Segredos do Êxodo [20]. O Faraó da Paz.

Segredos do Êxodo [20].

O Faraó da Paz.

Por Sabbah, Roger.

Tradução: Lúcio José Patrocínio Filho:.

Publicação autorizada pelo escritor.


ÍNDICE


O faraó da Bíblia é chamado apenas "o faraó que não conheceu José". As primeiras palavras deste faraó merecem atenção:


Ele disse ao seu povo: "Eis que o povo dos Filhos de Israel é mais numeroso e forte do que nós somos. Venha, vamos nos esforçar contra eles, por medo de que eles se multipliquem mais, e caso a guerra venha, eles se juntariam a nossos inimigos e lutariam contra nós, e eles devem deixar a terra. "(Bíblia aramaica, Êxodo 1:9)


De acordo com Rashi, o faraó temeu ser expulso do próprio Egito como Faraó, e na situação de ser minoritário, queria preservar a si próprio e ao seu povo de um êxodo. A expressão "eles devem deixar a terra", veala min aarets, foi traduzida pelos sábios do Midrash judaico como "vamos deixar Aretz". Isso significava que nós, a minoria, os marginais, os monoteístas, seríamos expulsos de Aquetaton. Consequentemente, o faraó advertiu seus súditos, os habitantes de Aquetaton, sobre o crescimento do poder de outros povos do império, designado na Bíblia como "os Filhos de Israel" (os filhos do deus Ré).


A maioria do resto do Egito amoniano era governada pelo Divino Pai Ai. Esses filhos de Israel foram perturbados pelas intenções do faraó e dos monoteístas. A interpretação do final do verso acima mostra que o Egito amoniano começou a aliar-se com os inimigos do Faraó. As pessoas que estavam fora da cidade sagrada estavam favoravelmente dispostas em direção aos exércitos politeístas de Ai. Estudos arqueológicos mostram que o faraó Semencaré, preso em uma armadilha, procurou um compromisso com Ai e o Egito amoniano.


"Os servos do Faraó disseram-lhe:" Quantas vezes ele [Moisés] será uma armadilha para nós? Deixe essas pessoas irem, para que sirvam Adon-Ai, seu Deus. Você ainda não sabe que o Egito está perdido? "(Bíblia aramaica, Êxodo 10: 7).


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As muitas semelhanças entre a Bíblia, a tradição oral, os comentários dos sábios e a história egípcia, testemunham a existência de uma primeira Torá hebraica, agora perdida. Ela revelou a história dos Yahuds. Os Yahuds, para não perderem a memória de seu passado, anotaram em seu livro sagrado o conto do êxodo do Egito, tal e como o tinham vivido nos últimos dias de Aquetaton. Modificado de século a século, dependendo dos reis e dos deuses dominantes, a Torá tornou-se progressivamente uma história mesopotâmica dos hebreus.


Haviam aqueles que se queixaram sobre esta prática: "¿Como você pode dizer, "Nós somos sábios e a Torá de Javé está conosco? "Sim, mas a falsa caneta dos escribas fez com isto uma mentira! " (Jeremias 8:8).


A Torá original era a história do Antigo Egito, relatada pelos Yahuds.


Baseando-se nos escritos no túmulo Tebano de Pauá, um sacerdote de Amon e contemporâneo de Semencaré, Philipp Vandenberg descreve que Semencaré começou a ter um templo construído em homenagem a Amon. "É possível também que o faraó [Semencaré] tenha reconhecido o quão difícil foi converter o povo egípcio a um deus único. Eles haviam oferecido sacrifícios a seus deuses locais há milhares de anos." "Semencaré, desejando perpetuar a tradição monoteísta, opôs-se à partida dos sacerdotes Yahud. Procurou ardentemente um compromisso com o Egito amoniano. Por essa razão, deixou sua capital, Aquetaton, onde morava em segurança, para tornar-se vulnerável em Tebas, um feudo do Divino Pai Ai. Semencaré desconhecia as ambições do Divino Pai e seus "sobrinhos", os Generais Horemheb (Aarão) e Ramsés (Moisés). Ao lado de Aquetaton, o poder político pertenceu durante muito tempo à família do Divino Pai Ai.


No Livro do Êxodo, o Faraó recusa-se a deixar ir os sacerdotes Yahud, apesar de nove pragas, que simbolizam o estado catastrófico do Egito amoniano deixado por Aquetaton. Esta situação é descrita na Estela do Retorno. A décima praga, que se relaciona com a morte de Semencaré, o primogênito de Aquenáton, revela a existência do enredo que se preparava.


Os estudiosos concluíram que a viagem a Tebas era um sinal de apaziguamento para todos os egípcios. Na Bíblia, o Faraó comprometeu-se a recuperar a coesão nacional por grandes projetos de construção. Amenófis III disse ter dito: "É meu coração que me inspirou a executar projetos de trabalho com os melhores homens do meu exército". As palavras do Faraó aqui soam como a ordem que o faraó bíblico deu a Moisés e Aarão, dizendo-lhes para continuar os projetos de trabalho: "O Faraó disse-lhes: "¿Por que você tirou as pessoas do seu trabalho? Voltem ao trabalho!" (Êxodo 5:4).


Os egiptólogos descobriram no túmulo de Tutancâmon algumas tiras que vieram do túmulo de Semencaré, do qual o nome de Semencaré tinha sido raspado. Christiane Desroches Noblecourt escreve: "Vários especialistas concordam em pensar que seu sepulcro [Semencaré] foi, alguns anos depois, saqueado por Ai, para o benefício de Tutancâmon" De acordo com Pierre Grander, Semencaré e Tutancâmon foram pressionados a retornar à antiga religião politeísta e Howard Carter também ficou intrigado com o assunto: "Parece que o retorno de Tutancâmon à velha fé não foi inteiramente ditado por convicção". Visto que Tutancâmon tinha cerca de oito anos no momento, é certo que a intriga para fazer-se com o poder relaciona-se ao retorno da ortodoxia de Amon, só poderia ter sido fomentada por Ai e sua família.


O cartucho de Semencaré carrega sempre o nome de Áton, mesmo que o compromisso com Amon já tenha sido concluído. Depois da morte de Aquenáton um conflito entrou em erupção entre o seu sucessor Semencaré e o Divino Pai Ai. Este conflito foi descrito no Livro do Êxodo.


O compromisso é atestado pela múmia de Tutancâmon, que mostra os principais símbolos das religiões amonianas e atenianas.


"Um novo rei surgiu sobre o Egito, aquele que não conhecia José." (Êxodo 1:8). O comentário de Rashi, tão breve quanto surpreendente, é evocador de memórias históricas. Ele fingiu não o conhecer. "A tradição afirma que José ainda vivia, no tempo deste faraó, o que sugere que havia conflito entre José e o Faraó.


Quando o novo faraó chegou ao trono, Ai ainda era considerado um servo e não um ser divino superior ao faraó. Historicamente, o Ai deificado correspondia com Semencaré por intermédio de intermediários: os Generais Horemheb e Ramsés. O conflito estourou quando o Faraó recusou-se a reconhecer Ai como uma divindade do Egito:


Mas o faraó disse: "Quem é Ai para que eu seja obediente à sua voz e mande Israel para fora? Sequer conheço Ai de fato. Além disso, não deixarei ir Israel.” Eles responderam: "O deus dos Yahuds manifesta-se em nós." (Bíblia aramaica, Êxodo 5:2).


De acordo com a Bíblia Aramaica, Moisés e Aarão estavam deixando o faraó saber que Ai era o deus dos Yahuds, publicamente rejeitando a autoridade do rei do Egito. Após essa rejeição, o Faraó deixou Moisés e Aarão partirem novamente. ¿Por que o rei do Egito não reagiu a essa humilhação? ¿Semencaré entrou em uma armadilha indo para Tebas?


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Moisés disse-lhe [Faraó]: "Assim que eu sair da cidade, estenderei as mãos para Ai. O trovão cessará e não haverá mais granizo, para que saiba que a terra [Aretz = Aquet] pertence a Ai." (Bíblia Aramaica, Êxodo 9:29)


Ai ordenou a Moisés e Aarão reivindicar a posse de Aretz (Aquet). ¿Em que cidade foram realizadas as negociações? ¿Estava em Aquetaton ou em Tebas? Aqui está o comentário do Rashi: "Assim que saí da cidade" (Êxodo 9:29)... ¿E por que a palavra de Deus não foi dada a Moisés dentro da cidade? Porque a cidade estava cheia de ídolos".


Somente Tebas, a antiga capital politeísta do reino, encaixa-se com a realidade histórica. A cidade tebana tinha sido o feudo de Ai por um longo tempo, e nada poderia impedi-lo de pressionar Semencaré para ceder e aderir à sua causa. Rashi (Êxodo 8:17) enfatiza: "A Hagadá dá uma razão para cada praga, por que havia essa e por que outra. Deus atacou-lhes seguindo o plano tático de um rei sitiando uma cidade. Primeiro, destrua as fontes de água. Então, toque as trombetas com fortes explosões para assustá-los e semear o terror ".


De acordo com diferentes comentários, é provável que, historicamente, o exército do Divino Pai Ai sitiou Tebas, exercitando chantagem e intimidação contra Semencaré, mantendo-o refém. Semencaré não conseguiu agir de forma alguma contra os generais.


Ao tomar a iniciativa de ir a Tebas, Semencaré era um faraó heroico, animado pelo desejo de uma paz permanente entre Áton e Amon. Seria benéfico para o povo de Aquetaton, bem como para o resto do Egito.


O sarcófago na Tumba Número 55, contendo a múmia de Semencaré, tem a seguinte inscrição à altura de seus pés. É dirigido a Aquenáton:


Palavras faladas por [nome desgastado]. Posso respirar o doce suspiro que vem da tua boca, posso eu ver a tua beleza todos os dias. Meu desejo é ouvir a tua doce voz, como a brisa, e que meus membros possam ser regenerados para a vida, graças ao meu amor por ti. Deveriam estenderem-se para mim, os teus braços, com a tua força espiritual, para que eu possa receber-te e que eu possa viver em ti. Para que possas chamar-me pelo meu nome para sempre!... Você que é... Vivendo eternamente, como o disco solar... O rei do Alto e Baixo Egito, vivendo em justiça, o mestre das duas terras... Tu, o filho perfeito de Áton, que viverá eternamente.


Enganados várias vezes pelas palavras de Aarão e Moisés, Semencaré percebeu muito tarde a armadilha em que havia caído. Moisés e Aarão dirigiram-se ao Faraó:


Trata-se de três dias de viagem no deserto que queremos ir, e sacrificaremos a Adon-Ai, nosso Deus, como ele nos ordenou". O Faraó disse: "Eu vou deixar você ir sacrificar a Adon-Ai, seu Deus no deserto. Mas tenha cuidado para não ir muito longe. Interceda por mim. (Bíblia Aramaica, Êxodo 8:23)


¿Por que Moisés e Aarão dissimularam a verdade do Faraó? e ¿por que eles não declararam que estavam acompanhando o povo a Canaã?


O faraó conhecia a situação anárquica nos territórios canaanitas (testemunhado pelas cartas de Amarna). Ele não teria permitido ser enganado por Moisés e Aarão, que deram o pretexto de um sacrifício a três dias de distância. Em Tebas, que estava sob cerco, era impossível que Semencaré enviasse um emissário para alertar seu exército em Aquetaton. Foi assim que se juntaram as vertentes da intriga e o golpe de estado fomentados por Ai, seguido do êxodo da população monoteísta.


A imagem do faraó do mal é contrariada por um versículo onde ele aceita a partida dos Filhos de Israel, mas se recusa a deixar as mulheres e os filhos partir:


Ele [Faraó] respondeu: "Que Adon-Ai esteja com você se eu deixá-lo ir, você e seus filhos. Olhe como o mal [raha] está diante de você [= contra você]!... Não será assim!... Vá então, homens e sirvam Adon-Ai, pois você deseja ir lá ". E foram expulsos da presença do faraó. (Bíblia Aramaica, Êxodo 10:10)


O verso emprega a palavra neged, o que significa "com" ou "contra". O Faraó está dizendo que "raha está contra você". Semencaré se opôs ao êxodo, prevendo uma catástrofe. O comentário de Rashi confirma que o faraó do êxodo bíblico lutou desesperadamente para evitar apenas tal resultado:


Veja como o mal está diante de nós. Para traduzi-lo como o Targum: O mal que você pretende fazer volta contra você. Aqui está uma interpretação do Hagadá: há uma estrela que tem o nome de ra'ha (mal). O Faraó disse-lhes: "Eu estudo astrologia e vejo esta estrela aproximando-se para encontrar você no deserto. Isto anuncia sangue e abate".


A previsão de Semencaré foi realizada no deserto, mas também no império egípcio, em que um declínio lento e irreversível iniciou-se com a heresia amarniana. O declínio continuou durante séculos. Ao recusar um compromisso com Áton, Ai quebrou a aliança eterna entre o Egito e seus sacerdotes. Durante o exílio babilônico, o império colapsou, arrastando-se para baixo em seu outono o Reino de Judá, a província dos Yahuds, adoradores do faraó. Os últimos sobreviventes de Yahud derreteram-se no Erev-rav e foram chamados de Hebreus, preservando através da tradição bíblica a essência da religião egípcia.


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O Santo dos Santos do túmulo de Tutancâmon compreende três recipientes que cobrem o sarcófago de granito vermelho que encerra o caixão real, em camadas um dentro do outro. Os dois primeiros estavam em madeira coberta de ouro, enquanto o terceiro era feito de ouro sólido. Nove séculos antes da descoberta do túmulo, Rashi dá detalhes sobre a Arca da Aliança, detalhes que apenas uma tradição oral baseada nas profundezas dos séculos e zelosamente conservada pelas pessoas que saíram do Egito poderia revelar:


No interior e no exterior, você o cobrirá. Betsaliel tinha feito três cofres. Dois em ouro e um em madeira, cada um com as quatro paredes e a base, mas aberto acima. Então colocou o baú de madeira dentro do dourado, depois o outro baú de ouro dentro do de madeira, e cobriu o topo com ouro. O resultado foi que a Arca estava coberta por dentro e por fora.


A descrição é comparada ao sarcófago de Tutancâmon. A palavra hebraica Aron, usada na Bíblia (Êxodo 25:10), é a mesma palavra para caixão, nas histórias de Jacó e José (Gênesis 50:26). ¿A Arca da Aliança era um sarcófago?


Na tampa de cada um dos três caixões de Tutancâmon foram esculpidas duas grandes asas voltadas para a cabeça. Na tampa do último sarcófago, em ouro sólido, há dois anjos, de frente um para o outro, as asas movimentadas acima e abaixo, como os dois anjos da Arca da Aliança.


Depois de tirar a múmia do sarcófago dourado, os arqueólogos retiraram delicadamente as tiras de pano para remover do corpo do jovem rei os muitos objetos preciosos, facas, amuletos, colares dourados e o peitoral dourado. O antebraço esquerdo da múmia usava seis pulseiras douradas, com uma única no bíceps e dois anéis na mão esquerda; um no dedo do meio e outro no dedo anelar. As pulseiras e anéis colocados desta forma correspondem à posição dos talismãs ou tefilins da tradição hebraica, cercando o antebraço esquerdo e os dois dedos da mão.


A faixa dourada na cabeça do faraó exibe o uraeus na frente, o abutre e a serpente, as insígnias do Alto e Baixo Egito. Ela termina com duas tiras caídas na parte de trás do pescoço. Ele evoca o "tefilin da cabeça", e os amuletos, formados por uma caixa com o nome divino, uma banda frontal e duas tiras.


Deixarás [as palavras sagradas] como um símbolo no teu braço, e as vestirás na tua testa entre os teus olhos. (Deuteronômio 6:8).


Em uma carta dirigida a Aquenáton, o Rei de Tiro, Abimalich, informa-lhe que ele está vestindo na sua testa entre os olhos:


Quando o rei, meu Senhor, disse: "Esteja pronto antes da chegada de um grande exército", então o servo diz ao seu Senhor, "ia-a-ia-a [Yah, o mesmo nome de Deus, como na Bíblia], na minha testa e nas minhas costas eu uso a palavra do rei." (EA 147)


A cabeça da múmia de Tutancâmon, usando um solidéu adornado com selos dourados gravados com o nome de Áton, parece ser o ancestral do quipá usado pelos judeus praticantes.


Os ornamentos da realeza egípcia, usados por Tutancâmon, o Faraó do Egito, e os símbolos do monoteísmo bíblico: o tefilin, o quipá e o talit são análogos.



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O seguinte versículo é da sabedoria de Merykare:

Venerar Deus no caminho,

Seja qual for a forma que ele possa manifestar,

Seja ele feito de pedras raras

Ou encarnado em uma estátua de cobre,

Uma forma substituirá outra forma,

Como uma inundação segue a outra.

Dê o seu amor a toda a terra.


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Os capítulos anteriores são uma descrição narrativa da tese segundo a qual o Livro Bíblico do Êxodo é derivado dos eventos históricos que ocorreram na Décima Oitava Dinastia do antigo Egito.


Os capítulos restantes exploram em detalhes a evidência linguística e cultural da relação entre os registros bíblicos e históricos.




À direita, o Faraó Ai

À direita, o Faraó Ai, com seu manto de pele de jaguar, em alusão ao manto bíblico de Nemrod.


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© Lúcio José Patrocínio Filho.

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