espalhassem a história de Aquenáton e o êxodo do Egito ao longo de várias centenas de anos. "Estas são as gerações dos céus e da terra na sua criação (Beh-heh-baram)" (Gênesis 2:4). Albert Soued mostra a relação entre as gerações e Abraão: "Behibaram" é uma palavra no verso escrita de maneira estranha. A letra Hei é miniaturizada por uma inversão das letras Aleph e Hei, o sentido de "em Abraão" é obtido. Assim, as gerações foram criadas dentro da palavra Abram, graças a Hei. Como é demonstrado em mais detalhes no capítulo 22, a letra hebraica Hei ה é análoga do hieróglifo "o Grande Deus" (ou seja, o criador dos céus e da terra). ☥ ☥ ☥ Aquenáton gravou um voto a seu deus Áton sobre algumas 14 estelas de fronteira de Aquetaton. Este voto pode ser um compromisso territorial e religioso entre ele e seu pai Amenófis III, entre Atoniano e o Egito Amoniano. Assim, os dois rivais corregentes prometeram que cada um não abordaria os limites de seus respectivos territórios. Este é realmente o meu juramento, que meu coração pronuncia e que nunca vou trair. A estela do Sul, que está na montanha a leste de Aquetaton, é a Stela de Aquetaton que eu estabelecerei em seu lugar. Nunca ultrapassarei este limite do sul. Posteriormente, Aquenáton jurou solenemente por seu deus Áton, nunca ir além dos limites das estelas ao sul, oeste, leste e norte da nova capital. O juramento foi marcado por sacrifícios e um imenso banquete. Os paralelos com as ações de Aquenáton e o compromisso entre Jacob e seu sogro Labão são impressionantes: E disse Labão a Jacob: Eis este montão [esta estela], e eis aqui este monumento, que levantei entre ti e mim.[...] (Bíblia hebraica, A Lei de Moisés-Torá, Ed. Sêfer, Gênesis 31:51) A Bíblia insiste que o conflito entre Labão e Jacob era de caráter político-religioso. As 14 estelas erigidas delimitam o território de Aquetaton, separando o Egito o Egito Atoniano e o Egito o. Rashi (Gênesis 32:3) menciona dois campos que separam Jacob e Labão. "Mahanaim. Dois campos [dois territórios sagrados, mas de nomes diferentes], os do estranho que o acompanharam lá e os da Terra Santa sobre os quais ele havia acontecido". ☥ ☥ ☥ A sete vezes se prostrando, os dezessete anos que Jacob estava no Egito, a onipresença de Abraão desde a criação do mundo, a adoração solar de Jacob e, especialmente, o juramento de nunca ultrapassar os limites do seu território sagrado, todos mostram um relacionamento estrito entre a Bíblia e a história egípcia na época de Aquenáton. |
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