Significado da palavra "acordado".

Significado da palavra "acordado".

Por Lúcio José Patrocínio Filho:.

É sempre interessante perceber, que cada palavra tem sua origem e seus significados, nunca aportando profanidades e sempre abarcando elevação espiritual. Não poderia ser diferente com a palavra "acordado".

Sua etimologia possui a mesma derivação linguística da palavra "tolo" ou "louco" no Arábico [خبل], soletrado [kabal, k-b-l], contudo, um "tolo" mais conectado com os entendimentos da palavra "lunático", no sentido de estar desconectado das coisas terrenas. Agora mesmo "recordo", - palavra que remete ao entendimento da "corda" ou aquele que tem seus pensamentos atados um a um e vai puxando desta corda até encontrar aquele pensamento perdido no tempo e na mente - que é comum o personagem "O Louco", aquele das cartas de tarot, ser retratado como um lunático, muitas vezes carregando uma vara (a serpente), tendo nela "atada" uma matula, como aquele que viaja pelo mundo levando sua vida, sua história em sua bagagem. ¿Mas quem é o louco?, aquele que se coloca na corda bamba, arriscando sua "cordura", descer neste mundo das causas, arriscar-se na corda bamba da vida, arriscando seu pescoço esotérico; perder seu juízo entre prazeres da vida. 

Havia um lugar no Templo, era chamado de "Santo dos Santos", "Sanctasanctórum", "Sanctus Sanctorum" ou "Santíssimo Lugar". Era uma sala no Templo de Salomão de 10 cúbitos x 10 cúbitos, onde ficava guardada a Arca da Aliança. A frase latina Sanctum Sanctorum é uma tradução do termo hebraico [קֹדֶשׁ הַקֳּדָשִׁים] pronunciado [Qṓḏeš HaQŏḏāšîm, Santo dos Santos], que nos textos latinos faz referência ao lugar mais sagrado do Tabernáculo dos israelitas e, posteriormente, ao Templo de Jerusalém. Pois bem, era nessa sala onde encontrava-se a Presença Divina [Shekhinah, hebraico bíblico: שכינה šekīnah; também shekina romanizada, schechina, shechina] é a transliteração em inglês de uma palavra hebraica, que significa "morar" ou "povoar" e denota a habitação ou assentamento da presença divina de D'us] e ninguém podia entrar ali, porque ninguém conseguia sobreviver à presença de D´us, mas haviam os loucos, aqueles que preferiam morrer para saber como é estar na presença do Criador, então essa pessoa era amarrada, atada à uma corda, entrava e morria e com a corda era puxada de volta. A conexão com este mundo pode ser perdida, quando elevo meu espírito, assim como minha alma pode desconectar-se do meu corpo, quando caio. 

Em hebraico esta palavra é escrita [ער] e pronunciada ['ér], uma palavra que remete ao estar consciente ou a um dado estado de consciência. Talvez o mais interessante esteja na compreensão de que esta palavra oculta outra palavra menor, a palavra "corda", que em hebraico é escrita [חבל], que se pronuncia [ḥăḇal] e como verbo significa dano e injúria e até mesmo a dor do parto, mas é em sua etimologia mais profunda onde encontramos o proto semítico "corda" [ḥabl], do Aramaico [חֲבַל‎] [ḥăḇal] e que possui os mesmos significados, portanto, encontro aqui conexões com a palavra corda ou o cordão umbilical, aquele que nos conecta com a mãe, e a corda como significado de conexão com o mundo físico, a vida ou o estar vivo e conectado com a mãe Terra, atado al mundo dos fenômenos, pois é este mundo da causalidade o lugar onde devo ir para sentir dor, mas não no sentido de sofrimento, e sim de expressão profunda e elevada do passar pela experiência da vida para aprender a ter piedade de si mesmo, tal e como encontramos nesta palavra no hebraico israelense moderno [חֲבָל] pronunciado [khavál] e que significa pena, piedade e dó, assim como no anagrama da palavra [ער], esta, que em Yiddish também significa "Ele" ou "Ele é" ou seja, [רע,] que se pronuncia [ra] e que significa o mal, portanto, sou eu quem devo vir para encontrar meu próprio eu, atar-me com esta corda, atar o eu inferior, o eu malvado, dominar esta fera como quem domina os sete demônios de si mesmo, isto sim é estar desperto, isto sim é estar "acordado", consciente de estar em uma travessia, em um sendeiro esotérico, entre a Luz e a escuridão, entre o conhecimento e a ignorância de si mesmo.

Se brinco com os anagramas desta palavra, encontro [חֵלֶב], que se pronuncia [khélev] e significa "o líquido" ou "leite, mas que no judaismo pode ser entendida de forma muito particular, como sendo as gorduras animais proibidas para consumo pela lei judaica, ao mesmo tempo e por extensão, pode significar ou levar ao entendimento antônimo como a "melhor parte de algo". Temos então a letra Lamed [ל] para dar forma à esta serpente ou corda que representa a vida, ora repleta de coisas proibidas, ora composta pelas melhores coisas que a vida pode proporcionar, como um "acordo" feito entre o Criador e eu, pois fui contratado, "atado" à esta vida para servir a um propósito divino, portanto, entendo que todos os meus "atos" são agradáveis ao Criador.



O Louco
O Louco e sua trouxa amarrada.


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© Lúcio José Patrocínio Filho.

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