Segredos do Êxodo [16]. Aarão e Horemheb.
Segredos do Êxodo [16].
Aarão e Horemheb.
Por Sabbah, Roger.
Tradução: Lúcio José Patrocínio Filho:.
Publicação autorizada pelo escritor.
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Moisés é claramente o herói central do Livro do Êxodo. Ele é retratado como o líder dos Filhos de Israel na sua luta pela libertação da escravidão e como seu guia na Terra Prometida. Dizemos que ele tinha um irmão mais velho, Aarão, que era o segundo comandante da operação. Uma vez que a história do Êxodo se baseia em um evento na história egípcia, o irmão de Moisés, Aarão, presumivelmente é um personagem histórico. A Bíblia hebraica contém sugestões suficientes para permitir-nos determinar quem os escribas estavam mascarando no personagem que eles chamavam de Aarão. O Aarão, que atua como coadjuvante no Êxodo, historicamente, era o general Horemheb, um genro do Divino Pai Ai e, mais tarde, um faraó do Egito. Uma descoberta importante sobre três nomes inscritos no cartucho de Horemheb - aqueles dos três personagens bíblicos Aarão, Miriam, sua irmã e Hor, filho de Miriam, confirmam que Aarão era mesmo o Faraó Horemheb. Parte dessa descoberta foi que o nome de Hórus, o falcão, o pássaro da luz, era de origem grega e não egípcia. De acordo com Pierre Grander, a verdadeira pronunciação egípcia de Hórus é "Hor": "Vários exemplos intermediários são conhecidos do nome de Áton, onde o nome de Hórus (Hor) é escrito foneticamente, evitando assim escrevê-lo por meio da imagem de um falcão." De acordo com Claude Vandersleyen, Hórus (Hor) era o nome próprio de Horemheb. "Sua vontade de buscar reformas concretas revela-se em seu nome - Hórus (Hor): nos planos efetivos (Hornung, 1971, 49, 50)". Então, Hórus é pronunciado como Hor, como o sobrinho de Aarão na Bíblia, e como o próprio Aarão (A-Horon). Estas várias coincidências fonéticas não são devidas ao acaso, porque os escribas forneceram outros elementos que revelam a verdadeira identidade de Aarão. A irmã de Aarão recebeu o nome de Miriam e seu nome também figura no cartucho de Horemheb sob a forma do hieróglifo Meri-Amon (amada de Amon). Miriam é uma contração, de acordo com as estritas tradições bíblicas e egípcias, marcando a filiação de Horemheb com Amon. Como com Abraão, a quem os escribas da Bíblia compuseram seu nome com Ab-Rá-Amon, pai do povo de Rá e Amon (Êxodo 17: 4-5), Miriam é a contração de Meri-Amon. Miriam, a mãe do povo, a metáfora da Ísis. O lado direito do cartucho do Faraó Horemheb (mostrado abaixo) contém, por si só, os nomes de "Aarão", "Miriam" e "Hor", associados ao tema de um festival que é nada mais nada menos que o festival do Bezerro de Ouro. A escrita fonética do lado direito do cartucho é pronunciada Hor-on-m-heb. O sentido do nome Horemheb, no egípcio Hor-n-m-heb, lembra a história bíblica do Bezerro de Ouro. A coroa [N] é o símbolo do ouro, e o nome da coroação de Horemheb é "Golden Hórus, o touro poderoso". Na Bíblia, o deus Hor está escondido sob vários nomes: Naor (Na+Hor) e Harã (irmãos de Abraão), Naharim, Horeb, Horma etc. De acordo com o Rashi, Hor seria o filho de Miriam. Ele aparece brevemente na Bíblia, desaparecendo após o episódio do Bezerro de Ouro. O relacionamento "Aarão, irmão de Miriam, que é a mãe de Hor", é ilustrado por uma efígie no túmulo de Horemheb: o faraó é colocado entre Ísis e Hor (Hórus). Ísis, "a irmã de Horemheb", é a mãe de Hor. ☥ ☥ ☥ De acordo com o Livro do Êxodo Aarão tem a responsabilidade da cobrança de impostos e da luta contra a corrupção. Durante os reinados de Aquenáton e Tutancâmon, o Divino Pai Ai colocou Horemheb a cargo de supervisionar a administração fiscal do Egito. Claude Vandersleyen descreve: "Pelo decreto de Horemheb, sabe-se que a corrupção prevaleceu entre os coletores de impostos e juízes. Horemheb enfatiza que ele viajou por todo o país para conhecê-lo com profundidade. O próprio Aquenáton, sem dúvida, não viajou. Portanto, é razoável esperar que ele negligenciou a administração geral de sua nação". Vemos Aarão no mesmo papel desempenhado por ele na Bíblia. "E falou o Eterno [Adon-Ai] a Aarão: “E Eu, eis que te dei a guarda das Minhas ofertas; todas as santidades dos filhos de Israel dei-as a ti por grandeza, e a teus filhos, por estatuto perpétuo." (Bíblia hebraica, A Lei de Moisés-Torá, Ed. Sêfer, Números 18: 8) O Vizir Ai confiou seu general e coletor de impostos a responsabilidade de escoltar os Yahuds para fora do Egito e para as províncias. Horemheb tinha um colega oficial que compartilhava a responsabilidade, um general conhecido pelo nome de Ramsés. ☥ ☥ ☥ Com o histórico drama egípcio em mente, vejamos a forma como os escribas da Bíblia relacionam a história. Quando os filhos de Israel chegaram ao deserto, ficaram descontentes com as condições e com a liderança. Algumas de suas revoltas eram mais abertas do que outras. Mas, as coisas não foram fáceis, tanto para o povo, quanto para os líderes, Moisés e Aarão. A primeira revolta do povo expulso do Egito foi contra Moisés. Eles o censuraram por levá-los ao deserto sem esperança de retorno. Os Filhos de Israel haviam participado de um grande milagre - a separação do Mar Vermelho ou do Mar dos Juncos. A revolta ocorreu apesar desse milagre. A maravilhosa separação das águas não pareceu impressionar muito os exilados. Eles estavam mais preocupados com o desconforto deles: Toda a comunidade dos Filhos de Israel começou a murmurar contra Moisés e contra Aarão no deserto. E os Filhos de Israel disseram-lhes: "Seria melhor ter morrido pela mão de Adon-Ai na terra do Egito, sentado pelas caldeiras de carne e comendo pão do outono. Porque você nos levou para este deserto para matar o povo de fome". (Bíblia aramaica, Êxodo 16:2) Esta incipiente revolta foi resolvida pela aparição milagrosa de alimentos. O maná caiu sobre eles do céu, e aves de caça apareceram no deserto juntamente com outras carnes. Contudo, ainda não estava tudo bem na região selvagem. No próximo capítulo do Livro de Êxodo (17:3), uma nova revolta estava sendo preparada: "O povo estava lá, com sede, e murmuraram contra Moisés e disseram: "¿Por que nos trouxeste o nosso Egito para morrer de sede, eu, meus filhos e meus rebanhos?"" Moisés fez com que a água fluísse de uma rocha e as queixas pararam. Na versão aramaica da Bíblia, em Números 21:5, o povo tem uma nova queixa, que a levam a Moisés: "E o povo se queixou de Adon-Ai e Moisés: "¿Por que nos arrastou, o nosso Egito, para provocar-nos a morte no deserto? Porque aqui não há pão, nem água, e estamos cansados dessa comida miserável. Então Adon-Ai enviou nossas serpentes ardentes que morderam o povo, e uma multidão pereceu". As cobras que atacaram os queixosos Filhos de Israel deram um toque final à revolta sobre a terrível comida e as condições de vida. No entanto, houve mais revoltas em jogo. Houve problemas em relação à liderança. As pessoas reclamavam que Moisés se tornara muito ditatorial. A pessoa que liderou essa revolta sobre a liderança de Moisés foi Corá. O episódio da revolta de Corá (Números 16:1), da tribo de Levi (Yahuds), revela o espírito de rebelião que cresceu progressivamente entre os sacerdotes e a nobreza durante a permanência no deserto. Os Yahuds censuraram Moisés por querer manter o poder sem compartilhá-lo. Suas palavras são irritadas, irônicas e inflamatórias: [...] Não subiremos [à terra de Canaã]. Achas pouco nos teres feito subir de uma terra que emana leite e mel [Egito], para nos matares no deserto, senão que também queres te assenhorear de nós? Nem tampouco a uma terra que emana leite e mel nos trouxeste, nem nos deste a herança de campos e vinhas; porventura pensas arrancar os olhos destes homens? Não subiremos! (Bíblia hebraica, A Lei de Moisés-Torá, Ed. Sêfer, Números 16:12-14) Essas pessoas não estavam mais a favor de ir a uma terra prometida. Eles queriam voltar ao Egito. O povo então censurou Moisés e Aarão com veemência: "No dia seguinte, os filhos de Israel começaram a murmurar contra Moisés e Aarão, dizendo:" Vocês são os que fizeram morrer o povo de Adon-Ai "(Bíblia aramaica, Números 16:41). Moisés sofreu a revolta ordenando um massacre de dois sacerdotes de Corá. E abriu a terra sua boca e tragou-os, e as suas casas, a todos os homens de Côrach e a todos os seus bens. E desceram eles, e tudo que era deles, vivos ao abismo, e cobriu-os a terra e desapareceram do meio da congregação. (Bíblia hebraica, A Lei de Moisés-Torá, Ed. Sêfer, Números 16:32-33) Após a execução dos sacerdotes de Corá, os exilados sofreram um castigo terrível: Aqueles que morreram da praga somaram até 14.700, mais aqueles que morreram por causa de Corá [os 250 sacerdotes]. Quando Aarão voltou finalmente a Moisés, à entrada da Tenda da Congregação, a praga havia cessado. (Números 16:49-50) Os escribas aqui informam que Aarão esteve ao lado dos rebeldes de Corá. Foi Aarão quem finalmente acabou com a revolta. Como acabou com os problemas, deve ter feito parte do grupo dissidente. Houve uma crise de liderança no Êxodo. A questão era se seria Moisés ou Aarão quem se encarregaria do povo. No entanto, tanto Moisés como Aarão perceberam que o conflito aberto seria contraproducente. Deve ser alcançado um compromisso entre os dois irmãos (generais). Eles compartilhavam o poder até que os exilados alcançassem o Monte Sinai. Foi lá que os eventos deram um novo giro, com a questão do Bezerro de ouro. ☥ ☥ ☥ Após as muitas queixas e rebeliões das pessoas, o grupo chegou ao pé do Monte Sinai. Os eventos que ocorreram naquele ponto da história estão entre os mais dramáticos da Bíblia - o recebimento dos Dez Mandamentos e a adoração do Bezerro de Ouro. O episódio do Bezerro de Ouro é um ponto crítico na batalha pela liderança do povo do Êxodo. Quando Moisés afastou-se do povo por quarenta dias, tendo subido ao monte Sinai, Aarão construiu um bezerro de ouro para o povo adorar. Quando Moisés retornou, ficou furioso. A relação entre os dois líderes irmãos havia atingido um ponto crítico. Neste ponto dramático da história da Bíblia, consideremos a situação histórica que refletiu. O Divino Pai Ai foi o atual governante do Egito. O rei Tutancâmon havia morrido aos 18. Não houve uma linha direta de sangue que levasse a um novo faraó para a Décima Oitava Dinastia. O Divino Pai, o vizir Ai, assumiu a coroa. Antes de se tornar faraó, enviou os generais Horemheb e Ramsés ao norte para liderar os monoteístas até a província de Canaã. Enquanto os deportados morriam em Moabe, esperando que o exército egípcio liberasse Canaã para eles, o faraó Ai morre. Novamente, não havia descendente linear de Amósis, o fundador da Décima Oitava Dinastia. Não estava claro quem se tornaria faraó do Egito. Ramose, um vizir poderoso, era um possível reivindicador ao trono. Horemheb, que tinha o controle do exército, retornou a Tebas para reivindicar o trono para si. Ele era um político bem-sucedido, general e burocrata, facilmente eliminando a competição pela coroa e tornando-se o faraó do Egito. Como tal, era intermediário entre o povo e Amon. Horemheb agora tornou-se faraó e sacerdote. Agora, de volta à história da Bíblia, onde Moisés e Aarão ainda estão em disputa pela liderança do povo. Ao pé do Monte Sinai é dito que Moisés foi embora, subindo a montanha. E entrou Moisés pelo meio da nuvem e subiu ao monte, e esteve Moisés no monte quarenta dias e quarenta noites. (Bíblia hebraica, A Lei de Moisés-Torá, Ed. Sêfer, Êxodo 24:18) ¿Será que este versículo faz referência ao período de luto à uma pessoa importante? Lembre-se, o faraó Ai, uma pessoa de grande importância para os líderes do Êxodo, acabou de morrer. Quarenta dias é o período de tempo necessário para embalsamar uma pessoa na maneira egípcia, como revelado anteriormente em Gênesis: E se completaram quarenta dias, pois assim se cumprem os dias dos embalsamados, e choraram-no (por Jacob), no Egito, setenta dias. (Gênesis 50:3) Moisés teria estado ausente para cumprir suas obrigações religiosas pela morte do faraó Ai. A Bíblia nos diz que durante a ausência de Moisés, Aarão recolheu o ouro do povo e forjou-o em um ídolo, um bezerro de ouro: E disse-lhes Aarão: Tirai os aros de ouro das orelhas de vossas mulheres, de vossos filhos e de vossas filhas e trazei-os a mim. (Bíblia hebraica, A Lei de Moisés-Torá, Ed. Sêfer, Êxodo 32:2) Ele [Aarão] tirou [o ouro] de suas mãos, formou um buril e fez um bezerro de metal fundido. E eles disseram: "Aqui estão os teus deuses, ó Israel, que te trouxeram para fora da terra do Egito." Aarão viu [o bezerro de ouro] e edificou um altar diante dele. E Aarão proclamou: "Amanhã haverá uma festa para Ai [Adon-Ai]." Eles surgiram no começo do dia seguinte e apresentaram ofertas de fogo e trouxeram ofertas de paz. As pessoas sentaram-se para comer e beber, e então levantou-se para caminhar. (Bíblia Aramaica, Êxodo 32:4-6) Aaron está mostrando aqui sua simpatia pelo retorno aos deuses do Egito. Ele está mostrando seu acordo com os Yahuds que desejam retornar ao Egito. O compromisso de Aaron não é levar o monoteísmo à terra prometida, mas regressar ao culto de Amon e permitir que as pessoas retornem ao Egito. As pessoas celebram a liderança de Aarão e adoram facilmente o Bezerro de Ouro e participam de uma festa em homenagem a Amon, Áton, Ai e os Elohim, faraós do Egito, como veremos agora. De acordo com a tradução de Christian Jacq, os Textos da Pirâmide atestam que o bezerro de ouro simboliza o nascimento do faraó fundido com o sol-Ré. São os próprios antigos egípcios que nos dão o segredo do grande enigma do Bezerro de Ouro. A mãe do rei é a vaca celestial que se levanta em direção ao céu e que não o deixa para trás na Terra. O faraó junta-se a ela, a grande vaca selvagem nos céus. Ela o suga e não o deixa sem força. Depois de o ter concebido e colocá-lo na terra, ela o coloca dentro da sua asa para que ele a faça atravessar um lago e um canal. E é na forma de um Bezerro de Ouro que Ré nasceu nos céus. Assim, o Bezerro de Ouro simboliza o nascimento e a coroação de um novo faraó. Aarão está comemorando - Horemheb está comemorando. A celebração simboliza o retorno do povo Yahud à liberdade do culto anterior, o retorno a Amon, materializado na festa do Bezerro de Ouro. O episódio do Bezerro de Ouro é uma representação da tentativa de Horemheb, que acabou de se tornar o novo faraó do Egito, para finalmente resolver a crise de Amarna. Ele concedeu anistia aos que saíram do Egito, permitindo que eles adorassem os deuses antigos. Em contraste, o compromisso de Ramsés era estabelecer a terra de Canaã com os monoteístas. Quando Moisés voltou de sua estadia de quarenta dias, ficou aborrecido pelo rumo que as coisas tomaram. Surpreendido pela coroação de Horemheb (Aarão), Moisés atacou o povo diretamente. Ele ordenou um banho de sangue. Moisés dirigiu-se aos levitas (o exército dos sacerdotes): Ele disse-lhes: "Assim falou Adon-Ai, Deus de Israel. "Deixe cada homem desembainhar sua espada, vá de um portão a outro no acampamento, e deixe cada um matar seu irmão, seu amigo, parente."" (Bíblia Aramaica, Êxodo 32:27) Três mil foram mortos. O retorno de Moisés do Sinai provocou um conflito que ameaçou o poder de Aarão. Os dois irmãos chegaram a um compromisso, condenando e castigando pessoas inocentes. Os três mil que foram mortos satisfizeram Moisés, e Aarão recuou para manter a paz. Agora, vejamos o que a história nos diz sobre esse período. No início de seu reinado, Horemheb continuou a política de seu sogro, Ai, restabelecendo os deuses antigos em toda a terra. Horemheb tinha numerosas estátuas douradas esculpidas em todo o Egito, e reintegradas em seus respectivos templos, bem como muitos altares. Embora coroado mais de dez anos após o êxodo de Aquetaton, Horemheb estava irritado com a partida dos sacerdotes e sábios do Egito. A Estela do Retorno indica que a terra precisava de sacerdotes. O novo faraó não queria privar-se da elite intelectual. Ele teve que dar ao clérigo deportado a chance de se reintegrar na sua pátria e participar do processo de restauração. A recusa do general Ramsés em deixar o povo retornar ao Egito mostra sua determinação radical de repovoar Canaã, de acordo com a missão que lhe foi confiada pelo faraó Ai. Assim, Ramsés teve a habilidade de se opor a Horemheb sem ser sancionado. Uma guerra civil parecia iminente. Um acordo foi alcançado entre Ramsés e Horemheb, após uma série de massacres. Horemheb entendeu que os sacerdotes de Yahud, com suas antigas tradições, representavam um potencial recurso, vital para o Egito. No entanto, a única possibilidade que restava para o novo faraó era recrutar futuros sacerdotes das famílias da classe dos nobres. O recuo de Horemheb de sua posição anterior poderia explicar seu consequente comportamento hostil em relação à memória de seu sogro Ai por causa da demissão dos sacerdotes. Ele usurpou seu nome em algumas estátuas. Ele fez o mesmo em monumentos e estelas (por exemplo, a Estela da Restauração), gravada em nome de Tutancâmon. Na lista dos nomes dos faraós do Egito, ele baniu o nome dos reis amarnianos (Aquenáton, Semencaré, Tutancâmon e Ai), fazendo parecer que ele próprio era o verdadeiro filho de Amen-hotep III. A ação de Horemheb criou uma nova situação para o Egito - o problema de Aquetaton e o monoteísmo sendo enviados para o deserto de Moabe, perto de Canaã. O Alto e o Baixo Egito regressou aos antigos e tradicionais deuses amonianos. No entanto, no deserto, os Yahuds e o erev-rav (as pessoas comuns) estavam comprometidos com o culto monoteísta que era responsável pelo declínio do Egito. Eles deificaram Ai como o "símbolo do nome" do Deus Único no lugar de Áton. Horemheb teve o cuidado de aniquilar o culto atoniano e tentou neutralizar todas as formas do culto do Divino Pai Ai em duas terras. ☥ ☥ ☥ Horemheb foi promovido a governador do reino por Tutancâmon (sob a égide de Ai); Ele foi retratado nas vestimentas do Sumo Sacerdote, carregando o vaso do óleo da unção. Ele recebeu os colares de ouro, o xale ou vestuário sagrado, bem como outro vaso de óleo sagrado. Os sacerdotes aclamaram-no e prostraram-se diante dele. Da mesma forma, a Bíblia descreve Aarão como sumo sacerdote dos filhos de Israel: E falou Aarão todas as palavras que disse o Eterno [Adon-Ai] a Moisés e fez os sinais aos olhos do povo. E acreditou o povo, e compreenderam que visitou o Eterno [Adon-Ai] aos filhos de Israel, e que viu sua aflição e humilharam-se e curvaram-se. (Bíblia hebraica, A Lei de Moisés-Torá, Ed. Sêfer, Êxodo 4:30-31) O status de Sumo Sacerdote atribuído a Aarão permite entender por que Moisés nunca o castiga na história bíblica. A descrição das vestimentas sagradas de Aarão e sua função sacerdotal colocam-no acima de Moisés em qualquer hierarquia. Horemheb era o intérprete e escriba de Ai. Ele também era um homem comprometido com a reconciliação e desejoso de trazer os sacerdotes Yahud ao Egito. A política de centralização extrema em Aquetaton, associada ao abandono dos valores tradicionais, causou disfunção, anarquia e corrupção em todos os níveis da administração. O desejo de restabelecer a ordem era uma necessidade urgente na morte de Aquenáton. O Divino Pai Ai, um político efetivo e precursor do retorno da antiga religião, foi a pessoa que inspirou a reforma. Horemheb usurpou sua paternidade, como fez na maioria dos monumentos e estelas. Ele viu-se como o campeão do retorno de Amon, eliminando impiedosamente a memória de seus adversários, principalmente Ai, venerado e logo detestado. Claude Vandersleyen reconheceu em Horemheb o autor das malfeitorias perpetradas em nome de Ai no Templo de Karnak: Desde a atitude de Horemheb, quando sucedeu o faraó Ai, pode-se deduzir que nesses quatro anos [do reinado de Ai] não faltou tensão. O templo levantado em Karnak por Ai em memória do jovem rei morto [Tutancâmon] tinha ambos os seus nomes. Tutancâmon foi respeitado em todos os lugares, enquanto os nomes de Ai foram mais frequentemente destruídos e a superfície preparada para receber uma nova inscrição (Schaden 1984, 46-48, Eaton-Krauss, 1988, 4-5, 10-11). Somente Horemheb ou Ramsés poderiam ter ordenado essas mutilações, já que esses blocos foram finalmente enterrados no segundo pilone necessário para o edifício. Depois, Horemheb e Ramsés usurparam alguns monumentos e estátuas que foram atribuídos a Tutancâmon. Ao pé do décimo pilone da sala hipostilo do Templo de Karnak, há uma estela que decreta o retorno da ordem na terra, como o edito de restauração da estela de Tutancâmon. Nicolas Grimal acredita que Horemheb está no cerne da reforma: Ele [Horemheb] colocou juízes e tribunais regionais, e reintroduziu as autoridades religiosas locais. O poder jurídico foi dividido entre o Alto e o Baixo Egito, entre o vizir de Tebas e o vizir de Mênfis. A dualidade do país encontra-se novamente no exército onde as unidades militares foram reformuladas e dispersas em dois distritos militares, um ao norte e outro ao sul. Outro vizir, Ramsés, fez cargo dos territórios orientais (Canaã e Moabe), aplicando as leis do faraó e organizando a colonização das populações deslocadas. O vizir que administrava essas províncias era bastante separado do Alto e Baixo Egito, mas poderoso o suficiente para subir naturalmente ao trono após a morte de Horemheb. |
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